Bilionário Destemido: Zane

J. S. Scott · Capítulo 10 de 22

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Bilionário Destemido: Zane

Capítulo 9

Balançando a cabeça no escuro, ela se perguntou se algum dia entenderia exatamente como a mente de Zane funcionava. Ele era um gênio, mas também era homem. Os homens comuns pensavam da forma como Zane pensava?

Por algum motivo, ela achava aquilo muito improvável. Depois de ouvir Chloe durante anos falando sobre os irmãos, Ellie sabia que Zane era único. Ellie sabia que nunca conheceria ninguém como ele.

Enquanto seus olhos se fechavam devagar, ela sorriu. De certa forma, ela se sentiu mais feliz por ele tê-la convidado para um encontro de verdade do que se a tivesse levado para a cama. Era algo importante, mas ela estava tão cansada que pegou no sono ainda sem entender exatamente o que Zane estava pensando.

 

Ellie não conseguia se lembrar de um momento em que se sentira mais deslocada.

No entanto, não deixaria que os nervos estragassem a noite de fantasia com o cara mais bonito do baile.

Ela tivera exatamente um dia para se preparar para o baile de caridade de Zane depois que chegaram à casa dele em Denver. Por sorte, o lugar não estava tão desorganizado quanto a casa nas montanhas, mas ainda havia pilhas de papéis espalhadas por toda parte que precisavam ser classificadas e guardadas.

A mansão de Denver era maravilhosa. Não que ela esperasse que não fosse, mas ficou maravilhada mesmo assim. Diferentemente da casa de Rocky Springs, os quartos eram todos no segundo andar, deixando a área de estar no térreo enorme. Sinceramente, ela não tinha certeza se já vira todos os aposentos da casa. Eles tinham chegado na noite anterior e ela estivera ocupada durante a maior parte do dia.

Mais cedo, ela fora se arrumar, deixando os cabelos em um estilo elegante alto, com os cachos curtos quase recusando-se a serem domados de forma sofisticada. A maquiagem fora feita por um profissional. Ela escolhera um vestido preto simples, algo caro o suficiente para fazer com que se contorcesse. Mas ela o comprara mesmo assim, depois de pendurá-lo de volta várias vezes na loja de departamentos por não ter certeza se conseguiria justificar gastar tanto dinheiro com um vestido. Depois do

vestido, ela precisara de acessórios. No fim, ela gastara mais dinheiro naquele dia do que nos vários anos em que morara em Rocky Springs.

Mas, por algum motivo, não se arrependia.

Ao parar na frente do espelho mais cedo, Ellie fizera uma avaliação completa de si mesma, não apenas do corpo físico no reflexo. Sim, ela admitira que estava bonita, mas, principalmente, reconhecera que mudava a forma como olhava para si mesma. Ela se sentia mais forte e mais livre do que nunca. Talvez fosse por causa da experiência que tivera, mas tinha a sensação de que Zane começava a fazer com que se visse de uma forma totalmente nova. Ele gostava dela. Ele se importava com ela. Ele destacava coisas que realmente admirava ou gostava nela. E Ellie começara a notar coisas sobre si mesma que nunca considerara.

Ela estava ficando mais forte.

Estava aprendendo a lidar com seus medos.

Ela não deixaria que o que acontecera moldasse sua vida. Ela gostava do que estava fazendo e gostava... de si mesma.

Ellie suspirou e pegou outra taça de champanhe de um garçom que passava ao voltar do banheiro, ansiosa para encontrar Zane. Ela tinha o acompanhante mais bonito e inteligente do baile e não pretendia deixá-lo sozinho esperando-a.

Ele deixara muito claro que ela era sua acompanhante e tratara-a como uma princesa. Zane não perdia a oportunidade de lhe dizer como estava bonita e dera-lhe um belo buquê de flores antes de saírem de casa, pois sabia como ela gostava de flores.

O jantar fora incrível. Zane a levara a um restaurante sofisticado e a comida estivera tão gostosa que Ellie tivera dificuldades em não gemer de prazer ao comer mais do que deveria, incluindo a sobremesa.

Quando chegaram ao local do baile, ela tivera que admitir que se sentia intimidada pela riqueza aparente à sua volta. Entretanto, Zane estivera lá para lhe lembrar de que todos podiam ser ricos, mas ainda eram humanos como todos os outros. Isso a fizera relaxar um pouco, mas tudo à sua volta era tão perfeito e um contraste tão grande com sua vida antiga que ela não conseguiu evitar um certo nervosismo.

