A Metade Sombria
Os Pardais ESTŽo A VOAR
Vinte e Seis
OS PARDAIS ESTŽo A VOAR
Quando Liz fechou a porta e deixou os dois homens sozinhos, Thad abriu o bloco de notas e, por um instante, fitou a p gina em branco. De seguida, pegou num dos l pis Berol afiados.
- Vou começar com o bolo - disse ele a Stark.
- Sim - retorquiu Stark, cujo rosto deixava transparecer uma espécie de ƒnsia saudosa.
Thad poisou o l pis sobre a p gina em branco. Este era sempre o melhor instante de todos: exactamente antes do primeiro golpe. Era uma espécie de intervenção cir£rgica e, no final, o doente acabava quase sempre por morrer. Ainda assim, Thad não deixava de o fazer. Thad tinha de o fazer porque ele era feito para isso. e apenas isso.
"Não te esqueças", pensou ele. "Não te esqueças do que est s a fazer."
Todavia, uma parte dele - aquela parte que queria realmente escrever M quina de Aço - protestava.
Thad debruçou-se para a frente e começou a encher o espaço em branco.
M QUINA DE A€O de George Stark Primeiro Capítulo: O Casamento
Só muito raramente é que Alexis Machine era excêntrico e, ter um pensamento excêntrico numa situação como esta era algo que nunca Lhe acontecera antes. Ainda assim, ocorreu-lhe o seguinte pensamento:
De todas as pessoas na Terra - quantas? Cinco mil milhões? - sou a £nica que, neste preciso momento, se encontra no interior de um bolo de casamento móvel com uma pistola semiautom tica Heckler & Koch .223 nas mãos.
Nunca se sentira tão confinado num local. O ar começara a rarear quase logo no início, mas, de qualquer forma, ele não conseguiria respirar mais fundo.
A cobertura do Bolo de Tróia era real, mas debaixo dela não existia nada a não ser uma fina camada de um produto de gesso denominado .Martex - uma espécie de caixa de cartão de alta categoria. Se enchesse o peito de ar, o noivo e a noiva colocados no topo do terço superior do bolo iriam provavelmente cair.
A cobertura iria certamente quebrar-se e...
Thad escreveu durante quase quarenta minutos, aumentando de velocidade … medida que ia avançando, com o seu espirito a encher-se gradualmente dos cheiros e sabores do copo-d' gua, que iria terminar com um estampido e tanto.
Por fim, poisou o l pis. Escrevera tudo de uma só vez.
- D -me um cigarro - pediu.
Stark franziu o sobrolho.
- est bem - respondeu.
Havia um maço de Pall Malls na secret ria. Com uma sacudidela, Stark tirou um cigarro para fora e Thad apanhou-o.
Após tantos anos, o cigarro causava uma sensação estranha entre os l bios... de alguma forma, parecia demasiado grande. Mas sabia bem. Sabia correcto.
Stark acendeu um fósforo e ofereceu-o a Thad, que inalou o fumo bem para dentro. O fumo corroeu os pulmões na sua antiga forma implac vel e absoluta. Apesar de se ter sentido imediatamente tonto, Thad não se importou nada com essa sensação.
"Agora, preciso de uma bebida", pensou. "E se tudo isto terminar comigo ainda vivo e de pé, é a primeira coisa que vou fazer."
- Pensava que tinhas deixado de fumar - afirmou Stark.
Thad acenou a cabeça.
- Eu também. O que é que posso dizer, George? Estava enganado.
Thad deu uma outra grande passa no cigarro, lançando o fumo para fora através das narinas. Foi então que virou o bloco de notas em direcção a Stark.
- • a tua vez - disse.
Stark debruçou-se sobre o bloco de notas e leu o £ltimo par grafo que Thad escrevera" não havia necessidade alguma de ler mais nada. Os dois sabiam muito bem como continuava a história.
L em casa, neste momento, Jack Rangely e Tony Westerman deviam estar na cozinha e Rollick no andar de cima.
Todos eles estavam armados com umas Steyr-Aug semiautom ticas, a £nica metralhadora boa fabricada na América e, mesmo que alguns dos guarda-costas disfarçados de convidados estivessem muito longe, os três seriam capazes de levar a cabo uma tempestade de fogo mais do que adequada para cobrir a sua retirada. "Só quero é sair deste bolo", pensou Machine. "• só isso que peço."
Stark acendeu para si próprio um Pall Mall, pegou num dos seus l pis Berol, abriu o bloco de notas... e fez uma pausa. Olhou para Thad com uma sinceridade desarmada.
- Estou assustado, velha carcaça - confessou.
E, apesar de tudo aquilo que sabia, Thad sentiu uma grande onda de compaixão percorrer o seu corpo. "Assustado.
Sim, é evidente que est s", pensou. "Só aqueles que começam da estaca zero - os mi£dos - é que não ficam assustados. Os anos passam e as palavras na p gina não ficam mais escuras... mas o espaço em branco é que fica de certeza mais branco. Assustado? Serias ainda mais louco do que j és se não estivesses assustado."
