A Psicologia da Dor
Apresentação
“A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” Esta frase que encerra o
poema Definitivo, de Carlos Drummond de Andrade, é esclarecedora
quando se considera o papel da Psicologia diante do fenômeno da dor.
Dor e sofrimento costumam estar associados, mas não são sinônimos. A
dor é sentida quando sinais nervosos carregados de informações chegam ao
cérebro e o sofrimento se estabelece a partir dos inúmeros significados
pessoais, históricos e culturais que cada indivíduo atribui a essas
informações. Desse modo, por ser essencialmente subjetiva, a dor é
percebida e comunicada de maneira única por cada indivíduo, assim como o
sofrimento associado – muito do trabalho dos psicólogos se concentra na
prevenção e na redução desse sofrimento diante da realidade transtornada
pela dor.
Esta obra foi construída por meio do esforço de psicólogos brasileiros
preocupados com o sofrimento de seus pacientes. Em seus capítulos,
inspirados em grande parte em dissertações de mestrado e teses de
doutorado, os autores compartilharam, de maneira acessível, suas ideias, seus conhecimentos e sua experiência sobre o diagnóstico e tratamento de
pessoas com dor crônica.
Na primeira parte do livro, Um Olhar da Psicologia sobre a Dor, o
fenômeno doloroso é analisado sob diferentes prismas que o saber
psicológico oferece: as visões psicanalítica, psicofisiológica e
comportamental refletem as relações entre psiquismo, corpo e sociedade,
enquanto a visão biopsicossocial trata de integrar conhecimentos das áreas
biomédica e psicológica.
Como a dor é um fenômeno “sensorial e emocional”, é necessário que a
Psicologia esteja integrada às práticas clínicas de controle da dor; assim, a
segunda parte do livro, denominada A Psicologia e a Clínica de Dor,
explora a influência e a importância de fatores subjetivos essenciais, não só
para a compreensão das queixas de dor, mas também das respostas aos
tratamentos.
A terceira parte, O Impacto Biopsicossocial da Dor, procura analisar o
impacto biopsicossocial da dor e inclui estudos que convidam a reflexões
sobre as implicações neuropsicológicas da dor, a sofisticação dos recursos
psicodiagnósticos na compreensão dos fatores individuais e as dimensões
psicossociais que afetam o indivíduo com dor.
Por fim, a quarta e última parte, Intervenções Psicoterapêuticas na Dor,
é voltada para a aplicação prática de todo o conhecimento específico da
Psicologia da Dor, explorando a eficácia de alguns métodos de tratamento e
o uso de técnicas que podem ser utilizadas isoladamente ou integradas ao
processo psicoterapêutico.
Esperamos que os conhecimentos contidos nesta obra possam ajudar a
esclarecer e inspirar os profissionais das áreas de saúde em seus trabalhos
de assistência, pesquisa e ensino.
Andréa G. Portnoi
OceanofPDF.com