Bilionário Destemido: Zane

J. S. Scott · Capítulo 4 de 22

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Bilionário Destemido: Zane

Capítulo 3

Ele deu mais chocolate a ela, impedindo-a de responder. Em certo momento, teriam que conversar sobre os planos dele de levá-la para sua casa. Até então, ela saborearia o doce e o homem que o dera a ela.

O desejo dele de ajudá-la e a gentileza rabugenta eram um lado de Zane que ela nunca vira antes. Obviamente, ela o encontrara muito pouco desde que ele fora para a universidade e voltara um belo adulto. Ela nunca passara tempo suficiente com ele para perceber como era especial agora.

No entanto, ele fizera demais por ela e, depois de algum tempo, entenderia que era melhor que Ellie ficasse com Aileen até estar totalmente recuperada. A imprensa encontraria outra história e pararia de persegui-la.

Ela sabia que teria que parar de depender de Zane. Ele a resgatara e era o suficiente. De alguma forma, ela se recuperaria dos danos que tinham sido causados em seu corpo, em sua mente e em sua alma.

Quando ele lhe ofereceu mais um pedaço do chocolate, ela balançou a cabeça negativamente. Ela teria que aprender a resistir à tentação. Por algum motivo, ela tinha certeza de que evitar chocolate não seria o teste mais difícil no futuro próximo, mas certamente era um ponto de partida.

 

Dois dias depois, Ellie ainda não conseguira convencer Zane a ser mais razoável nem sensato. Ela não sabia exatamente quando ele se tornara tão teimoso e mandão, mas Zane conseguia ser implacável e arredio quando queria muito alguma coisa ou achava que era a melhor solução.

Ela sabia que teria que desfazer os vínculos com ele logo ou acabaria precisando vê-lo sempre que sentisse medo.

— Não vou para casa com você — disse Ellie a ele em tom de teimosia enquanto uma enfermeira a empurrava em uma cadeira de rodas em direção ao elevador após receber alta.

— Receio que você não tenha opção. Sou sua carona para fora daqui. A imprensa ainda está acampada do lado de fora do hospital. Acho que você terá que ficar — retrucou Zane ao andar ao lado da cadeira de rodas.

Ellie cruzou os braços e encarou-o friamente. — Você armou isso tudo.

Aileen não atende o telefone e não vejo Tate e Lara há dois dias.

Zane deu de ombros de forma um pouco inocente demais. — Talvez estejam ocupados.

Ellie gostava de Zane, mas ele estava sendo manipulador e nada razoável. — Eu gostava de você — resmungou ela baixinho.

— Você disse alguma coisa? — perguntou ele em tom educado.

— Não. Olhe, você sabe que quero voltar para Rocky Springs.

Provavelmente você é necessário aqui no seu laboratório. Não faz sentido eu ficar na sua casa sozinha. Nem mesmo tenho carro mais e preciso poder

me movimentar. Tenho que procurar um emprego e resolver tudo o que ficou para trás. Isso nem é razoável. Você fez o suficiente por mim, Zane.

— Até que esteja melhor, estarei por perto, Ellie — disse Zane ao saírem por uma rampa até o telhado. Ele a tirou da cadeira de rodas e acenou com a cabeça para a enfermeira, uma mulher que ficara completamente quieta e desapareceu em silêncio.

Ellie estava confusa quando Zane a colocou dentro de um helicóptero, colocou a mochila dela com os poucos pertences que tinha no banco de trás e sentou no assento do piloto.

— Vamos mesmo voar até em casa? — gritou ela, ainda atônita quando ele colocou fones de ouvido com microfone na própria cabeça e, em seguida, na cabeça dela.

— É um longo caminho para ir de carro. Não vou fazer você passar pela multidão de repórteres e depois fazê-la ficar sentada em um carro por tanto tempo. — Ele metodicamente prendeu o cinto de segurança dela e, em seguida, o seu. — Eu lhe disse que íamos voar.

Ela levou um susto ao ouvir a voz baixa e rouca dele nos fones de ouvido. Zane dissera que a levaria de helicóptero, mas a realidade do cenário não registrara em sua mente. Como Chloe fora amiga dela durante a maior parte da sua vida, era fácil esquecer como a família Colter era ridiculamente rica. Apesar de serem muito ricos, a maior parte da família era simples. Claro, eles tinham uma quantidade enorme de propriedades, mas nenhum deles era esnobe. Chloe era a mulher mais doce que Ellie já conhecera e odiava a vida dos muito ricos. A amiga dela preferia estar com os cavalos que amava tanto a ir a uma festa dos ricos.

