A Psicologia da Dor
Parte 1 - Um Olhar da Psicologia sobre a Dor
OceanofPDF.com
Vera Lopes Besset
Dor crônica | Desafio
As reflexões expostas neste capítulo provêm das pesquisasa em
andamento no Núcleo de Pesquisas Clínica Psicanalítica (CLINP) sobre o
fenômeno da dor crônica por meio de uma abordagem psicanalítica.
Entendida como experiência sensorial e emocional desagradável
associada a dano tecidual real ou potencial,1 a dor é considerada
tradicionalmente um sinal, “sintoma que alerta para a ocorrência de lesões
no organismo”.2 No entanto, são numerosos os exemplos de dores corporais
rebeldes sem base fisiológica observável; algumas iniciadas após acidentes,
feridas ou operações por vezes benignas). Estados dolorosos crônicos sem
substrato orgânico definido, doenças da dor, são referidos desde o século
19.3 Por ter perdido seu caráter de alarme, a dor crônica tem relação com
um emaranhado de determinações de ordem somática, psicológica e/ou ambiental. Com o objetivo de solucionar o que é considerado ponto cego da
medicina, novas estratégias de tratamento têm sido adotadas e esforços sem
precedentes realizados para a compreensão das diferentes modalidades
sensoriais (p. ex., somática, visceral), de suas localizações e da adaptação
dos procedimentos de tratamento para públicos específicos.4 Em virtude de
suas aporias, é a dor que se torna, por assim dizer, a doença.5 Para Santos,6
“A singularidade dessa nova medicina da dor baseia-se essencialmente no
reconhecimento da dor como objeto de atenção médica por si só e como
experiência, cujos aspectos envolvidos só podem ser eficazmente avaliados
e tratados a partir da interação efetiva de uma equipe interdisciplinar” (p.
144, 145).
O diagnóstico e o tratamento da dor crônica têm mobilizado
profissionais de diferentes áreas e é uma das razões mais comuns de
procura por atendimento médico e afastamento do trabalho, podendo ser
considerada essa questão como um problema de saúde pública.7 As
síndromes de dor crônica têm a dor como sintoma principal e são
classificadas de acordo com a região acometida em: cervicobraquialgia,
lombalgia, fibromialgia, cefaleia.8 A fibromialgia, relatada com bastante
frequência, pode ser considerada paradigmática entre as dores crônicas. No
Brasil, segundo o Ministério da Saúde,9essa síndrome acomete 8% da
população, predominantemente as mulheres. Nela prevalece a dor
generalizada, referidas nos músculos e em suas estruturas anexas (tendões e
ligamentos), em distintas regiões do corpo.10 Em geral, essas dores são
concomitantes a outras manifestações corporais, como cansaço, rigidez
muscular, perturbações do sono etc. Apesar desse agrupamento de sintomas
relativamente bem estabelecido e da evolução clínica conhecida, até o
momento a Medicina ainda não logrou a descoberta de uma causa orgânica
para a fibromialgia. Não são mencionadas lesões teciduais relacionadas
com a síndrome e não existe marcador biológico patognomônico desse
diagnóstico; além disso, não há resposta homogênea à terapêutica
farmacológica e, em muitas situações, a dor permanece mesmo sendo
empregados os mais poderosos analgésicos, como a morfina e seus
derivados sintéticos. Alguns autores, como Aragon,11 relatam que o
tratamento medicamentoso mais eficaz entre os pacientes fibromiálgicos
não utiliza analgésicos nem anti-inflamatórios, mas antidepressivos.
No “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica” citado
anteriormente, 9 afirma-se que os pacientes com dor crônica sofrem
frequentemente de depressão e recomenda-se o tratamento. De fato, na
literatura especializada a dor crônica é relacionada com a somatização ou
com a conversão histérica e acompanhada transtornos de ansiedade e
depressão.12 Evidências da concomitância entre a dor crônica e estados
depressivos são apresentadas em vários estudos.13-17 Em geral, a explicação
dessa relação tem como base o funcionamento do organismo e o viés
neuroquímico.18 Com frequência, torna-se difícil definir se é a dor que
motiva a depressão ou se, ao contrário, a dor pode ser expressão da
depressão. Em psicanálise, o termo depressão não tem o mesmo sentido
daquele utilizado em medicina; designa geralmente um conjunto de
sentimentos, que pode ser uma tristeza que acomete um indivíduo às voltas
com a queda de seus ideais, ou estados graves de inibição melancólica
acompanhados, muitas vezes, de fenômenos elementares de psicose e de
intenção suicida com evolução funesta.19 A dependência da dor crônica ou
persistente com relação às condições psíquicas abre um campo de
investigação interessante.
Contrapondo-se ao mistério que recobre o fenômeno da dor, pode-se
afirmar que a medicina nunca esteve tão preparada, em termos
farmacológicos e terapêuticos.20 Enquanto as práticas de cuidado se
desenvolvem em técnicas cada vez mais sofisticadas, a objetivação do
fenômeno da dor parece se situar em uma vontade maior de sedação, sob a
pena de excluir, por esse mesmo movimento, um sujeito da enunciação para
a afirmação de uma ordem totalitária da saúde.21 Quando a medicina
concede a palavra ao paciente no contexto de sua dor é, com frequência, em
resposta à decepção dos profissionais de saúde confrontados com a
impotência diagnóstica. Do exposto, confirma-se que a parceria entre
diversos saberes22 pode inscrever o tratamento da dor crônica em uma
abordagem multidisciplinar.23,24 Como Lacan predisse em uma conferência
sobre o tema em 1966,25 a medicina contemporânea deveria considerar, em
sua relação com a ciência e as leis tanto da biologia como da genética, a
importância da clínica do particular.