- Eu sei - retorquiu Thad. - e tu sabes a que é que isso vai dar: a £nica forma de o fazer é fazê-lo.
Stark assentiu e debruçou-se sobre o bloco de notas.
Releu por duas vezes o £ltimo par grafo que Thad escreveu... e foi então que começou a escrever.
As próprias palavras formavam-se com uma lentidão tortuosa no espirito de Thad.
Machine... nunca... imaginara...
Uma pausa longa e, de seguida, numa explosão:
... o que seria sofrer de asma. Contudo, se depois disto, alguem Lhe perguntasse...
Uma pausa mais curta.
... ele lembrar-se-ia do trabalho scoretti.
Depois de ler aquilo que acabara de escrever, Stark olhou para Thad de forma incrédula.
Thad acenou a cabeça.
- Faz sentido, George.
Thad passou com os dedos pelo canto da boca, onde sentiu uma ferroada subita, e verificou que uma ferida nova estava a brotar nesse ponto. Olhou para Stark e viu que uma ferida semelhante desaparecera do canto da boca de Stark.
"Est a acontecer. est mesmo a acontecer."
- Vai em frente, George - disse ele. - F -los ver com quantos paus se faz uma canoa.
Mas Stark j se debruçara de novo sobre o bloco de notas e, neste momento, estava a escrever com maior rapidez.
2
Stark escreveu durante praticamente meia hora e, por fim, com um pequeno grito de satisfação, poisou o l pis.
- est bom - disse numa voz baixa e triunfante.
- est tão bom quanto podia estar.
Thad pegou no bloco de notas e começou a ler - e, ao contr rio de Stark, leu tudo. Aquilo de que estava … procura começou a surgir na terceira p gina das nove que Stark escrevera.
Machine ouviu o som de alguem a raspar e retesou-se, com as mãos a apertarem a Heckler & Pardal. Foi então que compreendeu o que é que eles estavam a fazer. Os convidados - cerca de duzentos - reunidos em mesas compridas sob a gigantesca tenda de riscas azuis e amarelas, estavam a empurrar os pardais desdobr veis ao longo das tabuas que tinham sido colocadas para proteger o relvado dos buraquinhos feitos pelos pardais de saltos altos das mulheres. Os convidados estavam a prestar ao bolo de pardais uma maldita homenagem de pé.
"Ele não sabe", pensou Thad. "Escreveu a palavra "pardais" vezes e vezes sem conta e não faz a mais...
pequena... ideia."
Por cima da cabeça, Thad escutou-os a mexerem-se, agitados, para a frente e para tr s, tendo os gémeos olhado diversas vezes para cima antes de adormecerem. Portanto, Thad sabia que também eles tinham reparado.
No entanto, George não reparara.
Para George, os pardais não existiam.
Thad voltou ao manuscrito. A palavra começava a insinuar-se com uma frequência cada vez maior e, no £ltimo par grafo, a expressão inteira começara a aparecer.
Mais tarde, Machine descobriu que os pardais estavam a voar e que Jack Rangely e Lester Rollick eram as £nicas pessoas no seu grupo escolhido a dedo que eram realmente pardais de confiança. Todos os outros, pardais com quem voara durante dez anos, estavam metidos naquilo. Pardais. e começaram a voar antes mesmo de Machine ter gritado para dentro do seu pardal-talkie.
- Então? - perguntou Stark quando Thad pousou o manuscrito. - O que é que achas?
- Acho que est bem - respondeu Thad. - Mas j sabias isso, não sabias?
- Sim... mas queria ouvir-te dizê-lo, velha carcaça.
- Acho também que est s com muito melhor aspecto.
O que era verdade. Enquanto estivera perdido no mundo irado e violento de Alexis Machine, George começara a sarar.
As feridas estavam a desaparecer. A pele gretada e apodrecida estava a adquirir de novo o tom rosado, as extremidades desta pele nova estavam a passar por cima das feridas saradas, acabando por unirem-se umas com as outras, em certos casos j se tendo fundido. As sobrancelhas, que tinham desaparecido numa am lgama de carne apodrecida, estavam a reaparecer. Os fios de pus que haviam transformado o colarinho da camisa de Stark num empapado feio e amarelado estavam a secar.
Thad levantou a mão esquerda e tocou na ferida que estava a começar a romper na própria têmpora esquerda e, por um instante, manteve as pontas dos dedos diante dos seus olhos. Estavam h£midas. Thad tornou a levantar a mão e a passar os dedos pela testa. A pele estava macia.
A pequena cicatriz branca, lembrança da operação a que fora submetido no ano em que a sua verdadeira vida tivera início, desaparecera.
Uma extremidade do sobe-e-desce vai para cima, a outra tem de vir para baixo. Apenas mais uma lei da natureza, querido. Apenas mais uma lei da natureza.
