Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 27 de 35 · parte 3/3

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Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos

Capítulo 1915

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Pernas de um pardo oliváceo, mais amarelado nas tíbias anteriores.

Asas sub-hialinas, ligeiramente amareladas na margem anterior, enfuscadas na margem posterior, a costa pardo-amarelada; há três faixas, semelhantes às de D. alcicornis, porém todas mais claras no centro das células.

Balancins com o pedúnculo branco-amarelado e o capítulo amarelo pardacento.

Esta espécie, pouco conspícua, porém bem distinta, foi descrita de uma fêmea capturada em Mato Grosso, na fazenda Pontal, perto das margens do Paraná, em janeiro de 1909.

Há outros exemplares da mesma zona.

A figura representa um macho. O desenho abdominal, nunca muito distinto, aqui é mais apagado do que nas fêmeas.

18. Dichelacera intermedia LUTZ

Convém citar aqui mais uma espécie, da qual tenho dois exemplares colhidos na região onde o Noroeste de São Paulo confina com o Mato Grosso. Posto que não sejam muito bem conservadas, talvez por terem ficado algum tempo em um vidro de cianeto bastante úmido, assim mesmo distingue-se claramente das outras espécies descritas.

No tamanho e no desenho do corpo e das asas parecem-se com a D. alcicornis. No escudo a estria do meio, em um dos exemplares, é fraca, no outro apenas indicada. O galho lateral das antenas é um tanto mais curto. As pernas não são claramente bicolores, mais cor de couro amarelo ou pardas, com os pés algum tanto mais escuros. O abdome é amarelo de couro; mais para trás, onde os segmentos se encontram em grande parte, torna-se pardo. Os outros caracteres aparecem na figura.

19. Dichelacera modesta n. sp.

Comprimento geral 12mm; corpo ocráceo mais ou menos enfuscado.

Fundo da cabeça ocráceo acinzentado. Palpos e artículo basal das antenas ocráceos; o resto das antenas falta. Olhos com duas fitas verdes estreitas sobre fundo preto. Calo frontal quase quadrangular, mas tendo na parte posterior um processo triangular comprido; tubérculo ocelar bastante alongado com a parte anterior saliente. A fronte alarga-se ligeiramente na sua parte anterior. Não há calosidade facial no centro, apenas existe o ponto deprimido dos dois lados.

Tórax pardo-ocráceo, no escudo quatro faixas escuras pouco distintas, duas submedianas e inteiras e duas laterais interrompidas no meio. Escutelo com as margens bastante claras, o resto pardo um tanto escuro.

Abdome ocráceo, pardacento nos dois anéis anteriores e ligeiramente enfuscado nos dois seguintes; o resto fracamente fusco; embaixo os três primeiros segmentos ocráceos, o resto enfuscado. As incisuras são mais claras e do terceiro segmento para trás há no dorso vestígios de triângulos curtos de cor mais clara, assentados sobre a margem posterior.

Pernas de cor ocrácea mais ou menos enfuscada.

Asas: Faixa costal compacta pardo-escura, preapical cor sépia, fenestrada e em forma de T, anal reduzida a ligeira pigmentação, acompanhando a margem anterior da célula anal. A asa é hialina, a célula axilar e, em menor grau, a margem posterior um tanto enfuscadas, os três espaços anteriores entre as nervuras transversais e a faixa preapical são amareladas, as nervuras desta zona, o tronco da quinta e uma pequena zona na base desta têm cor de mel, as outras nervuras são castanhas. O ramo anterior da nervura forqueada tem um apêndice bastante comprido e salientado por uma mancha escura.

O exemplar, que perdeu os pêlos e parte das antenas e pernas, nem por isso é bem caracterizado como espécie nova, distinta de fuscipes da qual mais se aproxima. Esta e a scutellata encontram-se na mesma latitude, porém a última se distingue logo pelo desenho dos olhos e a falta de calo facial. O exemplar, uma fêmea, procede de Corumbá, em Mato Grosso.

20. Dichelacera T. nigrum (F.)

Para completar este trabalho dou em seguida as descrições que Fabricius e Wiedemann deram da D. T. nigrum, sendo a última em tradução:

Fabricius: Syst. Antl. 191, 38:

Tabanus T. nigrum: fulvus ano fusco alis albis: costa strigata

postica fuscis.

Statura praecedentium (T. cervicornis, damicornis). Antennae

rufae, apice nigrae, dente incurvo. Caput ferrugineo

tomentosum: maculi triangulari glabra, atra. Thorax tomentoso

ferrugineus. Abdomen ferrugineum ano fusco. Alae albae costa,

striga linea ad marginem exserente fuscis. Pedes flavi.

Wiedemann: Aussereurop. Zweifl. Insekten I, p.160, n.76.

Amarelo dourado; escudo e ano pardos, asas amareladas:

costa faixa e duas estrias pardas. 5 1/4 L. ♀. Da América do

Sul.

Antenas ferrugíneas com dente curvado e ápice do artículo

terminal preto; palpos ferrugíneos; face inferior saliente, glabra:

fronte com calo triangular pardo. Escudo com pêlos pardos e

faixa parda entre as raízes das asas; escutelo ferrugíneo pardo.

