A Psicologia da Dor
18 Técnicas de Relaxamento no Tratamento da Síndrome de Fibromialgia
Luiz Paulo Marques de Souza
Técnicas de relaxamento
As técnicas de relaxamento são métodos de recondicionamento
psicofisiológico. Elas podem ser a terapia principal ou adjuvante de outras
modalidades terapêuticas. São úteis para in duzir descontração e
tranquilização, especialmente para pessoas com transtornos ou sequelas
musculares, bem como outras condições com ou sem componente
psicogênico. São também instrumentos auxiliares na educação e nas artes.
Não substituem o tratamento medicamentoso, mas podem acompanhar a
psicoterapia de apoio.1
Embora exista tendência de definir o relaxamento como a ausência de
tensão muscular, deve-se considerar que, em seu processamento, tanto
componentes psíquicos como físicos interagem entre si e de maneira
integrada, mesmo quando algumas modalidades de técnicas de relaxamento
priorizam ou o uso da sugestão ou ainda meios físicos, como tensão e
descontração muscular. Qualquer definição de relaxamento deve, portanto,
fazer referência aos estados de tranquilidade motora, ao padrão reduzido de
ativação somática, aos informes verbais de descontração por parte do
terapeuta e às respostas verbais ou não verbais por parte do paciente.
Dada a sua divulgação ampla em meios não profissionais, as diversas
técnicas correm o risco de exposição a modificações indevidas e
experimentações pouco sérias, podendo causar resultados insatisfatórios em
razão de inesperadas comutações neurovegetativas ou pela manipulação
irresponsável do estado hipnoide.
Ao utilizar os meios de relaxamento como instrumentos terapêuticos, o
psicólogo não se transforma em um simples técnico. É necessário que tenha
praticado e se submetido ao exercício proposto por várias vezes,
observando, inclusive, os insucessos.1 Deve-se considerar que nenhum
desses métodos, por mais simples que possam parecer, é inócuo ou eficaz
para todos os problemas. Por essa razão, é importante avaliar o paciente
antes e após o trabalho.2
O tom de voz que o terapeuta utiliza deve modificar-se segundo o
procedimento empregado. São necessárias pausas de alguns segundos entre
uma frase e outra. Frases como “vou curá-lo” ou “vou fazer você se sentir
melhor com esses métodos” podem induzir a impressão de que a técnica
tem características fantásticas e, por isso, são completamente
contraindicadas.1,2
O terapeuta também precisa estar atento ao ambiente físico e o
mobiliário. Colchões, camas baixas ou sofás são os elementos ideais, mas o
terapeuta deve estar preparado para possíveis adaptações diante da
possibilidade de atendimento em locais diferentes, como parques, salas de
aula, quartos hospitalares etc.
Autores concordam que há limitações metodológicas no
acompanhamento por meio de relaxamento de pacientes com transtornos
psiquiátricos graves, como esquizofrenia, depressão profunda, medo
excessivo de perda de controle e dependência química.3 Neste sentido,
revisões de estudos que envolvem as denominadas terapias mente-corpo
(“mindbody medicine”) verificaram metodologia pobre e resultados
controversos quanto a segurança e aplicabilidade das diferentes técnicas
existentes.4,5
No tratamento do câncer, diferentes técnicas de relaxamento são
indicadas para pacientes com quadro de dor decorrentes da história natural
da doença, dos efeitos adversos da quimioterapia e da radioterapia, de sinais
de tensão muscular, do humor deprimido ou da ansiedade que o diagnóstico
e o tratamento proporcionam. Também podem ser úteis nos casos de
pacientes com dificuldade para percepção corporal, queixas em relação a
sono, apetite, náuseas e alterações sensoriais, como diminuição do olfato e
do paladar. Sendo assim, intervenções complementares ao tratamento
medicamentoso visam reduzir o sofrimento relacionado e/ou acentuado pela
dor e promover a qualidade de vida nas diferentes fases do tratamento
clínico usual. No entanto, são necessários mais estudos sistemáticos,
preferencialmente com gruposcontrole, que reforcem e comprovem a
eficácia das técnicas e identifiquem eventuais maneiras de manejo no
tratamento do câncer por meio dessa terapêutica, assim como de outras
doenças e quadros clínicos em que o quadro álgico se manifesta como
sintoma potencialmente limitante.6
Psicofisiologia
Muitas publicações científicas relativas ao relaxamento para casos de
dor crônica fundamentam a sua eficácia em base psicofisiológica e de
psicologia cognitivocomportamental, muitas vezes, sem metodologia bem
sistematizada. Os diferentes métodos de relaxamento são, segundo os
trabalhos publicados, meios auxiliares para modificar os comportamentos e
sintomas, o que não diminui sua importância terapêutica.