Ela ficou na ponta dos pés, tentando ficar um pouco mais alta, para varrer o salão elegante e cheio em busca do seu acompanhante. Era difícil

reconhecê-lo com facilidade, pois todos os homens estavam vestindo terno, incluindo Zane.

Minha nossa, ele estivera de tirar o folego ao entrar na cozinha mais cedo naquele dia, perfeitamente arrumado e impecável na roupa preta. O

rosto fora recém-barbeado, os cabelos ainda estavam úmidos do banho, mas ele parecia delicioso. Ellie tivera que se perguntar por um momento se teria que limpar a baba da boca.

Ela tinha acabado de tomar a segunda taça de champanhe quando viu Zane. Ele conversava com uma ruiva cheia de curvas e parecia desconfortável. Não que os outros notariam, mas Ellie percebeu os sinais sutis.

Abrindo caminho pela multidão, ela atravessou o salão, hesitando porque não queria interrompê-lo. Mas, quando viu a ruiva colocar o dedo no rosto de Zane, percorrendo a linha da mandíbula dele, Ellie enxergou tudo vermelho e teve certeza de que não estava discutindo negócios.

Ele é o meu acompanhante, caralho. Eu me sinto como Cinderela e não vou perder a minha chance no baile.

Desviando de todos os casais lindamente vestidos ao andar na direção de Zane, não foi difícil perceber que ele não respondia aos avanços da ruiva ousada.

Ellie sorriu quando ele segurou o pulso da mulher e afastou-o de sua mandíbula com expressão estoica ao falar com ela.

Parando abruptamente ao se aproximar do casal, Ellie ficou momentaneamente surpresa ao ver que a mulher era jovem e muito bonita.

E Zane estava, obviamente, completa e totalmente... desinteressado.

Ela deu um passo à frente e ficou ao lado de Zane, colocando o braço no bíceps musculoso dele. — Desculpe — disse ela com um sorriso largo que torceu para não parecer falso como era. — Os banheiros estavam cheios.

Ela o sentiu tenso sob seus dedos por um momento breve antes de perceber quem o tocava. Em seguida, ele relaxou e finalmente virou a cabeça para encará-la. — Valeu a espera — respondeu Zane em tom suave, passando o braço em volta da cintura dela. — Quem é essa? — perguntou a mulher que estivera avançando sobre Zane.

— Minha acompanhante — respondeu Zane simplesmente, sem se dar ao trabalho de apresentá-las.

Ellie estendeu a mão para a mulher linda à sua frente, recusando-se a deixá-la perceber que se sentia intimidada. Mas, sinceramente, ela sentiu um pouco de medo da beldade ruiva. — Sou Ellie Winters — disse simplesmente.

Ignorando a mão estendida de Ellie, a mulher encarou Zane friamente.

— Você não me disse que tinha uma namorada — sibilou ela.

Ele deu de ombros, pegou a mão estendida de Ellie e entrelaçou os dedos nos dela, puxando-a para mais perto. — Por que deveria? — respondeu ele em tom de dispensa.

Ellie subitamente viu a expressão da mulher mudar de sedução para raiva. — Estive tentando atrair a sua atenção por quase um ano e você escolhe alguém como ela, em vez de mim?

O músculo no maxilar de Zane começou a se contrair, um sinal sutil de que ele estava furioso. Ellie se tornara mestre em ler a linguagem corporal de Zane durante os meses anteriores, pois nem sempre ele expressava o que tinha em mente. Ele podia ficar irritado, mas nunca perdia completamente o controle. Ele respirou fundo antes de falar. — Esperei que tivesse entendido a mensagem de que eu não estava interessado, Elena. Ou talvez o fato de estar trepando com seu chefe, e ele parece gostar de você, tenha acabado com o meu interesse. Mas, francamente, os motivos são irrelevantes. Você simplesmente não me atrai.

Ellie não conseguiu evitar. Ela encarou Zane por um instante antes de forçar a própria expressão de volta ao normal. O comentário de Zane fora dito em um tom glacial que ela nunca ouvira antes. Como sempre, ele foi direto, sem explicar mais do que achava necessário, mas ela nunca o ouvira falar em tom tão gelado.

Elena? Um belo nome e uma mulher linda que obviamente tinha o coração de um réptil.

A tensão no ar foi enorme quando Elena avaliou Ellie, devagar e com cuidado, obviamente achando que não valia muito. — Você acha mesmo que pode competir comigo? — bufou Elena.

Ellie se forçou a lançar um olhar breve e indiferente à mulher antes de responder: — Não há necessidade de competição — disse em um tom falsamente agradável. — Já ganhei. — Ela colocou a mão gentilmente no rosto de Zane e, em seguida, deu um beijo no canto de sua boca. Zane a

pegou de surpresa ao transformar o beijo leve em um beijo possessivo. Ellie agarrou os ombros dele para não cair.

