Bilionário Destemido: Zane
Capítulo 12
Mas você era tão inteligente, bonito e rico. Eu disse a mim mesma que alguém como você nunca daria bola a uma mulher tão simples e desesperadamente pobre como eu. Portanto, quando você veio para casa, mantive distância para não fazer papel de tola. — Parecia que seu coração estava sendo espremido e as lágrimas correram ainda mais depressa.
— Você era cheia de curvas, algo que me deixava de pau duro sempre que a via, querida. — Ele a puxou para o colo e abraçou-a como se nunca mais fosse deixá-la sair. — Eu adorava seus belos olhos azuis e os cabelos loiros loucamente sensuais. Você é linda, Ell. Sempre foi. Mas o que sempre gostei em você é que me aceita da forma como sou. Ora, acho que até gosta de mim como sou. — Zane respirou fundo antes de perguntar: — Então, podemos tentar? Você conseguirá ser feliz com um cara que não é
exatamente especialista em palavras românticas e que não sabe o que fazer quando a vê chorando, como agora? Aliás, por que você está chorando?
Ela sorriu para ele por entre as lágrimas. — Porque, apesar de dizer que não é um cara romântico, acho que o que acabou de dizer provavelmente foi a coisa mais doce que já ouvi.
Eles ficaram em Denver nos meses seguintes e Ellie estava mais feliz do que conseguia se lembrar de ter sido na vida inteira. Na maior parte do dia, ela trabalhava na própria mesa no escritório enorme de Zane que ele nunca usava. Ele passava a maior parte do tempo na área de pesquisa segura do prédio imenso.
Era estranho, mas ela nunca percebera como os laboratórios dele eram grandes e multinacionais nem quanta responsabilidade ele assumia nos ombros largos. De vez em quando, ela precisava relembrá-lo de que ele não era o único responsável por curar ou evitar todos os problemas de saúde no mundo.
Recentemente, ele sorrira e rira mais do que ela imaginara ser possível.
Ela adorava cada sorriso malicioso e gargalhada divertida que saíam da boca de Zane, pois achava que ele se levava a sério demais.
Com as sessões de terapia, não só Ellie começava a se recuperar da prisão traumática, apesar de haver algumas coisas que talvez nunca desaparecessem, mas também começava a se ver de forma diferente. Ela não se via mais como uma mulher que não era interessante nem atraente.
Ela agora se via como uma mulher que tentava ser melhor, ser o que deveria ter sido antes de ser sequestrada.
Com a permissão de Zane, ela montara uma oficina no porão da casa dele, usando a cozinha que havia lá e que ele nunca usara. Lentamente, seu negócio na internet crescia e Ellie estudava e fazia experiências sempre que
podia. Seus produtos começavam a ficar famosos e, subitamente, todos queriam experimentar algumas de suas fragrâncias de aromaterapia.
Nos fins de semana, Zane a levava a algum lugar aonde ela nunca fora, fazendo com que explorasse o mundo fora de Rocky Springs e até mesmo de Denver. Apesar de sempre ter adorado a bela cidade natal nas montanhas, ela amava o fato de Zane surpreendê-la com um novo destino em cada fim de semana.
No fim de semana anterior, ele a tinha levado para a Califórnia para que visse o Oceano Pacífico. Durante dois dias, eles brincaram na praia como crianças.
As noites pertenciam a eles. Zane tinha a missão de descobrir de quantas formas conseguia dar prazer ao corpo dela. No fim das contas, ele realmente tinha fantasias muito sensuais com ela. Ellie gritava de prazer quando cada uma delas se tornava realidade.
Ellie chegara à meta de ganho de peso e tentava se exercitar o máximo possível. Zane tinha uma piscina interna na mansão de Denver, como tinha na casa de Rocky Springs. Ela tentava nadar todas as noites, além de usar a esteira com frequência. Até aquele momento, seu peso permanecera estável.
Mas, se fosse sincera, os exercícios com Zane na cama todas as noites provavelmente eram o motivo de não engordar. Ele a levara a praticamente todos os restaurantes de que gostava na área e todos eram simplesmente fantásticos.
A única reclamação dela era que Zane não permitia que ela saldasse a dívida antiga que tinha com ele. Ele se recusava a deixá-la pagar qualquer coisa nem aceitava qualquer parte do salário dela como assistente para pagar por tudo que fizera por ela no passado. Na verdade, ele se recusava até mesmo a admitir que ela lhe devia alguma coisa.
