Bilionário Destemido: Zane

J. S. Scott · Capítulo 16 de 22

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Bilionário Destemido: Zane

Capítulo 15

— Não vou tomar banho com você — respondeu ela em tom sério.

Ellie sabia exatamente o que aconteceria se entrasse no banho com Zane.

Eles não conseguiam ficar nus juntos sem sentir vontade de tocar um no outro.

— Vamos tomar banho juntos, sim — retrucou ele. — Não vou abrir mão da chance de passar algum tempo com você nua.

Ellie ficou secretamente feliz, mas jogou a toalha nele, que caiu sobre sua cabeça. — Seu pervertido — acusou ela.

— É culpa sua. — Ele a culpou com um sorriso sensual ao passear o olhar sobre seus seios.

Ela riu como uma adolescente, surpresa consigo mesma pelo tanto que gostava do lado divertido malicioso dele. Ela correu para o banheiro da suíte principal. — Vou trancar a porta.

Ele a seguiu de perto. — Não vai!

Ele a perseguiu nu pela casa. Ela chegou ao banheiro, mas não teve tempo de fechar a porta antes que Zane a alcançasse. Ellie nunca admitiria que não tentara com muita vontade. Ela quisera que ele a alcançasse e foi o que aconteceu. No entanto, ela precisava estar apresentável às seis horas.

 

Blake Colter estava preparando-se para entrar na caminhonete quando viu a Ferrari 458 Spider de Marcus chegando.

— Merda — xingou ele, imaginando se Marcus estava de baixo astral naquele dia, pois não estava dirigindo um de seus veículos mais caros. O

irmão gêmeo dele gostava de tudo que era rápido: carros rápidos, aviões rápidos... e mulheres rápidas, pois nunca ficava com uma por muito tempo.

Blake não categorizaria Marcus como um rico esnobe. Marcus gostava de coisa mais finas, sim, e gostava de chegar aonde queria muito mais depressa do que as outras pessoas. De certa forma, ele entendia por que Marcus precisava de velocidade, pois trabalhava secretamente para a CIA em suas viagens constantes pelo mundo inteiro para gerenciar os interesses globais da Colters. Porém, Blake se preocupava com ele. Alguns dos problemas em que se metia não eram sábios se queria permanecer vivo durante as viagens de negócios.

Hesitando, com a porta da caminhonete aberta, Blake esperou até que Marcus saísse do veículo e chegasse a ele.

— Aonde você vai? — perguntou Marcus curioso ao parar ao lado de Blake.

— Pensei em passar na casa de Zane. Eu queria ver Chloe e Gabe.

Marcus ergueu a sobrancelha de forma arrogante. — Mas já? Eles acabaram de voltar. Chloe e Ellie vão se encontrar pela primeira vez dese que Ellie desapareceu. — Ele hesitou antes de acrescentar: — Você só quer espionar a reunião.

Blake abriu um sorriso amarelo. O que Marcus dissera era parcialmente verdade. Ele queria ver como as coisas se desenrolariam quando Ellie e Chloe se vissem pela primeira vez em meses. Chloe presumira que a melhor amiga estava morta e não seria uma reunião fácil nem quieta. — Sim? E

daí? Talvez eu queira vê-las juntas. As duas passaram pelo inferno. Exceto por Chloe se casar com Gabe, esta é a única coisa boa que aconteceu para elas. — Ele sabia que soava na defensiva, mas não se importou.

— E Zane e Ellie? — perguntou Marcus. — O que têm eles?

— Acho que Zane será o próximo Colter a se casar.

— Acha que eles estão tão próximos assim? — Blake achava que Zane gostava de Ellie, mas não que fosse algo sério. O irmão mais novo sempre fora do tipo que se apresentava quando alguém precisava dele. Por baixo da mente brilhante de Zane, havia um coração mole.

— Acho que eles são muito... próximos — respondeu Marcus em tom divertido. Blake desconsiderou o comentário de Marcus. Se as coisas fossem sérias entre Ellie e Zane, todos saberiam. — Veio aqui por algum motivo específico? — perguntou ele.

Marcus acenou para que ele entrasse na caminhonete. — Você dirige.

Mas tenha cuidado ao dar ré. Não quero que bata no meu carro.

Blake observou enquanto Marcus andava casualmente para o outro lado da caminhonete e sentava no banco do passageiro. Sentando-se no banco do motorista, ele o encarou com suspeita. — Você também estava planejando ir até lá. Foi por isso que veio aqui.

Marcus deu de ombros. — Talvez — disse ele em tom indiferente.

