Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 27 de 35 · parte 2/3

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Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Capítulo 1915

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Das espécies de Macquart a Dichelacera rufa, unifasciata e marginata entram neste gênero. A primeira, segundo o autor, se parece com a januarii, sendo talvez apenas uma variedade, e provavelmente corresponde à rubricosa V. D. Wulp. D. unifasciata parece boa espécie mas falta na minha coleção. O que Macquart descreve como variedade de januarii parece antes pertencer a uma espécie meridional muito variável; marginata é uma espécie do norte da América do Sul. A scapularis Macq. do México parece entrar no gênero.

Entre as espécies descritas por Walker a única nova e boa é a D. bifacies.

Das espécies de Bigot nenhuma pertence a Dichelacera, que faz parte de um grupo, então pouco conhecido, o que explica as suas dúvidas a respeito do seu gênero.

Discutindo as espécies de Dichelacera do British Museum Miss Ricardo descreve uma nova espécie de Honduras. Na Biol. Centr.-Am. está outra descrita do México por Williston.

A essas espécies já descritas acrescem várias novas, procedendo em grande parte de terrenos nunca antes explorados, o que complica ainda mais este grupo, já bastante difícil. Todavia também facilitaram a sistemática pela observação de exemplares frescos e o conhecimento mais exato da distribuição.

Mesmo na limitação exposta, o gênero Dichelacera é bastante grande, não abraçando menos de vinte espécies, distribuídas sobre um terreno muito vasto, que se estende sobre a América Central e a maior parte da América Meridional. No mesmo lugar coexistem somente algumas espécies, mas estas podem aparecer simultaneamente, como observei para D. januarii e rubricosa.

O gênero é essencialmente americano; quanto às espécies de outros continentes, que foram colocadas aqui, trata-se apenas de semelhança superficial em elementos completamente estranhos.

Baseado em material de coleções à minha disposição, fiz a seguinte chave para as espécies brasileiras, incluindo também uma exótica. Não inclui a T. nigrum por falta de material, nem a D. grandis Ricardo de Honduras por não achar distinções seguras com D. cervicornis. Faltam também as espécies incertas de Macquart.

Passo agora à discussão das espécies, principiando pelas de Fabricius e Wiedemann:

1. Dichelacera alcicornis (WIED.) Tradução da descrição original:

Escudo alvacento com três estrias longitudinais confluentes

posteriormente: abdome amarelado com faixas fuscas. Asas

com metades de faixas. – 5 3/4 L. ♀. – Do Brasil.

Antenas quase ferrugíneas; segundo artículo e ápice do terceiro

pardo-enegrecidos; dente na base do terceiro alongado e

curvado como em T. damicornis F.; face inferior esverdeada,

barba branca; palpos amarelo-esvaecidos;1 fronte acinzentada

verde (cor de mofo), com calo oval pardo-ocráceo e linha

saliente lisa. Tórax alvacento; no escudo há três estrias

posteriormente confluentes e tão largas que do fundo alvacento

só restam duas estrias posteriormente abreviadas; sendo

contudo também a margem posterior e os triângulos prealares

alvacentos. Primeiro segmento abdominal amarelo muito pálido;

2-4 de amarelo mais carregado com incisuras pálido-amarelas e

larga faixa basal fusca; 5 e 6 totalmente fuscas, apenas as

margens laterais ferrugíneas; 7 alvacento; ventre amarelado

pálido. Asas hialinas, área costal amarelada. Estigma, uma

meia faixa, principiando na costa antes do ápice, outra

nascendo na margem interior antes do meio e uma mancha

mais preta da base na mesma margem, fuscas; halteres amare-

lo-claros. Fêmures amarelos, o primeiro e o último com ápice

extremo fusco; tíbias de trás inteiramente fuscas, as anteriores

apenas no ápice, no resto esbranquiçadas; joelhos verdes;

tarsos fuscos. – No Museu de Berlim.

A descrição de Wiedemann garante a identidade, mas convém acrescentar alguns pontos. A espécie tem o sangue verde e, além dos joelhos, também os fêmures e halteres podem ser fracamente verdes e o resto do corpo mostra um tom esverdeado, principalmente nas partes de cor clara e translúcidas. Com a exposição à luz a cor verde desapareceu pouco a pouco. As asas são apenas hialinas, sem nenhum tom amarelo, o que distingue a espécie da maior parte das outras, e o desenho do escutelo é absolutamente característico quando intenso, mas a faixa do meio pode ser apagada até no escutelo. A faixa preapical das asas varia um pouco, aproximando-se da forma de T na fêmea, quando no macho aparece reduzida a duas faixas oblíquas bem separadas, bastante menores e mais fracas. Na fêmea podem ser fenestradas. As partes esbranquiçadas no escudo podem aparecer de cor lilás ou mesmo pardo-avermelhadas em exemplares frescos, de coloração mais intensa. Os olhos do macho têm facetas maiores na parte de cima, incluindo a faixa superior, e toda esta região apresenta tom metálico acinzentado.

A espécie é comum em São Paulo, onde, na capital, ambos os sexos, às vezes, são encontrados nas vidraças das janelas. Estende-se de lá para os estados vizinhos, menos no litoral do que nas serras. Voa durante todo o verão, aparecendo bastante cedo. O homem raras vezes é picado, mas atacam muito os cavalos e bois, preferindo os pés, logo acima do casco.