Era a única coisa pela qual brigavam de verdade.
Diferentemente de alguns casais, o controle remoto nunca era um problema. Ellie adorava assistir aos canais de ciência com ele e Zane se tornara quase tão viciado nos programas sobre crime quanto ela sempre fora. Eles raramente perdiam um episódio de Supernatural. Mas, quando perdiam, rapidamente o assistiam no canal sob demanda. Eles pareciam ter o mesmo gosto peculiar sobre os programas e filmes a que assistiam.
Naquela noite, ela o deixara assistindo a um documentário na televisão e fora para a oficina embalar alguns produtos. Ellie queria garantir que seus
pedidos fossem enviados rapidamente.
— Senti sua falta — disse Zane com voz rouca atrás dela. Ela o ouvira descendo a escada, mas não esperara sentir subitamente o corpo quente contra suas costas. Ela deu um salto, quase deixando cair as velas que embalava.
Ele estendeu a mão e pegou a caixa com agilidade, colocando-a de volta sobre o balcão.
Com o coração ainda batendo depressa, Ellie se virou nos braços dele.
— Você me assustou — disse ela ao passar os braços em volta do pescoço dele.
— Não foi intencional — disse ele com remorso.
— Eu sei. O problema não é você. Acho que ainda tenho algumas reações involuntárias que não consigo controlar. — Ellie odiava quando, algumas vezes, o cérebro racional não se conectava ao corpo.
Zane pegou a mão dela e levou-a até um sofá na área ao lado da cozinha. Ele se sentou no meio do sofá e puxou-a para o colo. — Quer conversar sobre isso?
Não! Não, não quero.
Sempre que chegava um momento de discutir as experiências dela durante os meses horríveis em cativeiro, ela preferia fingir que nada acontecera. Natalie nunca a deixava evitar o assunto por muito tempo e algumas das sessões eram brutalmente difíceis, mas Zane nunca a pressionara.
Ela balançou a cabeça negativamente, mas respondeu: — Não sei.
Algumas vezes, acho que superei tudo aquilo. Mas, de vez em quando, sinto que as cicatrizes dentro de mim ainda não estão completamente curadas.
Nem sei se algum dia conseguirei encerrar totalmente esse assunto porque ele está morto. E morreu enquanto eu ainda estava presa na cabana.
— O imbecil escolheu a saída mais covarde. Você nunca o verá no tribunal e nunca o verá pagar pelo que fez — retrucou Zane furioso.
Ela assentiu. — Exatamente. É como se ele nunca tivesse existido. É
estranho porque fiquei aliviada ao saber que ele estava morto. Mas também fiquei com raiva.
— Não é estranho, querida. Acho que é natural se sentir assim. Ellie suspirou, sabendo que nunca se sentiria tão próxima a alguém como com o homem que a reconfortava naquele momento. Ela não queria afastá-lo, da
mesma forma que não gostaria que ele fizesse isso se tivesse passado por algo traumático. — Nem sei por onde começar.
— Por onde quiser — retrucou Zane gentilmente. — Conte-me as coisas que mais a assombram.
— O fato de não ter conseguido fugir com o notebook dele no dia em que aconteceu. Penso no que eu poderia ter feito de diferente. Talvez eu devesse ter saído do escritório mais depressa. Talvez eu não tenha lutado o suficiente porque tinha a esperança de conseguir convencê-lo a me deixar ir embora. Talvez eu não devesse ter corrido. Poderia ter fingido que não sabia de nada até ter a oportunidade de roubar o computador dele. Há tantas coisas que eu poderia ter feito de forma diferente que talvez tivessem evitado muita dor para mim e para Chloe.
De forma distraída, Zane passou a mão pelos cabelos dela ao responder: — Você fez o melhor que podia naquelas circunstâncias.
Qualquer uma dessas alternativas poderia não ter dado certo.
— Possivelmente — concordou ela. — Mas nunca saberei. Não houve oportunidade de escapar depois disso. Acho que fiquei inconsciente durante a maior parte do percurso até a cabana e, por causa disso, não fazia ideia de onde eu estava. Foi desorientador e, antes que minha cabeça clareasse, ele me acorrentou.
— Com que frequência ele ia até a cabana? Ele ia embora logo em seguida? Ellie queria que ele a tivesse deixado sozinha. — Não. Ele ficou naquela noite, usando cada minuto para tentar me assustar até que eu cedesse. Sempre que eu dizia alguma coisa, ele me batia. Foi uma noite muito longa.