Para a psicanálise, a dor crônica expõe questões cruciais sobre o corpo e
a regulação das pulsões.26 Diante do enigma de uma dor que faz sua morada no corpo e, tal como o sintoma, se repete e, como a pulsão, insiste; a
psicanálise é convocada a intervir,27 aceitando a abordagem multidisciplinar
indicada para seu tratamento.28 Trata-se de uma dor que, em alguns casos,
como sintoma histérico, “fala”, “entra na conversa”29 e, em outros, ao
contrário, “se cala”, se mostra “muda”,30 como em casos de psicose nos
quais podem ter a função de uma suplência para a construção de um corpo
possível.31
Da dor sem sentido ao sentido da dor
Apesar de a obra freudianab não se aprofundar no tema, abordando-o em
momentos pontuais,32,33 a dor, se considerada em sentido amplo, como
sofrimento, está na base da criação da clínica psicanalítica. Em especial, os
sofrimentos no corpo, como no caso da jovem mulher com diagnóstico de
histeria, que esteve aos cuidados do médico vienense Joseph Breuer.29
Na descrição feita por Freud,34 Anna O., como ficou conhecida na
história da psicanálise, “sofreu paralisia, com rigidez das duas extremidades
do lado direito, que permaneciam insensíveis, e às vezes essa mesma
afecção nos membros do lado esquerdo; alterações nos movimentos
oculares e múltiplas deficiências na visão, dificuldades para sustentar a
cabeça, intensa tussis nervosa, asco aos alimentos e, durante várias
semanas, incapacidade para beber, apesar de uma sede martirizante;
ademais, diminuição da capacidade de fala, a ponto de não poder se
expressar ou não compreender sua língua materna e, por último, estados de
ausência, confusão, delírio, alteração de sua personalidade toda...”c O
estudo deste caso possibilitou o delineamento de algumas noções que se
tornaram fundamentais para a compreensão da histeria, dentre ela a
conversão, segundo a qual os sintomas da histeria são uma derivação de
excitação escoadas de maneira indevida:34 “...os sintomas da histeria
dependem de cenas impressionantes, porém esquecidas, de sua vida
(trauma)...; esses sintomas correspondem a uma aplicação anormal de
magnitudes de excitação não tramitadas (conversão)” (p. 8).d Ao mesmo
tempo, reafirma-se a causalidade traumática dessa afecção, segundo a
proposta que Freud atribui a Charcot.35
O caráter inovador dessa concepção fica evidente quando lembramos
que, em meados do século 19, uma mulher com histeria era tratada como
uma simuladora e considerada bruxa nos séculos anteriores. Fazia-se, então,
uma ligação entre a histeria e os genitais femininos. Os trabalhos de
Charcot, como aponta Freud, possibilitaram uma mudança na abordagem da
histeria, demonstrando que nela imperam uma lei e uma ordem. Todavia,
em nosso século, em consonância com o predomínio do mestre
contemporâneo,36 a classificação psiquiátrica em voga (DSM) reduziu as
manifestações psicopatológicas a “transtornos” e excluiu a histeria das
categorias nosográficas. Na categoria transtornos somatoformes, propõe o
transtorno de somatização, “caracterizado pela combinação de dor,
sintomas gastrintestinais, sexuais e pseudoneurológicos” (p. 469).37 Vale
ressaltar que “...a retomada dos princípios freudianos a respeito do sintoma
da histeria como sintoma que fala e encerra uma significação apresenta
relevância política para o campo da psicanálise”.38 Isto, porque, para operar,
a psicanálise depende, por um lado, do sintoma e, por outro, do poder da
fala em afetar o corpo e o pensamento.
Algumas formulações freudianas sobre a dor são a base da reflexão de
alguns psicanalistas39-41 que se dedicam ao trabalho sobre esse tema
atualmente. Em especial, as que se referem a vicissitudes na capacidade do
aparelho psíquico lidar com o excesso que seria próprio da dor. Ao longo da
obra de Freud, a dor é associada a um excesso, segundo uma concepção
quantitativa ou econômica.32 No projeto de Psicologia,42 o autor afirma que
“o sistema de neurônios tem a mais decidida inclinação a fugir da dor” (p.
351).e A dor corresponderia ao fracasso do sistema em proteger o aparelho
psíquico, afastando grandes quantidades de energia oriundas do mundo
externo. Em decorrência desse fracasso, altos níveis de energia externa
afetam o sistema nervoso e aumentam os níveis de excitação que causam
desprazer, percebido como dor, e buscam uma descarga motora. E “da
vivência da dor resulta a repulsa, uma defesa primária do aparelho
psíquico, uma aversão a manter investida a imagem mnêmica hostil” (p.
367).f
Valendo-se das elaborações de Freud sobre excesso (de energia não
escoada) e trauma, atualizadas por autores pós-freudianos, Arán e Alcides39
acrescentam: “A partir destas teorizações sobre o trauma, poderíamos afirmar que a dor pode se manifestar como excesso não introjetado pelo
aparelho psíquico” (p. 101). Concluem que construir um espaço terapêutico
com base na clínica interdisciplinar “se constitui como desafio cotidiano
que exige disponibilidade de criatividade por parte dos profissionais psi” (p.