Ser que j estava escuro l fora? Thad estava convencido que deveria estar - escuro ou muito próximo de escuro.
Olhou para o relógio, embora este não Lhe tivesse dado qualquer tipo de ajuda. Parara …s cinco e quinze. O tempo não tinha qualquer importƒncia. Em breve, teria de avançar com aquilo.
Stark esmagou um cigarro no cinzeiro a transbordar.
- Queres continuar ou fazer um intervalo?
- Porque é que não continuas tu? - perguntou Thad. - Penso que és capaz.
- Sim - retorquiu Stark, sem olhar para Thad. De facto, Stark só tinha olhos para as palavras, as palavras, as palavras. Passou uma mão pelo cabelo louro, que estava a ficar lustroso de novo. - Sim, também penso que sou capaz. Na verdade, eu sei que sou capaz.
Começou a escrevinhar de novo. Quando Thad se levantou da cadeira e se dirigiu para o afia-l pis Stark levantou a cabeça por breves momentos, baixando-a logo de seguida. Thad afiou um dos Berols até ficar com a ponta extremamente afiada. E, ao voltar para a cadeira, tirou do bolso o apito cujo som atraía p ssaros que Rawlie Lhe dera. Fechou-o na mão e tornou a sentar-se, olhando para o bloco de notas diante de si.
J estava, chegara a hora. Thad sabia-o tão bem e com tanta verdade quanto conhecia os traços do próprio rosto debaixo da mão. A £nica questão que ainda faltava saber era se ele tinha ou não coragem para executar o que decidira.
Uma parte dele não queria, uma parte dele ainda ansiava pelo livro. No entanto, Thad ficou surpreendido ao verificar que esse sentimento j não era tão forte quanto o fora quando Liz e Alan tinham deixado o escritório, e ele supunha conhecer a razão desse sentimento. Estava a ocorrer uma separação. Uma espécie de nascimento obsceno. Este deixara de ser o seu livro. Alexis Machine estava com a pessoa que o possuira desde o início.
Continuando a segurar com força o apito na mão esquerda, Thad debruçou-se sobre o bloco de notas.
"Eu sou aquele que traz", escreveu.
L em cima, a movimentação agitada dos p ssaros parou.
"Eu sou aquele que conhece", escreveu.
O mundo inteiro parecia estar imobilizado, … escuta.
"Eu sou aquele que possui."
Parou e olhou de relance para os filhos a dormir.
"Mais cinco palavras", pensou. "Apenas mais cinco palavras."
E Thad apercebeu-se de que a sua vontade de as escrever era mais forte do que nunca.
Thad queria escrever histórias... mas mais do que isso mais do que as visões encantadas por vezes proporcionadas por aquele terceiro olho, ele queria ser livre.
"Apenas mais cinco palavras."
Thad levantou a mão esquerda, tendo enfiado o apito na boca como um cigarro.
"Não olhes agora, George. Não olhes agora, não desvies os olhos do mundo que est s a criar. Agora, não. Por favor, Deus, não permitas que ele olhe agora para o mundo das coisas verdadeiras."
Na folha em branco diante de si, escreveu a palavra "PSICOPOMPOS" em mai£sculas. Fez um círculo … sua volta. Por baixo, desenhou uma seta sob esta £ltima, escreveu:
"OS PARDAIS ESTŽo A VOAR."
L fora, o vento começou a soprar - só que não era vento algum" era o agitar de milhões de penas. e estava no interior da cabeça de Thad. Subitamente, aquele terceiro olho abriu-se na mente, abriu-se mais do que nunca, e Thad viu Bergenfield-Nova Jersia - as casas vazias, as ruas vazias, o ameno céu primaveril. Viu os pardais espalhados por todo o lado, mais do que alguma vez vira em toda a sua vida. O mundo onde ele crescera tornara-se um vasto avi rio.
Só que não era Bergenfield.
Era Endsville.
Stark parou de escrever. Com um toque de alarme repentino e atrasado, arregalou os olhos.
Thad respirou fundo e suspirou. O apito que Rawlie Lhe oferecera soltou uma nota invulgar e aguda.
- Thad? O que é que est s a fazer? O que é que est s a fazer?
Stark tentou tirar-lhe o apito. Antes de conseguir tocar nele, ouviu-se uma detonação e o apito partiu-se em dois na boca de Thad, cortando-lhe os l bios. O som acordou os gémeos. Wendy começou a chorar.
L fora, o ruge-ruge dos p ssaros transformou-se num fragor.
Eles estavam a voar.
3
Liz lançara-se para as escadas quando ouviu Wendy começar a chorar. Por um instante, Alan manteve-se no mesmo sítio, petrificado com o que via l fora. A terra, as rvores, o lago, o céu - tinham todos desaparecido sob uma mancha preta. Os pardais levantaram voo numa grande cortina oscilante, escurecendo a janela de cima a baixo e de um lado a outro.
