Bilionário Destemido: Zane
Capítulo 13
Ellie não ficou surpresa. Ela aprendera que Zane nunca dizia algo sem motivo. Para um cara que se dizia nada romântico, ele era muito atencioso.
Para Ellie, o fato de ele pensar nas necessidades dela era algo incrível. E as ações de Zane eram a coisa mais romântica que ela poderia imaginar.
A primavera chegara às montanhas do Colorado, o que, na realidade, significava que uma pessoa nunca sabia se precisaria de um casaco ou de uma bermuda.
Naquele dia em particular em Rocky Springs, Gabe Walker vestia uma camiseta e uma calça jeans. A esposa veterinária se vestia de forma similar, sentada ao lado dele enquanto observavam a água em um riachinho que corria pela propriedade dele por entre as rochas.
— É tão bom estar de volta — disse Chloe. — A viagem foi incrível, mas senti saudades da minha família e da nossa casa.
Gabe tinha certeza de que ela também sentira saudades dos cavalos, mas não disse nada. Ele tinha coisas demais na cabeça e estava com muito medo de colocar uma parede entre si mesmo e a mulher que amava mais do que qualquer outra pessoa ou outra coisa no mundo.
Chloe superara a maior parte da dor emocional causada por James, mas as feridas eram profundas e a última coisa de que Gabe precisava era reabri-las.
Talvez eu devesse ter contado a ela.
Ele considerara a ideia, mas, por vários motivos, não dissera nada. Ele contara a ela que James tinha se suicidado um tempo antes, sabendo que estava forte o suficiente para lidar com a notícia. Mas ele não contara a outra coisa que sabia que significava tudo para Chloe: que a melhor amiga dela estava viva e em recuperação.
— Chloe, tenho uma coisa para lhe contar. E espero que me escute —
começou ele em tom hesitante.
Ela virou a cabeça e olhou para ele com expressão preocupada. — Está tudo bem com você?
— Sim, tudo bem. De verdade. Mas tenho uma notícia para lhe dar.
Ele observou quando a expressão preocupada dela ficou sombria. — É
sobre Ellie?
Gabe engoliu em seco e assentiu.
— Encontraram o corpo dela?
O pesar na voz da esposa quase o matou. — Sim e não. — Puta merda, ele não podia continuar a deixar as coisas piores. Precisava só contar a verdade e parar de deixar a esposa ansiosa. — Chloe, ela está viva. Zane a encontrou.
— Ai, meu Deus! Ela está bem? Onde ela está? — Chloe saltou do chão como se o traseiro estivesse em chamas. — Preciso vê-la, Gabe.
Ele a segurou pelos ombros para impedi-la de correr de volta até a égua e galopar para encontrar a amiga. Eles tinham cavalgado até ali e ele deliberadamente parara para que estivesse completamente sozinho com ela para dar a notícia.
— Escute bem, querida. Ela está bem. Está com Zane. Eles só chegarão aqui à tarde. Estão vindo de avião de Denver.
Chloe franziu a testa para Gabe. — Onde ela esteve esse tempo todo?
Foi uma das perguntas mais difíceis que Gabe teve que responder na vida. — Ela foi sequestrada por James e mantida prisioneira em uma cabana de caça remota. Chloe, ela estava muito mal quando Zane a encontrou. Se ele tivesse demorado mais um dia, receio que ela não teria aguentado.
— Mas James está morto há meses — murmurou Chloe irritada. —
Zane a encontrou logo depois que nós partimos — confessou Gabe.
A expressão dela se encheu de mágoa. — Ele não me disse nada. Na verdade, ele mentiu para mim.
— Eu sei. Todos nós mentimos. Blake me contou quando ela foi encontrada, mas eu sabia que você precisava de tempo para se curar. Além do mais, Ellie não queria que você soubesse.
— Por quê? — perguntou Chloe com os olhos cheios de lágrimas. —
Ela é minha melhor amiga.
Ele assentiu. — Foi por isso que ela não queria que você soubesse. Ela estava muito mal e não queria que você se culpasse pelo que aconteceu.