Não estão completamente justificados os mecanismos da ação
envolvidos nos diversos tipos de relaxamento. Uma das hipóteses pressupõe
que, se o indivíduo mantinha até então sua atenção na sensação dolorosa, ao
direcionar sua consciência para um novo foco constituído pela voz do
terapeuta que lhe apresenta objetos visuais reais ou imaginários, estes
passam a atuar positivamente no controle da sensação dolorosa, do que resulta a analgesia. Pode ocorrer predomínio da atividade do sistema
nervoso parassimpático sobre o simpático, fenômeno também relacionado
com o alívio ou a inibição do fenômeno doloroso, pois o sistema nervoso
parassimpático é relacionado com o relaxamento que ocorre após o
indivíduo submeter-se a situações estressantes.7 A reação de relaxamento
seria resultante da atuação do hemisfério cerebral direito sobre o esquerdo,
este geralmente dominante; o hemisfério direito tem parte importante na
tarefa visuoespacial, perceptual, no comportamento emocional, na
motivação e no esquema motor.8
Os efeitos obtidos durante técnicas que fazem uso da imaginação podem
ser explicados pela atividade do sistema límbico, no qual os sentimentos de
expectativa e esperança são registrados da mesma maneira que os
sentimentos opostos lá instalados até então. As mensagens então enviadas
ao hipotálamo inverteriam a supressão do sistema imunológico, para que as
defesas do corpo sejam, mais uma vez mobilizadas. Em seguida, a glândula
hipófise, ao receber as mensagens do hipotálamo, enviaria mensagens para
todo o sistema endócrino, restabeleceria o equilíbrio emocional e também o
equilíbrio do corpo.9
A tomografia de emissão de pósitrons (PET-positron emission
tomography) mostra que algumas regiões do córtex cerebral são ativadas
quando uma pessoa imagina ou realmente vive uma experiência, o que
sugere que a criação de imagens ativa o córtex óptico; imaginar uma música
desperta o córtex auditivo e invocar sensações táteis estimula o córtex
sensorial. Portanto, a imaginação pode enviar mensagens de várias regiões
do córtex cerebral para o sistema límbico. A partir daí, a mensagem é
enviada para estruturas que controlam o sistema endócrino e o sistema
nervoso neurovegetativo, fenômeno que pode modificar várias funções
orgânicas, inclusive a frequência cardíaca, a transpiração e a pressão
arterial.10 O Quadro 18.1 mostra vários eventos fisiológicos comuns com a
aplicação de várias técnicas utilizadas no tratamento de condições crônicas
no relatório do Instituto Nacional de Saúde (NIH) Norte-americano.11
Quadro 18.1 Reações possíveis das técnicas de relaxamento*.
Consumo Nível respiratório Batimento Ondas Pressão de cardíaco cerebrais sanguínea
oxigênio
Técnica de Jacobson Diminui Diminui Diminui Não Diminui
mensuradas
Treino autógeno Diminui Diminui Aumentam Resultado não
(Schultz) conclusivo
Zen e Yoga Diminui Diminui Diminui Aumentam Diminui
Hipnose Diminui Diminui Diminui Não Resultado não
mensuradas conclusivo
Meditação Diminui Diminui Diminui Aumentam Diminui
*Adaptado de Benson, H. (1996).11
Histórico
É antiga a utilização terapêutica de técnicas semelhantes aos
relaxamentos atualmente empregados. A tradicional medicina tibetana
utiliza técnicas como o KUM-NYE que incluem exercícios de respiração e
automassagem com a finalidade de proporcionar bem-estar duradouro,
meios curativos e práticas profiláticas. Também se originam no oriente
técnicas como a meditação, que foi adaptada às necessidades do ocidente, o
que motivou críticas de alguns estudiosos do assunto.