Ela sentiu o corpo de Zane ficar tenso sob o seu quando ele perguntou:
— Ele tirou sua roupa ou você mesma fez isso?
— Ele usou uma faca para cortar tudo o que eu estava vestindo. Uma tática de medo que deu certo. Fiquei com medo de que ele fosse me estuprar, matar ou ambos. — Ela respirou fundo antes de acrescentar: —
Ele tirou minhas roupas naquela primeira noite. Quando ele foi embora na manhã seguinte, eu estava em pedaços.
— Caralho! Eu queria ter suspeitado dele antes quando podia ter mandado alguém segui-lo. Quando voltei para Rocky Springs convencido de que era James, foi tarde demais.
— Você não tinha como saber. — Ellie acariciou a bochecha e o maxilar dele. — Eu tive sorte de você ser um gênio ou poderia estar morta.
— Por que ele não deixou mais comida e água? Só deixou o suficiente para você mal permanecer viva.
Ellie deu de ombros. — Acho que ele queria me manter fraca e pouco mais que viva. Ele também adorava quando eu implorava por mais comida e água. Tentei não fazer isso, mas, enquanto estava pouco alerta, fazia. Eu estava sempre com sede, sempre com fome.
— Ele era um filho da puta sádico — resmungou Zane.
— Muito sádico — respondeu Ellie em tom triste — E, quando implorava, eu lhe dava exatamente o que ele queria.
— Não faça isso — disse ele. — Não se culpe. Todas as vezes em que ele a machucou, foi porque estava morrendo de medo por Chloe tê-lo deixado para trabalhar para Gabe. Walker a tirou de uma situação muito ruim.
— Graças a Deus — retrucou Ellie, parecendo aliviada. — James nunca me disse isso. Só ficava dizendo que os dois se casariam em breve.
Eu me senti muito impotente por não poder fazer nada para salvá-la.
— Você estava preocupada com ela e Chloe estava louca tentando encontrá-la. Nunca vi Chloe tão desesperada como quando você desapareceu. Por algum tempo, achei que ela estava em negação, acreditando que conseguiria encontrar você. Quando não conseguiu, isso a destruiu — confidenciou Zane.
— Mas nós duas estamos felizes agora — observou Ellie. — Não vou deixar que um homem mau morto destrua minha vida nem a de Chloe.
Zane a abraçou com força e Ellie encostou a cabeça no ombro dele. Ele a embalou com ternura ao dizer: — Eu sei que não vai. Nossa, você é a mulher mais corajosa que conheci. E conseguiu aguentar até que eu a encontrasse.
Ellie sorriu contra o tecido macio da camiseta dele. — Acho que passei a vida inteira esperando que você me encontrasse, de uma forma ou de outra.
— Não mais — retrucou Zane. — Nunca mais. Nunca mais deixarei que espere qualquer coisa de novo.
— Mmm... E ontem à noite? Lembro-me claramente de você ter me feito esperar. — Na verdade, ele a provocara até que estivesse
completamente louca, precisando gozar.
Zane riu. — Foi uma situação totalmente diferente. Naquele caso em particular, eu ia fazer a espera valer a pena. Valeu?
Ellie estremeceu ao se lembrar da forma como seu corpo explodira quando Zane finalmente parara de provocá-la e dera o que precisava. —
Valeu a pena, mas foi completamente injusto — repreendeu ela em uma voz falsamente petulante. — Acho que é minha vez de fazer você esperar. Ele a puxou gentilmente para trás pelos cabelos para que conseguisse ver seu rosto.
— Querida, eu esperaria para sempre se fosse preciso.
A sinceridade dele lançou uma onda de ternura no coração dela. Ele alegava não ser romântico, mas aquelas palavras diretas a emocionaram de uma forma que nunca acontecera. Ela passou a língua pelos lábios secos ao encarar os olhos cinzentos sinceros. Cada palavra, cada comentário dele tinha sido sincero. O corpo dela clamava para que ela aceitasse aquele homem para a vida inteira.
Zane era especial. E era dela.
— Preciso embalar meus pedidos — disse ela com voz fraca.
— Vim aqui para ajudar você — comentou ele. — Mas também acabei de receber algumas fotografias de Chloe.