104). Nesse espaço, mantém-se a referência ao sentido como proposta de
tratamento, tomando-se por base as sensações corporais. Igualmente em
consonância com a proposta freudiana, Leite e Pereira40 entendem que “A
dor marca o limite do eu atravessado por um excesso. Ela erotiza o corpo
que arrisca revelar-se como carne crua, reveste o corpo orgânico que tanto
horroriza a histérica” (p. 102).
Forte dor, de natureza imprecisa, que sobrevinha rapidamente ao andar
ou ficar em pé foi relatada por Elisabeth von R., paciente de Freud.43
Apresentando-se como uma fadiga dolorosa, essa dor não sinalizava
afecção orgânica mais séria, segundo o autor, já que as indicações da
paciente sobre as características de sua dor, diferentemente do enfermo que
sofre de dor orgânica e a indica com precisão e tranquilidade, eram
imprecisas. Freud considera que se trata de uma histeria porque aquele que
sofre de dor orgânica, ao ser estimulado em um lugar doloroso, mostra
“uma expressão inconfundível de mal-estar ou de dor física; além disso, o
paciente se sobressalta, se esquiva do exame, se defende” (p. 153).42 Em
contrapartida, em resposta ao mesmo tipo de estimulação, o rosto de sua
paciente “assumia uma expressão peculiar, mais de prazer do que de dor”.42
Nesse caso, Freud concede à fala de sua paciente o valor de uma verdade
particular e conclui que o padecer físico da paciente forneceu expressão
simbólica para seus pensamentos de teor doloroso.
S. foi diagnosticado com fibromialgia e frequenta o serviço de dor
crônica, que é atrelado a nossa pesquisa-intervenção.g É acompanhado por
médico e psicóloga (semanalmente) e participa de um grupo de fala em
reunião mensal coordenada pelos profissionais anteriormente mencionados.
Recentemente, ao relatar ter vivido 14 dias sem a dor, o que percebeu pelo
número de remédios que deixara de tomar, acrescentou: “As coisas que a
Dra. X (estagiária do serviço) fala ficam... vou embora pensando nelas.
Devo dizer que doem. Sabem por que doem? Porque ficam na gente como
alfinetes ... “(sic). S. parece ter substituído, mesmo que em um intervalo, a
dor no corpo por algo que a implica seu ser de gozo. Algo que remete ao feminino pelo viés da maternidade e a interroga como questão, incômoda
como alfinete. Nesse caso, a dor corporal sem causa orgânica indica seu
caráter de mensagem a ser decifrada. Revela-se um sintoma freudiano: tem
relação com a história do sujeito, tem um sentido e se oferece à decifração.
Entretanto, em alguns casos, a dor não se apresenta como sintoma analítico,
mostrando-se impermeável à interpretação. Por vezes, tal como os sintomas
obsessivos,44 remetem-nos a um sentido45 de satisfação pulsional.46
Dor como enigma | Aposta da psicanálise
A dor crônica (sintoma) pode se apresentar na neurose como modo de
gozo ou fenômeno psicossomático em qualquer estrutura clínica. Nesse
ponto, concordamos com alguns autores47-49 que acreditam que os
fenômenos de conversão não elucidam por completo o determinismo
psíquico da dor. Gaspard49 expõe: “Com efeito, mesmo se o quadro clínico
da histeria não deixa de lembrar a histeria, o acontecimento ao corpo que
constitui a fibromialgia não é de todo redutível a um fenômeno de
conversão (solução neurótica como resposta a numerosas recusas do corpo)
nem a um fenômeno psicossomático, até mesmo a um efeito subjetivo de
patologias orgânicas ou autoimunes (p. 137, tradução da autora).h Na
mesma vertente, Castellanos50 assinala que, contrariamente aos sintomas de
histeria, os sofrimentos das dores crônicas não são facilmente identificáveis.