Quando ele ligou o helicóptero, ela perguntou curiosa: — Você sabe mesmo pilotar esta coisa? — A maioria dos caras ricos não tem um piloto?

Ele deu de ombros. — É claro. É mais eficiente ir de um lado a outro.

Tenho um piloto para o jatinho, mas geralmente piloto eu mesmo o helicóptero e os aviões menores. Posso não ser um piloto tão bom quanto Tate, mas sou competente o suficiente. — Ele começou a fazer algumas verificações e falar com o que ela supôs ser um centro de controle de tráfego aéreo.

Ellie não tinha dúvidas de que Zane era habilidoso em tudo o que fazia.

Quando finalmente decolaram, ela sentiu um frio na barriga. — Ai, meu Deus. Nunca voei antes. — Ela colocou a mão na barriga.

— Você vai ficar bem? — A voz dele soou preocupada.

Enquanto o helicóptero voava, o medo de Ellie começou a desaparecer quando ela olhou para a paisagem abaixo depois de saírem da área metropolitana de Denver. — Sim. Quero dizer, não vou ficar enjoada nem nada. Isto só é... diferente.

— Aguente firme. Não demora muito de helicóptero.

— Não se apresse — disse ela sem fôlego, maravilhada com a experiência de ver o Colorado de cima. — É maravilhoso. — Você nunca voou antes, de verdade? Nem mesmo em um avião comercial?

— Não. Nunca saí do Colorado. — Sinceramente, ela nunca fora muito longe de sua cidade natal. — Quando as coisas ficaram bem ruins e tive certeza de que morreria, um dos meus arrependimentos foi que nunca saí de Rocky Springs.

— Que outros arrependimentos você tem? — perguntou ele com voz rouca.

Que nunca beijei você!

Ellie não pretendia revelar todas as epifanias que tivera ao achar que seu tempo na Terra terminara — Muitas coisas. É estranho as coisas em que você pensa quando subitamente percebe que fez muito pouco na vida e tem certeza de que morrerá.

— Quais? — insistiu ele.

Ellie suspirou. — Eu tinha acabado de começar um pequeno negócio secundário quando James me sequestrou. Não tinha dado muito retorno ainda, mas estava crescendo devagar. Lamentei não ter começado antes para que pudesse ver se as pessoas gostariam dos meus produtos. — Ela fez uma pausa e acrescentou: — E nunca me apaixonei de verdade nem tive um cara que fosse louco o suficiente para realmente namorar comigo. — Ela nunca recebera flores nem tivera um jantar romântico. — E nunca beijei de forma tão apaixonada que esquecesse o resto do mundo e ficasse sem fôlego —

admitiu ela relutantemente.

— Você namorou — retrucou Zane.

— Um pouco — admitiu ela. — Mas foi algo bem casual. Eu era gorda e não era bonita o suficiente para atrair olhares. E os caras que queriam sair comigo ficavam entediados bem depressa. Não tenho uma vida muito empolgante e normalmente estava mais interessada em cuidar do meu negócio do que sair com alguém.

— Você sempre foi linda. Ell. Que tipo de negócio?

Lá estava aquele apelido íntimo de novo. E o comentário dele sobre achá-la linda a deixou surpresa.

— Só uma lojinha on-line. Faço velas, óleos essenciais, loções e sabonetes. Mexo um pouco com fragrâncias pessoais, mas a maior parte tem relação com aromaterapia. — Ela olhou pela janela, notando que estavam chegando a uma área com populações esparsas. Ela ficou maravilhada com a vista dos picos cobertos de neve nas Montanhas Rochosas. Apesar de vê-las o tempo inteiro, elas pareciam diferentes de cima.

— Você acredita nos poderes curativos dos aromas?

Ellie não soube dizer se Zane estava rindo dela ou se estava apenas curioso. — Até certo ponto — respondeu ela com sinceridade. — Não acho que seja uma cura de verdade para doenças, mas acho que certos aromas podem afetar o humor e criar uma sensação de bem-estar. É algo pelo que me interessei durante anos e tudo que sei, aprendi estudando sozinha. Mas adoro fazer os produtos. Adoro fazer com que as pessoas se sintam... mais felizes.