Ficando de joelhos ao lado dele, ela começou a apalpá-lo em busca do celular. — Quero ver — insistiu ela empolgada, passando a mão nos bolsos da frente da calça dele, procurando o telefone.
Ele deteve os dedos dela, agarrando seu pulso. — Jesus, mulher. Se não parar com isso, vai encontrar mais do que está procurando — disse ele com a voz rouca.
— Ou talvez eu encontre exatamente o que quero — retrucou ela em tom sedutor.
— Quanto tempo precisamos para embalar aqueles itens? — perguntou Zane desesperadamente. — Muito pouco, mas posso ver Chloe? — Ellie adorava ver as fotografias de sua melhor amiga. De vez em quando, Chloe enviava um vídeo e parecia muito feliz. — Onde ela está?
Zane tirou o celular do bolso. — Eles estão nas Bahamas. É a última parada deles. No próximo fim de semana, poderemos ir para casa. Ela já estará de volta à casa de Gabe. Desculpe não ter avisado você mais cedo.
Gabe disse que estão com saudades de casa e prontos para voltarem para o rancho.
Ele abriu a mensagem mais recente de Chloe que tinha uma fotografia.
Ellie abriu um sorriso largo ao ver a amiga com Gabe, um homem que Ellie não conhecia bem. Ela o encontrara algumas vezes, mas, sempre que via uma fotografia de Gabe com Chloe, gostava dele ainda mais. Estava claro que Gabe fazia Chloe feliz e, só por isso, Ellie já o adorava.
Os dois sorriam para a câmera, erguendo as bebidas como se estivessem fazendo um brinde para o mundo. Os lábios de Chloe mostravam um sorriso largo e sincero que fazia com que seus olhos brilhassem de alegria. Gabe estava com o braço sobre os ombros dela, sorrindo como se não tivesse preocupação alguma na vida.
Ellie passou o dedo de leve sobre o contorno do casal. — Dá para ver como eles se amam muito.
— É ainda mais óbvio pessoalmente, acredite — comentou Zane em tom divertido.
— Não acredito que finalmente vou vê-la de novo. Parece que faz uma vida inteira. Tanta coisa aconteceu.
— Ei, você não está nervosa, está? — Zane inclinou o queixo dela para ver seu rosto.
— Um pouco. Não quero estragar a felicidade dela agora.
— Meu Deus, Ellie. Isso não vai acontecer. Você não sabe o quanto ela a ama? Ver você colocará a última peça do quebra-cabeça no lugar de novo.
Deixará Chloe completa. Ela sente tanto a sua falta. Está de luto, mesmo com você ainda viva. Se alguém deveria ter medo, seria eu. Ela vai me matar por não ter contado a verdade. Gabe provavelmente também terá problemas por causa disso.
— Ele sabe? — perguntou Ellie curiosa.
— Blake é o melhor amigo dele. Não tenho dúvidas de que ele sabe, mas deve ter decidido não dizer nada. Chloe me pergunta sobre você todos os dias. Fico feliz por ela estar voltando para casa. Odeio ter que desviar do assunto e fingir que aceitei o fato de que você não voltará. Porra, detesto mentir para ela.
Só a ideia de ver Chloe novamente depois de tanto tempo deixou os olhos de Ellie cheios de lágrimas. — Já vou deixar avisado que vou chorar, mas serão lágrimas de felicidade.
— Eu sabia que você choraria — disse Zane em tom infeliz. — Mas não faça isso agora. Temos planos — comentou ele maliciosamente, tirando o celular da mão dela ao se levantar e ajudando-a a ficar de pé.
— Sim, preciso embalar meus produtos. — Ela se virou para voltar para a oficina.
Zane a segurou pela cintura antes que ela fosse muito longe. Em seguida, pegou-a no colo e jogou-a sobre o ombro. — Farei isso amanhã de manhã.
Ellie se viu de cabeça para baixo, em uma posição nada digna, sobre o ombro dele.
— Coloque-me no chão. Você terá que subir a escada — gritou ela divertida e com um pouco de medo de que ele se machucasse.
Ele subiu a escada correndo sem esforço algum, ignorando as tentativas vãs dela de bater em suas costas para que a soltasse.
Ellie desistiu de lutar quando chegaram ao quarto. Seu corpo já sentia falta do toque dele.
Mantendo a palavra, Zane acordou cedo e embalou os pedidos dela, colocando-os na área de carga do veículo para despachá-los antes de ir para o trabalho.