Bem ali, no meio de uma festa sofisticada de arrecadação de fundos, Zane Colter a reclamou com um beijo longo, não deixando dúvidas de que Ellie era exatamente o que ele queria.

Por um momento, ela fechou os olhos e deixou-se mergulhar na sensualidade dos lábios dele sobre os seus, com uma pulsação de energia sedutora e possessiva que nunca sentira antes.

Não foi algo longo nem inteiramente sexual, apesar de ter a intenção de excitá-la.

O abraço foi mais como uma exigência e o coração de Ellie batia de forma irregular, mesmo quando ele lentamente afastou a boca da sua.

O olhar dele encontrou o seu, com os olhos cinzentos tumultuados e famintos. O corpo dela respondeu, com uma necessidade profunda de sentir o toque de Zane tão aguda que ela mal conseguiu respirar.

Finalmente, Ellie afastou o olhar, sem conseguir mais ver o que sabia que estava refletido no próprio olhar faminto. — Ela foi embora —

murmurou Ellie ao dar um passo atrás.

— Não me importo — respondeu Zane com voz rouca. — Dance comigo — disse ele, pegando a mão dela novamente e puxando-a em direção à pista de dança.

Ele a protegeu ao mover o corpo pela multidão, abrindo caminho para ela para que não precisasse se desviar das pessoas para segui-lo. Ela estava sem fôlego ao chegar na pista de dança e tropeçou, caindo diretamente nos braços de Zane.

— Não sei dançar muito bem — confessou ela.

— Eu sei. Basta me seguir — respondeu Zane ao passar os braços em volta dela. Ele começou a mover o corpo com a melodia lenta que a orquestra tocava. — Relaxe — disse ele, passando a mão gentilmente nas costas dela. Quando começou a seguir os movimentos dele de forma automática, Ellie sentiu o corpo derreter contra ele. Ela gentilmente encostou a cabeça no ombro de Zane. Ficou óbvio rapidamente que ele conseguia se mover competentemente na pista de dança. — Como você dança tão bem? — Sou um Colter. Minha mãe esteve envolvida em eventos de caridade desde que

consigo me lembrar. Ela nos ensinou a dançar quando éramos pequenos.

Tentamos participar dos eventos dela por respeito ao que ela faz.

Ele parou por um momento antes de acrescentar: — Exceto pelos leilões de bilionários. Quase todos nós conseguimos escapar desses eventos.

Ellie riu baixinho, adorando a sensação da voz profunda vibrando contra seu corpo. — Ela leiloa bilionários? — Talvez tivesse entendido mal.

— Sim, se achar que isso ajudará a tornar suas causas visíveis para o público em geral.

— Conte-me. — Ellie estava curiosa e queria ouvir toda a história sobre aqueles eventos de Aileen.

Zane começou a falar com tom desgostoso: — Uma vez, ela decidiu colocar bilionários do país inteiro no bloco de leilão. Somente uma noite.

Somente um encontro. O evento arrecadou uma fortuna e atraiu muita atenção. Agora, ela está tentando fazer isso de novo.

— Algum dos irmãos Colter participou? — perguntou Ellie, notando que ele não dissera que todos tinham escapado do evento.

— Somente Tate. Ele estava solteiro na época. Pobre coitado. Por sorte, ele acabou com uma mulher vencedora que tinha cerca de oitenta anos e só queria conversar sobre os netos a noite inteira. Mas ele teria aceitado qualquer pessoa de bom grado. Tate é assim. Ele sempre conseguia encantar qualquer mulher, mesmo na época da escola.

A voz de Zane foi pensativa e Ellie perguntou: — Acha que não teria conseguido fazer o mesmo? — As mulheres obviamente se atiravam aos pés de Zane, apesar de não ser pelos motivos certos. Mas, por algum motivo, ela suspeitava de que ele não se achava à altura dos irmãos.

— Sou um cientista nerd, Ellie. Só sou... diferente. Você sabe que não sei muito bem como jogar conversa fora e todos os meus irmãos conseguem encantar qualquer pessoa em qualquer tipo de festa ou evento. Chloe pode não gostar de pedir ajuda a eles, mas sabe ser a anfitriã perfeita quando precisa.

Inclinando a cabeça para trás, Ellie olhou para o rosto de Zane, sentindo o coração apertado. — Você não precisa ser diferente — disse ela em tom feroz. — Você não é mais aquele garoto nerd, não que houvesse algo de errado com isso. Você cresceu e amadureceu para ser o cara mais gostoso que já vi. E daí se não quer falar sobre o clima, a não ser que seja

algo fora do normal? É chato jogar conversa fora e você tem coisas mais importantes a discutir.

