Bilionário Destemido: Zane

J. S. Scott · Capítulo 18 de 22

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Bilionário Destemido: Zane

Capítulo 17

— Está tudo bem. Ele também me perguntava muito sobre você —

garantiu Chloe. — Só estou feliz por estarem juntos agora. Você o ama?

A pergunta da melhor amiga a pegou de surpresa. Finalmente, ela assentiu. — Com toda a minha alma. Quis dizer isso a ele tantas vezes, mas não queria estragar o que temos.

— Não vai estragar. Ele também ama você — respondeu Chloe em tom direto.

Ellie quis perguntar como ela sabia disso e se realmente achava que era verdade, mas a amiga se distraiu quando a mãe a arrastou para a cozinha para colocar a conversa em dia.

Chloe disse baixinho: — Conversaremos mais tarde.

Ellie assentiu e virou-se para Blake, que tentava perguntar aonde Zane fora. Ela sentiu o coração apertado ao explicar que ele tivera que ir até o laboratório.

De forma ridícula, ela já sentia falta dele.

 

A reunião de família improvisada durou horas, com muitas risadas, comida e bebida enquanto o clã inteiro colocava a conversa em dia. Aileen estava feliz, dizendo que era raro que todos estivessem em Rocky Springs ao mesmo tempo. Ela também deixou escapar que estava feliz por Zane ter alguém que o tirasse do laboratório de vez em quando.

Era tarde quando Ellie recebeu o telefonema que estava prestes a fazer com que seu mundo desabasse.

A maior parte da família estava no aposento comunitário porque era maior. Ellie ouviu o toque de Zane no celular. Levantando-se rapidamente, ela saiu depressa da cozinha em busca da bolsa onde estava o telefone.

— Alô — atendeu ela finalmente, sem fôlego.

— Ellie? — A voz não era de Zane. Ellie ficou confusa por um momento até reconhecê-la.

— Sean? O que está acontecendo? Onde está Zane? — O coração dela começou a bater mais depressa. Ela sabia que, se Zane deixara que Sean usasse o telefone dele, era porque alguma coisa estava errada.

— Ele está aqui, mas está amarrado. Literalmente. Não sei dizer se ele gosta do fato de eu ter uma arma contra a cabeça dele, mas não dou a mínima.

Ellie sentiu o coração apertar ao perceber o humor de Sean, o tom maníaco na voz dele. Ela vivera isso antes e as coisas não tinham se saído bem. — Por quê? Sean, por que você faria isso quando foi ele que o escolheu para cuidar o laboratório de pesquisa? Ele contratou você, foi seu

mentor depois de colocá-lo em uma posição de poder no laboratório. —

Acha que mando em alguma coisa? Claro que não. Não tenho o dinheiro que Zane tem. E nunca terei, a não ser que crie minha própria sorte. Seu namorado nasceu com o traseiro virado para a lua. Eu não. A única coisa que eu sempre quis foi Elena e ela me deixou por um homem mais rico. Eu a quero de volta. Para isso, preciso de dinheiro e de uma forma de ficar rico o suficiente para ter Elena de volta. E você vai conseguir isso para mim.

Ellie andou até o aposento onde estavam os outros. Todos os membros da família Colter ficaram em silêncio ao perceber a palidez dela. Ela colocou um dedo sobre os lábios pedindo que ficassem quietos.

— Levarei a você se prometer que não machucará Zane. Por favor.

Tate se levantou e andou até onde ela estava parada, virando o telefone um pouco para que também pudesse ouvir.

Sean resmungou. — Não é só isso que eu quero. Zane está fazendo uma pesquisa privada, um projeto independente que não pertence ao laboratório. Quero essa pesquisa.

— Eu... eu nem sei onde ela está. O que é?

— Ele tem um laboratório no subsolo da casa. Preciso do notebook que ele guarda lá.

— Eu não...

Tate rapidamente colocou um dedo sobre os lábios e balançou a cabeça negativamente. Ele está dizendo que não devo dizer a Sean que não tenho acesso ao laboratório? Evidentemente, era exatamente o que ele parecia estar dizendo.