Abdome com pêlos amarelo-dourados; terceiro segmento com

dois pontos pardos, quinto e os que seguem completamente

pardos. Asas hialino-amareladas; área costal e estigma de

amarelo mais carregado. Uma faixa parda oblíqua nasce perto

da raiz da asa da margem interna (que não alcança

completamente), corre até a costa e de lá, formando uma curva,

até o extremo ápice; essa faixa emite uma estria parda sobre o

ramo interno da nervura forqueada até a margem interior do

ápice, formando assim a figura de um T; outra estria é situada

no ângulo que as duas últimas nervuras formam na margem

interior. Pernas amarelo-douradas até pardacento-ocráceos,

tíbias anteriores e tarsos pardo-ferrugíneos. Na coleção de

Fabricius e na minha.

Tratando dos tabanídeos do British Museum escreve G. Ricardo em Ann. and Mag. of Nat. Hist., Ser. 7, v.XIV, nov. 1904:

Dichelacera T. nigrum, ♀, Fabr.

Uma fêmea de Santarém (Bates Coll.), 53, 72, com rótulo

trazendo o nome trifascia, evidentemente um nome de

manuscrito de Walker.

Há uma outra fêmea do mato de Santarém (Baixo Amazonas),

3, 95 (Austen Coll.), 96, 229, que corresponde à descrição

desta espécie; todavia não tem manchas pardas no terceiro

segmento do abdome que é amarelo com ápice pardo, e o tórax

tem antes pêlos dourados do que os pardos como Wiedemann

indicou.

Para comparação dou afinal em tradução a descrição de uma espécie nova da América Central por Miss Ricardo (Ann., v.XIV, nov. 1904):

Dichelacera grandis, ♀, sp. n.

Três fêmeas de Belize, Orange Walk, British Honduras, Sept.

1809, dadas pelo secretário colonial.

Espécie larga que se distingue de cervicornis pela forma da

faixa da asa.

Face amarela com mancha preta escura abaixo das antenas;

palpos amarelos, compridos, curvados, com pubescência preta;

pêlos embaixo da cabeça (?) escassos e amarelos. Antenas

amarelo-avermelhadas, o terceiro segmento preto na parte

anelada, comprido e com dente comprido; primeiro segmento

duas vezes mais comprido do que o segundo; o terceiro grosso

com o dente alcançando os anéis que são de tamanho quase

igual. Fronte pálido-amarelada; calo frontal pardo-escuro

brilhante, quase quadrado, emitindo uma linha elevada para o

vértice, que tem a cor fusca.

Tórax amarelado com pêlos dourados e faixa parda no centro;

escutelo pardo. Abdome pardo-avermelhado, o primeiro

segmento mais pálido com pêlos dourados, as margens

anteriores dos outros segmentos pardas com margens

posteriores avermelhadas, cobertas por pêlos fulvos; face

ventral amarelada com ápice pardo. Pernas amarelo-

avermelhadas, tíbias posteriores e tarsos pardo-escuros. Asas

hialinas, margem anterior parda, a faixa começando perto do

ápice atravessa a forquilha da veia terceira e depois,

estreitando-se, atravessa o ápice da célula discoidal,

terminando na quinta célula posterior; o ápice da célula anal e

sua margem interna são pardos.

Comprimento 12mm.

A espécie aproxima-se de salvadorensis pelo tamanho e pelo

desenho das asas; do outro lado parece distinguir-se pelas

calosidades da fronte e da face, a cor das pernas e outros

pontos menores. Não se conhece o desenho dos olhos, pelo

qual a salvadorensis se distingue facilmente da cervicornis.

Termino aqui a lista das espécies conhecidas de Dichelacera. Posto que seja muito extensa, devem-se esperar ainda adições futuras. Não julgo justificada uma subdivisão do gênero, mas podem-se distinguir pequenos grupos baseados em um ou outro caráter; esses grupos, todavia, são de natureza completamente artificial.

Tratarei agora do

 

Gênero Stibasoma SCHINER (L. 5)

Como resulta da tradução do texto original:

Cabeça mais larga que o escudo, um tanto achatada, escavada

por trás; olhos glabros, nas fêmeas separados pela fronte

pouco larga; ocelos faltam; antenas nascendo acima do meio

da cabeça, artículos primeiro e segundo curtos, o segundo

terminando em espinho dorsal, o terceiro profundamente

chanfrado do lado dorsal, com dente comprido, grosso e rombo

na ponta, pouco mais curto que o próprio artículo, que tem

cinco anéis, o primeiro largo, os outros muito conchegados,

pequenos; face inferior abaulada, as genae separadas do resto

por depressão profunda. Tromba grossa e curta, os cabelos um

tanto alargados, os palpos da fêmea longos e largos na ponta

anterior. Escudo pouco abaulado, a largura quase igual por

diante e por trás e apenas maior do que o comprimento;

escutelo abaulado. Abdome pouco mais comprido que o

escudo, muito espesso, grosso e convexo. Pernas fortes, nas

anteriores os quadris quase do comprimento dos fêmures, as

tíbias largas e grossas, curvadas, os tarsos largos, nas pernas

do meio e de trás os quadris curtos, os fêmures fortes, as tíbias

de trás largas e ciliadas de modo conspícuo que as faz

parecerem mais largas ainda. Tarsos como nas pernas

anteriores. Asas com a nervatura igual à do gênero Tabanus, a

primeira célula da margem posterior largamente aberta, o ramo

superior da forquilha cubital sem apêndice. Espécie típica:

Tabanus thiotaenia W.