Quando os primeiros corpos min£sculos começaram a bater no vidro reforçado, a paralisia de Alan quebrou-se.
- Liz! - gritou. - Liz, para baixo!
Mas ela não se iria baixar, o bebé dela estava a chorar e era só naquilo que conseguia pensar.
A correr, Alan atravessou a sala na direcção de Liz, empregando aquela velocidade quase estranha que era um segredo só seu, e foi quando a agarrou que toda a vidraça da parede se estilhaçou sob o peso de vinte mil p ssaros. Outros vinte mil p ssaros seguiram os primeiros, e mais outros vinte mil e mais outros vinte mil. Num instante, a sala de estar ficou repleta deles. Estavam por todo o lado.
Alan lançou-se por cima de Liz e empurrou-a para debaixo do sof . O mundo estava replecto do chilrear estridente dos pardais. Agora, conseguiam ouvir as outras janelas a partirem-se, todas as outras janelas. A casa chocalhou com as pancadas de min£sculos bombardeiros suícidas.
Alan olhou para fora e confrontou-se com um mundo que não passava de uma agitação preto-acastanhada.
Os detectores de fumo começaram a disparar … medida que os p ssaros iam esbarrando contra eles. Algures, ouviu-se um estrépito monstruoso quando o écra do televisor explodiu. Fragor quando os quadros das paredes caíram.
Uma série de pancadas surdas quando os pardais foram de encontro aos tachos pendurados na parede junto ao fogão e os deitaram ao chão.
E, ainda assim, Alan conseguia ouvir os bebés a chorar e Liz a gritar.
- Solta-me! Os meus filhos! Deixa-me! TENHO DE IR BUSCAR OS MEUS FILHOS!
Liz contorceu-se, conseguindo libertar parte do corpo de debaixo dele. De imediato, a parte superior do corpo ficou totalmente coberta de pardais, que agarraram o cabelo dela e começaram a bater as asas desalmadamente. Liz tentou enxot -los com violência. Alan agarrou nela e empurrou-a para tr s. Através do ar endemoninhado da sala de estar, Alan conseguia ver um amplo cordão de pardais a voar escadas acima - em direcção ao escritório.
4
Quando os primeiros p ssaros começaram a bater contra a porta secreta, Stark tentou agarrar Thad. Por detr s da parede, este £ltimo conseguia ouvir a pancada abafada de pisa-papeis a cairem e o tilintar de vidros a partirem-se.
Agora, os dois gémeos estavam a gemer. Os seus gritos aumentaram, misturados com o chilrear ensurdecedor dos pardais. Juntos, os dois compunham uma espécie de harmonia infernal.
- P ra com isso! - berrou Stark. - P ra com isso, Thad! O que quer que estejas a fazer, p ra com isso!
Stark tentou agarrar na pistola, tendo Thad espetado o l pis que estava a segurar na garganta dele.
Num esguicho, sangue jorrou para fora. Stark virou-se para ele, tentando arrancar o l pis com as mãos. Este andava para cima e para baixo enquanto Stark tentava engolir.
Finalmente, conseguiu p“r uma mão em redor do l pis e puxou-o para fora.
- O que é que est s a fazer? - perguntou numa voz rouca. - O que é isto?
Agora, ele j conseguia ouvir os p ssaros, apesar de não os compreender, ouvia-os. Os olhos giraram em direcção … porta fechada e, pela primeira vez, Thad viu um terror genuino estampado naquele rosto.
- Estou a escrever o final, George - respondeu Thad numa voz tão baixa que nem Liz nem Alan ouviram no andar de baixo. - Estou a escrever o final no mundo real.
- Tudo bem - retorquiu Stark. - Vamos, então, escrever o final para todos nós.
Stark virou-se para os gémeos com o l pis ensanguentado numa mão e a .45 na outra.
A extremidade do sof estava coberta por uma manta dobrada. Alan ergueu-se para ir apanh -la, tendo a sua mão sido imediatamente golpeada por aquilo que Lhe pareceu ser uma d£zia de agulhas de costura quentes.
- Raios! - gritou, escondendo a mão no mesmo instante.
Liz estava ainda a tentar libertar-se de debaixo dele.
Nesta altura, o monstruoso som ruflante parecia encher todo o universo e Alan deixara de ouvir os bebés... mas Liz Beaumont, não. Ela contorceu-se, torceu-se e empurrou.
Com a mão esquerda, Alan agarrou com força o colarinho dela e sentiu o tecido rasgar-se.
- Espera um minuto! - bramiu para ela, mas era in£til.
Enquanto os filhos dela estivessem a gritar, não havia nada que pudesse dizer que a fizesse parar. Com Annie seria o mesmo. Mais uma vez, Alan tentou levantar a mão direita, desta vez ignorando os bicos de punhal, e agarrou a manta que, ao cair do sof , se abriu em dobras enredadas.