Esse autor propõe uma leitura da dor como linguagem do corpo, afirmando
que, nesses casos, “o corpo atua como curto-circuito, suportando o sintoma,
a dor que não foi transmitida pela via simbólica, a dor dos afetos, das
angústias ou do sofrimento” (p. 110). De todo modo, a indicação freudiana
continua válida, o corpo próprio é uma das três fontes de sofrimento para o
homem (p. 76).50
Toda doença dolorosa exerce influência sobre os investimentos
libidinais. Essa é a tese que Freud apresenta em seu célebre texto sobre o
narcisismo,51 quando sofre de dor a pessoa deixa de se interessar por
qualquer coisa que não se relacione com seu sofrimento. Explicita, citando
um trecho de outro autor, que descreve a dor de dentes de um poeta: “na
estreita cavidade de seu molar se recolhe toda sua alma” (p. 79).i Para o
autor:52 “A melancolia consistira no luto pela perda da libido” (p. 240;
grifos do original).j Perda que ocorre “mediante uma hemorragia interna,
digamos assim, nasce de um empobrecimento de excitação... Como
inibição, esse recolhimento tem o mesmo efeito de uma ferida (ver a teoria
da dor psíquica), analogamente à dor” (p. 245).k Na melancolia,
diferentemente do luto, não se sabe o que foi perdido, embora a perda possa
estar referida a um objeto.53 Para Freud,54 tanto quanto a angústia, a dor é
efeito de uma perda, ambas têm relação com a separação: “A dor é,
portanto, a reação genuína frente à perda do objeto; a angústia o é frente ao
perigo que essa perda traz e, em ulterior deslocamento, ao perigo da perda
mesma do objeto” (p. 159).l
Cardoso e Paraboni41 interessam-se pelas relações entre a
impossibilidade do luto, a melancolia e a dor crônica. Em referência ao
trauma e à falta de recursos frente ao luto, afirmam: “A dor física crônica
passa a ser superinvestida continuamente para que a perda do objeto – em
última análise, a perda no eu – não resulte em aniquilamento. A dor física
parece ser investida como uma espécie de maternagem paradoxal:
simultaneamente, protetora e mortífera” (p. 118). Alguns dados de pesquisa
em clínica médica relacionam a perda de entes queridos e o surgimento dos
primeiros sintomas de fibromialgia na maioria dos casos.55 Isso foi
constatado no caso clínico de uma jovem que sentia uma intensa dor no
joelho que a impedia de caminhar e trabalhar.50 A dor se estendia por todo o
corpo, provocando cansaço e insônia, mas não apresentava causas
orgânicas. Nos encontros com o analista, a jovem relatou perdas
relacionadas com adoecimentos e mortes de pessoas da família. Esse
trabalho propiciou a elaboração do luto, no qual a fala do sujeito substituiu
a fala do corpo, possibilitando que o sintoma cedesse, “caso em que os
analgésicos não haviam demonstrado nenhuma eficácia” (p. 15).m
Na psicose, a dor pode participar de um esforço para apreender os
limites corporais56 ou, até mesmo, como em casos de esquizofrenia,
corresponder a uma tentativa de “se fazer um corpo”.57 Esse corpo, pelas
dores e sensações difusas que produz, torna-se parceiro do sujeito. Segundo
Freud,48 a dor faz-nos conhecer partes de nosso corpo das quais não
tínhamos conhecimento antes de a sentirmos. Afirma58 que a dor torna
possível construir a representação do corpo próprio: “Também a dor parece
desempenhar um papel nisso, e o modo em que na base de enfermidades dolorosas se tem nova notícia de seus órgãos, é talvez o arquetípico do
modo pelo qual cada um chega à representação de seu próprio corpo” (p.
27).n Sobre isso, no esteio da concepção freudiana, e avançando a partir da
noção de gozo, Lacan59 afirma: “Pois o que eu chamo gozo no sentido no
qual o corpo se experimenta é sempre da ordem da tensão, do forçamento,
da despesa, até mesmo da exploração. Há, incontestavelmente, gozo no
nível em que a dor começa a aparecer, e nós sabemos que é somente nesse
nível da dor que se pode experimentar toda a dimensão do organismo que,
do contrário, permanece velada” (p. 9).o
Ao destacarmos a função da dor, interessa-nos sua dimensão de solução
subjetiva com relação aos impasses de um falasser. Uma dessas funções
pode ser o alcance da satisfação, se acompanhamos as formulações
freudianas sobre o sadismo e o masoquismo, entendidos como perversões.60
Freud explicita que “a pele, em alguns lugares do corpo, se torna uma zona
erógena a fim de satisfazer a pulsão” (p. 98). Mas, no masoquismo, tanto
como no sadismo, não é a dor em si que é buscada, mas a excitação sexual
concomitante.61
Por vezes, por sua recorrência e cronicidade, podemos supor que a dor
crônica promoveria uma suplência ou um enlaçamento, em casos de psicose
extraordinária ou ordinária; valemo-nos da distinção proposta por Miller.62
No que tange à psicose ordinária, seria interessante investigar se a dor
crônica pode funcionar como possibilidade, entre outras, de enganchep com
o outro.63 De todo modo, extrema prudência64 é recomendada em relação à
dor crônica rebelde e aos fenômenos do corpo.
Nos casos em que a imagem do corpo não fornece a um sujeito a crença
de ter um corpo e, em consequência, de existir no mundo, a dor, como
sensação, pode vir a desempenhar essa função. É a hipótese de Ebtinger65 na
abordagem do caso clínico de um sujeito acometido por dor física
permanente após sofrer um acidente, quando já não se podia assinalar
nenhuma causalidade orgânica para tal. A dor começou depois de um
acidente de carro que aconteceu em dois tempos. Na primeira batida, mais
leve, o homem manteve-se bem. No entanto, após a segunda batida, mais
forte e inesperada, o homem perdeu a consciência por alguns instantes e
viveu um sentimento de irrealidade, acreditava estar morto. Quando os
lugares que sofreram choque começaram a doer, o paciente diz que pôde compreender que estava vivo. Naquele instante da batida, ele perdeu a
percepção de seu corpo que se traduziu por um sentimento de irrealidade do
mundo. A dor tinha para esse homem uma função: a aliança entre corpo,
realidade e vida – “É a sensação de seu corpo que funda sua realidade e não
a imagem que ele tem dele mesmo” (p. 150).
N. vai se consultar por indicação de seu médico, mas não tem ideia do
que irá fazer no consultório de um analista. Rapidamente, esses encontros
tomam o aspecto de uma conversação.66 A dor no corpo não é tema dessas
conversas, mas as relações com os outros, que causam problemas para ele.