O novo gênero se distingue, no hábito geral, do gênero Tabanus pelo abdome grosso, muito convexo e relativamente curto, e também pelas tíbias anteriores espessadas e curvas; de Selasoma e Hadrus pela formação das antenas e pela cor que não é metálica. O Tabanus tristis W. também pertence a este grupo.

Como se conclui da continuação do texto, Schiner também inclui em Stibasoma o Tabanus fulvohirtus W., posto que seja bastante diferente das espécies mencionadas.

Kertész dá apenas uma lista pequena de espécies de Stibasoma; a de Ricardo é pouco maior; todavia, o número das espécies registradas é bastante maior, posto que em alguns casos se trate de sinônimos e em outros a posição sistemática não seja completamente certa.

De espécies pertencentes a este gênero acho na literatura as seguintes: Tabanus festivus, fulvohirtus, thiotaenia, e tristis Wied., flaviventris Macq., mallophoroides Walker, Stibasoma bicolor Bigot e willistoni Lutz, cujo macho foi descrito por Williston. Acresce a nova espécie St. semiflavum Lutz.

As seguintes espécies parecem sinônimas: dives Walker e flaviventris Macq., compactus Walker e fulvohirtus Wied.; enfim, chionostigma Osten-Sacken e St. Pachycephalum Bigot talvez sejam idênticas, porém esta forma, alheia a nosso território, talvez tenha de entrar em outro gênero.

T. ferreus Walker é um macho mal conhecido que provavelmente não entra no gênero Stibasoma.

Tenho razões para supor que nas coleções européias haja ainda outras espécies, mas nas circunstâncias atuais não me foi possível comparar os tipos e tenho de adiar isso para tempos mais favoráveis.

Geralmente o material existente em coleções não deixa de ser bem escasso, visto tratar-se de espécies raras e pouco agressivas. Há nele uma proporção extraordinária de machos, que, por sua semelhança com himenópteros, facilmente caem na mão de colecionadores deste grupo.

O caráter fundamental está na imitação de himenópteros que determina a aparência e as diferenças dos vários grupos; estranha-se não vê-lo registrado na literatura. Posto não tenha determinado uma modificação das antenas como no gênero Acanthocera, aparece todavia na coloração, no hábito geral, no revestimento de pêlos e na formação de escovas nas pernas. Os grupos de espécies semelhantes de Stibasoma se explicam pelo mimetismo de himenópteros idênticos ou aliados, dependendo as formas diferentes da imitação de outros modelos. Por isso, pode se dispensar uma divisão anterior deste gênero, ainda imperfeitamente conhecido, posto que haja nos machos diferenças extraordinárias no aspecto dos olhos e em ambos os sexos na aparência das pernas e no hábito geral.

O gênero é principalmente representado na América do Sul; em direção ao norte não passa do México.

Em vez da longa descrição de Schiner bastam os caracteres seguintes para diferenciar as fêmeas de outras tabaninas esquistóceras: grande semelhança com Centris, Bombus, Xylocopa, Euglossa ou outros himenópteros (bem constante nas espécies típicas, estatura compacta, às vezes extraordinariamente curta e grossa, cabeça em forma de calota chata, escavada por trás. Último artículo das antenas com dente comprido e curvo, a principal quase ou completamente angulosa: segundo artículo papal com base larga; olhos glabros, sem desenho. Calo frontal continuado em crista, às vezes com sulco mediano. Asas nunca completamente branco hialinas, sendo amareladas, pardas ou pretas em extensão variável, sem apêndice e com a primeira célula marginal posterior aberta. Todas as tíbias ou, pelo menos, as de trás, às vezes também os fêmures, ciliados em forma de escovas pretas, às vezes com uns tufos brancos; além disso, as tíbias, pelo menos em parte, são espessadas, convexas no dorso e lateralmente achatadas. Nos machos os olhos são mais hemisféricos, com facetas maiores em disposição variada; artículo terminal dos palpos dirigido para diante, abdome terminado em ponta.

Segue agora a descrição das espécies conhecidas:

1. Stibasoma thiotaenia (WIED.) Tabanus thiotaenia WIED.

Preto; base do abdome cor de enxofre, asas pretas, mais claras

no ápice extremo. – 6 linhas ♀. – De Montevidéu ao Brasil.

Preto com pêlos pretos; estatura compacta. Antenas grossas;

terceiro segmento mais curto do que de costume, porém com

dente muito forte e alongado. Calo frontal oval. Ápice do

primeiro e todo o segmento segundo e também o ventre

(embora menos densamente) cobertos de pêlos de cor de

enxofre; região anal ligeiramente avermelhada. Halteres com

capítulo branco. Tíbias com cílios pretos na margem exterior.

Tarsos posteriores amarelo-pardacentos. – Em minha coleção.

A identificação da espécie é fácil, apesar da brevidade da descrição. Tratando dela, Schiner (L. 5) escreveu o que segue, em tradução:

Um exemplar sul-americano que tenho diante de mim concorda

com a descrição Wiedemann, além de ser garantida a

determinação por confronto com exemplares típicos da coleção

de Wiedemann. Para completar a descrição acrescento o que

segue:

O ápice do terceiro artículo antenal é vermelho-amarelo, o calo

frontal oval e um pouco alargado anteriormente e dividido por

um sulco no meio; os dois primeiros anéis do abdome são

amarelo-claros, quase brancos, os anéis que seguem amarelo-

vermelhos, o ventre enegrecido na base (a pilosidade no

exemplar presente está raspada), pernas pardo-enegrecidas,

tarsos vermelho-amarelos. Todo o resto como foi indicado por

Wiedemann.