— Não sei exatamente onde está, mas encontrarei — disse ela em tom firme, percebendo que Tate tinha razão. Se admitisse que não conseguiria pegar o que Sean queria, talvez ele matasse Zane.

— Seja rápida. Quero que esteja aqui amanhã às dez horas da manhã.

Caso contrário, matarei seu namorado. Aí você verá como é perder alguém que ama. Talvez então consiga entender — disse Sean. — É fim de semana.

Talvez o dinheiro não esteja acessível — enrolou ela.

— Eles são Colters. — Sean cuspiu o nome como se fosse algo vil. —

Esses imbecis conseguem qualquer coisa que querem. Quero um milhão de dólares em notas não marcadas e o notebook do laboratório de Zane.

— Há mais alguém no laboratório com você? — Ellie viu, pelo canto do olho, quando Tate assentiu.

— Não. Está todo mundo de folga no fim de semana. Estamos só eu e o filho da puta que distraiu minha mulher, que virou a cabeça dela com o dinheiro.

As mãos de Ellie estavam tremendo e Tate tirou o telefone dela, mantendo-o na mesma posição. Ela queria argumentar com Sean, dizer que Elena não valia tudo aquilo, que Zane nunca tivera o menor interesse por ela, mas não disse nada. Zane nunca encorajara a mulher. Ellie vira isso pessoalmente. Mas era impossível discutir com um homem que descera ao fundo do poço. Infelizmente, ela descobrira isso da forma mais difícil.

Apesar de estar grata por Sean não poder machucar mais ninguém no laboratório, estava aterrorizada por Zane. — Quero falar com ele. Coloque Zane no telefone para que eu saiba que ele ainda está vivo.

Ela ouviu um barulho abafado e, em seguida, a voz desesperada de Zane. — Ellie, não venha aqui. Chame a polícia e deixe que ela cuide disso.

Ele não vai deixar nenhum de nós sair daqui. Vai matar nós dois.

Sean devia ter amordaçado Zane novamente, pois havia silêncio quando ele voltou ao telefone. — Ele está errado. Se seguir minhas instruções, eu o soltarei. Terei os meios para ser um homem muito rico com o dinheiro e a pesquisa dele. Se trouxer a polícia ou se eu vir um carro de polícia parado em frente a este prédio, será o fim. Traga as coisas amanhã de manhã. E venha sozinha. Se não, seu namorado morrerá.

Ellie entrou em pânico ao ouvir o barulho da ligação sendo cortada.

— Sean! Espere! Por favor!

Tate desligou o telefone e colocou-o sobre uma das mesas do aposento.

— Um funcionário insatisfeito, imagino? — perguntou Tate.

Ellie rapidamente explicou tudo o que sabia sobre Sean e Elena à família de Zane, o que não era muito. Em seguida, contou tudo o que acontecera durante o telefonema.

— Então é uma vaca gananciosa que nem vale a pena — comentou Marcus em tom desgostoso.

— Não sei o que fazer — admitiu Ellie. — Nem sei como acessar o laboratório de Zane aqui. Ele sempre falou em me levar lá, mas não tivemos a oportunidade antes de irmos para Denver.

— Você sabe em que projeto ele está trabalhando? — perguntou Blake.

— Sim. Não em detalhes, mas ele disse que está trabalhando em algumas vacinas para as doenças mundiais. Como demoraria anos, ele começou o

projeto de forma independente. Não sei se está perto de terminar, mas sei que colocar essa pesquisa nas mãos erradas poderia ser desastroso se o único motivo para querer os estudos for ganhar dinheiro. Zane não queria remédios. Ele queria prevenção. Foi por isso que manteve a pesquisa em segredo. Ele queria levar a pesquisa até as vacinas e é muito meticuloso com os detalhes e a replicação antes de chegar a uma descoberta real. Ele provavelmente achou que podia dividir as informações do projeto com Sean. Ele é o diretor do escritório de Denver. As informações de Zane deveriam estar seguras com Sean.