2. Dichelacera cervicornis (F.) Descrição original (em latim) de Fabricius (Syst. Antl. 100, 35)

Tabanus cervicornis; T. Thorace albo: fascia nigra, alis

maculatis, antenarum dente elongato.

Habitat in America meridionali Dom. Smidt. Mus. Dom. Lund.

Medius. Antenae ferrugineae, apice nigrae: dente médio

elongato, incurvo. Caput tomentoso cinereum. Thorax villosus,

albus fascia lata scutelloque nigris. Abdomen ferrugineum

segmentorum marginibus pallidioribus. Alae fusco alboque

variegatae. Pedes pallidi tibiis posticis tarsisque omnibus nigris.

Tradução da descrição de Wiedemann:

Escudo amarelado com faixa fusca, asas com manchas fuscas;

dente antenal alongado. – 5 3/4 – 6 linhas ♀. – Da América do

Sul.

Antenas ferrugíneas, o artículo terminal com ápice preto e com

processo curvo comprido na base; palpos ocráceos; face

inferior amarelada; fronte de amarelado mais carregado com

calo quadrado e linha elevada simples e lisa. Escudo com larga

faixa pardo-enegrecido entre as raízes das asas; escutelo

pardo-enegrecido, abdome amarelo, mais de mel que de

ferrugem. Asas amareladas, base, costa e três manchas fuscas,

formando a maior uma faixa estendendo-se sobre a nervura

forqueada e a média correndo da margem interior até acima do

meio da asa; a terceira, mais perto da raiz e quase quadrada,

estende-se da margem interna até o meio da largura; halteres

amarelados com o capítulo quase branco. Pernas cor de mel,

tíbias de trás e todos os tarsos pardo-enegrecidos; tíbias de trás

e todos os tarsos pardo-enegrecidos; tíbias anteriores brancas,

apenas o ápice fusco; as do meio um tanto alvacentas. Na

coleção de Fabricius e na minha.

O exemplar aqui figurado procede da Bahia. Distingue-se dos exemplares de Minas e Espírito Santo por ter o dente antenal preto; as duas partes da faixa preapical mais separadas, o ápice da asa mais hialino, o abdome mais alaranjado. As faixas transversais escuras deste só começam no terceiro anel, sendo muito estreitas, quando nos outros já há uma, mais ou menos distinta no segundo anel, e as demais são mais largas. A célula auxiliar aqui é invadida pela cor fusca, quando nos outros está apenas ligeiramente enfumaçada em toda a extensão.

No Brasil, a cervicornis se encontra desde Minas e Espírito Santo até o Norte. Dizem que passando o Amazonas atinge a Panamá. Citarei algumas das procedências, sem garantir que em alguns casos não se trate de outras espécies, apenas semelhantes. Villa Alegre (Esp. Santo) 3. 1. 11. Juiz de Fora (Minas) 12. 1. 07, Bahia, São Paulo (Amazonas) (Bates leg. Ricardo det.), Pará (Ricardo det. – Tipo de D. multifascia Walker). Há no British Museum mais três exemplares colhidos por Bates no Vale do Amazonas. Uma fêmea, colecionada por Champion no Panamá é citada como cervicornis na Biologia Centrali americana por Osten-Sacken. Outros exemplares do México são muito duvidosos como Williston mesmo indica na sua determinação. Do Suriname vi um exemplar muito pequeno, mas no resto bem típico.

A separação da D. januarii não deixa de ter dificuldade; as diferenças indicadas na sua descrição nem sempre são decisivas porque as duas espécies variam um tanto no desenho e ainda mais no tamanho. No litoral do Rio de Janeiro encontra-se uma forma que pelo desenho se assemelha aos exemplares de januarii, apanhados nas montanhas, sendo porém muito maior que estes e pelo menos igual em tamanho aos exemplares ordinários de cervicornis. O diagnóstico diferencial de Schiner não combina com os meus exemplares colhidos no Rio de Janeiro, lugar de precedência dos exemplares originais, a julgar pelo nome. É possível que se trate apenas de duas formas de uma espécie muito espalhada. Nas duas se pode observar na parte anterior do escudo estrias longitudinais, cobertas em exemplares perfeitos pela pilosidade. Há mais uma terceira forma vizinha, muito espalhada mas ocorrendo mais ao sul, que identifiquei com a D. rubricosa V. D. Wulp e que podia também representar a D. rufa de Macquart. É possível que a forma de Schiner entre nesta categoria, mas também aqui a descrição não combina perfeitamente.

3. Dichelacera damicornis (F.)

Descrição original de Wiedemann (traduzida), incluída a de Fabricius:

Pardo enegrecido, escudo com duas faixas de amarelo-

dourado; abdome com base mais pálida; asas com desenho

pardo. 5 linhas &. Da América do Sul.

Fabr. Syst. Antl. 101, 36 Tab. Damicornis: thorace fulvus: fascia

nigra, abdomineque nigro basi glauca.

Statura et summa affinitas T. cervicornis, at alius et distinctus.

Antennae nigrae, basi ferrugineae, dente incurvo et minore.

Caput cinereum puncto magno frontali elevato, glabro, atro.