Blake ficou tentado a dar ré na caminhonete e bater no carro esportivo logo atrás só para obter uma reação do irmão. Ultimamente, Marcus ficara cada vez mais frio e distante. Talvez fosse por causa do trabalho que fazia para o governo. Fora algo gradual, mas Blake conseguia sentir as coisas com Marcus. Os dois sempre conseguiram ler as emoções um do outro.

Tristemente, Blake compreendia Marcus cada vez menos. Era como se o irmão tivesse levantado um escudo para impedir que soubessem o que estava pensando.

— Lembra quando fiz aquele favor para você? Fingindo ser você para que não precisasse ir a uma festa? — perguntou Marcus com cautela.

— Que festa? — Os dois não tinham feito aquele tipo de troca desde que eram adolescentes.

— Aquela que você não queria ir porque disse que a anfitriã era mandona como uma sargenta.

Blake se virou e encarou Marcus com surpresa. — Tínhamos oito anos, Marcus, e eu disse que ela me lembrava de Cruela Cruel, o que certamente lhe servia perfeitamente.

Apesar de o incidente ter acontecido muito tempo antes, Blake ainda se lembrava de como ficara decepcionado porque a irmã de Cruela não fora à festa de aniversário. E a última coisa que queria era ir à festa sem a irmã de Cruela como incentivo.

— Não sei. Eu meio que gostei da sargentinha — comentou Marcus. —

De qualquer forma, você disse naquele dia que, se um dia pudesse retribuir o favor fazendo a mesma coisa por mim, faria. Ainda conta?

— Quer que eu seja você? Temos mais de trinta anos. E está me pedindo um favor que prometi quando tínhamos oito anos? Ora, eu já tinha esquecido aquilo.

— Eu nunca me esqueço. E não preciso agora — garantiu Marcus. —

Mas talvez no futuro.

— O que está aprontando, Marcus? — Blake podia jurar que havia alguma coisa por trás daquela sessão de perguntas e respostas além do que sabia.

— Não posso contar agora — comentou Marcus com um toque de remorso na voz. — Enquanto você for senador, não posso dividir minhas atividades pessoais.

— Já sei o que você faz para a CIA — relembrou Blake ao fazer a curva em direção à casa de Zane.

— Não é sobre a CIA — respondeu Marcus, pensativo. — Não diretamente, pelo menos.

— Então o que é? — Blake estava ficando ansioso. Ele queria saber o que Marcus estava aprontando.

— Algum dia eu lhe contarei. Eu contarei à família inteira. Mas, acredite, não posso contar agora. Só preciso saber se você me ajudará caso eu precise.

— É claro que eu ajudarei. Nem precisava perguntar. Você é meu irmão. — Blake estava irritado por Marcus não dizer mais nada, mas certamente ajudaria se o irmão gêmeo precisasse.

— Ótimo.

 

Blake sabia que aquela resposta monossilábica era a única que receberia. — Quando isso poderá acontecer?

— Nem sei se algum dia precisarei desse favor. Mas é sempre bom saber todas as minhas opções.

— Basta se manter em segurança e não precisará de nada — disse Blake em tom irritado.

— É o que pretendo fazer — respondeu Marcus arrogantemente.

Blake não tinha resposta para aquele comentário. Ele queria que toda sua família ficasse segura, queria todos felizes e protegidos.

Eles percorreram a curta distância em silêncio. Blake estava perdido em pensamentos, tentando imaginar por que Marcus precisaria que trocassem de lugar.

— Vai a algum lugar? — perguntou Tate Colter inocentemente à esposa.

Lara acabara de voltar para casa, já mudara de roupa e pegara a chave do carro para sair novamente. Tate tinha certeza de que sabia exatamente aonde ela iria.

— Eu queria ir até a casa de Zane para ver Chloe. — Ela pegou a bolsa que estava sobre a mesa da cozinha.

Ele se aproximou por trás e passou os braços em volta da cintura dela.

— O que realmente quer é ver a reação de Chloe e Ellie — brincou ele, beijando o lado do pescoço dela. — Está planejando brincar de psicóloga com elas?

Lara se virou nos braços dele e encarou-o friamente. — É claro que não. Ainda não tenho o diploma e não sou qualificada para isso. Só quero ver se minha cunhada e a melhor amiga dela estão bem. Além do mais, estou com saudades de Chloe. Qual é o problema com isso?

Tate se arrependeu de ter dito aquilo porque receou que a brincadeira tivesse magoado Lara. — Não há nada de errado com se preocupar, querida.

— Ele colocou os braços em volta da cintura dela. — Eu estava brincando.