Muito rapidamente a dor se acalma e o médico se surpreende. Mas a dor
não acaba. É, para N., uma hipótese, o modo de interrogar o outro sobre o
gozo estranho, fora das normas, o gozo feminino. A fibromialgia, de
maneira contingente, possibilitou seu encontro com um analista.
Sustentar a enunciação do sujeito em sua tentativa de construção de uma
teoria pessoal para sua dor67 revela-se adequado e recomendável nos casos
de dor crônica “imotivada”.q Entre outros termos, ao menos em alguns
casos, a questão seria fazer o corpo “falar” de uma dor (psíquica)
impossível de simbolizar.68 Quando não é possível “fazer falar” a dor, o
recurso à noção de sintoma como solução, delineado no ensino de Lacan e
retomado por autores contemporâneos,69 apontam a importância de se
investigar, em cada caso, a função da dor.28
Ao contradizer o saber médico sobre o organismo e suas funções, a dor
crônica remete ao que ocorreu com a histeria no final do século 19.70 No
âmbito da psicanálise, particularmente no que tange à fibromialgia, que
acomete em grande parte mulheres, alguns autores a definem como um
sintoma de histeria contemporâneo, entre outros, Slompo e Bernardino.71
Essas autoras, que realizaram entrevistas com pacientes em uma instituição
pública, sustentam “que a fibromialgia, tal como descrita nos dias de hoje,
faz parte do quadro clínico da histeria, ou seja, que os sujeitos
diagnosticados com fibromialgia são, na verdade, pacientes que apresentam
sintomas de histeria” (p. 265). Certamente, entre os “dolorosos crônicos”
encontramos sujeitos com histeria que, guardadas as devidas proporções,
nos remetem ao caso de Elisabeth, cuja dificuldade de andar se ligava a
sofrimentos de amor.43
Tal como as mulheres com histeria, nos primórdios da clínica freudiana,
na atualidade a fibromialgia nos convoca ao trabalho, especialmente quando
nos debruçamos sobre o feminino. Ela acomete principalmente as mulheres,
tal como a anorexia; embora acometa sujeitos que, mesmo habitando corpo
de homem, são especialmente afetados pelo feminino. Nesses casos, é
possível supor que a dor crônica se manifeste no lugar de uma dor de luto
ou de uma dor de amor.72,73 Para Castellanos50 “A demanda de amor ocupa
na sexualidade feminina uma função incomparável em relação ao
masculino. Essa demanda de amor, potencialmente infinita, pode retornar
sob a forma da devastação” (p. 64). O autor acrescenta: “...é um fato
indiscutível da clínica da fibromialgia que a devastação na mulher pode
experimentar-se no corpo como dor, porque desestrutura os equilíbrios
libidinais próprios da mulher, já que o gozo feminino não tem a localização
estável da sexuação masculina (p. 64, 65). Para algumas mulheres, a
contingência do encontro amoroso parece se inscrever no registro da
necessidade. Assim, importa ser amada mesmo que como objeto-dejeto. Em
alguns sujeitos no feminino, essa modalidade de amor pode se traduzir em
sofrimentos ‘imotivados’ no corpo. Trata-se, nesses casos, da experiência
do amor em sua face real, pulsional, na qual a dor de amor se explicita no
corpo como dor crônica.
Em um tempo no qual a ideia do homem como um complexo circuito de
neurônios vivificado por substâncias ganha força e prestígio, a psicanálise
reafirma seu dever ético de manter aberto o debate sobre o sujeito e aquilo
que o afeta.
Referências bibliográficas
1. BOGDUK, N.; MERSKEY, H. Classification of chronic pain: descriptions of chronic pain syndromes and definitions of pain terms. 2 nd ed. Seattle: IASP,1994.
2. TEIXEIRA, M. J. F. Fisiopatologia da nocicepção e da supressão da dor. Curitiba: JBA, 2001. v. 1, n. 4, p. 329-334.
3. MENKÈS, C. J.; GODEAUL, P. La fibromyalgie. Bull. Acad. Natle Méd, v. 191, n. 1, p. 143-148,
2007. Disponível em: http://www.academie-medecine.fr/detailPublication.cfm?
idRub=26&idLigne=317. Acessoem: 1 ago. 2010.
4. MÁRQUEZ, J. O. A dor e os seus aspectos multidimensionais. Cienc. Cult., v. 63, n. 2, p. 28-32,
2011. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br/pdf/cic/v63n2/a10v63n2.pdf. Acesso em: 30 jun. 2013.
5. BOUREAU, F. Pratique du traitement de la douleur. Rueil – Malmaison: Doin, 1988.
6. SANTOS, R. A. Estratégias terapêuticas no tratamento da dor crônica: uma genealogia da clínica da dor. Dissertação. 150 f. Rio de Janeiro: Instituto de Medicina Social. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2009.
7. ELLIOTT, A. M. et al. The epidemiology of chronic pain in the community. The Lancet, Nova Iorque, v. 354, p. 1248-1252, 1999.
8. OLIVEIRA, J. T. Aspectos comportamentais das síndromes de dor crônica. Arq. Neuro-Psiquiatr.,
São Paulo, v. 58, n. 2A, 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0004-282X2000000200027&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 1 ago. 2010.
