Bilionário Destemido: Zane

J. S. Scott · Capítulo 17 de 22

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Bilionário Destemido: Zane

Capítulo 16

Ele apertou os braços em volta dela, grato pelo dia em que Lara entrara em sua vida. Ele nunca percebera como era solitário até encontrá-la e pretendia garantir que ela nunca tivesse motivo para parar de amá-lo. —

Você também era do que eu precisava, querida. Sempre será.

Eles ficaram abraçados por um momento até que Lara perguntou: — A que horas vamos buscar sua mãe?

Ele deu um passo atrás e olhou para o relógio. — Agora — respondeu ele com um sorriso.

— É melhor nos mexermos. Estou surpresa por ela ainda não ter telefonado. Deve estar muito empolgada.

Tate abriu a porta para que Lara saísse e o celular no bolso de sua calça começou a tocar.

A esposa olhou para ele e os dois sorriram. Ele trancou a porta rapidamente e os dois correram para o carro.

 

—Eles estão atrasados. Acha que estão bem? — perguntou Ellie nervosa ao olhar pela janela pela quinta vez nos dois minutos anteriores, esperando que Chloe e Gabe aparecessem no caminho para a casa.

— Ellie, pare! – insistiu Zane, que estava sentado no sofá da sala de estar. — Venha sentar aqui. Ficar olhando pela janela não fará com que cheguem mais depressa.

— Estou bem — garantiu ela, sabendo que não conseguiria ficar sentada. Cada nervo de seu corpo vibrava de ansiedade. — Só espero que ela não esteja chateada comigo por ter mantido meu resgate em segredo.

Agora não sei mais se fiz a coisa certa.

Zane se levantou e segurou Ellie pelos ombros. — Você tinha o direito de fazer o que quisesse. Era você quem estava se recuperando de um incidente traumático. A decisão era sua e não era da conta de mais ninguém, Ell. Você tinha o direito de fazer o que a deixaria confortável naquele momento.

— Mas ela é minha melhor amiga — respondeu ela ansiosa. — Talvez tenha sido algo egoísta, mas eu não queria que ninguém me visse naquela situação. Eu precisava de tempo. E não queria que ela voltasse correndo por minha causa.

— Então você tinha o direito de se recuperar em paz — retrucou Zane em tom razoável. — Você precisava se preocupar apenas consigo mesma.

Pelo amor de Deus, você quase morreu.

— Você não deixou que eu me recuperasse em paz — relembrou ela com um sorriso. — Foi teimoso, manipulador e mandão.

— Só em relação à sua segurança — resmungou ele. — Eu queria que você se sentisse feliz de novo. Só porque você tinha o direito de ficar sozinha não quer dizer que tivesse que ficar.

— Eu precisava de você — confessou Ellie ao passar os braços em volta dele. — Só não queria admitir. Você me salvou de várias formas, sabia? Com Chloe longe, eu não tinha ninguém. Sim, morei em Rocky Springs a vida inteira, mas acho que nunca percebi como tinha poucos amigos de verdade. Não que isso importe, pois Chloe compensa muito bem.

Não tem como ser mais amiga do que ela é.

— Você. Tem. Eu. — Zane passou os braços em volta da cintura dela.

— E amigos bons de verdade são difíceis de encontrar, especialmente quando alguém trabalha tanto quanto você. Quando não está fazendo coisas para mim, está trabalhando em seu negócio on-line. Passo tanto tempo no laboratório que também não fiz muitos amigos. Tenho colegas de trabalho, mas, em se tratando de pessoas que ficariam ao meu lado quando eu precisasse, praticamente só posso contar com minha família.

— Você tem a mim agora. — Ellie repetiu as palavras dele. —

Acredite, sei como tenho sorte de ter você — respondeu Zane com sinceridade e os olhos ardentes.

Ellie reprimiu as lágrimas, algo que fazia com frequência quando uma das confissões sinceras de Zane a deixava emocionada. De verdade, ele teve a sorte de ter uma mulher como ela, que lhe deu mais trabalho do que alegria?

Ela pensou por um momento, contendo-se e eliminando os pensamentos negativos. Apesar da dor de que se lembrava, havia muita alegria em sua vida com Zane e os dois estavam felizes. Era difícil lidar com os momentos sofridos, mas, naquele momento, as coisas boas superavam as ruins. Na verdade, algumas vezes Ellie achava que sua vida não tinha como ser mais perfeita. Sim, de vez em quando um pesadelo ou hábitos antigos ainda a assombravam, mas, em sua maioria, Zane lhe ajudara a se libertar.

A vida dela estava diferente. Ela estava diferente, tudo porque Zane Colter entrara em sua vida. Mesmo antes do sequestro, o mundo dela fora

muito pequeno. Ele a ajudara a expandir seu universo e, não importava o que acontecesse entre eles no futuro, ela sempre seria grata a Zane.

Eu amo você!