A descrição de Schiner, longe de representar um progresso, faz desconfiar que seu exemplar estava mal corado ou desbotado, se não se trata de outra espécie. Williston criou outra complicação, designando o macho de outra espécie como pertencente talvez a thiotaenia.

Conheço vários exemplares desta espécie; todos combinam com o da estampa e com a descrição de Wiedemann, parecendo supérfluo dar nova descrição da fêmea. Três machos mostravam sobre os olhos confluentes o desenho que aparece na estampa, onde a cabeça do macho foi tomada de cima; persiste nos exemplares secos e indica as facetas maiores; por fora estas são muito miúdas, apenas apreciáveis a olho nu.

A espécie é escassa, mas bastante espalhada. Conheço-a dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, sendo dois exemplares colhidos no mês de dezembro. Tenho também dois exemplares do Paraguai.

A indicação de Wiedemann parece indicar que vai até o Rio da Prata, o que é um tanto duvidoso. As espécies marcadas no trabalho de Schiner geralmente não são do Brasil, mas, pelo menos em parte, da Venezuela, todavia a sua determinação é bastante incerta.

A semelhança com um himenóptero como Bombus ou Euglossa é muito acusada, não obstante não me constar uma espécie de desenho muito semelhante.

Já expliquei em outro lugar que o nome deve ser escrito thiotaenia, em razão da faixa de cor de enxofre, sendo a grafia theotaenia baseada em erro tipográfico. Mais errada ainda é a grafia theotaeniata adotada por Williston.

2. Stibasoma willistoni LUTZ

Williston deu de um macho de Stibasoma de Mato Grosso (Chapada) a descrição que segue em tradução:

♂ Facetas dos olhos muito alargadas na parte de cima,

pequenas na de baixo; olhos glabros. Ocelos faltam. Galho

lateral do terceiro artículo antenal muito grande, alcançando o

fim da porção não anelada; estilo curto, preto, ligeiramente

polvilhado. Palpos pretos, com pilosidade preta.

Tórax preto-escuro, com pêlos pretos. A face dorsal

ligeiramente coberta por pólen branco. Todo o abdome preto-

escuro e lustroso com todos os pêlos pretos; pernas preto-

escuras; tíbias da frente dilatadas; as de trás com cílios pretos Pernas ocráceas, fêmures e tíbias com escovas de cílios pretos, muito compridos nos de trás, principalmente no lado exterior da tíbia, onde há também alguns pêlos brancos; os tarsos menos pilosos e mais claros, os últimos pardo-claros, por baixo, com brilho dourado.

do lado externo e interno. Asas pardo-escuras, o ápice cinzento

hialino. Comprimento 16mm.

Se este for o ♂ de S. theotaeniata, difere muito na coloração do

abdome, que Schiner dá por amarelo-claro nos segmentos

basais. Não havendo descrição de ♂ deste gênero, a existência

de semelhante diferença sexual não é de todo impossível. Que

não se trata de fulvohirtum ou triste é evidenciado pelas asas

pretas, e se a espécie não é S. theotaenia deve ser de nova e a

fêmea desconhecida.

Trata-se de fato de espécie nova cuja fêmea, inteiramente parecida, conheço muito bem. (Também um dimorfismo sexual de coloração neste gênero não foi observado, nem há probabilidade.) Dou a essa espécie o nome do primeiro observador. Uma fêmea, procedendo da minha coleção, já foi figurada em Surcouf & Gonzalez-Ricones, Essai sur les diptères vulnerants du Venezuela (Part 2, Paris, 1912).

Dou em seguida a descrição de uma fêmea:

Comprimento 18mm; cor geral preta.

Cabeça, tromba, antenas e palpos pretos, as últimas do lado interno com brilho branco e pêlos claros, curtos e espaçados, o dente longo, curvo e rombo; calo frontal claviforme, lustroso, de cor preta, tirando sobre o vermelho; subcalo e vértice pretos com brilho alvacento, devido a pólen e pêlos finos de cor clara. Occipício com pólen claro sobre fundo escuro.

Tórax com pêlos pretos, muito caducos no escudo, que tem o fundo lilás avermelhado, com duas faixas longitudinais, alargadas por diante, de cor mais escura, quase preta.

Abdome nos dois sentidos muito convexo, o fundo preto com pêlos espaçados, bastante finos, margem posteriores dos segmentos mais claros, vermelho-pardacentos ou lilases.

Asas pardo-sépia com brilho azulado, ápice e às vezes o centro de várias células mais claros, sem serem hialinos; primeiro ramo da nervura forqueada com ângulo arredondado, a primeira célula da margem posterior um tanto estreitada na margem, célula anal fechada antes da margem; escâmula quase preta com margem estreita, de cor mais clara; halteres pardos com a face terminal assaz clara.

A espécie foi encontrada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O exemplar da Chapada de Mato Grosso prova que, na mesma latitude, ocorre também muito longe do litoral. Tanto se parece com uma espécie de Bombus que não pode ser distinguida quando voa, de modo que, para obtê-la, é preciso apanhar todos os insetos pretos com aparência de Bombus que voam em redor de pessoas e animais, mesmo quando não procuram pousar. Assim obtive vários exemplares na região de Santos, uma vez três, no mesmo dia. Aparecem pelo menos de dezembro até março.