— Você fazia isso tudo naquele apartamento minúsculo? — Zane começou a descer o helicóptero ao chegar aos vales entre os picos.

— Sim. Não era fácil. Tenho certeza de que todos os meus suprimentos e equipamentos desapareceram.

— Eles estarão na minha casa — garantiu ele. — Nada foi jogado fora.

— Aposto como fui crucificada por e-mail por alguns clientes, pois havia pedidos que não entreguei porque estava... — Ela engoliu em seco. —

Indisponível.

Zane manobrou o helicóptero com habilidade sobre a pista pequena e pousou-o gentilmente no solo.

— Vai ficar tudo bem — disse ele em tom confiante. — Dê tempo ao tempo, Ellie. — Ellie tirou os fones de ouvido, perguntando-se como Zane sempre parecia saber o que ela estava pensando. Provavelmente, sua insegurança transparecia, pois ela ainda se sentia perdida. E, por algum motivo estranho, Zane parecia sentir isso.

Alguém provavelmente levara o carro dele até lá, pois ele a tirou diretamente do banco do helicóptero para dentro de um SUV preto.

Por reflexo, Ellie se encolheu ligeiramente quando ele a pegou nos braços fortes, uma reação da qual ainda não conseguira se livrar quando alguém a tocava. Mas logo ela relaxou e colocou os braços em volta do pescoço de Zane, com o rosto tão perto do dele que poderia se inebriar com o perfume masculino. — Eu consigo andar, sabia? — perguntou ela em tom nervoso. A sensação do corpo forte embalando-a nos braços era boa demais, segura demais.

Ele a olhou irritado. — Com esses sapatos finos? Nem pensar.

Ela estava usando um par de tênis, mas não havia neve na pista.

Ela não discutiu quando ele a colocou no banco do passageiro do SUV.

Naquele momento, um homem que ela não conhecia saiu correndo do hangar para cuidar do helicóptero. Provavelmente era um funcionário.

Como ela nunca fora ao aeroporto particular dos Colters, não sabia ao certo.

O veículo de Zane estava quente e Ellie começou a sentir calor por causa da quantidade de roupas que ele insistira para que usasse, já que era um dia frio. Ela tirou o gorro e desenrolou o cachecol do pescoço, colocando os dois itens no colo. Em seguida, abriu o casaco. Eram roupas que Zane levara consigo ao buscá-la para ir para casa.

Zane sentou no banco do motorista e rapidamente fechou a porta. —

Estaremos em casa daqui a pouco. Você está bem?

— Estou — garantiu ela. — Mas não tenho mais casa.

— Você tem a minha — resmungou Zane ao colocar o carro em movimento. — Você não precisa ser tão teimosa. É o lugar mais seguro para você no momento.

— Não estou tentando ser teimosa. Mas é desorientador saber que não tenho mais um lugar meu para onde ir. Não consegue entender isso?

— Sim, é compreensível. Mas é uma coisa com a qual você não precisa se preocupar agora. Ficará melhor e depois disso poderá conquistar o mundo.

Ellie se recostou no banco, sabendo que teria que aceitar a casa temporária com Zane. Obviamente, a família dele concordava com o plano dele e cooperara para que ele conseguisse o que queria. Apesar de estar furiosa por Zane ser tão autoritário, ainda estava grata por ele se importar o suficiente para abrir sua casa para ela. Quantos caras ricos e ocupados teriam dedicado a ela o tempo que Zane dedicara? Ellie não conseguia

entender por que ele dedicara tanto tempo e esforço com ela, mas não podia descartar a bondade dele. — Obrigada.

— Não é problema nenhum. Tenho que ficar aqui pelo resto do feriado e tenho um laboratório pequeno onde posso trabalhar.

— Você também trabalha aqui?

— Sim. Especialmente projetos pessoais, coisas que precisam de estudo constante e replicação.

— Como o quê? — perguntou ela curiosa. — Você gosta do que faz?

Sei que era obcecado em mudar o mundo com a ciência desde que éramos jovens. Ainda é?

Zane deu de ombros. — Basicamente, sim. Mas eu era muito ingênuo, mesmo quando estava na universidade. Não percebi quanta merda acompanha a ciência.