Apesar de Ellie querer desesperadamente dizer aquelas palavras ao encarar o olhar tempestuoso de Zane, ela hesitou. Eles eram um casal agora, mas Zane nunca dissera nada sobre estar apaixonado. Ele acreditava em amor ou apenas em monogamia? Francamente, Ellie acreditava que Zane era sua alma gêmea, o homem com quem sempre quisera estar. Mas ela aceitava que um homem da ciência provavelmente não concordaria com uma teoria como essa.

Subitamente, a campainha soou, arrancando Ellie de seus pensamentos.

— Chloe — sussurrou ela em tom reverente, como se sua melhor amiga fosse uma celebridade.

— Eu atendo — disse Zane.

— Não. Estou bem. Iremos juntos.

Zane entrelaçou os dedos nos dela, oferecendo um apoio silencioso ao andarem até a porta da frente. Ele girou a maçaneta e a porta de madeira pesada se abriu.

Em frente a ela, estava uma Chloe sorridente e feliz, parecendo mais linda do que nunca. Não que Chloe alguma vez tivesse parecido feia, mas parecia ter um brilho que sempre parecera faltar.

Ellie a encarou incrédula e... perdeu o controle.

Estendendo os braços, ela os passou em volta do pescoço de Chloe e puxou-a para dentro da casa com um soluço. — Ai, meu Deus. Não achei que veria você de novo.

As lágrimas de Ellie correram livremente quando as duas mulheres se abraçaram de forma tão exuberante que acabaram caindo de joelhos.

— Eu sinto tanto, Ellie. Eu sinto tanto — gaguejou Chloe por entre as lágrimas.

Ela abraçou a melhor amiga com mais força. — Acabou. Estou aqui.

Não importa mais.

Agora, Ellie se sentia feliz por não ter contado a Chloe que estava viva.

Mal conseguia imaginar a reação da amiga se a tivesse visto durante os dias em que parecia um esqueleto e nem conseguia caminhar sozinha. Com o coração imenso que tinha, as imagens teriam assombrado Chloe para sempre.

— Eu tive tanto medo de nunca mais ver você de novo — murmurou Chloe entre soluços pesados de alívio.

— Eu amo você tanto! — exclamou Chloe.

— Eu também amo você — respondeu Ellie imediatamente.

Nenhuma das duas percebeu quando os homens as levantaram. Os dois pareciam preocupados, com os olhos estranhamente úmidos e sem conseguir afastar os olhos delas. Só o que podiam fazer era compartilhar da alegria das duas mulheres que estavam tão felizes por estarem juntas novamente.

Finalmente, Chloe se afastou e segurou Ellie pelos ombros. — Deixe-me olhar para você. Ai. Meu. Deus. Você está fantástica. Perdeu peso e adorei os cabelos mais curtos.

Ellie sorriu para Chloe, determinada a nunca mencionar o motivo pelo qual estava com um peso normal. Ela também não diria nada sobre os cabelos mais curtos. Seus cabelos tinham crescido, mas levariam anos para chegar ao comprimento que tinham antes. Por outro lado, ela não tinha certeza se queria que ficassem tão longos novamente. Ela gostava do estilo curto e de como era fácil cuidar deles.

Segurando os braços da amiga, Ellie inspecionou Chloe, percebendo como ela parecia despreocupada naquele momento, exceto pelas lágrimas que escorriam pelo rosto. — Você parece feliz — disse ela com simplicidade, pois isso exprimia exatamente o que via.

— E estou. Ah, deixe-me apresentar você a Gabe, meu marido.

Afastando-se de Chloe, Ellie olhou para o homem alto e bonito ao lado da amiga. — Nós cruzamos um com o outro algumas vezes. Parabéns, Gabe. Você tem a esposa mais maravilhosa que poderia querer — disse Ellie com uma piscadela ao estender a mão.

Gabe assentiu e sorriu ao apertar a mão dela. — E eu não sei? —

retrucou ele com um sotaque ligeiramente arrastado. — Se eu me esqueço, ela me relembra disso.

Chloe bateu de leve no braço dele. — Claro que não — disse ela em tom falsamente indignado.

Puxando o braço, Ellie percebeu que o sorriso de Gabe chegava aos olhos, fazendo com que brilhassem maliciosamente. Sua melhor amiga encontrara o homem perfeito. Ellie tinha a impressão de que Gabe e Chloe riam bastante.

Ela assistiu enquanto Gabe e Zane apertavam as mãos e batiam de leve nas costas um do outro.

Chloe se virou para o irmão e abraçou-o com força.

— Como foi a lua de mel prolongada? — perguntou Zane, parecendo ter feito a pergunta para aliviar o clima. — Vamos para a sala de estar. —

Ele foi na frente.

Ellie e Chloe o seguiram, de braços dados, como se tivessem medo de se soltarem.

— Foi maravilhosa — respondeu Chloe. — Mas nada na viagem foi melhor do que voltar para casa. Ainda parece surreal para mim que Ellie esteja aqui. Acho que vou demorar um pouco para me acostumar com o fato de ela estar de volta.

As duas mulheres se sentaram no sofá e viraram uma para a outra.

— Você está bem, mesmo? — perguntou Chloe em tom hesitante.