Do quarto principal, ouviu-se uma pancada enorme quando uma peça de mobili rio - talvez a escrivaninha - caiu ao chão. A mente distante e sobrecarregada de Alan tentou imaginar quantos pardais é que teriam sido necess rios para derrubar uma escrivaninha.
"Quantos pardais é que são necess rios para atarraxar uma lƒmpada?", perguntou a mente dele, enlouquecida.
"Três para segurarem na lƒmpada e três mil milhões para virarem a casa!" Alan soltou uma gargalhada demente. Foi então que o grande globo suspenso no centro da sala de estar explodiu como uma bomba. Liz gritou e, por um instante, retrocedeu para tr s com medo. Nessa altura, Alan conseguiu lançar a manta sobre a cabeça de Liz. Ele próprio escondeu-se debaixo dela. porém, nem mesmo ali ficaram sozinhos, meia d£zia de pardais permaneceram junto deles.
Alan sentiu umas asas penugentas roçarem a face, sentiu uma dor aguda na têmpora esquerda e deu um soco nele próprio através da manta. O pardal caiu para o ombro e, de seguida, de debaixo da manta para o chão.
Alan puxou Liz contra ele, gritando-lhe ao ouvido:
- Vamos andar! Andar, Liz! Debaixo desta manta. Se tentar correr, dou-lhe um murro! Acene com a cabeça se percebeu!
Mais uma vez, ela tentou afastar-se. A manta esticou-se.
Por breves instantes, alguns pardais poisaram nesta superfície, deram uns saltinhos como se de um trampolim se tratasse e começaram a voar de novo. Alan tornou a pux -la contra ele e abanou-a pelo ombro. Abanou-a com força:
- Raios a partam, acene se percebeu!
Quando Liz abanou a cabeça, ele sentiu o cabelo dela fazer-lhe cócegas nas faces. A rastejar, os dois começaram a sair de baixo do sof . Alan manteve o braço colocado com força em redor dos ombros dela, com medo que fugisse. E, lentamente, começaram os dois a atravessar a sala invadida, por entre as nuvens geis e dementes de p ssaros a piarem. Assemelhavam-se a um animal mascarado numa feira: um burro dançarino com o João a fazer de cabeça e a Maria a fazer de traseiro.
A sala de estar da casa dos Beaumont era espaçosa, com um tecto de pé alto. No entanto, agora, parecia não haver mais ar. Os dois caminharam através de uma atmosfera mold vel, agitada e gelatinosa de p ssaros.
A mobilia partia-se. Os p ssaros iam contra as paredes, os tectos e os electrodomésticos. O mundo inteiro ficara repleto do cheiro a p ssaros e com uma ressonƒncia estranha.
Por fim, chegaram …s escadas e começaram a subir lentamente sob a manta, que j se encontrava coberta de penas e cagadelas de p ssaros. E, ao iníciarem a subida, um estampido de pistola soou vindo de algures do escritório l em cima.
Neste momento, Alan j conseguia ouvir os gémeos de novo. Eles estavam a guinchar.
6
…s apalpadelas, Thad procurou o pisa-papeis com que Stark tinha andado a brincar pela secret ria, enquanto Stark apontava a arma a William. Encontrou-o: era um pedaço pesado de ardósia cinzento-escura, lisa num dos lados.
Thad atirou-a sobre o pulso de Stark antes de o grande homem louro atirar, partindo-lhe o osso e empurrando o cano da arma para baixo. Na sala pequena, a detonação foi ensurdecedora. A bala sulcou o chão a dois centímetros do pé esquerdo de William, espalhando lascas pelas pernas do felpudo babygrow azul. Os gémeos começaram a guinchar enquanto Thad lutava com Stark, viu os dois porem os bracinhos … volta um do outro, num gesto de protecção mutua espontƒnea.
"João e Maria", pensou Thad, na altura em que Stark espetava um l pis no seu ombro.
Thad gritou com dores e, com força, deu um empurrão a Stark. Este tropeçou na m quina de escrever que fora colocada no canto e caiu para tr s, contra a parede. Tentou passar a pistola para a mão direita... e deixou-a cair.
Nesta altura, o barulho produzido pelos p ssaros na porta era semelhante a um trovão... e, lentamente, a porta começou a ceder e a abrir-se sobre o eixo central. Um pardal com uma asa esmagada conseguiu entrar e caiu, em convulsões, no chão.
Stark levou a mão ao bolso de tr s... e tirou a navalha.
Com os próprios dentes, puxou a lƒmina para fora. Os olhos cintilavam de forma demente por cima do aço.
- • isto que queres, velha carcaça? - perguntou, e Thad viu a podridão apossar-se de novo do seu rosto, de uma só vez, como uma carga de tijolos derrubada. - • isto que queres mesmo? est bem. é isto que vais ter.
7
A meio das escadas, Liz e Alan estavam parados. Esbarraram contra uma parede de p ssaros mold vel e suspensa e, pura e simplesmente, não conseguiram avançar mais. O ar estava agitado e sibilante devido aos pardais. Com terror e f£ria, Liz gritou.