3. Stibasoma flaviventre (MACQ.) T. flaviventris MACQ. (?1847)

Tradução da descrição do autor (L. 2):

Com tórax, antenas e pés pretos. Abdome ruivo com incisuras

amarelas. (Est. I, Fig. 4).

Compr. 8 1. ♀. – Palpos pretos, na base com ligeira penugem

branca; pêlos das Genae ruivos; o resto da fronte preto; um

pouco de penugem branca de cada lado, perto da sutura,

calosidade alargada e arredondada por diante. Olhos glabros

com facetas pequenas. Antenas: terceiro artículo de base

parda, o dente alcança três quartos do comprimento do artículo;

os dois últimos artículos fulvos. Tórax coberto de espessa

penugem preta; uma parte exposta mostra o fundo pardo;

escutelo de pardo testáceo. Abdome com fundo fulvo-

avermelhado, coberto de espessa penugem alaranjada,

amarela nas incisões; ventre preto, todos os segmentos com

margem posterior de penugem amarela. Pernas anteriores

tumefeitas, arcadas, anteriormente ciliadas; as posteriores

ciliadas por diante e por trás, todas com mancha basal e

anterior de pêlos brancos; empódios fulvos. Asas amareladas,

com base de colorido castanho enegrecido; célula mediastinal

fulvo-pardacenta; nervuras normais.

Do Rio Negro. M. Fairmaire.

Descrição e figura mostram claramente tratar-se de Stibasoma. Possuo também um macho da mesma zona, reproduzido na Fig. 22, que combina perfeitamente, como resulta desta descrição breve:

Comprimento: 17mm. Cabeça preta. Olhos com margem preta, mais larga abaixo, formada por facetas pequenas; o resto vermelho-escuro com facetas largas. Tromba e palpos pretos, com pêlos pretos; artículo terminal dos palpos oval, dirigido um pouco para cima. Antenas: os dois primeiros artículos pretos, o terceiro pardo-avermelhado formando ângulo obtuso, o dente pouco arcado, quase paralelo com o ápice do artículo terminal. Margem ocular inferior e parte da face com induto prateado de grânulos finos. Barba preta.

Fundo do tórax chocolate, misturado com vermelho, principalmente dos lados e abaixo; os pêlos conservados são pretos.

Abdome, nos dois primeiros segmentos, ocráceo virando depois em alaranjado, com pêlos finos, amarelos e pretos, formando franjas na margem apical dos anéis, estreitas no dorso e largas no ventre; neste fundo é muito enfuscado, principalmente por diante e no meio.

Pernas chocolate, virando para pardo-avermelhado ou preto, com pêlos espessos e compridos, de cor preta, menos na base das tíbias onde são níveos. Tíbias anteriores em cima convexas e lateralmente compridas, as posteriores com duas fileiras de cílios.

Asas com a base de pardo-avermelhado escuro; célula costal e parte das vizinhas amareladas, as nervuras desta e o estigma ferrugíneos; o resto das asas de cinzento muito diluído, o que não aparece bem na figura. Escâmulas pardo-escuras, capítulos dos halteres pardo-claros.

O macho aqui descrito e figurado foi apanhado no Pará em fevereiro de 1913. Parece-se extraordinariamente com um himenóptero da mesma zona, determinado por Ducke como Euglossa mocsáryi Friese, sendo todavia um pouco menor do que um exemplar dessa abelha, procedente do Rio Madeira.

Como resulta da descrição do autor e das observações de Ricardo, Tabanus dives Walker é sinônimo, tendo o comprimento de 18mm. Das duas fêmeas o cotipo foi colecionado por Bates no Rio Amazonas; o tipo certamente procede da mesma região.

4. Stibasoma fulvohirtum (WIED.) Tabanus fulvohirtus WIED.

Tradução da descrição original:

Preto, com pêlos amarelo-dourados; antenas com dente muito

alongado, pernas do meio totalmente, as outras apenas nos

joelhos e tarsos pardo-ferruginosos. – 5 3/4 linhas ♀. – Do

Brasil.

Antenas pretas, dente da base do segmento terminal rombo na

ponta; face inferior preta, com pêlos dourados; barba amarela

de ouro; palpos pardacentos pretos; fronte preta, calo preto em

ovalo pontudo, continuando em linha elevada e lisa; parte

inferior da fronte amarelada. Tórax amarelo-dourado muito

carregado, como também o abdome, munido de incisuras

esbranquiçadas; ventre preto, as incisuras com pêlos

amarelados. Asas de cor amarelada muito acentuada, no ápice

um tanto enfumaçadas, halteres amarelos com capítulo branco.

Base dos fêmures preta, na da frente apenas o ápice pardo-

ferruginoso, com pilosidade branca; tíbias do meio em certa

direção quase inteiramente alvacentas; tarsos anteriores

pardacentos, os de trás com cílios pretos. – Na minha coleção e

no Museu de Berlim.

Schiner escreve a respeito desta espécie (L. 5):

Duas fêmeas da Colúmbia. A determinação é assegurada por

comparação com exemplares típicos da coleção de

Wiedemann. As antenas dos exemplares presentes não são

pretas, porém castanho-enegrecidas, a face interior coberta de

pó e pêlos cinzento-esbranquiçados, também a fronte por

diante é alvacenta, não amarelada. O abdome é preto; debaixo

das incisuras brancas, formadas por pêlos curtos e muito finos,

a cor do fundo é ferruginosa. Os quadris são amarelos, os

fêmures, menos os ápices, as tíbias, menos as bases, pretos, o

resto ferrugíneo, como também os tarsos; todas as partes

claras têm pêlos alvacentos, as escuras pretos; os cílios da face

exterior das tíbias de trás muito conspícuos.

