Bilionário Destemido: Zane

J. S. Scott · Capítulo 6 de 22

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Bilionário Destemido: Zane

Capítulo 5

Sentando-se na cama, ela afastou os cabelos do rosto e admitiu que acordar sem ele ao seu lado fez com que sentisse sua falta. E, para uma mulher que sempre se virara bem sozinha, isso era muito assustador.

 

Vários dias depois, Zane estava trabalhando no laboratório subterrâneo, tentando descobrir quando Ellie Winters se tornara tão teimosa. Ela fora uma adolescente doce, mas em algum momento, a mulher desenvolvera um senso de independência que parecia infindável.

Sim, eu repus algumas das coisas dela: um celular, um notebook , novas roupas com a ajuda de Lara e algumas outras coisas de que ela precisa para o cotidiano. São só coisas essenciais.

Zane não achava que o que fizera fora grande coisa. Mas ele deixara Ellie emocionalmente chateada e nem sabia direito por que ela chorara quando lhe dera aquelas coisas. Ele não perguntara o motivo do choro dela porque ficara chateado por ter sido a causa das lágrimas. Só o que ele queria era que Ellie fosse feliz e, pelo jeito, ela fizera um certo progresso, apesar da reação chorosa aos presentes dele... até aquele dia.

Naquele dia, ele percebera como Ellie podia ser obstinada.

Ellie literalmente plantara o pé no chão, batendo-o em recusa, quando ele levara para casa o novo carro que comprara para ela. Recusara-se terminantemente a aceitar algo que ele comprara para ela. Alegara que era caro demais. Quando ele mencionara que ela só tinha um seguro limitado no carro desaparecido e que a seguradora não pagaria nada para substituir o lixo da Tartaruga Azul, Ellie o encarara friamente e afastara-se. — É só uma BMW. Ela age como se eu tivesse comprado algo realmente caro. O Beemer era uma opção razoável, um carro sólido e confiável. Não é como se eu tivesse desperdiçado um monte de dinheiro em

um carro esportivo exótico — resmungou Zane baixinho enquanto recriava alguns dos resultados de um de seus principais cientistas do laboratório para conferi-los ele mesmo. — E é um SUV. É prático para o Colorado. Muitas pessoas têm um carro assim.

Ele queria reviver parte do antigo espírito de Ellie. Mas enfurecê-la não era exatamente a forma como ele quisera que isso acontecesse. Mesmo assim, ela estava furiosa. Entretanto, não importava o quanto ela fosse teimosa, Zane decidira que ela iria dirigir um carro confiável, o que ele comprara.

Depois de terminar o trabalho, ele inseriu a verificação no computador do laboratório e guardou os suprimentos, imaginando como faria Ellie aceitar o inevitável. Ela usaria o SUV. Ele queria que ela usasse um veículo confiável. Não queria que ela comprasse outro lixo como fora seu último carro. Era pequeno demais, velho demais e nada confiável. E essas coisas eram inaceitáveis para ele.

Ele tirou a capa descartável que usava sobre a roupa e jogou a máscara e as luvas no recipiente de materiais perigosos que mantinha perto da porta.

Zane admitia que era desorganizado, mas apenas com coisas fora do laboratório. Ali, ele era meticuloso. Ali, isso importava. Não havia espaço para erros ao trabalhar com organismos potencialmente perigosos.

Ele lavou e secou as mãos. Em seguida, parou em frente às portas duplas de aço e usou o scanner de digital para abri-las. Ao andar pelo corredor e subir a escada que levava à casa, ele contemplou as opções.

Aceitar a decisão de Ellie e devolver a BMW? Não, nem pensar.. Ela precisa de um veículo seguro.

Convencer Ellie a aceitá-lo? Improvável. Entretanto, Zane admitiu que ela pareceu teimosamente insistente em não aceitar o presente. Percebeu que gostava daquela expressão dela. Era preferível a vê-la chorar, mas isso não o impediria de garantir que ela tivesse um meio de transporte confiável.

Pedir a Chloe que o ajudasse a convencê-la? É uma possibilidade, mas Chloe ainda não voltou para casa e nem sabe que Ellie está viva.

Colocar Ellie sobre o ombro e jogá-la dentro do carro? Sim, essa era uma boa ideia, já que ele se sentia como um homem das cavernas desde o minuto em que Ellie desaparecera.

Agora que a encontrara, a vontade de garantir que Ellie estivesse segura era muito grande, era um instinto primitivo compulsivo que ele mal

conseguia controlar.

Recomponha-se. Você a deixará muito assustada. Ora, eu estou me deixando assustado.

Zane se considerava uma pessoa razoável, racional e lógica. Tomava decisões com base em dados e fatos realistas. Ultimamente, ele não estava reagindo com a racionalidade normal. Estava cedendo a emoções e compulsões que não parecia conseguir controlar. Ele nunca tivera esse tipo de sentimentos antes e ficava confuso com o fato de que, com Ellie, às vezes não conseguia controlar as palavras ou o comportamento. Por algum motivo, Ellie sempre fora uma mulher que quisera conhecer melhor, mas acabara evitando-a porque ele a considerara fora de alcance no passado.

