A Metade Sombria
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- Não significa nada - murmurou ele, esfregando as têmporas com as pontas dos dedos, … espera que a dor de cabeça começasse, ou que as palavras rabiscadas no papel se ligassem entre si e fizessem algum sentido.
Thad não queria que nenhuma dessas coisas acontecesse...
e nenhuma delas aconteceu. As palavras eram apenas palavras, repetidas vezes sem conta. Algumas tinham sido obviamente retiradas do sonho que tivera com Stark; as outras não passavam de uma am lgama sem nexo.
E a sua cabeça estava óptima.
"Desta vez, não vou contar … Liz", pensou ele. "Maldito seja se o fizer. E não apenas porque estou assustado... apesar de o estar. é extremamente simples: nem todos os segredos são segredos maus. Alguns são segredos bons. Alguns são segredos necess rios. E este é tanto bom como necess rio.
Apesar de não ter a certeza se tudo isso era realmente verdade ou não, Thad descobriu algo imensamente libertador:
ele não queria saber. Estava absolutamente farto de pensar e de, ainda assim, nada saber. Estava também farto de se sentir com medo, como um homem que, por uma brincadeira, entra numa gruta e, de seguida, começa a suspeitar que est perdido.
"Então, p ra de pensar nisso. Essa é a solução."
Thad tinha a impressão de que era verdade. Não sabia se seria ou não capaz de o fazer... mas tencionava levar a cabo a velha tentativa do costume. Muito lentamente, esticou-se, pegou na nota de encomenda com ambas as mãos, e começou a rasg -la …s tiras. O viveiro de palavras enroscadas no papel começou a desaparecer. Thad pegou nas tiras ao comprido, tornou a rasg -las ao meio, e deitou os papelinhos no cesto dos papéis, onde ficaram como confetes sobre todo o outro lixo que j fora deitado l para dentro. De seguida, sentou-se, com o olhar fixo poisado nos pedacinhos de papel durante quase dois minutos, meio … espera que se juntassem de novo e voassem de volta para a secret ria, como as imagens na bobina de um filme que é corrida para tr s.
Por fim, pegou no cesto dos papéis e levou-o pelo corredor fora, até um painel de aço inoxid vel enfiado na parede ao lado do elevador. Por debaixo, podia ler-se o sinal INCINERADORA.
Thad abriu o painel e deitou o lixo pelo cano negro abaixo.
- J est - disse para o invulgar silêncio de Verão do edifício de Inglês e Matem tica. - Não h mais nada.
"Aqui em baixo chamamos a isto recheio dos tolos."
- Aqui em cima chamamos a isto bosta de cavalo - sussurrou ele, dirigindo-se de novo para o gabinete, com o cesto dos papéis vazio na mão.
Não havia mais nada. Pelo cano abaixo, esquecido para sempre. E até os resultados dos testes virem do hospital - ou até ocorrer um outro lapso de memória, um estado de transe, ou o raio de coisa que fosse - Thad não tencionava contar nada. Nada mesmo. O mais prov vel era que as palavras escritas naquela folha de papel fossem produto da própria imaginação, como o sonho de Stark e da casa vazia, e não tivessem absolutamente nada a ver com o assassínio de Homer Gamache ou com o de Frederick Clawson.
"Aqui em baixo, em lindsville, onde todas as linhas de comboio terminam."
- Não significa nada de nada - disse Thad, numa voz regular e empolada... mas quando, nesse dia, deixou a universidade, estava praticamente em fuga.