9. o BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. Portaria n
1.083, de 02 de outubro de 2012. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica. Brasília, DF. Disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pt_sas_1083_dor_cronica_2012.pdf. Acesso em: 30 jun. 2013.
10. HEYMANN, R. E. et al. Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia. Rev. Bras.
Reumatol., v. 50 n. 1, p. 56-66, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000100006. Acesso em: 15 dez. 2010.
11. ARAGON, L. E. P. Fibromialgia: perspectivas de um campo problemático. Interface Comun. Saúde Educ., v. 14, n. 32, p. 155-69, 2010. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/icse/v14n32/13.pdf. Acesso em: 07 jun. 2012.
12. SAVI, G. et al. Fibromialgia y depresión. Evolución de la fibromialgia en pacientes deprimidos y no deprimidos. Rev. Psiquiatr. Urug., v. 62, n. 1, p. 9-17, 1997.
13. BRASIL, I. S. P. S.; PONDÉ, M. P. Sintomas ansiosos e depressivos e sua correlação com intensidade da dor em pacientes com neuropatia periférica. Rev. Psiquiatr. Rio Gd. Sul, v. 31, n. 1, p. 24-31, 2009.
14. PIMENTA, C. A. M.; KOIZUMI, M. S.; TEIXEIRA, M. J. Dor crônica e depressão: estudo em 92 doentes. Rev. Esc. Enferm. USP, v. 34, n. 1, p. 73-83, 2000. 15. POLESHUCK, E. L. et al. Pain and depression in gynecology patients. Psychosomatics, v. 50, n. 3, p. 270, 2009.
16. CASTRO, M. et al. Comorbid anxiety and depression disorders in patients with chronic pain. Arq. Neuro-Psiquiatr., v. 67, n. 4, p. 982-985, 2009.
17. SANTOS, A. M. B. et al. Depressão e qualidade de vida em pacientes com fibromialgia. Rev. Bras. Fisioter., v. 10, n. 3, 2006.
18. STAHL, S. et al. Understanding pain in depression. Hum. Psychopharmaco Clin. Exp., v. 19, p. S9-S13, 2004.
19. REYS, B. N.; BESSET, V. L. Le corps dans la dépression et la mélancolie. Colloque «La souffrance de l’être: ses formes modernes, ses traitements». Comunicação. Rennes2, nov. 2011.
20. CROIX, L. La douleur en soi. De l’organique à l’inconscient. Ramonville St Agne: Eres, 2002.
21. GORI, R.; DEL VOLGO, M. J. La santé totalitaire: essai sur la médicalisation de l’existence. Paris: Denoël, 2005.
22. GASPARD, J. L. Discurso médico e clínica psicanalítica: colaboração ou subversão. In: RUDGE, A. M.; BESSET, V. (Orgs.). Psicanálise e outros saberes. Cia de Freud/FAPERJ, p. 87-108, 2012.
23. LIMA, M. A. G.; TRAD, L. A. B. Dor crônica: objeto insubordinado. Hist. Ciênc. Saúde-Manguinhos, v. 15, n. 1, p. 117-133, 2008.
24. PERISSINOTTI, D. N.; FIGUEIRÓ, J. A. B. Psicoterapias: indicação, modalidades e tratamento para doentes com dor. In: FIGUEIRÓ, J. A. B.; ANGELOTTI, G.; PIMENTA, C. A. M. Dor e Saúde Mental. São Paulo: Atheneu, 2005. p. 93-104.
25. LACAN, J. O lugar da psicanálise na Medicina. Opção Lacan., n. 32, p. 8-14, 2001.
26. ABELHAUSER, A. (2010) La douleur: parole – ou fonction – du corps? Conferência (inédita). III JORNADA DE ESTUDOS DO CLINP (Núcleo de Pesquisas Clínica Psicanalítica) – UFRJ/CNPq. 22.10.2010. Instituto de Psicologia/UFRJ. Rio de Janeiro. Brasil.
27. LIMA, M. A. G.; TRAD, L. A. B. A dor crônica sob o olhar médico: modelo biomédico e prática clínica. Cad. Saúde Pública, v. 23, n. 11, p. 2672-2680, 2007.
28. BESSET, V. L. et al. Um nome para a dor: fibromialgia. Rev. Mal-Estar e Subj., v. 10, n. 4, p. 1243-67, 2010.
29. FREUD, S. Estudios sobre la histeria (Breuer y Freud) (1893-1895). In: Obras Completas. v. II. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. p. 45-194.
30. MILLER, J. A. O sintoma e o cometa. Opção Lacan., v. 19, p. 5-13, 1997.
31. BESSET, V. L.; BRANDÃO JÚNIOR, P. M. C. Quando a dor faz corpo. Revista Borromeo. n. 3, p. 433-449, 2012. Disponível
em:http://borromeo.kennedy.edu.ar/Artculos/QuandoadorfazcorpoLopesBesset.pdf. Acesso em: 30 jun. 2013.
32. ESPINOZA, M. P. V. A solução da dor. Fibromialgia e psicanálise. 2013. 169 f. Tese (Doutorado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.
33. MELO, C. Fibromialgia: da clínica atual à freudiana e retorno. 2013. 98 f. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.
34. FREUD, S. Cinco conferencias sobre psicoanálisis (1910). Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XI, p. 1-52.
35. FREUD, S. Informe sobre mis estudios en Paris y Berlín (1956[1886]). Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. I, p. 1-16.