Mas isso não o impedira de perguntar sobre ela quando falava com Chloe.

Ele quase se entregara no hospital, quase dissera a Ellie que, pouco a pouco, passara a conhecer as preferências dela encorajando Chloe a falar sobre sua melhor amiga. Zane sabia que a comida preferida de Ellie era a asiática porque Chloe mencionara. Ela também lhe dissera que enviaria a Ellie seus chocolates favoritos como surpresa de aniversário alguns anos antes. Zane perguntara o tipo e ainda se lembrava exatamente qual era a empresa que os fabricava. Ele ativou a porta de metal para o corredor da garagem usando novamente o scanner de impressão digital. Em seguida, abriu a porta oculta, que não era detectável pela parte de dentro da casa a não ser que a pessoa a estivesse procurando.

Ele andou pelo corredor, mas parou ao ouvir a voz de Ellie. Ele a viu sentada à mesa da cozinha com o notebook. Seus olhos estavam grudados da tela enquanto ela falava.

Ele demorou um momento para perceber o que ela estava fazendo.

Estava em uma videoconferência.

As sessões com a psicóloga!

Ele soubera que Ellie usaria o notebook novo para sessões com uma psicóloga na Inglaterra, mas não sabia que começariam naquele dia.

Obviamente, Zane e Ellie não tinham tido a oportunidade de ter uma conversa civilizada naquela manhã antes que ele fosse para o laboratório.

Ele se encostou na parede e ficou imóvel, sem querer interrompê-la e ouvindo, sem vergonha alguma, a conversa dela.

Infelizmente para ele, a conversa parecia estar terminando. Ellie suspirou ao responder para a psicóloga. — Obrigada, Natalie. Ajudou muito

falar sobre como me sinto. Sei que é muito tarde para você, mas fico feliz por ter concordado em me ajudar.

Zane observou quando Ellie se despediu e confirmou outra consulta alguns dias depois. Ela fechou o notebook com uma expressão pensativa no rosto.

Ela precisa falar. Ela precisa de apoio.

Ele fechou os punhos ao xingar a si mesmo por não saber como realmente falar com ela. Ele queria estar ao lado dela, ser seu porto seguro.

Só não sabia exatamente como ser o que ela precisava naquele momento. Zane sabia que uma grande parte de Ellie só queria esquecer o que acontecera, exatamente o que ele desejava que pudesse acontecer. Mas não era saudável que ela continuasse a negar que fora traumatizada pelo sofrimento de sete meses. Ela nunca ficaria curada se guardasse aquilo e nunca lidasse com as próprias emoções.

Ele entrou na cozinha e sentou-se à frente dela. — Quer conversar sobre o assunto? Como foi? — Ele torceu muito para que ela tivesse superado a raiva que sentira mais cedo. Não queria que ela o afastasse, apesar de não ter a menor ideia do que lhe dizer.

Ela balançou a cabeça negativamente, mas começou a falar mesmo assim. — Natalie acha que tenho estresse pós-traumático.

Zane ergueu a sobrancelha. — O que você acha? — Ele não sabia muito sobre saúde mental, mas estava disposto a apostar que a maioria das pessoas que tinha passado pelo que Ellie passara sofreria sintomas de estresse pós-traumático.

— Acho que tenho. Não consigo ouvir um barulho que me lembra do tempo como prisioneira de James sem ficar nervosa e com medo. Algumas vezes, tenho flashbacks. É por isso que prefiro não reconhecer nada disso.

Mas isso me assombra. Minha vida é um caos por causa do que aconteceu.

Sinto que perdi minha independência, minha vida inteira por causa disso. E

ainda tenho medo do que vai acontecer comigo.

— Absolutamente nada vai acontecer com você, Ellie. Está em casa, com pessoas que se importam com você nesta cidade. Você não é dependente só porque precisa da ajuda de amigos agora. Passou por coisas demais para ter que lidar com elas sozinha — disse ele de forma razoável.

— Aceite a ajuda que estou oferecendo. Sua vida lentamente voltará ao normal. Você só precisa de tempo.

Zane conseguia sentir o desespero e o pesar dela, o que o atingiu no peito como uma faca. Ele queria deixar tudo melhor para Ellie, mas sentia-se totalmente impotente. Ele não podia apagar as lembranças dela nem os danos que o filho da puta do James causara emocionalmente nela.

Ela olhou para ele com os olhos cor de safira e disse: — É esse o problema. Eu nunca não fui capaz de cuidar de mim mesma. As coisas não são tão ruins como achei que seriam. Alguém cuidou das minhas contas e tenho uma quantidade enorme de dinheiro no banco. Deve ser Chloe e vou ter que falar com ela sobre isso.

— Não foi Chloe — confessou ele. — Fui eu. Paguei suas contas e depositei dinheiro na sua conta para cobrir qualquer coisa que esteja em débito automático.