Thorax tomentoso aureus; fascia la a scutelloque atris.

abdomen nigrum, primo segmento toto, secundo margine parum

albido. Pedes nigri, tibiis anticis quatuor albidis. Alae albo

nigroque variae.

Wiedem. Dipt. exot. 1. 87, 45.

Antenas pretas, ferrugíneas na raiz, o dente curvo da base do

terceiro segmento, posto que mais curto que em T. cervicornis,

sempre mais longo que na maior parte das outras espécies.

Face inferior e frontal amareladas, aquela com tubérculo médio,

liso e pardo-ocráceo, esta com crista preta lisa, alargada

embaixo com calo arredondado. Primeira faixa do escudo

alargada de cada lado e situada antes do centro, segunda, na

raiz mesma, ambas e também as pleuras amarelas cobertas de

pêlos dourados com brilho de seda; uma estria parda da raiz

das asas até os ombros; escutelo pardo; por diante da primeira

faixa amarela duas estrias miúdas e de cada lado uma mancha

arredondada de pardo mais carregado. Primeiro e segundo

segmento abdominal de pardo muito claro e não glauco, com

margens posteriores largas quase alvacentas; nos outros as

incisuras apenas um pouco esbranquiçadas; nas margens

posteriores restos de pelinhos esbranquiçados, o primeiro

segmento e a metade posterior do segundo, em exemplares

não raspados provavelmente munidos de pilosidade branca.

Asas hialinas com faixa larga irregular e oblíqua do ápice à

margem interna; na veia transversal anterior uma mancha parda

e uma faixa na penúltima veia longitudinal; escâmulas e

halteres pardos. Pernas pardo-enegrecidas, tíbias anteriores

esbranquiçadas. – Em minha coleção e na de Fabricius.

Nota : Por causa de maior brevidade dei na frase de diagnose a

cor geral como preta, porque também o abdome mostra essa

cor, porém em analogia com as espécies vizinhas deveria dizer

“com escudo amarelo”, como o faz Fabricius que, todavia, errou

dizendo que só há uma faixa parda, quando assim há duas

muito claras.

Nota de Miss RICARDO (Ann. and Mag. of Nat. Hist., Ser. 8,

v.XIV, 1904, p.569:

Dichelacera damicornis, ♀, Fabr.

Two females from Para (Saunders Coll.), 68,4: one female from

Villa Nova, Amazons (Bates coll.), 55. 75; one female from Para

(Bates Coll.) 66. 53.

This species is distinguished from D. cervicornis by the yellow-

brown shining tubercle on the face below the antennae and by

the brown legs, with only the middle tarsi whitish. The wings

may be more accurately described as having the fore border

brown as far as the apex, and extending as a band across the

wing through the upper half of the discal cell to the posterior

border and anal cell, also prolonged on the third longitudinal

vein and for one third of the length of the fifth longitudinal vein.

Não havendo nota neste sentido é pouco provável que o exemplar citado procedesse do Brasil, talvez viesse de um dos países vizinhos e, com efeito, vi um exemplar do Suriname, que combina com a descrição e parece pertencer à mesma espécie que a fêmea da estampa, obtida do Rio Amazonas e que corresponde aos dados de Miss Ricardo.

4. Dichelacera januarii (WIED.)

Tradução da descrição original:

Amarelada, escudo e abdome com faixas pardas; asa

largamente enfuscada na costa, com mancha ocrácea, faixa

oblíqua fusca e ponto fusco. – 4 1/4 L. ♀. – Do Rio de Janeiro.

Wiedem. Zool. Magaz. III. 43, 4.

Wiedem Dipt. Exot., I. 94, 55.

Parecida com T. cervicornis, porém menor. Antenas pardacento-

amarelas, dente do artículo terminal alongado, a ponta

enegrecida; face inferior amarelada, palpos grisalhos; fronte

pardo-ferrugínea logo por trás das antenas, mais para cima

amarelada, calo pardo enegrecido, quase triangular. Escudo

ocráceo pardacento com faixa larga entre as bases das asas,

anteriormente sinuosa, de cor fusca, e outra apical incluindo o

escutelo; entre essas faixas há pêlos dourados; pleuras de

amarelo de enxofre muito claro. Abdome amarelado com três

faixas fuscas na base dos segmentos 2-4, pelo resto com pêlos

dourados. A faixa alar oblíqua passa por cima das nervuras

transversais mais aproximadas do ápice; a mancha ocrácea se

estende das nervuras transversais médias até o ápice da

nervura cubital; a mancha fusca acha-se na margem interna no

ângulo entre as duas nervuras penúltimas, sendo esta margem

até o ápice da asa de pardacento muito claro; antes do ápice há

na célula forqueada uma mancha ou gota quase hialina;

halteres amarelos. Pernas cor de mel muito clara, tarsos

anteriores pardo-enegrecidos, tíbias e tarsos posteriores

também, os do meio pardos, porém menos enegrecidos. – Na

minha coleção.

Varia do modo seguinte: faixas fuscas também nos segmentos

posteriores do abdome e os dois últimos também fuscos no

meio, as tíbias de trás pardo-enegrecidas. Falta o fusco na

costa e, em lugar deste e da mancha ocrácea, tudo é amarelo 5. Dichelacera rubricosa VAN DER WULP. (Entom. Tijdschrift 23, p.156)

carregado: o ponto entre as nervuras penúltimas varia em

tamanho, enchendo, às vezes, todo o ângulo; mas a faixa

sempre é sinuosa do lado de fora. – No Museu de Berlim e na

minha coleção.