36. VIEIRA, M. P. et al. Sobre laços, amor e discursos. In: Psicologia em Revista, v. 15, n. 2, p. 149-165, 2009.
37. DSM-IV-TR. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Claudia Dornelles. (trad.). 4. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2002.
38. BESSET, V. L. et al. Polêm!ca, v. 9, n. 4, p. 35-42, 2010.
39. ARÁN, M.; ALCIDES, R. Sobre a clínica da dor: o desafio da construção de um espaço terapêutico. In: BIRMAN, J.; FORTES, I.; PERELSON, S. Um novo lance de dados: psicanálise e Medicina na contemporaneidade. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2010. p. 89-106.
40. LEITE, A. C. C.; PEREIRA, M. E. C. Sofrimento e dor no feminino. Fibromialgia: uma síndrome dolorosa. Revista Psychê, v. 7, n. 12, p. 97-106, 2003.
41. CARDOSO, M. R.; PARABONI, P. Apelo ao outro na dor física: a dimensão melancólica da queixa. In: BIRMAN, J.; FORTES, I.; PERELSON, S. Um novo lance de dados: psicanálise e Medicina na contemporaneidade. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2010. p. 107-125.
42. FREUD, S. Proyecto de psicología (1950). Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. I, p. 323-407.
43. FREUD, S. Señorita Elisabeth von R. (1894). Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. II, p. 151-194.
44. BESSET, V. L.; ZANOTTI, S. V. A enfermidade dos tabus: do querer gozar ao querer dizer. In: BERLINCK, M. T. (Org.). Obsessiva Neurose. São Paulo: Escuta, 2005. p. 41-50.
45. FREUD, S. El sentido de los síntomas (1917). Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XVI, p. 235-249.
46. FREUD, S. Inhibición, síntoma y angustia (1926 [1925]). Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XX, p. 71-164.
47. GASPARD, J. L. Le corps du refus dans notre modernité. L’exemple de la fibromialgie. In: GASPARD, J. L.; DOUCET, C. Pratiques et usages du corps dans notre modernité. Toulouse: Eres, 2009. p. 129-139.
48. CASTELLANOS, S. El dolor y los lenguajes del cuerpo. Buenos Aires: Grama, 2009.
49. EBTINGER, P. Douleur dans la réalité subjective. Mental. Revue Internationale de Santé Mentale et Psychanalyse Appliquée, v. 19, p. 148-151, 2007.
50. FREUD, S. El mal-estar en la cultura. (1930 [1929]). Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XXI, p. 57-140.
51. FREUD, S. Introducción del narcisismo (1914). Obras completas. B. Aires: Amorrortu, 1986. v. XIV, p. 65-104.
52. FREUD, S. Manuscrito G. Melancolía (1950[1892-99]). Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. I, p. 239-246.
53. FREUD, S. Duelo y melancolía (1917 [1915]). Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XIV, p. 235-255.
54. FREUD, S. Inhibición, síntoma y angustia (1926). Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XX, p. 71-164.
55. FARIAS, F. (2011). Fibromialgia: quando a doença é a dor. Intervenção na Mesa Redonda “Conversando com a Medicina”. IV Jornada de Estudos do CLINP. 17/10/2011. Instituto de Psicologia. Campus da Praia Vermelha. UFRJ.
56. CASTENET, H.; ANGÈLE, E. La mort, le réel et le corps. Laniez, G. (Org.). À partir de quand est-on fou?. La Rochelle: Himeros, 2008. p. 99-116.
57. PALOMERA, V. Las psicosis ordinarias: sus orígenes, su presente y su futuro. Enigmas del Cuerpo. Revista de Psicoanálisis, v. 2, p. 15-21, 2011.
58. FREUD, S. El yo y el ello (1923). Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XIX, p. 1-66.
59. LACAN, J. La place de la psychanalyse dans la medicine, Conférence et débat du Collège de
Médecine à La Salpêtrière. Cahierdu Collège de Médecine, 1966. Disponível em: http://www.ecole-
lacanienne.net/documents/1966-02a 16.doc. Acesso em: 16 dez. 2012.
60. FREUD, S. Tres ensayos de teoría sexual (1905). Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. II, p. 109-224.
61. FREUD, S. Pulsiones y destinos de pulsión (1915). Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1986. v. XIV, p. 105-134.
62. MILLER J. A. La psychose ordinaire. La Convention d’Antibes. Paris: Agalma-Le Seuil, 1999.
63. BRODSKY, G. Loucuras discretas. Um Seminário sobre as chamadas psicoses ordinárias. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2011.
64. SOLANO, E. Detalhes e prudência diante das trapalhadas do corpo e seus fenômenos. Correio. Revista da Escola Brasileira de Psicanálise, v. 56, p. 109-123, 2006.
65. EBTINGER, P. Douleur dans la réalité subjective. Mental. Revue Internationale de Santé Mentale et Psychanalyse Appliquée. n. 19, p. 148-151, 2007.
66. DE GEORGES, P. Principes pour une conversation. In: LANIEZ, G. (Org.). À partir de quand est-on fou? Études cliniques. La Rochelle: Éditions Himeros, 2008. p. 21-30.
67. VITTAR, H. Efectos en el cuerpo de la falla en la articulación significante. Enigmas del Cuerpo. Revista de Psicoanálisis, v. 2, p. 22-24, 2011.