Chloe afastou as mãos de Gabe. — É assim que Ellie é. Preocupada com todos, menos consigo mesma. Mas vocês todos sabiam. Qualquer outra pessoa poderia ter dito alguma coisa. Meu Deus, ela precisava de mim.
Depois de tantos meses desaparecida, ela deve ter precisado de ajuda.
— Zane cuidou dela, Chloe. Ela não precisava de nada.
— Não importa. Alguém deveria ter me contato. Meu Deus, você me deixou acreditar que ela estava morta! Como pôde? Você sabe o quanto eu estava sofrendo com a perda dela?
— Eu sei. Mas também não queria que você se culpasse.
Chloe se virou de costas e apoiou-se em uma árvore próxima — É claro que eu me culpo. Eu consegui o emprego dela com James. Eu a joguei diretamente na teia maligna dele. — Ela respirou fundo e acrescentou em tom mais calmo: — Conte-me a história toda.
Enquanto olhava para as costas da esposa, Gabe explicou tudo o que sabia sobre o que acontecera com Ellie. Ele sabia que Chloe estava escutando atentamente, mas ela não disse nada.
Quando ele finalmente terminou de contar todos os detalhes que sabia, ela se virou para encará-lo. A expressão dela estava cheia de mágoa e traição. — Então vocês todos decidiram que a pobre Chloe não era forte o suficiente para lidar com a verdade.
— Sim, nós todos achamos melhor não estressar você, querida. — O
que acharam que aconteceria? Acharam que eu desmoronaria? Isso não ia acontecer. Eu teria ficado feliz, caralho.
– Nós sabíamos disso. Mas você passou por uma situação infernal. Eu não queria que se culpasse pela condição de Ellie. Ela também não queria isso.
— Você é meu marido, Gabe. Confio em você mais do que em qualquer outra pessoa na Terra.
— Acha que não sei disso? Acha que foi fácil para mim manter esse segredo? Sim, fiz isso para que você tivesse tempo para se curar, mas também porque Ellie queria assim. Ela não queria que você voltasse apressada para Rocky Springs para cuidar dela quando tinha as próprias feridas para curar.
Chloe correu a mão pelo rosto com expressão horrorizada. — Ai, meu Deus. Ela viu aqueles vídeos horríveis.
— Não importa. Ela é sua melhor amiga e percebeu que você não sabia que eles existiam. — Poucas pessoas tinham visto os vídeos de Chloe e Gabe fora uma delas. Ele afastou a raiva que tinha por um homem morto e que o invadiu novamente, tentando se concentrar apenas em Chloe.
— Tudo isso aconteceu com Ellie porque ela estava tentando me ajudar. Como vou viver com isso? E como vou perdoar todos vocês por não terem me contado que ela estava viva? — A voz de Chloe era desesperada.
Gabe deu um passo à frente, mas Chloe se afastou dele, o que o magoou mais do qualquer coisa teria magoado. — Você terá que me perdoar, querida. E terá que perdoar a sua família. Todos nós sabíamos que você era forte o suficiente para lidar com a verdade, mas ainda estava tentando entender as coisas. Você precisava ser a sua prioridade... e não vou pedir desculpas por colocar suas necessidades em primeiro lugar. Você precisava sair de Rocky Springs, da mesma forma como Ellie precisava se afastar daqui por algum tempo. — O coração dele batia com força no peito quando ele acrescentou: — Não sou eu mesmo sem você, Chloe. Terá que me perdoar porque não consigo mais ficar sem você.
— Odeio o fato de que não consigo odiar você — disse ela furiosa.
Gabe teve vontade de rir do comentário dela, mas não teve coragem. —
Encare, querida. Se você tivesse que tomar a mesma decisão, teria feito exatamente o que eu fiz. Pensaria em me proteger se eu estivesse vulnerável.
Ela o encarou pensativa por um momento. — Sinceramente, não sei o que eu faria. Mas sei que me mataria por dentro mentir para você.
— Tecnicamente, eu não menti. Só não contei a verdade. — Era um argumento idiota, mas ele estava desesperado o suficiente para tentar qualquer coisa.