O desenho foi tirado de exemplares da Serra da Cantareira, perto da cidade de São Paulo. Combina com exemplares apanhados na Tijuca e outras serras perto do Rio, mas não com a descrição que Schiner dá dos exemplares que ele considera como típicos.

Dichelacera januarii tem um nome apropriado, por ser a espécie que mais abunda nas montanhas do Rio de Janeiro, mas também é muito espalhada em outras regiões. Temos exemplares dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas e Goiás mas, sem dúvida, vai muito além, provavelmente até o Amazonas. De variações individuais apresenta as acima indicadas e outras que dependem da intensidade de pigmentação, de absorção de sangue em período anterior e de outras condições. Assim, os exemplares colhidos por Neiva em Goiás têm a faixa muito estreita mas fortemente pigmentada e podem ser considerados variedade regional. Nos exemplares do Paraguai a chanfradura apical da faixa é quase preta no maior número de exemplares.

Da D. cervicornis, também muito variável e encontrada em grande parte do mesmo território, januarii difere pela estatura menor, o dente antenal mais curto, a cabeça menor, as tíbias posteriores mais claras e as faixas transversais do abdome menos distintas, sendo a coloração em geral mais apagada. Assim mesmo a discriminação das duas espécies em alguns casos se torna duvidosa.

No Rio e em São Paulo a espécie aparece principalmente no começo do verão, geralmente desde outubro.

A descrição seguinte, traduzida do holandês de Van Der Wulp combina bastante bem com alguns exemplares de uma espécie um tanto variável, encontrada por mim nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, junto com D. januarii. Parece ocorrer de modo esporádico ainda mais ao Sul.

Ochraceus; antennarum apice et callo frontali piceis; alis

subhyalinis, costa fasciaque lata oblique fuscis. – ♀ long.

19,5mm.

Ocrácea. A fronte bastante larga, embaixo com calo grande

arredondado castanho luzidio, ligado para cima com a mancha

castanho-claro do vértice por linha longitudinal fina. Olhos

glabros. Antenas pardo-avermelhadas, bastante delgadas; o

primeiro artículo quase cilíndrico, o segundo curto, ciatiforme, o

terceiro alongado terminando em ponta, com dente não muito

grande porém bastante conspícuo no primeiro terço; a ponta do

artículo bem delimitada, pardo-enegrecida. Os palpos delgados

e pontiagudos da mesma cor ocrácea. Barba ocrácea. Dorso do

tórax e escutelo apenas um pouco mais escuros do que as

pleuras. Abdome quase unicolor. Pernas e halteres ocráceos,

tarsos também, porém mais escuros. Asas de cor ligeiramente

acinzentada: raiz, margem anterior, e uma faixa transversal, um

pouco oblíqua, pardas; nervura postical também com tarja

parda; a faixa oblíqua é separada do estigma e tem a maior

largura na margem anterior; inclui a raiz da célula forqueada e,

embora não alcance completamente o ápice da asa, este

também é um tanto enfuscado: para baixo torna-se mais

estreita, ocupando cerca de um terço da célula discoidal: aliás

atinge a margem posterior. Nervatura como de costume.

Duas fêmeas da República Argentina (Weyenbergh).

O exemplar representado na figura procede de São Paulo (Serra da Cantareira). Tenho outros da Serra da Bocaina (Bonito) e da Serra da Mantiqueira (Pacau), enfim uma série, colecionada em Santa Catarina, no Morro do Cedro, pelo doutor Pinto Guedes. Deixando de lado pequenas variações individuais, combinam bem com essa descrição.

Provavelmente a descrição da D. rufa de Macquart também se refere a forma análoga, mas, não correspondendo muito bem à designação das cores, preferi o outro nome. Não é completamente certo que se trate de espécie independente ou apenas de uma variedade de D. januarii mas, em todo o caso, é uma forma bastante característica.

6. Dichelacera varia (WIED.)

(T. varius WIED.)

Tradução do original alemão:

Tabanus varius.

Escudo quase cinzento de mofo, com faixa e escutelos fuscos;

abdome cor de mel com manchas triangulares largas, de cor

fusca; asas variegadas de pardo. – 3 2/3 de linhas. ♀. – Do

Brasil.

Muito vizinho ao T. januarii, porém menor e diferente. Antenas

ferrugíneas, artículo terminal pardo-enegrecido, na base com

grande processo em forma de dente ou espinho, igual em

comprimento à terça parte do artículo. Face inferior amarelada,

tirando um pouco sobre o cinzento do mofo, com dois grandes

pontos pardos deprimidos: palpos amarelados escuros; fronte

de matiz ocrácea muito clara, quase alvacenta, mais larga do

que em januarii com calo transversal preto e linha elevada e lisa

subuliforme. Escudo com três estrias lineares e margens

laterais branco-amareladas; a faixa fusca é situada entre as

raízes das asas; triângulo prealar branco-amarelado; ângulos

posteriores e escutelos fuscos; pleuras amarelo-acinzentadas

como mofo. Manchas do abdome de forma triangular muito

larga, assentadas com a sua base sobre a base dos

segmentos; menos largos nos segmentos anteriores e mais

carregados nos do meio; os segmentos último e penúltimo

totalmente fuscos, o primeiro sem mancha. Escudo e abdome

com pêlos cor de ouro. Ventre cor de mel clara, com ápice

pardo. Asas com a costa enfuscada até o ápice, além do Tenho dois exemplares do Pará, dos quais um foi figurado, e que correspondem à descrição apresentada. O desenho e o tamanho diminuto não permitem confusão com outra espécie. O que caracteriza também a espécie é o desenho dos olhos, que contribui para distingui-la da submarginata, que tem as asas um tanto parecidas.

