A Metade Sombria

Stephen King · Capítulo 6 de 26

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A Metade Sombria

Segunda-feira logo de manhã, antes que Liz…

Onze

ENDSVILLE

1

Segunda-feira logo de manhã, antes que Liz Lhe moesse o juízo por causa disso, Thad marcou uma consulta com o Dr. Hume. A remoção do tumor em 1960 fazia parte dos seus registos médicos. Thad contou a Hume que, £ltimamente, tivera duas recorrências dos sons dos p ssaros, que tinham pressagiado as dores de cabeça durante os meses conducentes ao diagnóstico e … ablação do tumor. O Dr. Hume quis saber se as dores de cabeça propriamente ditas tinham voltado. Thad respondeu-lhe que não.

Não se referiu ao estado de transe, ou …quilo que escrevera durante esse estado, ou ao que fora descoberto escrito na parede do apartamento da vítima de um assassínio em Washington D. C. Tudo isto j parecia tão distante quanto o sonho da noite passada. Na verdade, Thad deu por si a gozar sobre todo o assunto.

No entanto, o Dr. Hume levou tudo a sério. Muito a sério mesmo. Mandou Thad dirigir-se ao Centro Médico do Maine Oriental nessa mesma tarde. Queria tanto uma série de radiografias ao crƒnio como uma tomografia axial computadorizada... uma TAC.

Thad foi. Sentou-se para as radiografias e, de seguida, enfiou a cabeça no interior de uma m quina que se assemelhava a um secador de roupa de tamanho industrial. Durante quinze minutos, a m quina soltou uma série de sons estridentes, após os quais Thad foi liberto do cativeiro... pelo menos por então. Telefonou a Liz, disse-lhe que lhe entregariam oS resultados l para o fim-de-semana e acrescentou que iria ainda passar pelo gabinete na universidade, onde se demoraria um pouco.

- J reflectiste melhor quanto a telefonares ao xerife Pangborn? - inquiriu ela.

- Vamos esperar pelos resultados dos testes - replicou.

- Depois de vermos aquilo com que estamos a lidar, talvez se possa tomar alguma decisão.

2

Thad encontrava-se no gabinete, a libertar a secret ria e as prateleiras de tudo aquilo que se acumulara ao longo de um semestre, quando os p ssaros começaram a piar de novo dentro da sua cabeça. Primeiro, alguns chilreios aqui e ali que, de seguida, se uniram a outros e que, rapidamente, se tornaram um coro ensurdecedor.

Céu branco - Thad viu um céu branco entrecortado pelas silhuetas das casas e dos postes de telefone. E pardais por todo o lado. Alinhados em todos os telhados, amontoados em todos os postes, apenas … espera da ordem do mentor do grupo.

Nessa altura, lançar-se-iam em direcção ao céu, com um som semelhante ao produzido por milhares de lençóis a agitarem-se ao sabor de um vento tonificante.

Thad cambaleou …s apalpadelas em direcção … secret ria e, a tactear, procurou a cadeira. Tendo-a encontrado, deixou-se cair nela.

Pardais.

Pardais e o céu branco do final da Primavera.

O som encheu a sua cabeça, uma cacofonia sem nexo, e quando puxou até si uma folha de papel e começou a escrever, Thad não estava ciente daquilo que fazia. A cabeça pendeu para tr s, sobre o pescoço; vazios, os olhos fitaram o tecto. A caneta voou para tr s e para a frente e para baixo, parecendo mover-se sozinha.

Na sua cabeça, todos os p ssaros levantaram voo numa nuvem escura que encobriu o céu branco de Março na zona Ridgeway de Bergenfield, Nova Jérsia.

3

Thad recuperou a consciência menos de cinco minutos depois de os primeiros chilreios isolados terem começado a soar na sua mente. Transpirava muito e o pulso esquerdo latejava, mas não sentia qualquer espécie de dor de cabeça.

Olhou para baixo, viu o papel sobre a secret ria - era o verso de uma nota de encomenda de manuais de apoio gr tis para a cadeira de Literatura Americana - e, estupefacto manteve o olhar preso no que aí estava escrito.

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