Chloe colocou as mãos na cintura e encarou-o com irritação. — Neste caso, não vejo muita diferença.
Gabe soltou o ar, frustrado. — Eu não queria fazer isso, Chloe. Mas, se tivesse que fazer de novo, eu faria. Sim, eu estava protegendo você. Eu amo você mais do que qualquer outra pessoa ou outra coisa no mundo. Não há muita coisa que eu não faria para vê-la feliz como esteve nos últimos meses.
Uma lágrima correu pelo rosto de Chloe. E aquela gota minúscula foi o que bastou para partir o coração de Gabe.
— Não acredito que ela esteja viva — disse Chloe em tom hesitante, com as lágrimas começando a escorrer mais depressa.
Gabe sentiu o telefone vibrar e tirou-o do bolso. — Não só ela está viva, como está de volta aqui em Rocky Springs. Zane disse que eles acabaram de pousar e estão indo para a casa dele.
Chloe começou a chorar de verdade, com soluços dolorosos saindo do fundo da alma.
Gabe abriu os braços, prendendo a respiração quando ela hesitou por uma fração de segundo. Em seguida, ela avançou correndo e jogou-se nos braços dele. Ele a segurou e embalou-a contra o próprio corpo, sabendo que ela a perdoara e que tudo ficaria bem. Ao abraçá-la com força, sabendo que ela significava tudo para ele, Gabe jurou para si mesmo nunca mais arriscar perdê-la, não importasse o quanto fosse difícil. Ele era um livro aberto para Chloe. Ela o conhecia, sabia de todos os seus segredos. Daquele dia em diante, agora que ela estava mais forte, Gabe jurou nunca mais guardar nenhum segredo.
Zane estava apreensivo ao entrar na garagem de sua casa em Rocky Springs. Gabe já sabia que estavam lá e, sem dúvida, Zane veria a irmã e seu marido nas horas seguintes. Gabe avisara que ele e Chloe estavam voltando para casa para tomar um banho e combinaram se encontrar no começo da noite. Ora, ele já fora avisado que Ellie choraria e, por algum motivo, não gostava de vê-la triste. Ok. Sim. Talvez fossem lágrimas de felicidade, mas Ellie e Chloe acabariam desenterrando parte da dor ao conversarem sobre tudo o que acontecera.
Ele respirou fundo ao desligar o motor do carro e fechar a porta da garagem. Fora um dia estranho. Primeiro, Elena desaparecera. Sean telefonara para ele, acusando Zane de ser de alguma forma responsável pela ausência dela. A conversa não fizera muito sentido, mas Zane se livrara dele, pois sabia como seu diretor era ligado a Elena, apesar de ela não merecer.
Zane tentara explicar que provavelmente Elena voltaria, mas Sean não quisera ouvir. Sinceramente, o cara parecera desesperado.
Provavelmente, ela encontrou um homem mais rico que Sean.
Zane pagava muito bem um homem na posição de Sean. Infelizmente, ele sabia que o diretor cobria Elena com luxos, alguns incrivelmente caros.
Acompanhar as exigências de uma mulher como ela acabaria deixando o pobre coitado quebrado.
Tentando afastar a estranha conversa com Sean da mente, Zane sorriu para Ellie quando ela o encontrou na porta.
Ela retribuiu com um sorriso leve.
Ela está nervosa.
Zane destrancou a porta e conduziu-a para dentro.
Ele olhou para a cozinha imaculada e, em seguida, espiou a sala de estar.
— Meu Deus! A casa está maravilhosa. O que você fez? — perguntou Ellie em tom ligeiramente maravilhado.
Ellie organizara muitas coisas antes de sair da casa, mas o lugar não estivera tão limpo nem tão convidativo. Zane tinha a sensação de que Ellie não quisera se intrometer nem colocar nada de si em nenhuma das casas dele. Portanto, ele mesmo fizera aquilo.