— Como? — O estudo científico sempre fora a vida de Zane. Ellie nunca o ouvira falar nada de ruim sobre isso.

— Estudos irresponsáveis. Relatórios mentirosos. Alguns lugares lançando supostos estudos científicos sem provas suficientes e sem replicação. Nenhum grupo de controle real e nenhum grupo grande o suficiente para ter alguma precisão. Tantos estudos científicos são mal feitos só por sensacionalismo ou ganho financeiro. Só porque um único teste em ratos de laboratório mostra que algo é uma possibilidade não significa que funcionará sempre para humanos, mas a imprensa insiste até que seja tomado como verdade.

— Mas as empresas querem ter lucro, suponho — comentou Ellie, tocada pela forma como Zane levava a profissão a sério.

— Meu laboratório é muito lucrativo, mas ele pode ser lucrativo e ético ao mesmo tempo — disse Zane em tom firme.

— Então, o fato de eu estar na sua casa não vai fazer com que queira estar no laboratório principal porque tem um instalado em casa?

— Mesmo se não tivesse, minha prioridade é ver você se recuperar.

Ninguém merece o que aconteceu com você. E você não teve culpa nenhuma. Lugar errado na hora errada.

— Por que está fazendo tudo isto? Não entendo — perguntou ela finalmente. — Não nos encontramos muito desde que terminamos a escola.

Não éramos muito amigos.

— Porque eu quero — respondeu ele em tom enigmático.

— Por quê? — Ela recostou a cabeça no encosto do banco, sentindo-se física e emocionalmente cansada.

— Você pode não me considerar seu amigo. Entretanto, nunca deixei de pensar em você como minha amiga. Você me ajudou no passado. Nunca me tratou de forma diferente na escola, apesar de eu ser um nerd da ciência e esquisito. Você me ajudou a organizar alguns dos meus projetos de pesquisa da escola e sempre foi simpática comigo. Nunca deixei de ser seu amigo só porque me mudei para longe — disse ele em tom rouco.

O coração de Ellie derreteu quando ela percebeu a insegurança nas palavras dele. Zane fora um solitário durante a adolescência, principalmente porque estava mais interessado em ciência do que em pessoas. Mas poucos garotos na escola o tinham conhecido de verdade. No fundo, Zane fora um adolescente gentil e inteligente. Ao amadurecer, obviamente não mudara.

Sim, ele se tornara mais mandão e determinado a ter as coisas do seu jeito, mas o coração do jovem que ela conhecera não mudara.

— Também nunca deixei de pensar em você como um amigo —

admitiu ela, sabendo que pensara nele muito mais do que deveria no decorrer dos anos. — Você também sempre foi simpático comigo, apesar de eu ser gorda e nada popular na época da escola. Significou muito para mim.

— Na verdade, todos os irmãos de Chloe tinham sido simpáticos. Mas, como Marcus e Blake eram mais velhos, eles estavam terminando o segundo grau quando ela e Chloe o começavam. Tate sempre fora doce, mas as garotas eram atraídas por ele como moscas. Ele praticamente tinha o próprio harém, mesmo na escola. Como Chloe, Tate e Zane tinham idades próximas, Ellie nunca entendera como a mãe de Chloe sobrevivera estando sempre grávida por mais de dois anos.

Tate era mais jovem, com idade mais próxima à dela e à de Chloe, mas ela só o conhecera superficialmente. Fora Zane que chamara sua atenção naquela época, provavelmente porque era mais amigável, muito mais parecido com ela. Ele estava quase sempre sozinho e provavelmente se sentia deslocado. Eles iniciaram a amizade quando ela vira a frustração dele diante do tédio de organizar sua pesquisa. Ela se oferecera para colocar tudo em ordem depois de questionar sobre as diversas partes das anotações dele. Apesar de o material ser um mistério completo para ela, Ellie colocara tudo em uma ordem lógica, o que não exigia nenhuma genialidade.

