A Psicologia da Dor

Andréa G. Portnoi · Capítulo 2 de 23

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A Psicologia da Dor

Apresentação

“A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” Esta frase que encerra o

poema Definitivo, de Carlos Drummond de Andrade, é esclarecedora

quando se considera o papel da Psicologia diante do fenômeno da dor.

Dor e sofrimento costumam estar associados, mas não são sinônimos. A

dor é sentida quando sinais nervosos carregados de informações chegam ao

cérebro e o sofrimento se estabelece a partir dos inúmeros significados

pessoais, históricos e culturais que cada indivíduo atribui a essas

informações. Desse modo, por ser essencialmente subjetiva, a dor é

percebida e comunicada de maneira única por cada indivíduo, assim como o

sofrimento associado – muito do trabalho dos psicólogos se concentra na

prevenção e na redução desse sofrimento diante da realidade transtornada

pela dor.

Esta obra foi construída por meio do esforço de psicólogos brasileiros

preocupados com o sofrimento de seus pacientes. Em seus capítulos,

inspirados em grande parte em dissertações de mestrado e teses de

doutorado, os autores compartilharam, de maneira acessível, suas ideias, seus conhecimentos e sua experiência sobre o diagnóstico e tratamento de

pessoas com dor crônica.

Na primeira parte do livro, Um Olhar da Psicologia sobre a Dor, o

fenômeno doloroso é analisado sob diferentes prismas que o saber

psicológico oferece: as visões psicanalítica, psicofisiológica e

comportamental refletem as relações entre psiquismo, corpo e sociedade,

enquanto a visão biopsicossocial trata de integrar conhecimentos das áreas

biomédica e psicológica.

Como a dor é um fenômeno “sensorial e emocional”, é necessário que a

Psicologia esteja integrada às práticas clínicas de controle da dor; assim, a

segunda parte do livro, denominada A Psicologia e a Clínica de Dor,

explora a influência e a importância de fatores subjetivos essenciais, não só

para a compreensão das queixas de dor, mas também das respostas aos

tratamentos.

A terceira parte, O Impacto Biopsicossocial da Dor, procura analisar o

impacto biopsicossocial da dor e inclui estudos que convidam a reflexões

sobre as implicações neuropsicológicas da dor, a sofisticação dos recursos

psicodiagnósticos na compreensão dos fatores individuais e as dimensões

psicossociais que afetam o indivíduo com dor.

Por fim, a quarta e última parte, Intervenções Psicoterapêuticas na Dor,

é voltada para a aplicação prática de todo o conhecimento específico da

Psicologia da Dor, explorando a eficácia de alguns métodos de tratamento e

o uso de técnicas que podem ser utilizadas isoladamente ou integradas ao

processo psicoterapêutico.

Esperamos que os conhecimentos contidos nesta obra possam ajudar a

esclarecer e inspirar os profissionais das áreas de saúde em seus trabalhos

de assistência, pesquisa e ensino.

 

Andréa G. Portnoi

 

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