Dentre as muitas coisas que ele amava em Lara, era a capacidade dela de se importar com outras pessoas. Algumas vezes, entretanto, ele achava que ela se sacrificava demais. Especialmente quando se oferecia a um terrorista para salvá-lo. Mas Lara era assim e não havia nada que Tate faria para mudá-la. Na opinião dele, ela era perfeita.

— Então você não está sendo muito engraçado hoje — retrucou Lara em tom sério. — Eu amo você — respondeu ele com voz rouca, beijando a testa dela.

Lara passou os braços em volta do pescoço dele. — Nossa, odeio quando você faz isso.

— O quê? Amar você?

— Fazer com que eu me esqueça de por que estava brava com apenas três palavrinhas — sussurrou ela contra os lábios dele ao ficar na ponta dos pés para lhe dar um beijo terno.

Como sempre, tocar em Lara era o suficiente para que ele ficasse de pau duro. Ora, até mesmo olhar para ela ou ouvir sua voz conseguia fazer isso. Ele era completamente louco pela esposa. Sempre fora. Sempre seria.

— Eu não queria deixar você brava, para começo de conversa. É até engraçado, pois tenho que buscar a mamãe. Eu estava vindo falar com você quando a vi pronta para sair.

Lara se afastou ligeiramente para olhar para ele — Por quê?

Tate deu de ombros. — Porque podemos ir juntos para a casa de Zane.

Você não é a única que quer ver Chloe. Mamãe está explodindo de empolgação.

A esposa dele ergueu a sobrancelha. — E você não?

— Ok, estou curioso. Ou talvez esteja preocupado. Chloe e Ellie passaram por tanta coisa.

Lara segurou o rosto dele com as mãos. — Elas são fortes, Tate. As duas ficarão bem. Na verdade, elas estão muito bem. Eu admiro as duas.

— Por quê? — perguntou ele em tom curioso.

— Depois do que passaram, as duas sobreviveram à dor emocional e física. Não sei se eu teria me saído tão bem.

Tate a encarou atônito. — Você é a mulher mais forte e fodona que conheço. Era agente do FBI, Lara. Tem como ser mais durona que isso?

— É só um trabalho, uma fachada que eu precisava manter para a agência. Mas nunca conhecei a dor pessoal pela qual elas passaram. Sim, eu tive um relacionamento ruim, mas não daquele jeito. Não como elas.

— Você teria superado — respondeu Tate confiante. Talvez Lara nunca tivesse sido testada emocionalmente como a irmã dele e sua melhor amiga, mas ele não tinha dúvidas de que a esposa conseguiria sobreviver a qualquer coisa. — Eu teria garantido isso.

— Sabe, acho que você teria — disse Lara com uma risada. — Você é muito teimoso para me deixar descer em uma espiral por muito tempo. —

Ela fez uma pausa e acrescentou: — O apoio é importante e as duas tiveram um cara legal em quem se apoiar quando precisaram.

— Gabe ajudou muito Chloe — admitiu ele. No começo, ele não tivera muita certeza de que se envolver com outro homem tão cedo era do que Chloe precisava. Mas, desde então, mudara de ideia. Gabe Walker acabara sendo exatamente do que a irmã precisava. — Graças a Deus ele era um homem decente.

— Não duvido de que Zane também tenha ajudado Ellie — respondeu Lara pensativa. — Ela parece tão melhor, como se não tivesse medo de sair e viver a vida de novo.

Tate assentiu. — Acho que eles se tornaram bons amigos.

Lara emitiu um som de desprezo. — Se acha que é só isso que eles são, está errado. Ellie tem um certo calor na voz quando fala de Zane, aquele tom que uma mulher tem quando adora um certo cara.

Ele não tinha certeza se entendera exatamente o que a esposa tentava dizer. Por algum motivo, ele não conseguia ver Zane em um relacionamento sério. — Ele é casado com o laboratório, Lara. Ora, nós mal o vemos. Ele é assim desde que éramos crianças.

— As pessoas mudam, Tate. Talvez ele só estivesse esperando a mulher certa. Eu também era casada com a minha carreira. Até que um idiota gostosão me desafiou, fez com que eu percebesse que havia muito mais na vida do que apenas o trabalho.

Tate não pretendia admitir que era um idiota, apesar de provavelmente ser, e respondeu: — Isso foi antes ou depois de você me conhecer?

Lara bateu de leve no braço dele. — Seu bobo! — Ela passou os braços em volta dele e apoiou a cabeça em seu ombro. — Você sabe que me deixa louca às vezes. Mas é exatamente disso que preciso. Você é exatamente do que preciso.