Miss Ricardo declara que T. compactus Walker é sinônimo de St. fulvohirtum e que as observações de Schiner e Osten-Sacken se aplicam também ao tipo de Walker. A descrição deste segue aqui:

Fem. Preta. Cabeça por baixo com tomento e pêlos pruinosos;

fronte de cada lado com pêlos fulvos. Olhos bronzeados, com

facetas muito miúdas. Antenas grossas, os dois primeiros

artículos com penugem pruinosa, terceiro com a base vermelha,

armado com chifre curvado, comprido e espesso. Tórax

ferruginoso nas margens laterais, revestido ligeiramente com

pêlos fulvos. Peito com pêlos e tomento pruinosos em todos os

segmentos. Pernas fortes, com pêlos pruinosos; trocanteres,

fêmures na base, joelhos, tíbias do meio e tarsos de trás fulvos;

tíbias da frente ligeiramente dilatadas, com franjas de pêlos

pretos e outros brancos em direção à base; tarsos curtos e

grossos. Asas ligeiramente amarelas, acinzentadas nas

margens posteriores e em direção aos ápices; veias fulvas,

pretas em direção às margens; primeiro ramo da veia cubital

simples, formando, perto da base, um ângulo muito obtuso e

arredondado; veias externo-medianas separadas; veia subanal

unida à anal a breve distância da margem. Halteres fulvos, com

capítulos brancos. Comprimento do corpo 6, das asas 10 linhas.

Ega, no Amazonas. Da coleção do Sr. Bates.

Além de Ega e da Colúmbia a espécie também foi encontrada no Panamá (Champion). Osten-Sacken (Biol. Centrali-Americana, Diptera T. 1, p.57) diz, a respeito dela:

Tenho um único exemplar do Panamá, que comparei com os

tipos em Londres e Viena. Combina em tudo, menos na franja

na margem posterior do primeiro segmento abdominal, que

difere da dos outros segmentos em ser fulva, em vez de branca.

A descrição das pernas devia ser emendada; a cor do fundo é

toda avermelhada, mas, mais ou menos escondida por pêlos de

comprimento e densidade variados; nos fêmures essa

pilosidade é preta, mas a cor avermelhada do fundo aparece na

face posterior; nas tíbias os pêlos são brancos na base, pretos

apenas na parte distal; nas tíbias da frente o branco ocupa

menos da metade, nas do meio muito mais da metade do

comprimento total; os pêlos são especialmente longos nas

tíbias de trás, o branco na base ocupa cerca de um terço do

comprimento. Os tarsos têm pubescência microscópica,

prateada no lado de cima e fulvo-avermelhada no de baixo. As

asas são distintamente tintas em amarelo, da base até o fim da

primeira veia e da costa até a quinta veia; o ápice e uma larga

margem posterior são acinzentados. Tenho poucas dúvidas

sobre a identidade específica.

Dou em seguida a descrição da fêmea (Fig. 23), apanhada em 1° de dezembro de 1907 a bordo de um vapor fluvial na costa de Marajó, entre Chaves e Breves. Por causa da sua cor mais escura julguei primeiramente tratar-se de espécie nova, todavia parece ligada por transições com o fulvohirtum típico.

♀. Comprimento do corpo (sem os apêndices) cerca de 15mm.

Tromba lustrosa, preta; face, fronte e palpos com pó e pêlos brancos sobre fundo preto; antenas com a forma típica do gênero, primeiro artículo com pequenos pêlos brancos e pretos, segundo com pilosidade branca, último pardacento; calo frontal claviforme, ligado por trás com um triângulo comprido que representa o tubérculo ocelar. Olhos pretos, sem desenho; occipício sobre fundo preto com pó branco e pêlos claros. Barba escassa, branca.

Tórax em cima raspado, com duas estrias longitudinais apagadas, de cor lilás pálido; adiante e por baixo da raiz das asas pequenos tufos de pelinhos níveos; lado ventral preto com pó branco, lateralmente com mancha avermelhada, os pêlos brancos e pretos; escutelo preto, a margem lilás pardacenta.

Abdome preto lustroso, com cintas amarelas na margem posterior dos segmentos, nos três primeiros dorsais alargados no meio; no primeiro segmento há no ventre apenas um tufo mediano de cor amarela.

Pernas, na maior parte, pardo-enegrecido, as tíbias anteriores em cima convexas, lateralmente comprimidas, os dois quintos basais ocráceos com cílios brancos; tíbias do meio normais, a metade basal ocrácea com cílios brancos, as de trás com a base ocrácea, com cílios compridos por fora, sendo as da base brancas e as demais pretas; cílios do lado interno mais curtos e pretos; todos os empódios amarelos.

Asas na costa e na margem de trás não como aparece na figura, mas de pardacento diluído, no resto amarelas, com as nervuras pardo-amarelas; base e célula costal cor de mel, estigma pardacento; escâmulas pardacentas com estreitas bordas mais claras; halteres pardo-claros, capítulos com a face terminal mais clara.