Os p ssaros não se viraram contra eles, não os atacaram, Limitaram-se a atravessar-se no caminho deles. Parecia que todos os pardais no mundo tinham sido atraídos para ali, para o segundo andar da casa dos Beaumont em Castle Rock.
- Baixa-te! - gritou Alan para Liz. - Talvez possamos rastejar por debaixo deles!
Puseram-se os dois de joelhos. A princípio, foi possível avançar, ainda que não fosse muito agrad vel, deram por si a gatinhar por cima de um tapete de pardais esmagados e ensanguentados com, pelo menos, quarenta e cinco centímetros de altura. No entanto, acabaram por esbarrar de novo contra a mesma parede. Olhando por debaixo da bainha da manta, Alan conseguia vislumbrar uma massa gigantesca e confusa que era impossível de descrever. Os pardais nos degraus superiores estavam a ser esmigalhados. Camadas e camadas de pardais vivos - mas em breve mortos - permaneciam por cima deles. Mais acima ainda - talvez a um metro de distƒncia das escadas - os pardais voavam numa espécie de zona de trƒnsito suicida, colidindo e caindo, alguns erguendo-se de novo e voando, outros contorcendo-se sob as massas dos companheiros caídos com patas ou asas partidas.
Os pardais não conseguiam planar, recordava-se Alan.
Algures em cima deles, do outro lado desta grotesca barreira viva, um homem gritou.
Liz agarrou Alan, puxando-o para perto de si.
- O que é que podemos fazer? - gritou. - O que é que podemos fazer, Alan?
Ele não Lhe deu qualquer resposta. Porque não havia resposta nenhuma a dar. Não havia nada que eles pudessem fazer.
8
Com a navalha na mão direita, Stark encaminhou-se na direcção de Thad. Este recuou em direcção … porta do escritório que se ia lentamente deslocando, com os olhos fixos na navalha. Agarrou num outro l pis em cima da secret ria.
- Isso não te vai fazer nada bem, velha carcaça - advertiu Stark. - Não agora. - Foi então que os seus olhos foram atraidos para a porta, que tinha sido totalmente aberta e os pardais des guavam para dentro do escritório, um rio de pardais... e desaguavam em direcção a George Stark.
Num segundo, a sua expressão transformou-se numa expressão de terror... e inteligibilidade.
- Não! - gritou ele, começando a golpear os pardais com a navalha de Alexis Machine. - Não, eu não vou! Eu não vOu voltar para tr s! Não me podem obrigar!
Com destreza, Stark cortou um dos pardais ao meio, este caiu do ar em dois pedaços esvoaçantes. Stark abriu caminho e rasgou o ar … sua volta.
E foi então que, de repente, Thad compreendeu.
"Eu não vou voltar para tr s!"
O que estava a acontecer ali.
Era evidente que os psicopompos tinham ido até ali para servir de escolta a George Stark. A escolta de George Stark de volta a Endsville, de volta para a terra dos mortos.
Thad deixou cair o l pis e recuou, dirigindo-se para junto dos filhos. O ar estava repleto de pardais. Agora, a porta encontrava-se praticamente escancarada, o rio transformara-se numa enchente.
Pardais poisaram nos ombros largos de Stark. Poisaram nos braços, na cabeça. Pardais foram de encontro ao peito, primeiro …s dezenas, depois …s centenas. Stark tentou abrir caminho por aqui e por ali, numa nuvem de penas caídas e bicos reluzentes e contundentes, tentando retribuir aquilo que Lhe estava a acontecer.
Os p ssaros cobriram a navalha, o seu perverso brilho prateado desapareceu, soterrado debaixo das penas que a ela se agarravam.
Thad olhou para os filhos. Estes tinham parado de chorar.
Estavam a olhar para cima, para o ar abarrotado e efervescente, com expressões idênticas de espanto e prazer.
Tinham as mãos levantadas, como se quisessem ver se ia chover. Os dedinhos min£sculos estavam esticados. Alguns pardais poisaram sobre eles... e não os picaram.
Mas estavam a picar Stark.
Sangue jorrou do seu rosto em centenas de pontos. Um dos olhos azuis saltou para fora. Um pardal poisou no colarinho da camisa e espetou o bico no buraco feito por Thad com o l pis no pescoço de Stark - o p ssaro repetiu a proeza por três vezes, com rapidez, rat-tat-tat, como uma metralhadora, antes da mão …s apalpadelas de Stark o agarrar e esmagar como uma peça viva de orgami.
Thad agachou-se junto dos gémeos e, nesse momento, os p ssaros começaram também a poisar nele. Não estavam a picar, apenas poisados.
E a observarem.
Stark desaparecera. Transformara-se numa est tua viva e contorcida de p ssaros. O sangue infiltrava-se por entre as asas e penas aglomeradas. De algures, em baixo, Thad ouviu um som lancinante e esganiçado - era a madeira a ceder.