68. VIDAL, J. Apuntes sobre fibromialgia «?Qué quiere decir eso?» Una enferma de fibromialgia. Enigmas del Cuerpo. Revista de Psicoanálisis, v. 1, p. 83-86, 2010.
69. BRODSKY, G. A solução do sintoma. Opção Lacan, n. 34, p. 17-25, 2002.
70. BESSET, V. L. et al. Corpo e sintoma na experiência analítica. In: BESSET, V. L.; CARNEIRO, H.F. (Orgs.). A soberania da clínica na psicopatologia do cotidiano. Rio de Janeiro: Garamond/FAPERJ, 2009. p. 147-165.
71. SLOMPO, T. K. M. S., BERNARDINO, L. M. F. Estudo comparativo entre o quadro clínico contemporâneo “fibromialgia” e o quadro clínico “histeria” descrito por Freud no século XIX. Rev. Latinoam. Psicopatol. Fundam., v. 9, n. 2, p. 263-278, 2006.
72. DUPIM, G.; BESSET, V. L. Devastação: um nome para dor de amor. Opção Lacan, v. 2, n. 6, p. 1-6, 2011.
73. PALOMERA, V. Amor, Cuerpo y Locura. Córdoba: CIEC, 2007.
_____________
a “Corpo e clínica psicanalítica: usos e funções da dor”, apoiada pelo CNPq, e “Corpo e dor: o
desafio das dores crônicas. Módulo II”, com apoio da FAPERJ, entre outras pesquisas,
coordenadas pela autora deste capítulo na pós-graduação em Psicologia, do Instituto de Psicologia
da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
b Os trechos citados neste capítulo referem-se às Obras Completas de S. Freud, publicadas pela Ed.
Amorrortu; a versão em português é da autora.
c No original: “Sufrió una parálisis con rigidez de las extremidades del lado derecho, que
permanecían insensibles, y a veces esta misma afección en los miembros del lado izquierdo;
perturbaciones en los movimientos oculares y múltiples deficiencias en la visión, difficultades
para sostener la cabeza, una intensa tussis nervosa, asco frente a los alimentos y en una ocasión,
durante varias semanas, incapacidad para beber no obstante una sede martirizadora; además,
diminución de la capacidad de hablar, al punto de no poder expresarse o no comprender su lengua
materna, y, por último, estados de ausencia, confusión, delirio, alteración de su personalidad
toda...”.
d No original: “...los síntomas de los histéricos dependen de escenas impresionantes, pero
olvidadas, de su vida (traumas);... estos síntomas corresponden a una aplicación anormal de
magnitudes de excitación no finiquitadas (conversión)”.
e No original: “El sistema de neuronas tiene la más decidida inclinación a huir del dolor”.
f No original: “de la vivencia de dolor resulta una repulsión, una desinclinación a mantener
investida la imagen mnémica hostil”.
g O Serviço de Investigação e Acompanhamento de Pacientes com Dor Crônica funciona no Centro
de Especialidades de Belford Roxo, estado do Rio de Janeiro, e foi instituído durante o acordo de
cooperação firmado entre a prefeitura de Belford Roxo e a UFRJ (publicado em D.O. em março
de 2012), é atrelado à pesquisa-intervenção, aprovada por Comitê de Ética (Protocolo de Pesquisa
CEP/ME-UFRJ-N. 26/2011) e realizada com apoio da FAPERJ.
h No original: “En effet, même si le tableau clinique n’est pas sans rappeler l’hystérie, l’évenement
de corps qui constitue la fibromyalgie n’est pas à tout coup réductible à un phénomène de
conversion (solution névrotique que se reencontre dans nombre de refus du corps) ni à un
phénomène psychosomatique, voire au retentissement subjectif de pathologies organiques ou
auto-immunes”.
i No original: “en la estrecha cavidad de su muela se recluye su alma toda”.
j No original: “La melancolía consistiría en el duelo por la pérdida de la libido”.
k No original: “Mediante una hemorragia interna, digamoslo aí, nace un empobrecimiento de
excitación... Como inhibición, este recogimiento tiene el mismo efecto de una herida (véase la
teoría del dolor psíquico), análogamente al dolor”.
l No original: “El dolor es, por tanto, la genuina reacción frente a la pérdida del objeto; la angustia
lo es frente al peligro que esa pérdida conlleva, y en ulterior desplazamiento, al peligro de la
pérdida misma del objeto”.
m No original: “allí donde los analgésicos no habían demostrado eficacia alguna”.
n No original: “También el dolor parece desempeñar un papel en esto, y el modo en que la raíz de
enfermedades dolorosas uno adquiere nueva noticia de sus órganos es quizás arquetípico del
modo en que uno llega en general a la representación de su cuerpo propio”.
o No original: “Car ce que j’appelle jouissance au sens où le corps s’éprouve, est toujours de l’ordre
de la tension, du forçage, de la dépense, voire de l’exploit. Il y a incontestablement jouissance au
niveau où commence d’apparaître la douleur, et nous savons que c’est seulement à ce niveau de la
douleur que peut s’éprouver toute une dimension de l’organisme qui autrement reste voilée”.
p Enganche e desenganche remetem ao desligamento do outro na psicose ordinária, diferentemente
do desencadeamento da psicose extraordinária.
q Imotivada designa a ausência de uma causalidade orgânica, a despeito de a dor se localizar no
corpo.
OceanofPDF.com