Mais tarde (1911) obtive outro exemplar do Pará, ao qual faltavam as antenas; as pernas são muito mais claras, o preto muitas vezes substituído por ocráceo; as nervuras das asas com estreita tarja parda. Nem por isso se trata da mesma espécie que, sem dúvida, é pouco variável na coloração; por isso, não posso considerá-la diferente da dos exemplares de Wiedemann e de Walker.

5. Stibasoma triste (WIED.)

Tabanus tristis WIED. (L. 8)

Tradução da descrição original:

Preto com a base do abdome amarela e asas amarelas,

enfumaçadas no ápice. – 5 1/2 linhas ♀. Do Brasil.

Vizinho de T. tibialis e theotaenia. Antenas pretas, dente do

terceiro artículo alongado ou em forma de espinho; cabeça e

palpos pretos; fronte lustrosa com calo transversal e linha

elevada, glabra. Escudo preto lustroso com margens laterais

um tanto pardacentas; escutelo preto lustroso; pleuras pretas.

Primeiro e segundo segmento abdominal amarelados, na parte

do meio do segundo uma mancha enegrecida larga, convexa

adiante; incisuras dos segmentos seguintes amarelas, a mais

vizinha um pouco mais larga, as outras muito mais estreitas. As

partes amarelas cobertas por pequenos pêlos, mais claros e de

amarelo mais bonito, observados ainda no terceiro segmento;

no quarto e nos seguintes parecem tornar-se pretos. Ventre

preto com largas incisuras amarelas. Velas das asas de

amarelo carregado, asas enfumaçadas no terço apical; halteres

amarelos com capítulo branco. Pernas pretas, tíbias compridas

e espessadas, com cílios pretos na margem exterior convexa,

na raiz externa com pêlos brancos. – Na minha coleção.

A espécie seguinte, de Bigot, parece apenas um sinônimo:

6. Stibasoma bicolor BIGOT

(Mém. Soc. Zool. France, v.1892) Tradução da descrição original:

Stibasoma bicolor, ♀, long. 13 vol. 10mm.

Haustelo preto, apenas igual à cabeça em altitude; olhos

glabros; palpos, antenas, face e fronte de preto escuro; dois

tubérculos pretos, pouco acentuados; barba pardacenta. Corpo

de preto lustroso, base do abdome com duas manchas laterais

largas, de cor amarelo-fulva; um tufo de pêlos brancos perto da

inserção das asas; escâmulas pardas, halteres alvacentos;

asas cinzentas, base e bordo externo largamente tintos de

amarelo-fulvo; pés pretos, com cílios pretos, muito curtos.

O tamanho parece variar consideravelmente.

Brasil. – Dois exemplares.

A respeito de duas fêmeas dessa espécie que parecem ser os tipos originais, escreve Ricardo:

Esta é espécie pequena, preta, os dois primeiros segmentos do

abdome amarelos dos lados, as asas hialinas (?), tintas de

amarelo na base e na margem anterior e com veias amarelas.

O dente comprido do terceiro segmento antenal alcança o

segundo anel que é pequeno e curto como também os três

últimos, sendo o terminal munido de ponta.

(O ponto de interrogação foi colocado por mim, porque Bigot diz: “Ailes grises”, o que corresponde à regra.)

Examinei e mandei figurar, há tempo, uma fêmea, que não tenho mais presente e que se distingue por tamanho maior (15mm), os apêndices mais claros, principalmente as antenas que são pardo-ferruginosas e as manchas laterais que invadem o terceiro segmento abdominal. O calo corresponde à descrição de Bigot, o preto do segundo anel abdominal termina numa linha transversal plana. O exemplar estava muito raspado, mas está bem representado no desenho, apenas a parte apical e posterior da asa devia ser mais acinzentada. O original foi apanhado no limite dos estados do Rio de Janeiro e de Minas.

7. Stibasoma festivum (WIED.) Tabanus festivus WIEDEMANN (L. 8)

Tradução da descrição original:

Preto intenso; raiz extrema e margens laterais do abdome cor

de enxofre; ventre no meio amarelo de ouro; tíbias de traz com

cílios níveos; asas pretas. – 7 1/3 linhas ♀. – Do Brasil.

Vizinho do tibialis e muito semelhante ao seguinte (hiotaenia),

estatura, antenas e calo frontal da mesma forma, porém a

pilosidade cor de enxofre ocupando todo o primeiro segmento

abdominal, mas no segundo apenas, de cada lado, um quarto

de largura; margens laterais dos segmentos 3-5, como também

os lados dos primeiros segmentos ventrais, com espessa

pilosidade dourada, virando para o ruivo. Extremo ápice antenal

amarelado. O escudo raspado mostra duas estrias lineares

branco-avermelhadas, abreviadas por trás; os quatro cantos

também são avermelhados; o triângulo antealar todavia é

amarelo-pardacento. Extremo ápice da asa e uma mancha

longitudinal do campo médio quase hialinos. Pernas pretas;

tarsos ruivos: extrema raiz das tíbias da frente e nas de trás, a

margem posterior até o ápice, com pêlos níveos. Também

adiante da base da asa um tufo de pêlos níveos. – No Museu

de Berlim.

Não se conhece bem o habitáculo dessa espécie, rara mas fácil de reconhecer-se em bons exemplares; parece que depois da descrição de Wiedemann foi reencontrada uma vez apenas: Williston registra a observação com estas palavras:

Tabanus festivus Wiedem. Chapada.

As tíbias, densamente ciliadas, na frente de preto e atrás de

branco, permitem facilmente reconhecer esta espécie.