"Eles conseguiram abrir caminho até a cozinha", pensou.
Por breves instantes, recordou-se dos tubos de g s que alimentavam o fogão, mas esse pensamento era distante e insignificante.
De seguida, Thad começou a ouvir os sons abafados e semelhantes a estalidos da carne fresca de George Stark a ser arrancada dos próprios ossos.
- Eles vieram buscar-te George - ouviu-se a si próprio murmurar. - Eles vieram buscar-te. Que Deus te ajude .
9
Alan pressentiu a existência de algum espaço por cima de si e olhou através dos buracos da manta em forma de diamante. Cagadelas de p ssaro cairam-lhe sobre as faces, tendo-as ele limpado com as mãos. O poço da escada estava ainda repleto de p ssaros, embora o seu n£mero tivesse diminuido. Aparentemente, a maioria daqueles que ainda estavam vivos tinha chegado ao local para onde se dirigia.
- Vamos l - disse ele para Liz, tendo os dois começado a subir as escadas, de novo sobre o repugnante tapete de p ssaros mortos. Tinham conseguido chegar ao patamar do segundo andar quando ouviram Tad gritar:
- Levem-no, então! Levem-no! LEVEM-NO DE VOLTA PARA O INFERNO, QUE é O LUGAR DELE!
E o redemoinho de p ssaros transformou-se num furacão.
10
Stark fez um £ltimo esforço para fugir deles. Não havia sitio nenhum para onde ir, sitio nenhum para onde fugir mas, ainda assim, ele tentou. Fazia parte do seu estilo.
A coluna de p ssaros que o tinha coberto deslocou-se para a frente juntamente com ele, braços gigantescos e tufados cobertos de penas e cabeças e asas levantaram-se, bateram no próprio torso, levantaram-se de novo, e cruzaram-se sobre o peito. P ssaros, alguns feridos, alguns mortos, cairam para o chão e, por um instante, deparou-se a Thad uma visão que o iria assombrar para o resto da vida.
Os pardais estavam a devorar George Stark vivo. Os olhos tinham desaparecido, onde em tempos haviam existido, agora só se viam amplas cavidades escuras. O nariz fora reduzido a uma aba ensanguentada. A testa e a maior parte do cabelo tinham sido arrancados, pondo a descoberto a superfície de muco rameloso da caixa craniana. O colarinho da camisa orlava ainda o pescoço mas o resto desaparecera.
As costelas furavam a pele sob a forma de caroços brancos.
Os p ssaros tinham-lhe aberto o ventre. Uma manada de pardais poisou sobre os pés, olhando para cima com uma atenção redobrada, e lutaram pelas tripas … medida que estas iam caindo em pedaços retalhados e gotejantes.
E viu ainda mais uma coisa.
Os pardais estavam a tentar levant -lo no ar. Estavam a tentar... e muito em breve, quando tivessem reduzido o sufíciente do seu peso corporal, era exactamente isso que fariam.
- Levem-no, então! - gritou - levem-no! LEVEM-NO DE VOLTA PARA O INFERNO, QUE é O LUGAR DELE!
Os gritos de Stark desapareceram … medida que a garganta se foi desintegrando sob uma centena de bicos perfuradores e cortantes. Pardais aglomeraram-se por debaixo das axilas e, por um segundo, os pés levantaram-se do tapete ensanguentado.
Num gesto selvagem, Stark impeliu os seus braços - o que deles restava - para baixo, para os lados, esmagando dezenas... mas dezenas e dezenas mais vieram preencher os lugares daqueles mortos.
Repentinamente, o som de madeira lascada e estilhaçada … direita de Thad aumentou de volume, tornando-se oco. Olhando nessa direcção, viu a madeira da parede leste do escritório desintegrar-se como uma folha de papel. Num segundo, viu milhares e milhares de bicos amarelos a surgirem de uma só vez. Foi então que agarrou os gémeos e rodou para cima deles, arqueando o corpo para os proteger, deslocando-se com uma graciosidade verdadeira, provavelmente pela £nica vez na sua vida.
A parede veio abaixo, numa nuvem empoeirada de lascas e serradura. Thad fechou os olhos e apertou os filhos contra si.
Não viu mais nada.
11
Mas Alan Pangborn viu, e Liz também viu.
Quando a nuvem de p ssaros sobre eles e em redor deles se dividiu em dois, puxaram a manta para os ombros.
Liz começou a caminhar aos tropeções pelo quarto dos hóspedes adentro, em direcção … porta aberta do escritório, sendo seguida por Alan.
Por um instante, este £ltimo não conseguiu vislumbrar nada do que se estava a passar no interior do escritório"
não passava de um borrão castanho-escuro. No entanto, de seguida, distinguiu com clareza uma forma - uma terrível forma almofadada. Era Stark. Estava coberto de p ssaros, a ser comido vivo, e, no entanto, ainda estava vivo.