estigma mais escuro, uma chanfradura larga amarelada, quase

hialina; antes do ápice uma faixa fusca, oblíqua, com as

margens irregulares que não atingem completamente a margem

interior; da margem posterior desta faixa corre um processo

para a margem interna do ápice, o espaço entre as duas

últimas nervuras desde a margem interior até acima do meio e

toda a margem inferior da asa são fuscos sendo nesta a cor

muito diluída; também as nervuras transversais do meio com

ligeira tarja fusca. Halteres fuscos, o capítulo em cima branco-

amarelado. Pernas anteriores cor de mel, com tarsos

enfuscados no ápice; pernas de trás pardacentas com os tarsos

mais escuros. – Na minha coleção e na do Museu de Berlim.

Por muito tempo não consegui identificar essa espécie, mas afinal recebi vários exemplares do Sr. Rocha, apanhados no estado do Ceará. Mais tarde o Dr. Neiva apanhou alguns exemplares no estado da Bahia, no trem entre a capital e Juazeiro. Está tudo de acordo com a descrição de Wiedemann, incluindo o tamanho diminuto (cerca de 8mm).

7. Dichelacera marginata MACQUART

Tradução da descrição original:

Rufa. Abdome apice fusco. Alis marginibus fuscanis.

Compr. 4. 1. ♀. Tromba preta. Palpos amarelos. Face ocrácea.

Fronte amarelo-grisalho; calo castanho, perto da margem

anterior, quadrado adiante, pontudo atrás. Antenas; os dois

primeiros artículos fulvos, o terceiro falta. Escudo um tanto

pardacento; os últimos quatro segmentos abdominais

enfuscados, com incisões amarelas. Pés fulvos; tarsos

anteriores e posteriores fuscos. Asas com centro claro, um

pouco amarelado e os bordos enfuscados; o exterior assaz

estreito, o posterior e interior largo.

De Cayenne. M. Bigot.

8. Dichelacera submarginata n. sp. (?)

Esta forma aproxima-se bastante da cervicornis e parece haver formas intermediárias. A diferença principal nota-se na faixa preapical que aqui se torna marginal; também a anal ganhou em extensão, sendo maior do que no exemplar de cervicornis da Bahia. O abdome em um dos exemplares mostra desde o segundo segmento faixas escuras basais bastante largas, no outro são muito mais estreitas e só começam no terceiro. A cor das antenas e do abdome lembra mais os exemplares de cervicornis do Espírito Santo e de Minas. Posto que os exemplares não sejam de tamanho extraordinário, sempre são muito maiores que os da D. marginata Macq., que é uma das espécies menores. Desta diferem também pela chanfradura triangular da faixa marginal, ainda mais pelas faixas estreitas dos olhos que provam tratar-se de espécie bem diversa.

Dos dois exemplares um procede da Venezuela, o outro é de procedência incerta.

Mais tarde recebi de Townsend quatro exemplares peruanos colhidos no Rio Charape em 13 de setembro de 1912, um dos quais corresponde a nosso tipo. Os três outros mostram na segunda parte da faixa marginal e perto da margem uma janela em forma de vírgula, sendo também o ápice mais claro, de modo que se poderia também falar de uma faixa dividida como na cervicornis e de uma zona marginal enfuscada. No seu tamanho correspondem à forma aqui descrita, sendo menores do que as formas típicas de cervicornis.

9. Dichelacera scutellata WILL. (Kans. Univ. Quart. Journ., v.III, n.3, 1895)

Tradução do original inglês (p.193):

Dichelacera (Diachlorus?) scutellata, n. sp.

Fêmea. Fronte apenas duas vezes mais longa do que a largura

máxima, de cor cinzenta clara opaca, com grande calosidade

triangular de lados convexos e estendendo-se até os ocelos.

Antenas amareladas, as partes aneladas do terceiro artículo

pretas e peludas; o primeiro artículo quatro ou cinco vezes mais

longo do que o segundo, que é curto e globoso, o terceiro mais

comprido do que os outros reunidos e com pequeno dente

dorsal, a porção anelada de comprimento igual ao da basal.

Face brilhante, amarelada. Palpos pardo-amarelados, como de

Tabanus. Mesonoto castanho brilhante, com duas estrias

esbranquiçadas estreitas adiante; na parte posterior com

tomento de amarelo brilhante que talvez seja mais estendido

em exemplares completamente frescos. Abdome pardo com

estria mediana amarelo-claro. Pernas pardas, as últimas

enegrecidas. Asas hialinas, tendo, porém, a margem anterior

até o ápice, uma faixa de largura média, principiando no fim da

primeira nervura e prolongada até por dentro da quinta célula

superior, e uma nuvem, na parte exterior da terceira nervura e

sobre a nervura transversal basal posterior, pardo-escuras;

ângulo anal sub-hialino.