— Onde é o laboratório? — perguntou Tate em tom de urgência. — No subsolo. Mas tem segurança.

Tate sorriu. — Não é problema. Só me leve até lá. — Em tom mais sério, ele perguntou: — Marcus, você consegue o dinheiro?

O Colter mais velho já estava digitando uma mensagem no celular. —

Estou providenciando.

Ellie levou Tate até a entrada do laboratório no subsolo e deslizou o painel para o lado. Tate gentilmente a empurrou para o lado, olhando para o dispositivo de segurança na porta.

— É um scanner de impressão digital — comentou ele, brincando com alguns dos mecanismos da porta pesada.

— Então não temos como entrar sem a impressão digital de Zane?

— Normalmente, não. A não ser que ele tenha configurado a porta para aceitar também a sua impressão digital.

— Ele não fez isso — respondeu Ellie em tom triste, desejando ter insistido mais para ver o que Zane fazia no laboratório. — Não acho que ele quisesse que eu viesse aqui sozinha. Disse que havia substâncias perigosas demais.

— Não se preocupe, Ellie. Consigo destravar o sistema. Só preciso de algumas ferramentas, o que poderá demorar um pouco. Mas nenhum sistema de segurança é inviolável se souber o suficiente sobre ele.

Ellie sabia que Tate provavelmente era uma das melhores pessoas a ter por perto se precisasse de alguém para abrir aquela porta. — Ok. O que mais posso fazer? Devo ligar para a polícia?

— Claro que não — comentou Blake ao se aproximar para ver o que Tate estava fazendo. — Eles encheriam o prédio de policiais. No minuto em

que esse idiota vir um carro da polícia, as chances de Zane sair vivo não serão boas.

— Ele tem razão — disse Marcus, que seguira Blake até lá. — Os policiais farão o que foram treinados para fazer. Isso significa equipes da SWAT, negociadores e todas as outras coisas que farão com que Zane seja morto. Quando Tate conseguir entrar no laboratório, cuidaremos do assunto.

— Vou com vocês — disse Ellie em tom de teimosia. — Ele disse que eu deveria levar as coisas. E, se vir vocês, as coisas poderão dar errado.

Além do mais, eu conheço o prédio. Sei como entrar sem ser detectada.

Tenho os códigos dos alarmes e sei onde ficam o laboratório e os escritórios.

— Você não vai — retrucou Tate em tom firme. — Zane nunca nos perdoaria se alguma coisa acontecesse com você. Pelo amor de Deus, você acabou de se recuperar de um sequestro.

— Se não me levarem com vocês, aparecerei lá mesmo assim —

argumentou Ellie. Ela não ficaria para trás de jeito nenhum.

— Também vou — insistiu Blake.

— Nenhum de vocês é treinado em situações com reféns. Deixe que Tate e eu cuidemos disso para que ninguém mais saia ferido — disse Marcus em tom grave.

Ellie cruzou os braços e encarou os três homens. — Eu preciso ir. Ele espera me ver lá. Como acha que explicarão quando eu não aparecer? Se o pegarem desprevenido, talvez tenhamos uma chance.

— Ela tem razão — comentou Tate. — Mas vocês sabem que Zane ficará furioso.

Blake deu de ombros. — Melhor furioso do que morto.

— Não gosto disso — resmungou Marcus. — É perigoso demais para Ellie.

Frustrada, Ellie se virou e voltou para a sala, esperando encontrar um pouco de apoio. Os três homens a seguiram.

— Não é que achamos que não consiga, Ellie — disse Tate ao entrar na sala com os outros logo atrás.

— Então me diga o que é, pois estarei lá, gostem ou não. É a única esperança de Zane no momento. Se Sean vir vocês dois, ele poderá matar Zane. — Ela respirou fundo e tentou se acalmar. — Você precisa entender que não podemos colocar sua vida em risco. Eu mataria qualquer um que

deixasse Lara correr perigo, incluindo um dos meus irmãos — respondeu Tate irritado.

— Eu também vou — informou Lara ao marido em tom direto. — Mais uma profissional armada será útil.