Ele deu de ombros. — Eu gostava de você. E não gosto de muitas pessoas. — Ellie riu da sinceridade dele, uma parte de Zane que adorava secretamente. Ele não gostava muito de jogar conversa fora. Se parecia socialmente estranho às vezes, ela atribuía o fato à inteligência dele. Ele não se comunicava no mesmo nível que a maioria das pessoas. Não era que não conseguia, só não fazia isso, provavelmente porque a maioria das pessoas se sentia intimidada demais para conversar por ele. Se não o conhecesse, Ellie se perguntava como seria ousado se aproximar de um homem que tinha um dos cérebros científicos mais brilhantes do país.

Felizmente, ela sabia que havia muito mais por trás do nerd da ciência que ele alegava ser. Enquanto Ellie pensava em todas as coisas que Chloe lhe contara sobre os irmãos no decorrer dos anos, ela subitamente se lembrou de uma coisa. Era algo que ainda não compreendia. — Você não tem uma namorada que ficará chateada se eu ficar na sua casa? Ela não virá para os feriados? — perguntou ela curiosa.

— Não. Não estou interessado em uma mulher que finja gostar de mim só por causa do meu dinheiro ou do status do nome Colter.

Ela sentiu o coração pesado ao pensar no fato de que as mulheres provavelmente o perseguiam porque ele era um dos bilionários da família Colter. — Nem todas as mulheres são assim, Zane. Você não conheceu nenhuma que não estivesse interessada só nisso?

— Não — respondeu ele.

— Mas você namorou. Chloe me disse certa vez que você tinha uma namorada. — Ellie ainda se lembrava de como se sentira ao saber que Zane estava namorando seriamente uma mulher de Denver. Apesar de não tê-lo encontrado em muito tempo, Ellie ainda sentiu uma estranha sensação de...

perda.

— Namorei, mas não durou muito tempo. Ela ficou entediada e foi procurar outra pessoa. Descobriu que eu não tinha vida glamorosa, cheia de festas infindáveis e férias exóticas. Depois de algum tempo, ela percebeu que eu trabalhava de verdade. E muito. Dei a ela todas as coisas materiais e o dinheiro que queria, mas não o estilo de vida com que sonhava.

Ellie cruzou os braços furiosa. — Então ela não merecia você. Que vá em paz, digo eu. — Ela hesitou antes de perguntar: — Ela magoou você?

Ele ficou em silêncio por um momento, como se estivesse considerando a pergunta. Finalmente, disse: — Na verdade, não. Foi

quando eu percebi que estaria melhor sem um relacionamento. Agora só trepo e esqueço qualquer coisa de longo prazo.

Ele tentou soar despreocupado, mas Ellie percebeu a tristeza em sua voz. A garota magoara Zane, o que o deixara desconfiado e cauteloso. —

Lamento por ela ter magoado você — disse Ellie baixinho.

— Ela não me magoou — retrucou ele.

— Sim, magoou. Mas só não era a mulher certa. Acho que há alguém para todo mundo se tenha sorte suficiente de encontrar a pessoa certa —

disse Ellie.

— Então por que ainda está solteira? — perguntou ele.

— Eu estava esperando. Algum dia, espero que alguém realmente me veja, e não só o que sou por fora.

— Você é muito linda. Se alguém a vê de forma diferente, é um idiota.

— Sou simples, eu era gorda e agora estou magra demais. Não gosto muito de ir a bares nem a festas. Prefiro ler um bom livro ou fazer velas na maior parte do tempo. Isso parece empolgante para você? — perguntou ela em tom seco.

— Não há nada de errado em ser diferente, Ell — retrucou Zane.

— Eu poderia dizer o mesmo a você — respondeu ela em tom leve, mas com o coração feliz pelas palavras dele.

Ele não respondeu enquanto parava na entrada da casa imensa. Os portões de ferro eram incrivelmente altos e as pontas no topo pareciam afiadas. Ninguém são tentaria passar sobre um dos muros daquela fortaleza.

Ela observou quando ele digitou um código e os portões de ferro começaram a abrir.

— Meio paranoico, não? — perguntou ela curiosa.

— Tenho que ser. Já tentaram roubar a minha pesquisa vezes demais.

Não posso usar cercas elétricas por causa da vida selvagem, mas o lugar é o mais seguro possível.

Ellie acreditava naquilo. Viu câmeras de vídeo e luzes com sensor de movimento acenderem ao percorrerem o caminho. — É tão ruim assim?