Comprimento 9, 10mm.

Têm a forma alongada e o primeiro artículo antenal alongado,

mas falta o processo saliente do terceiro artículo antenal. As

tíbias anteriores são mais finas do que nas espécies de

Diachlorus que conheço.

A mutuca que figuramos é, sem dúvida, a espécie descrita por Williston, não obstante algumas pequenas diferenças, como no calo frontal, que dependem de variações individuais. Trata-se de uma espécie muito espalhada em regiões distantes da costa; difere bastante nas espécies anteriormente descritas, com exceção de varia Wied., mas com estas e outras forma um grupo do gênero Dichelacera um tanto aberrante, porém sempre ligado por transições aos outros. Não tem absolutamente nada a ver com Diachlorus, como já fica provado pelo desenho dos olhos, que tem fitas verdes alargadas até a margem; além disso o calo frontal enorme, e a fronte anteriormente aberta, o calo facial e a cor geral, bastam para distinguir a espécie. A faixa do abdome é raras vezes muito distinta e formada de triângulos, como na figura; o escudo quase sempre parece pelado. O tamanho é pequeno, quando muito de 9mm; 10, como indica Williston, já é excepcional, mas as espécies das regiões secas variam muito em tamanho.

O nosso exemplar veio de Goiás com muitos outros. Mais tarde, em companhia do Dr. Neiva, encontrei a mesma no Noroeste de São Paulo e na parte vizinha de Mato Grosso, onde é conhecida pelo nome de mutuca mole, em razão da pouca consistência dos seus tecidos. Ataca muito os animais, e às vezes o homem; voa nos meses de verão e talvez também em outros.

Da D. rubricosa aproxima-se uma forma de Santa Cruz, estado do Rio Grande, que descrevo com o nome:

10. Dichelacera lacerifascia n. sp.

Podia ser considerada à primeira vista como rubricosa com faixa preapical fenestrada. Sendo a fenestração ocasionalmente observada em grande número de tabanídeos e tendo apenas o valor de marcar uma variedade, devia ser designada como tal, se não houvesse também na coloração de outras partes do corpo diferenças que aparecem na figura. Não ligo muita importância à coloração mais escura do abdome, mas também a estriação que aparece no tórax epilado é mais pronunciada do que nas outras espécies; na parte média da asa falta uma zona amarela, tão característica para rubricosa e outras espécies vizinhas. Também difere a cor dos palpos e da face. Tudo isso indica com probabilidade a formação de espécie nova, mas a questão só poderá ser decidida pelo exame de mais exemplares.

11 . Dichelacera trigonotaenia n. sp.

No sul do Brasil e no Uruguai encontra-se uma Dichelacera, muito vizinha da D. rubricosa, mas devendo sem dúvida ser considerada espécie à parte. Como Macquart diz de sua espécie unifasciata, ela tem apenas uma faixa escura, paralela à margem posterior, faltando uma faixa anal distinta; tem todavia no dorso do abdome uma série de triângulos escuros, com a ponta para trás, das quais Macquart não fala e que ele não podia ter deixado de perceber. Nos três exemplares que tenho diante de mim, lembrando geralmente os Anapsops, a largura desses triângulos varia muito, sendo mais estreita num do Paraguai, de tamanho médio num outro da vizinhança de Porto Alegre e muito largo num terceiro de Tacuarembó (Uruguai). Nestes exemplares faltam os triângulos marginais escuros, encontrados no exemplar da figura, que também procede da zona de Porto Alegre. Neste, a faixa preapical é contínua, sendo fenestrada nos outros. O escudo, epilado em todos os exemplares, só num deles tem o fundo escuro dividido em faixas longitudinais por linhas ferruginosas. As outras particularidades podem ser percebidas na figura. Não pode ser confundida com outra espécie descrita.

12. Dichelacera multiguttata n. sp.

Um exemplar, colecionado por Sello em Caçapava (Rio Grande do Sul), mostra um desenvolvimento ulterior do tipo da trigonotaenia. Aqui a faixa da asa é reduzida a algumas manchas isoladas e em parte fenestradas, grupadas entre as nervuras em lugares que correspondem àquela faixa. O escudo denudado mostra uma indicação de estrias longitudinais. A nossa figura dispensa uma descrição ulterior.

13. Dichelacera salvadorensis n. sp.

Coloração geral chocolate com desenhos amarelados. Face com calosidade chocolate central e dois pontos fuscos laterais profundamente imprimidos, resto ocráceo claro. Tromba preta, palpos chocolate, antenas pardas com o artículo basal ferruginoso e a parte anelada preta; o dente lateral comprido e curvado; fronte bastante larga, mas sem dilatação anterior, coberta com induto ocráceo muito claro; o calo frontal chocolate, quadrado com prolongamento linear; tubérculo ocelígero chocolate, distinto, mas sem vestígio de ocelos. Olhos com as fitas verdes alargadas até a margem do olho.

Escudo chocolate claro, com indicação de três estrias escuras, um tanto irregulares; dos dois lados da parte anterior e na margem posterior do escudo (adiante do escutelo) o fundo é claro com pêlos dourados, representado talvez os restos de duas faixas transversais, observadas em várias espécies vizinhas. O peito é chocolate; por baixo da raiz das asas há um tufo de pêlos dourados. O escutelo é chocolate.