As ciências do comportamento demonstraram muito interesse pelo uso
terapêutico da imaginação e de técnicas que dela se utilizam para atuar na
cognição e mudar comportamentos. Considera-se que a origem das técnicas
de visualização esteja ligada às práticas antigas de cura popular. Os xamãs e
pajés são especialmente mencionados como possuidores de maior perícia
nessas práticas, nas quais diagnosticar é o ato de nomear a doença, o que,
por si só, é um ato mágico assim como os rituais de cura.12
Nas civilizações antigas, os curadores tinham por hábito recitar um mito
sobre a origem da doença ou do deus curador antes de administrar um
tratamento; ao visualizar o mito, iniciava-se o processo de cura. A essência
do tratamento apoiava-se nos rituais que consistiam em preparativos
demorados capazes de dirigir a atenção do doente para situações menos ameaçadoras. Ao participar desse processo, o doente passava a ser elemento
ativo no controle de seu problema e, desse modo, obtinha o alívio pela
crença de que a harmonia entre ele e o mundo divino havia sido
reestabelecida. Os rituais e os símbolos servem para interpretar o
significado da doença e o papel do doente em um contexto cultural. Assim,
o doente torna-se emocionalmente envolvido, favorecendo estados alterados
de consciência; o poder do curador é validado pelas experiências daí
decorrentes, reforçando o sistema de crenças espirituais. Essa relação torna
os doentes mais suscetíveis às sugestões feitas pelo curador, de modo a
possibilitar a redução dos níveis de medo e ansiedade, viabilizando o
relaxamento.
O uso sistematizado do relaxamento segundo os critérios modernos de
pesquisa científica é recente no ocidente. Algumas das técnicas atuais de
relaxamento desenvolvidos no ocidente encontram seus antecedentes
históricos nos primórdios do que hoje se chama hipnose. Nesse sentido,
alguns autores concordam ser difícil distinguir desse processo as técnicas
como a imaginação dirigida.13,14
O magnetismo de Franz Anton Mesmer (1734-1815), de Viena, fazia
uso de magnetos que eram aplicados sobre o corpo dos doentes para induzir
estado de sono e relaxamento físico e mental, o chamado “transe
magnético”, do qual emergiam com crise do tipo convulsiva, mas
apresentavam melhora ou tornavam-se livres de seus transtornos.15
Posteriormente, ficaram conhecidas as práticas do padre português José
Custódio de Faria, conhecido como Abade Faria (1756-1819), que
acreditava que os fenômenos observados por Mesmer eram explicáveis com
base na sugestão; alertou também para as reações negativas, físicas e
psíquicas, que poderiam ser evocadas pelos maus operadores da técnica.
Em 1842, o magnetismo passou a ser designado pelo nome de “neuro-
hipnotismo” por James Braid (1795-1860), que desenvolveu a ideia de que
o resultado da técnica poderia ser explicado como fenômeno
neurofisiológico. Desde então, cientistas reconhecidos, como Charcot e
Freud, estudaram a sua aplicação no tratamento das neuroses.1 Atualmente,
define-se como hipnose ou transe hipnótico o aumento do estado da
concentração focalizada receptivo às sugestões de outro indivíduo. É
condição mais próxima da vigília que do sono e caracterizado pela
dominância de frequências alfa e teta no eletroencefalograma.16 A hipnose
passou a ser aceita como técnica auxiliar na área de saúde em 1952 no
Reino Unido e em 1961, nos EUA. No Brasil, desde 1958, o código de ética
médica prevê princípios de responsabilidade ética na prática da hipnose. Em
1964, foi atribuída aos psicólogos a faculdade de utilização da hipnose.17
A prática de exercícios por meio de visualização ou imaginação
induzida foi popularizada por Emil Coué (1857-1926) na virada do século
20. Ele procurava deixar os doentes em posição confortável e, quando
começavam a dormir, instruía-os a introduzirem em seus pensamentos
ideias positivas.18
Em 1926, Johannes H. Schultz, na Alemanha, publicou trabalho a
respeito dos efeitos da hipnose em casos de neurose de guerra. Percebeu
que, durante o processo hipnótico, a pessoa referia espontaneamente
sensações de peso, calor e tranquilidade. Passou então a sugerir tais estados
e sensações a seus doentes para que eles próprios utilizassem a técnica de
modo “autógeno”, buscando assim o bem-estar físico e mental. O
treinamento autógeno visa primeiramente à esfera muscular, seguindose de
dilatação vascular. Na medida em que o indivíduo se concentra no estímulo
monótono da voz do terapeuta, ocorre identificação com os fenômenos