Ele ergueu a sobrancelha. — Acha que sou gostoso?

Zane estava brincando, mas Ellie tinha quase certeza de que ele ainda tinha uma dúvida na mente sobre seu valor em comparação aos irmãos.

Ellie apertou os braços em volta do pescoço dele, com os efeitos do champanhe que tomara deixando-a um pouco menos inibida. — Acho homens inteligentes incrivelmente sexy. Você tem olhos maravilhosos, um corpo gostoso e uma mente que admiro. Você é tenaz e foi a única pessoa que ainda estava me procurando quando todos os outros achavam que eu estava morta. Você é o meu herói. Eu diria que isso o coloca muito alto na escala de sexo por motivos que não têm nada a ver com o seu dinheiro.

Ele encostou a boca na orelha dela. — Não sou o seu herói. Sou só um homem.

Ellie estremeceu quando o hálito quente bateu em sua orelha. A voz rouca dele fez com que suas entranhas se contraíssem com tanta força que ela errou um passo. Zane a ajudou a se recuperar rapidamente antes que ela respondesse: — Um homem incrível.

— Não quero que me queira só porque salvei a sua vida — retrucou ele.

Surpresa, ela respondeu em tom firme: — Não é por isso. Nunca foi.

Eu sempre gostei de você, muito antes de salvar a minha vida.

A música terminou no momento em que ela acabou a frase. Zane a inclinou para trás, apoiando-a pelas costas. Instantaneamente, ele a puxou para cima novamente com força e ela bateu contra o corpo musculoso.

— Você não está usando sutiã — disse ele irritado.

— Como sabe disso? — perguntou ela, com as palavras abafadas contra o peito dele.

Na verdade, ela não estava usando nenhuma roupa íntima. O vestido tinha mangas longas, que deixavam os ombros à mostra, algo em que ela não pensara ao comprar o conjunto. Quando descobriu que não tinha as roupas íntimas adequadas para usar com o vestido, resolveu não usar nada.

O material era pesado o suficiente para não mostrar nada e ela não estava com aparência nada indecente.

— Seus mamilos estão rígidos. Percebi quando o tecido esticou —

resmungou Zane.

Todos aplaudiram a orquestra e Ellie fez o mesmo ao responder: —

Então talvez você não devesse me segurar tão perto nem colocar sua boca sexy contra a minha orelha. — Ela se virou para sair da pista de dança.

Zane segurou seu braço antes que ela conseguisse se afastar. — Dançar a deixou excitada?

Ellie pegou mais uma taça de champanhe de um garçom que andava pela beirada da pista de dança e deu um gole grande antes de olhar para ele.

— Não dançar. Dançar com você me deixou excitada. — Sem dizer nada, ele a pegou pela mão e atravessou a multidão até chegarem a uma mesa vazia. Ele a ajudou a se sentar antes de dizer: — Fique aqui. Vou até o bar.

Acho que preciso de uma bebida.

— Estão servindo champanhe no salão inteiro — lembrou Ellie.

— Preciso de algo mais forte que isso. — Ele colocou a mão no bolso da calça, com os olhos percorrendo a frente do vestido dela. — Nada de dançar com qualquer pessoa que não seja eu. Quero saber exatamente o que está vestindo debaixo desse vestido.

Ellie terminou de beber e sorriu para ele de forma doce ao acenar com o dedo para que chegasse mais perto. Olhando-a desconfiado, ele se abaixou para que ela pudesse sussurrar em seu ouvido. — Nunca usei um vestido assim, mas não queria que a calcinha ficasse marcada. Portanto, comprei uma tanga preta com renda rosa, a coisa mais linda, com meia-calça combinando. E só. Eu me sinto quase... nua.

O coração de Ellie começou a bater mais depressa quando Zane virou a cabeça e seus olhares se encontraram. O rosto dele estava tão perto do dela que Ellie teve vontade de estender a mão e agarrar seus cabelos, fazendo com que a beijasse até que não conseguisse mais pensar nem respirar.

Os olhos dele eram perigosos, com um tom de cinza escuro e turbulento que a fez pensar em uma tempestade. — Meu Deus, Ellie! Está tentando me deixar de pau duro ou só está sendo sincera? — sussurrou ele.

Ela chegou mais perto dele. — Talvez um pouco de cada — confessou ela. — Eu não gosto de flertar. — Ellie tinha a sensação de que a champanhe a fazia dizer exatamente o que queria. Em se tratando de álcool, ela era fraca, pois raramente bebia até mesmo uma taça pequena de vinho.