Ellie assentiu. — Não vou mentir e dizer que não tenho alguns problemas que ficaram, mas estou trabalhando neles. Zane salvou a minha vida.

— Você sentiu frio? Aquele filho da puta alimentou você? Ele a machucou? — Havia um tom desesperado na voz de Chloe.

— Senti frio. E ele deixou pouquíssima comida e água, mas foi o suficiente para durar até que Zane me encontrasse. — Ellie não mentiria para Chloe, mas torceu para que a amiga não fizesse mais perguntas.

Os homens tinham se sentado em cadeiras em frente ao sofá. Os olhos de Chloe se viraram para Zane. — Obrigado. Mas ainda quero matar você por não ter me contado que ela estava viva.

— Não — interrompeu Ellie. — Por favor, não culpe ninguém além de mim. Eu queria algum tempo para botar a cabeça no lugar. Zane e Gabe respeitaram isso. Se está furiosa, é comigo. Pedi a eles que não contassem.

Acho que nós duas precisávamos de tempo para a cura.

— Não estou com raiva de você, Ellie. E nem de Zane. Como poderia?

Ele salvou você.

O interfone soou e Ellie olhou para Zane perplexa. — Mais alguém ficou de vir?

Zane revirou os olhos. — Está brincando? Todos virão aqui. Talvez eu devesse ter deixado o portão aberto.

— Quem?

— Minha família. Achou mesmo que a mamãe e os meus irmãos perderiam a festa?

Chloe deu um gritinho de alegria ao se levantar para atender o interfone. — Não sei como deixá-los entrar, mas estou feliz por estarem aqui. Só queria que tivessem nos dado mais tempo para conversar.

Sinceramente, Ellie estava aliviada. Apesar de querer ter algum tempo a sós com Chloe, não tinha certeza se estava pronta para algumas das coisas que a amiga pudesse perguntar.

Zane se levantou, sem importar em atender o interfone. Ele simplesmente apertou o botão para abrir o portão.

Antes que o carro chegasse ao fim do caminho, ele deixou outro veículo passar pelo portão. — Mas que droga, eles podiam pegar carona uns com os outros — resmungou ele ao se levantar para abrir a porta.

Ellie percebeu que o desejo de Zane fora atendido quando viu Marcus e Blake entrarem juntos. Alguns minutos depois, entraram Tate, Lara e a mãe de Chloe.

Aileen levara jantar do resort para todos e os rapazes foram retirar tudo do carro de Lara.

Enquanto o grupo andava para longe da sala de estar, Zane pegou o braço dela a caminho da cozinha. — Querida, odeio fazer isso agora, mas Sean acabou de telefonar. Aconteceu alguma emergência no laboratório.

— Hoje? Mas é fim de semana. — Ellie sabia que parte da equipe de pesquisa trabalhava nos fins de semana, mas raramente as pessoas do alto escalão. Sean normalmente ficava com Elena e não precisava trabalhar nos fins de semana. — Ele disse que Elena o deixou e queria distrair a mente.

Portanto, foi trabalhar porque estava tendo sorte com um dos nossos projetos. Mas algum equipamento não está funcionando. Preciso que esteja funcionando até a manhã de segunda-feira.

— Então vá — disse Ellie. — Ficarei aqui com Chloe e os demais.

Zane assentiu relutantemente. — Eu sempre quero que você esteja comigo, mas não vou tirá-la daqui agora. Estarei de volta amanhã.

Ellie passou os braços em volta do pescoço de Zane e beijou-o, bem na frente da família dele. Ele apertou ainda mais o abraço, correndo as mãos pelos cabelos dela e devorando sua boca até que Ellie ficasse sem fôlego.

— Vou sentir sua falta — disse Ellie em tom ansioso. — Também vou sentir sua falta. Divirta-se com Chloe.

Ele se afastou tão depressa quanto se aproximara, deixando várias expressões interrogativas para trás. Ellie se virou e viu que todos a encaravam.

O único que não parecia surpreso era Marcus. — Estamos namorando

— murmurou Ellie nervosa.

Marcus cruzou os braços em frente ao corpo com um sorriso malicioso.

— Espero muito que sim. Caso contrário, vou ter que ter uma conversa séria com ele sobre etiqueta com amigas.

Chloe se aproximou de Ellie com entusiasmo e abraçou-a com força. —

Estou tão feliz por vocês dois. Obrigada.

Ellie retribuiu o abraço. — Pelo quê?

— Por deixar meu irmão feliz. Percebi na expressão dele que ele gosta de você. Fico muito feliz por o sentimento ser mútuo.

— Muito mútuo — disse Ellie com uma risada.

— Eu sei que você gostava dele quando era mais jovem e sempre me perguntei se ainda havia alguma coisa. Você perguntava muito sobre ele.

Ellie sentiu o rosto quente. — Desculpe. Eu não estava tentando arrancar informações de você. Eu só...

Ok. Talvez ela quisera saber o que Zane estava fazendo, com quem estava saindo e qualquer outra informação que conseguisse. Mas não fora intencional.