físicos que são observados ao longo do exercício. Por esta razão, a
orientação do tratamento autógeno deve ser função de um terapeuta
capacitado. Por meio de linguagem clara, o terapeuta procura apresentar
repetidamente ordens e afirmações que induzem descontração muscular e
calma no doente, sendo finalmente sugerida sensação de leve frescor na
fronte.1
Por volta da mesma época, Edmund Jacobson, nos EUA, desenvolveu o
chamado “relaxamento progressivo”. Para ele, os indivíduos desenvolviam
anormalidades à medida que os esforços desenvolvidos com o objetivo de
vencer e ser bem-sucedido induziam padrões de tensão com sinais e
sintomas nem sempre bem diagnosticados. Esses sintomas eram bastante
comuns em trabalhadores de indústrias e se refletiam principalmente nos
segmentos cervicobraquiais e peitorais e eram descritos como sensações
dolorosas vagas e mal localizadas. A técnica foi denominada “progressiva”
porque o indivíduo exercita e relaxa, por várias vezes, diferentes grupos
musculares (braços, pernas, cabeça, tórax); à medida que é repetido, o relaxamento tende a progredir até ocorrer repouso. A partir daí, o doente
observa redução das tensõesmusculares de modo consciente. Em razão do
longo processo de aprendizado, a técnica foi modificada. Para evitar
complicações, é fundamental avaliar o estado médico físico prévio.1
Na década de 1980, Stephanie Mathews e Carl Simonton utilizaram
técnicas de visualização em pessoas hospitalizadas com câncer e
estabeleceram modelo de compreensão da atividade das imagens mentais
visando melhorar o seu estado de saúde. Durante sessões regulares,
solicitavam que os pacientes praticassem relaxamento muscular simples,
concentrando-se na respiração. Em seguida, os estimulavam a criar imagens
mentais que pudessem descrever sua doença e tratamento. Observaram que
as pessoas passavam a ativar mecanismos para se sentirem melhor e trazer
emoções e problemas não verbalizados aos médicos ou outros profissionais
envolvidos no tratamento. O primeiro caso relatado por Simonton et al. era
de uma pessoa que visualizava células sadias atacando e vencendo células
cancerosas. Os pesquisadores então passaram a encorajar outros doentes a
visualizar as conquistas que lhes parecessem mais fáceis e atraentes; um
torcedor de futebol, por exemplo, visualizava a doença como um time
adversário. Desse modo, o Método Simonton propõe que as visualizações
utilizadas estejam de acordo com as características individuais de cada
paciente.9
Ao longo de seu desenvolvimento, a medicina tradicional da Índia e do
extremo oriente sistematizou diferentes métodos para tratar doenças e, ao
mesmo tempo, aliviar sintomas proporcionando bem-estar físico e mental.
Atualmente, são cada vez mais populares no ocidente recursos como Do-In,
Shiatsu, Tui Na, Ti Kong e massagem ayurvédica.
Os métodos terapêuticos desenvolvidos exclusivamente no ocidente
originaram-se por volta de 1930, quando o psiquiatra Wilhelm Reich (1897-
1957) desenvolveu a técnica do “relaxamento caráter-analítico”. Ele
postulou que uma das manifestações da neurose era a rigidez de alguns
segmentos musculares ao longo do corpo, que formaria verdadeira
armadura denominada “couraça muscular”, onde, muitas vezes, os doentes
apresentavam dores. Estimulava-se o doente, em decúbito dorsal e com
roupas afrouxadas, a respirar profundamente enquanto o terapeuta tocava
firmemente a região do diafragma e do tórax, afrouxando a couraça muscular. Na sequência, eram aplicadas massagens em alguns segmentos
corporais, observando a modificação do ritmo respiratório.1
Graças aos estudos de Reich, foi possível aprimorar a prática da
psicoterapia por meio de diferentes técnicas corporais. Estas podem ser
efetivas mesmo quando o trabalho verbal torna-se inoperante.1,19 No Brasil,
seguindo a linha de trabalhos corporais capazes de promover relaxamento,
foi desenvolvida a Calatonia® pelo médico húngaro Petho Sándor (1916-
1992). A partir de trabalhos realizados com mutilados nos campos de
refugiados da Europa durante o período que se seguiu à Segunda Guerra
Mundial, o autor percebeu que o contato bipessoal, juntamente com a
manipulação suave nas extremidades do corpo como mãos e pés, produzia
descontração muscular, comutações vasomotoras e recondicionamento do
ânimo dos indivíduos amputados. Radicando-se no Brasil, desenvolveu
método que consiste em sequência de toques suaves e monótonos aplicados
nos pés e demais extremidades do corpo dos doentes para promover estado