Mais p ssaros surgiram, mais ainda. Alan pensou que o terrível chilrear esganiçado o iria levar … loucura. e foi então que viu o que eles estavam a fazer.
- Alan! - gritou Liz. - Alan, eles estão a levant -lo!
A coisa que fora George Stark, uma coisa que era agora apenas vagamente humana, foi erguida no ar sobre uma almofada de pardais. Atravessou o escritório, quase caiu e, de seguida, tornou a ser erguida com dificuldade. Aproximou-se do gigantesco buraco orlado de lascas na parede leste do escritório.
Mais p ssaros entraram a voar por entre o buraco:
aqueles que ainda estavam no quarto de hóspedes precipitaram-se para o escritório.
Carne caiu do esqueleto contorcido de Stark sob a forma de uma chuva macabra.
O corpo flutuou através do buraco, com pardais a voarem … sua volta e a arrancarem o £ltimo fio de cabelo.
Alan e Liz procuraram libertar-se do tapete de p ssaros mortos e entraram no escritório. Thad estava a p“r-se lentamente de pé, com um gémeo a chorar em cada braço. Liz correu para eles e tirou-os do pai. As mãos percorreram os corpos deles, em busca de feridas.
- Eles estão bem - assegurou Thad. - Penso que eles estão bem.
Alan dirigiu-se para o buraco irregular na parede do escritório. Olhou l para fora e viu uma cena saída de um qualquer conto de fadas com bruxas mas. O céu estava enegrecido de p ssaros e, no entanto, num ponto, estava amarelado, como se um buraco tivesse sido rasgado no tecido da realidade.
Este buraco negro apresentava a forma inconfundível de um homem a debater-se.
Os p ssaros levantaram-no mais alto, mais alto, mais alto, até alcançar o topo das rvores, onde pareceu ficar.
Alan pensou ter ouvido um grito estridente e inumano proveniente do centro dessa nuvem. De seguida, os pardais começaram a mexer-se de novo. De certa forma, vê-los era como ver um filme visionado de tr s para a frente. Fios negros de pardais dispararam para fora de todas as janelas estilhaçadas na casa, afunilaram em direcção ao céu, a partir da entrada, das rvores e do tejadilho curvado do Volkswagen de Rawlie.
Todos eles se deslocaram em direcção …quela escuridão central.
A mancha em forma de homem começou a mexer-se de novo... sobre as rvores... em direcção ao céu negro... e, aí, perdeu-se de vista.
Liz estava sentada a um canto, com os gémeos ao colo, embalando-os, reconfortando-os, embora nenhum deles parecesse estar particularmente perturbado. Estavam a olhar alegremente para o seu rosto descomposto e manchado de l grimas. Wendy acaríciou-a, como que a consolar a mãe.
William levantou uma mãozinha, tirou uma pena do cabelo de Liz e observou-a de perto.
- Ele desapareceu - disse Thad, com voz rouca.
Reunira-se a Alan junto ao buraco na parede do escritório.
- Sim - confirmou Alan, desatando subitamente a chorar. Alan não se tinha dado conta de que estava … beira das l grimas, aquilo simplesmente aconteceu.
Thad tentou colocar os braços … sua volta, mas Alan recuou, com as botas a triturarem com um ruido seco uma massa de p ssaros mortos.
- Não - disse. - est tudo bem.
Thad p“s-se a olhar de novo pelo buraco irregular, para a noite. Um pardal saiu do escuro e pousou no ombro dele.
- Obrigado - disse-lhe Thad. - Obri...
Subita e traiçoeiramente, o pardal deu-lhe uma bicada, fazendo jorrar um fiozinho de sangue por debaixo do olho.
De seguida, tornou a levantar voo para se juntar aos seus companheiros.
- Porquê? - inquiriu Liz, a olhar para Thad com perplexidade e admiração. - Porque é que ele fez isso?
Apesar de não ter respondido, Thad acreditava saber a resposta. Acreditava igualmente que Rawlie DeLesseps também a deveria conhecer. Aquilo que acabara de acontecer era suficientemente m gico... mas não fora nenhum conto de fadas. Talvez o £ltimo pardal tivesse sido movido por uma força qualquer de que Thad tivesse de ser recordado.
Recordado … força.
"Tem cuidado, Thaddeus. Nenhum homem controla os agentes da vida depois da morte. Não por muito tempo - e h sempre um preço a pagar."
- "E que preço é que terei de pagar?", interrogou-se ele de forma fria, rematando de seguida: "E a conta...
quando é que vencer ?"
Mas essa era uma questão para uma outra altura, para um outro dia. e havia este facto - talvez a conta j tivesse sido paga.
Talvez ele j estivesse finalmente quite.
- Ele morreu? - perguntou Liz... quase a implorar.
- Sim - respondeu Thad. - Morreu, Liz. … terceira é de vez. O livro fechou-se sobre George Stark. Vamos l , vamos l embora daqui.
E foi isso que fizeram.