Ele colocou a mão em sua nuca e o toque íntimo e possessivo a fez estremecer.

— Não faça isso com ninguém mais além de mim — exigiu Zane. Em seguida, ele deu um beijo em seus lábios antes de endireitar o corpo. — Já volto. — A frase pareceu mais uma advertência do que um comentário.

Ela observou enquanto Zane andava pelo salão até o bar, suspirando com o andar sensual e provocante de um predador que ele usava para ir de um lugar a outro. Ela fixou os olhos nos ombros largos até que ele finalmente desapareceu no mar de pessoas perto do bar.

— Ah, eis alguém que ainda não conheci. E você está com Zane. Olá, mulher misteriosa.

Um homem loiro se sentou à frente dela. Os lábios sorriam, mas, por algum motivo, a expressão jovial não chegava aos olhos escuros. — Olá —

respondeu ela automaticamente. — Sou Ellie Winters.

O homem estendeu a mão sobre a mesa. — Sean Rycroft — disse ele ao apertar a mão dela. — Sou o diretor de pesquisas na Colter Laboratories.

Zane é meu chefe. Quer dizer, tecnicamente, ele é chefe de todo mundo.

— Achei que Zane era o diretor.

Sean riu. — Claro que não. Ele é o presidente da empresa global inteira. E tem vários diretores nas instalações.

Ellie fez uma pausa, percebendo como sabia pouco sobre a empresa de Zane. — Ele tem laboratórios no mundo inteiro?

Sean assentiu. — Praticamente. Mas a maioria deles é de instalações de fabricação para produzir os itens que ele já desenvolveu. O laboratório de pesquisa principal é aqui em Denver. — Ele parou por um momento e perguntou: — Há quanto tempo vocês dois estão envolvidos? Zane não disse nada. Elena só me disse que ele tinha uma acompanhante.

A ruiva? Por que ela falara com aquele homem?

— Você conhece Elena? — perguntou Ellie com cautela. — Eu a conheço muito bem, na verdade. Ela é a minha assistente.

Então ele é o chefe com quem Elena está trepando. Mas, agora, ela quer pegar um peixe ainda maior: o dono da empresa inteira. Ellie ficou com pena do homem sentado à sua frente. Ele provavelmente era dez anos mais velho que Zane, mas não era feio. Ele era charmoso, mesmo se o sorriso não chegasse aos olhos. Ele parecia simpático e estava bonito no terno. Mas como ele podia não saber que a víbora que era sua assistente e namorada queria mais dinheiro do que Sean ganhava? E Ellie tinha certeza de que Zane pagava seus diretores muito bem.

Sorrindo de forma educada, ela revelou: — Na verdade, sou assistente de Zane. Nós nos conhecemos há muitos anos.

Sean abriu outro sorriso distante e polido. — É mesmo? Fantástico.

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Então vocês não estão seriamente envolvidos? Não é de espantar que ela esteja dando em cima de Zane.

Ellie encarou Sean, chocada com o tom direto. — Mas você e Elena...

— Ela se recusa a ter um compromisso. Acho que ainda está procurando alguém melhor. — A voz dele continha um toque de tristeza e amargura.

Ellie reprimiu um estremecimento de repulsa. Obviamente, a cobra ruiva estava usando Sean até encontrar um homem com ainda mais dinheiro. A ideia a revoltou, especialmente porque Sean parecia gostar dela.

Ela aceitou outra taça de champanhe de um garçom que passou antes de responder: — Acho que não entendo não querer compromisso com alguém com quem a pessoa dorme regularmente. — Ela disse aquilo em voz alta antes de perceber o que fizera. Não só ela não entendia Elena, como não conseguia entender por que Sean aguentava uma mulher que lhe causava tanta dor.

Sean deu de ombros. — Algumas mulheres são inesquecíveis. Mas ela quer a vida da alta sociedade e, algum dia, eu lhe darei isso. No momento, pelo menos ela ainda está comigo.

— O que está fazendo, Rycroft? — perguntou a voz brava de Zane atrás de Sean.

Sean se levantou. — Zane — cumprimentou ele com um aceno da cabeça. — Eu só estava conversando com sua nova assistente.

— Vá embora — disse Zane abruptamente. — E nem pense em passar um segundo sozinho com Ellie ou você se arrependerá.

Sean ergueu as mãos de forma inocente. — Achei que ela era sua nova assistente.

Zane colocou o copo sobre a mesa, estendeu a mão e agarrou a lapela do terno de Sean. — Vá — disse ele em tom grave. — Agora. Caralho.