intermediário entre vigília e sono.20 Habitualmente, os profissionais que
utilizam essa técnica em psicoterapia utilizam os referenciais de Carl Jung,
técnica de relaxamento que possibilita viabilizar a produção espontânea de
imagens mentais que, do ponto de vista psicológico, significa que as defesas
de seu ego estão mais frouxas. Desse modo, com o auxílio da psicoterapia,
é possível realizar ligação com seu momento atual, integrando à sua
consciência elementos até então pouco percebidos ou desconhecidos.21,22
Técnicas de relaxamento e fibromialgia
Há cerca de 10 anos, foi desenvolvida uma pesquisa no Instituto de
Ortopedia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (IOT-HC-FMUSP) utilizando duas diferentes
técnicas de relaxamento em programa que durou 8 semanas consecutivas e
no qual foram analisadas possíveis melhoras induzidas ao longo do
tempo.23,24
Os métodos foram aplicados em 60 mulheres com idades entre 30 e 65
anos e com diagnóstico de fibromialgia segundo os critérios do Colégio
Americano de Reumatologia. O grupo de pacientes denominado grupo V
foi submetido à técnica de visualização dirigida; já o grupo chamado grupo J foi submetido à técnica de relaxamento progressivo de Jacobson; e um
terceiro grupo, classificado como grupo comparativo ou grupo C, foi
tratado com medicamentos antidepressivos tricíclicos, relaxantes
musculares e analgésicos. Os resultados foram avaliados antes e após o
exercício proposto, segundo o Questionário de Impacto de Fibromialgia
(com pontuação variando de 0 a 100 pontos, em que o escore máximo
indica condição fibromiálgica mais crítica) e a Escala Visual Analógica (em
que o doente assinala a intensidade da dor segundo sua percepção em uma
linha com 10 cm de comprimento).
Durante a primeira sessão de relaxamento, foi fornecida fita gravada
com a voz do terapeuta e a técnica apropriada para cada grupo e um “diário
de relaxamento” para prática no domicílio. Os grupos de relaxamento foram
avaliados 3 meses após o término do programa via questionário, de modo a
verificar se os exercícios ensinados tiveram utilidade na modificação da dor
e se foram praticados com alguma frequência no ambiente domiciliar.
Na primeira sessão a pontuação média do Questionário de Impacto de
Fibromialgia foi 60,25 no grupo V, 62,77 no grupo J e 59,52 pontos no
grupo C. Durante a última sessão, realizada 2 meses após, os resultados
foram 58,60 pontos para o grupo V, 51,97 pontos para o grupo J e 51,45
pontos para o grupo C, indicando que ocorreu melhora significativa do
ponto de vista estatístico.
A média das pontuações, segundo a Escala Visual Analógica, antes e
após o relaxamento foi 8,11 e 5,68 pontos, respectivamente no grupo V,
7,61 e 5,71 respectivamente no grupo J. A dor antes e após o exercício
apresentou valor médio de 7,58 pontos previamente ao tratamento no grupo
V e 5,68 pontos depois, e 7,47 pontos antes e 5,71 pontos depois no grupo
J. As avaliações subsequentes revelaram que 88,23% dos participantes do
grupo J consideraram que a dor melhorava após relaxamento no domicílio,
o mesmo ocorrendo em 76,47% dos casos do grupo V. O relaxamento era
utilizado pelo menos 1 vez/semana, por 41,17% dos doentes do grupo J e
por 55,4% do grupo V, e a fita gravada era usada por 88,23% do grupo J e
por 82,35% do grupo V.
Conclui-se que as técnicas de relaxamento foram eficazes no alívio da
dor relacionada com a fibromialgia, as quais se tornaram, após o programa,
um instrumento adicional de autocuidado; e que não houve superioridade de uma técnica em relação à outra, apesar de os resultados com a técnica de
Jacobson terem sido quantitativa e discretamente melhores.
A melhora observada nos doentes do grupo-controle foi atribuída ao
contato dos doentes com o pesquisador que manteve atenção e escuta
diferenciada e ao controle das expectativas criadas pela participação na
pesquisa. Após o estudo, foi oferecido a esse grupo de doentes outros
tratamentos disponíveis no hospital, como acupuntura, grupos
psicoeducativos e fisioterapia.
Como a pesquisa foi realizada com grupos de doentes, criou-se
oportunidade para os doentes verbalizarem suas sensações, esclarecerem
dúvidas e discutirem as dificuldades impostas pela dor crônica. Isto
significa que é fundamental a presença de um profissional que escute de
modo diferenciado essas questões e que seja habilitado a utilizar as técnicas
para compartilhar melhor com outros profissionais os resultados e seus
valores.
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