Sonetos Completos

Antero de Quental · Capítulo 27 de 72

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Sonetos Completos

Sonho

 

 

Sonhei—nem sempre o sonho é cousa vã— Que um vento me levava arrebatado,

Atravez d'esse espaço constellado

Onde uma aurora eterna ri louçã…

As estrellas, que guardam a manhã,

Ao verem-me passar triste e calado,

Olhavam-me e dixiam com cuidado:

Onde está, pobre amigo, a nossa irmã?

Mas eu baixava os olhos, receoso

Que trahissem as grandes magoas minhas, E passava furtivo e silencioso,

Nem ousava contar-lhes, ás estrellas,

Contar ás tuas puras irmansinhas

Quanto és falsa, meu bem, e indigna d'ellas!