— O suficiente para que eu tenha cuidado — respondeu ele ao parar o carro dentro de uma garagem enorme. — Como mantenho um laboratório de pesquisa aqui, sou cuidadoso. Sou rico o suficiente e o laboratório me deixou ainda mais rico. Posso não ligar para o dinheiro, mas há muito a ganhar com a pesquisa certa em biotecnologia.

— O seu laboratório aqui... fica na casa? — Não que ela duvidasse de que um laboratório coubesse dentro da mansão imensa que vira brevemente no caminho. Mas estava ficando tarde e, como era inverno, anoitecia cedo.

Ela não vira muito além do tamanho da casa.

Ele balançou a cabeça negativamente ao desligar o motor. — Não na área habitável principal. Ele fica no subterrâneo.

Ellie ergueu a mão quando ele foi em direção ao lado do passageiro para ajudá-la a sair. — Consigo caminhar. Quero caminhar. — Depois de ficar em uma cama por tanto tempo, era bom caminhar.

Ele franziu a testa. — O médico disse para não fazer esforço físico por algumas semanas.

Ela olhou para ele com expressão teimosa. — Não acho que caminhar seja esforço físico pesado. Estou bem. De verdade. Por favor.

Relutantemente, ele pegou a mochila dela do banco traseiro e destravou a porta, esperando que ela desse a volta no SUV. Ele andou ao lado dela enquanto Ellie subia os poucos degraus da garagem para dentro da casa.

— Merda!

Ellie ouviu o xingamento baixo e frustrado atrás de si. — O que foi?

— Esqueci de pedir a alguém que viesse limpar tudo. A casa está uma bagunça — respondeu ele um pouco constrangido.

Ela parou e virou-se, com lágrimas nos olhos. — Acha que me importo com isso? Você está me dando um lar temporário. Estou grata.

Era difícil acreditar que ele se importava com o fato de não ter mandado fazer uma limpeza porque ela estaria lá.

— Eu me importo. Você merece coisa melhor do que o buraco que foi forçada a aguentar por meses. — Ele soltou a mochila no chão do saguão e avançou até que ela estivesse com as costas contra a parede. — Você passou pelo inferno. Quero que tenha algumas das coisas que não teve enquanto estava prisioneira daquele filho da puta psicótico.

Ellie suspirou quando ele chegou perto o suficiente para que ela sentisse seu cheiro e pudesse tocá-lo. — O que está fazendo? — Ela olhou para ele curiosa quando Zane colocou as mãos na parede nos dois lados de seu corpo, temporariamente envolvendo-a com seu calor.

A expressão dele era intensa e os olhos acinzentados ardentes o suficiente para queimá-la ali mesmo. — Dando a você algo que nunca teve.

Vou deixar você sem fôlego. Beije-me, Ellie — exigiu ele quando alguns cachos dos cabelos escuros caíram sobre os olhos dele.

— P-por quê? — gaguejou ela, querendo nada além de obedecer ao comando dele. Ela queria o corpo rígido pressionado contra o seu, a boca sobre a sua, fazendo com que se sentisse viva de novo.

Não houve um segundo sequer de pânico quando ele a prendeu. Ele não estava encostando nela. Mas, por Deus, ela queria que ele a tocasse...

desesperadamente.

— Porque eu disse para me beijar — respondeu ele em tom arrogante.

— Quero lhe dar uma coisa que nunca teve. Na verdade, muitas coisas.

— Devo obedecer a todos os seus comandos? — perguntou ela, atônita porque não conseguia acreditar que ele a olhava como se realmente quisesse beijá-la. Só de olhar para a expressão feroz no rosto dele quase a deixou sem fôlego.

— Não. Seria mais fácil se obedecesse, mas sei que isso nunca acontecerá. — Assim que terminou de dizer isso, ele baixou a cabeça, com os lábios tão perto dos dela que Ellie sentiu o calor do hálito dele.

As sensações que a bombardearam fizeram com que ela estremecesse.

Lentamente, ela subiu as mãos pelo peito dele. Ela afastou os cachos dos olhos dele e passou os braços em volta de seu pescoço. — Você não precisa fazer isso só porque foi um desejo bobo e insatisfeito que tive quando achei que ia morrer — sussurrou ela nervosa.

— Não estou. Estou fazendo isso por mim também — respondeu ele bruscamente. Em seguida, colocou a mão na nuca de Ellie e baixou a boca sobre a sua.