Pode-se supor que se trata de uma fêmea e da Chapada, perto de Cuiabá. Estranha-se que Williston não chame a espécie de Stibasoma, visto que já Wiedemann salienta a sua semelhança com thiotaenia.

Não posso dar uma figura, sendo esta aliás dispensável para a determinação.

8. Stibasoma mallophoroides (WALKER) Tabanus m. WLK (L. 6)

Tradução da descrição original:

Fêmea. – Preta, grossa e curta: cabeça, dos dois lados, branca

por cima e na margem dos olhos; dois calos pequenos e

lustrosos; antenas com chifre curvado quase tão comprido

como o segmento 3 e os seguintes reunidos; tórax de cada lado

com ponto branco na base da asa; abdome vermelho, com

duas cintas amarelas basais, unidas embaixo, mas largamente

interrompidas no meio, havendo uma estria enegrecida acima e

no meio: tíbias ciliadas; fêmures ligeiramente ciliados; asas

enegrecidas, com reflexos arroxeados; em cada disco uma

estria lurida; ápices hialinos, ligeiramente acinzentados;

halteres fulvos com extremidade branca.

Comprimento do corpo 6, das asas 12 linhas.

Vizinho de T. festivus Wied.

Região Amazônica.

Essa bonita espécie, que vi em original, não é citada por M. Ricardo com o nome dado por Walker, ao menos no gênero Stibasoma, do qual sem dúvida faz parte.

9. Stibasoma semiflavum n. sp .

Comprimento 14mm, coloração preta com larga faixa abdominal amarela; as asas não são pretas.

Possuo um macho de Santa Catarina, colecionado pelo Sr. J. Schmalz em Joinville que lembra muito o flaviventris de Macquart. Todavia é um tanto menor, o campo basal da asa não é castanho enegrecido; a parte terminal preta do abdome fornece diferença muito evidente. Trata-se sem dúvida de espécie nova. Noto mais as seguintes minúcias:

Fundo da cabeça preto com pó acinzentado. Tromba muito curta, palpos enegrecidos, com pêlos pardos. Antenas preto-avermelhadas, artículo terminal com ângulo muito obtuso, o dente curvo e afilado. Olhos com facetas pequenas apenas no terço inferior, no resto são maiores; a cor, no exemplar seco, castanho-avermelhado até preto. Barba castanha. Tórax chocolate, os pêlos fuliginosos. Os três primeiros anéis abdominais, tanto no dorso como no ventre, ocráceos, com pequenos pêlos amarelos com brilho de seda; o resto castanho enegrecido, apenas a margem posterior dos segmentos mais clara. Pernas castanhas, com ápice preto. Fêmures com pêlos espessos, porém pouco compridos; todas as tíbias um pouco espessadas e convexas no dorso, apenas as últimas com duas fileiras de cílios muito curtos.

Estampa 19

Lista das espécies figuradas

1.Acanthocera longicornis (F)

2.Acanthocera exstincta (WIED.)

3.Acanthocera coarctata (WIED.)

4.Acanthocera marginalis (WALKER)

5.Acanthocera trigonífera SCHINER

6.Acanthocera tennicornis LUTZ

7.Acanthocera nigricorpus LUTZ

8.Acanthocera anacantha LUTZ & NEIVA

9.Acanthocera intermedia LUTZ

10.Acanthocera quinquecincta LUTZ

11.Acanthocera cristalis LUTZ

Os números de ordem correspondem aos do texto.

Estampa 20

Lista das espécies figuradas

1.Dichelacera alcicornis (WIED.) Com cabeça do %

2.Dichelacera cervicornis (F.)

3.Dichelacera damicornis (WIED.)

4.Dichelacera Januarii (WIED.)

5.Dichelacera rubricosa (V. D. WULP)

6.Dichelacera varia (WIED.)

7.Dichelacera marginata MACQ. Com variedade de nervura nas

asas.

8.Dichelacera submarginata LUTZ.

9.Dichelacera scutellata WILL

10.Dichelacera incerifascia LUTZ

11.Dichelacera trigonotaenia LUTZ

12.Dichelacera multiguttata LUTZ

Estampa 21

Lista das espécies figuradas

13.Dichelacera salvadorensis LUTZ

14.Dichelacera callosa LUTZ

15.Dichelacera micracantha LUTZ

16.Dichelacera bifacies WALKER

17.Dichelacera fuscipes LUTZ

18.Dichelacera intermedia LUTZ

19.Dichelacera modesta LUTZ

20.Stibasoma thiotaenia (WIED.)

21.Stibasoma willistoni LUTZ

22.Stibasoma euglossa LUTZ

23.Stibasoma dives (WALKER)

24.Stibasoma triste (WIED.)

Todas as figuras representam ♂ ♀; o risco ao lado indica o

tamanho natural.

LITERATURA

Litteratur

* Trabalho publicado em 1915, em português e alemão (“Tabaniden Brasiliens und einiger Nachbarstaaten”) nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, t.7, fasc.1, p.51-119, com duas pranchas coloridas executadas por Rudolph Fischer e Zucchi (numeradas de 19 a 21). A primeira memória, com idêntico título, reeditada também no presente volume, foi publicada no mesmo periódico (t.5, fasc. 2, 1913, p.142-91). [N.E.]

1 No original consta esvaados. Acreditamos que tenha o sentido de claros, esvaecidos. [N.R.]