O primeiro segmento abdominal é ocráceo; de lá para trás o abdome é chocolate, apenas com faixas apicais ocráceas, tanto em cima como embaixo.

A asa, em parte hialina (na segunda célula basal), em parte amarelada ou ligeiramente enfumaçada, tem a base, a costa e quase toda a célula anal enfuscada. A faixa subapical, comparativamente homogênea e ligeiramente côncava, nasce um pouco antes do ápice e alcança a quinta célula da margem posterior.

As pernas são chocolate, apenas com as tíbias anteriores e o metatarso do meio de cor clara.

A espécie aproxima-se de damicornis e de T. nigrum, pelo calo frontal, a forma das antenas, o tamanho e a cor; também já lembra um pouco a Acanthocera longicornis pelo desenho das asas. O desenho dos olhos poderá servir de distinção com outras espécies vizinhas.

A descrição foi feita de um exemplar apanhado por Paessler em Acajutla (São Salvador) em 17. III. Pertence ao Museu de Hamburgo.

14. Dichelacera calosa nova spec.

Cor geral passando de castanho a preto, com cintas claras. Comprimento total (sem antenas) cerca de 13mm.

Face calosa brilhante, cor de mel virando em castanho-claro, com depressão profunda abaixo da margem oblíqua dos olhos. Em redor das antenas e dos olhos o fundo, finamente granuloso, é branco amarelado, no occipício esbranquiçado. Calo frontal largo, castanho-brilhante, o tubérculo ocelar e parte do espaço interocular enegrecido. Olhos com duas estrias verdes pouco largas sobre fundo escuro. Barba escassa, branca. Tromba comprida, preta; palpos em forma de sabre, pardo-ocráceos na base, enegrecidos no ápice. Antenas, ocráceas nos dois primeiros segmentos e na base do terceiro artículo, o resto castanho, ramo lateral deste reduzido a um espinho curto e fino, sem curva, de cor ferruginosa; segundo artículo, em cima, com processo terminal cônico.

Tórax chocolate, dos lados e em baixo com reflexos grisalhos; escudo brilhante tirando sobre o preto, uma estria longitudinal mais estreita e duas laterais mais largas de cinzento claro; escutelo chocolate, bastante avermelhado na margem livre.

Abdome comprido, estreito e achatado no dorso, onde o fundo preto mate é coberto de pêlos muito finos; no primeiro anel e nas margens posteriores dos três seguintes o fundo é mais claro, com pêlos esbranquiçados, formando cintas iguais e bastante largas no terceiro e quarto, no segundo apenas dos lados, tornando-se mais ou menos apagadas no meio; o ventre glabro e polido, chocolate na base, tornando-se preto no ápice.

Pernas chocolate, tornando-se ocráceas nos joelhos, na base das tíbias média e anterior e nos empódios.

Asas quase hialinas, com desenhos pardo-enegrecidos extensos, complicados e um tanto variáveis, podendo apresentar janelas de cor clara. O mais importante é uma faixa em forma de vírgula, com a base no terço apical da margem anterior e a ponta na quinta célula da margem posterior; há mais uma mancha perto do ápice da célula anal, invadindo também a axilar; a célula costal sépia-clara, chocolate no estigma. A margem posterior nem sempre se acha ligeiramente enfuscada por uma tarja com aspecto de nuvem, comunicando com o processo triangular da faixa sobre o ramo posterior da nervura forqueada. Nervuras transversais e principalmente o tronco da anal espessados, castanhos, com tarjas cor de sépia, as outras nervuras castanho-escuras. Escâmulas pequenas, pardacentas; halteres castanhos, esbranquiçados no ápice.

Esta espécie mostra uma convergência evidente para o gênero Acanthocera que falta nas espécies conhecidas do Brasil.

A descrição baseia-se no estudo de muitas fêmeas, colhidas pelo Dr. Neiva nos estados da Bahia (município de Santa Rita) e Goiás (entre Porto Nacional e a capital), nos meses de julho e agosto. Costumavam, no meio do dia, atacar os cavalos em redor dos olhos e nas pernas.

15. Dichelacera micracantha n. sp.

Comprimento geral 9mm. Face calosa, no meio cor de mel, dos lados enfuscada; perto dos olhos e das antenas com fundo granuloso, ocráceo, como existe também no occipício. Tromba curta, quase preta; palpos ocráceos, o segundo artículo estreito. Antenas curtas ferrugíneas; o terceiro artículo ligeiramente curvado, com ápice enfuscado, o dente reduzido a um pequeno tubérculo subcônico. Fronte com fundo pardo ocráceo claro, dilatada na frente, onde há um tubérculo subquadrangular moderadamente largo e pouco alto, prolongado por trás em linha fina.