Como solicitado, havia vários arranjos de flores frescas pela casa, algo que Zane pedira especificamente para receber Ellie. Os suprimentos do trabalho de aromaterapia dela tinham sido duplicados e estava tudo guardado de forma organizada na despensa. Não havia um fiapo nem poeira no chão. A decoradora que ele contratara mudara o espaço no térreo para algo mais leve e claro. Era uma aparência contemporânea que combinava com Ellie, muito diferente da decoração pesada anterior.
Sinceramente, Zane preferiu a nova aparência. Quando construíra a casa, ele não dissera muito sobre como queria o interior. Estivera mais interessado na disposição das peças e em ter todas as amenidades que desejava. Ele dissera à primeira decoradora para deixar as coisas funcionais e ela fizera exatamente isso. A mulher usara móveis pesados e caros, e decorações que provavelmente supusera que um homem rico desejaria.
— Ai, meu Deus. O que foi que você fez? — repetiu Ellie maravilhada ao girar o corpo, como se estivesse tentando absorver os novos arredores.
Zane observou quando ela espiou a sala da família, arregalando os olhos. — Minhas fotografias estão aqui — disse ela confusa. — E alguns dos meus travesseiros velhos.
Zane já sabia disso. Ele pedira à decoradora para incorporar alguns pertences de Ellie do apartamento onde ela morara antes que o restante fosse guardado. Obviamente, ela encontrara algumas coisas que tinham dado certo.
Como Ellie não se afastara da porta para a sala da família, Zane pegou a mão dela, levando-a além da cozinha até a sala de estar. — O que acha?
Ela abriu a boca, mas fechou-a novamente quando seus olhos brilharam ao olhar para uma coleção de fotografias sobre o sofá. — Somos nós —
disse ela baixinho, andando até as fotografias.
Zane deixou que ela o puxasse e assentiu, feliz de ver como a coleção na parede ficara bonita. Todas as fotografias tinham belas molduras e estavam dispostas em um padrão que parecia natural.
— Eu sei — respondeu ele finalmente. — Juntei todas as fotografias que tirei e pedi que fossem colocadas na parede.
Ela se virou para ele com expressão perplexa. — Por quê?
Ele deu de ombros. — Porque você estava sempre muito preocupada de não ter uma casa de verdade. Eu queria que as minhas casas também fossem suas. Nossas casas. Eu queria ver nossas coisas misturadas, saber que não estava morando aqui sozinho. Nós moramos aqui juntos. — Ele respirou fundo antes de fazer a pergunta que lhe dava medo. — Não gostou?
— Adorei — respondeu ela com voz trêmula. — Isso nos deixa realmente... ligados aqui.
Era exatamente o que Zane queria. Queria que os dois estivessem tão ligados que Ellie nunca desejaria ir embora. — Eu sei. Gosto assim. Eu disse a você que não era um caso rápido para mim, Ellie. Quero que fique nas nossas casas. Quero sentir o seu perfume em todos os lugares. Quero ver as suas coisas perto das minhas. Ora, quero amarrar você na nossa cama para que nunca vá embora.
Ela se virou para encará-lo, com os olhos azuis brilhando e cheios de lágrimas. — Também quero isso. Só não consigo acreditar que tenha feito isso tudo por mim. — Foi em parte para mim também — admitiu ele. —
Sou um idiota egoísta que quer garantir que você tenha todos os motivos para considerar esta casa como sua tanto quanto é minha. Quero que você fique aqui.
Com um soluço emocionado, Ellie se jogou nos braços dele. Zane a segurou feliz.
— Não consigo acreditar que você ficou preocupado por um minuto sequer de eu querer ir embora — disse ela, parecendo atônita. — Pode me amarrar na sua cama. Ficarei lá, feliz.
— Eu não estava brincando — disse Zane com voz rouca. — Mas eu nunca literalmente amarraria você, Ellie. Não depois do que aconteceu com você.
Jesus! Ele tinha fantasias sexuais de ter Ellie exatamente onde queria, mas eram fantasias que nunca realizaria. Seus malditos instintos primitivos de homem das cavernas, que queriam conquistá-la e mantê-la, podiam ir para o inferno.