Escudo com fundo enegrecido mate e margens mais claras, com restos de pêlos cor de ouro. No escutelo o fundo é castanho escuro, nas pleuras e no esterno enfuscado. Abdome: nos quatro primeiros segmentos prevalece um amarelo, um tanto alaranjado, no resto um pardo enegrecido. Nos segmentos 3 e 4 há, de cada lado, uma mancha basal subquadrangular, ocupando mais do que a metade da largura do segmento; no segundo a mesma zona também é um pouco mais escura. Limitam uma faixa média amarelo-alaranjada, composta primeiro por triângulos com ápice anterior e um pouco alargado nos segmentos 4 e 5, terminada depois por um triângulo inverso no segmento 6. Do lado ventral, os segmentos 2 e 3 têm as margens laterais enfuscadas e sinais de uma faixa mediana escura que se confunde com a parte posterior enfuscada do abdome, onde as incisuras, tanto em cima como embaixo, são estreitamente amarelas.

As pernas são geralmente de ocráceo, mais ou menos pardacento.

As asas são bastante hialinas, as nervuras ora ocráceas ora enfuscadas; a faixa costal é bastante larga; a apical estreita, em forma de T., com prolongamento apical e com contornos bastante regulares; da anal há apenas um pequeno triângulo, ocupando o ápice da célula anal. A cor das faixas é chocolate claro.

Como resulta da descrição e da estampa que a acompanha, trata-se de espécie bem caracterizada e que não se confunde com outra. Os olhos têm as faixas verdes alargadas até a margem.

Nosso exemplar foi trazido pelo Dr. Astrogildo Machado das margens do Tocantins. Tenho notas sobre um exemplar do British Museum que, talvez, pertença a esta espécie.

16. Dichelacera bifacies WALKER

Diagnose em latim:

Fusca, capite fulvo, thorace pilis aureis bivittato, pectore cano,

abdomine basi fascisque fulvis, pedibus fulvis, alis limpidis fusco

fasciatis et vittiatis.

Tradução da descrição inglesa:

Cabeça amarela, em cima com dois tubérculos píceos; olhos

verdes e purpúreos; palpos amarelos, lancetas ferrugíneas;

haustelo píceo; antenas amarelas, pilosas, mais longas do que

a cabeça; segundo artículo menor em comprimento do que a

metade do primeiro; terceiro quase duas vezes mais longo do

que os dois primeiros reunidos, um tanto curvado, píceo, com

exceção da base que emite um espinho, curto, porém mais

longo do que o segundo segmento; escudo fusco, ornado com

duas faixas de pêlo dourado espesso; peito branco; abdome

pardo; primeiro e segundo segmentos amarelos, com exceção

de uma mancha subquadrada no disco de cada um deles; há

largas faixas amarelas na margem posterior dos segmentos 3 e

4, que mostram também franjas de pêlos dourados; os

segmentos posteriores mostram ligeiros traços de faixas iguais;

ventre amarelo, com exceção dos lados dos três últimos

segmentos que são píceos; pernas mates, amarelas; pés mais

escuros; asas hialinas com a margem anterior fusca; uma estria

fusca nasce da base da asa e alcança a margem posterior

antes do meio, onde é quase atingida por uma faixa fusca que

nasce perto do fim da margem anterior e corre obliquamente

para trás, emitindo um ramo curto que atinge a margem

posterior perto do ápice; nervuras píceas, amarelas em alguns

lugares, onde a asa é hialina; halteres amarelos. Comprimento

do corpo 3 1/2 linhas; das asas 7 linhas.

a. Pará, dado por Mrs. J. P. O. Smith.

(Nesta descrição Walker usa extensamente a palavra tawny, que traduzimos por amarelo, conforme à expressão yellow, usada por Miss Ricardo, que redescreveu o mesmo exemplar.)

A nossa figura nos dispensa de aumentar muito a descrição de Walker: apenas diremos que a mancha dorsal e mediana, que se observa na base dos anéis 1 e 2, geralmente é triangular. A espécie pertence ao grupo das menores, nas quais o dente antenal é muito curto e tem uma calosidade frontal bem acusada. A faixa subapical, em forma de T, mostra ligeiras variações.

A espécie não é rara no Pará, onde a achei na Ilha de Arapiranga e onde recebi exemplares apanhados pelo Sr. C. Baker. Outras fêmeas provêm de São Pedro do Pindaré (estado do Maranhão) e do Tocantins (Dr. Astr. Machado). Sempre considerei a espécie limitada ao norte do país, mas em fevereiro deste ano recebi dois exemplares perfeitos, apanhados na Serra da Bocaina, perto da barra do Rio Mambucaba.

17. Dichelacera fuscipes LUTZ e NEIVA

Comprimento total 9mm.

Probóscide preta, palpos estreitos, ocráceos com pêlos pretos; antenas ferrugíneas com pêlos pretos, a extremidade do terceiro artículo apenas um pouco mais escura, o dente lateral e reto curto; a face coberta de pó branco, fronte com o mesmo, mais amarelado; calosidade enegrecida, unindo os ângulos anteriores dos olhos; por trás é triangular e prolongada em linha elevada; tubérculo ocelar castanho, ocelos atrofiados; olhos com duas faixas transversais estreitas, verdes sobre fundo escuro.

Tórax, em cima, castanho, com estrias longitudinais mais escuras e pouco distintas; escutelo saliente, da cor do escudo. Peito com fundo pardo, salpicado de branco.

Abdome de cor amarela de couro, enegrecido do quinto anel para trás; da base do segundo até o quinto segmento corre uma faixa escura, no meio da qual há uma mancha escura subtriangular.

Continuar: parte 3 de 3