Ela o encarou surpresa. — Por quê?

Zane cerrou os punhos sobre a mesa. — Porque eu nunca admitiria que você não voltaria. E queria que sua vida fosse o mais próximo do normal possível quando a encontrássemos. Como não estava aqui para lidar com as coisas, fiz isso por você. É para isso que servem os amigos, certo?

Ele não pretendia lhe dizer que precisara cuidar da vida pessoal dela, que quisera fazer aquelas coisas para convencer a si mesmo de que ela voltaria. De certa forma, isso fora uma terapia para ele, uma forma de se convencer de que Ellie não estava morta. Chloe tivera que lidar com os próprios problemas e ele não quisera que a irmã cuidasse das responsabilidades pessoais de Ellie. Ele quisera fazer isso.

Ela ficou em silêncio por alguns momentos antes de responder em tom solene: — Obrigada. Mas terei que pagar você de volta quando conseguir um emprego. — Você não precisa de um emprego agora. Só precisa se concentrar em melhorar — disse ele em tom rabugento.

— Preciso de um emprego, Zane. Não consigo lidar com isso. Não posso deixar de querer me sentir normal de novo. Para mim, isso significa ter um sustento. — Ela colocou o rosto nas mãos em um gesto de derrota.

Zane sentiu o coração muito pesado. Ele odiava vê-la naquele estado.

Não estava acostumado com aquilo. Ellie era uma mulher alegre, capaz e muito organizada. Vê-la praticamente destruída o deixava muito triste.

— Então trabalhe para mim, Ellie — ofereceu ele antes mesmo de conseguir pensar nas palavras. — Preciso de você. Olhe para esta casa e entenderá o motivo. Preciso de uma assistente pessoal em quem possa

confiar e é algo difícil de encontrar. Preciso de alguém que organize as coisas dentro e fora do trabalho.

Ela afastou as mãos do rosto para olhar para ele curiosa. — Você não tem um assistente?

— Não. O último que tive quase vendeu segredos da empresa para um dos meus concorrentes. Por sorte, nós o pegamos a tempo. Desde então, não confiei em ninguém e isso já tem alguns anos. Temos secretárias em vários níveis de segurança no laboratório, mas a maioria delas não tem acesso a documentos pessoais nem a resultados de pesquisas. Ela franziu a testa. —

Alguém que trabalhava para você tentou traí-lo?

Não fora a primeira vez e certamente não seria a última, mas Ellie não entendia o que as pessoas estavam dispostas a fazer por milhões ou bilhões de dólares. — Sei que acha que sou paranoico porque tudo tem muita segurança aqui. Mas, quando estou em casa, tenho muitas informações comigo, resultados de pesquisas e projetos que alguns de nossos concorrentes desejariam por todos os motivos errados. Isso precisa ser protegido.

— Deve haver montes de pessoas mais qualificadas a trabalhar para você. Não tenho diploma universitário — argumentou ela. — Não sei nada sobre biotecnologia.

Ele deu de ombros. — Não importa. Só preciso ter alguém em quem eu confie, alguém para me ajudar a ser organizado fora do laboratório. Tenho fé em você, Ellie. Se há alguém que consiga organizar a minha vida, é você. Ela o encarou por alguns minutos antes de perguntar: — O que eu faria?

Ele sorriu para ela, subitamente sabendo exatamente como faria com que ela dirigisse o carro novo. — O que eu disser para fazer. A primeira coisa que precisa fazer é aceitar o carro que lhe dei. — Ela abriu a boca para protestar, mas ele ergueu a mão. — Você precisará de um carro. E se precisar resolver alguma coisa fora daqui?

Ela o encarou friamente, mas deixou o assunto de lado. — Quais seriam as minhas obrigações?

— Qualquer coisa que eu quiser. Quando estiver se sentindo melhor, verá como esta casa precisa de uma bela de uma organização. Minha casa em Denver está do mesmo jeito, mas mais limpa graças à minha funcionária. Mas ela nunca encosta nas minhas coisas pessoais. Meu

cérebro está normalmente tão ocupado pensando nos projetos atuais que não faço muito. — Quanto mais ele pensava no assunto, mais gostava da ideia de Ellie aceitar o emprego como sua assistente pessoal. Ele provavelmente ficaria em maus lençóis ao tê-la por perto o tempo inteiro, mas era melhor do que se preocupar com ela constantemente.

— Eu teria que me mudar para Denver? — perguntou ela com cautela.

— Não. Quando eu estiver lá, você poderá ficar na minha casa, que tem mais ou menos o tamanho desta aqui. Alternaremos entre as duas. — Zane queria começar a passar mais tempo em Rocky Springs. A mãe dele estava envelhecendo e Rocky Springs ainda era o seu lar.

— Está fazendo isto porque realmente precisa de mim ou porque está com pena? — perguntou Ellie em tom direto.

— Acredite, preciso de você — respondeu Zane com sinceridade. Suas palavras tinham duplo sentido e ele sentiu o pênis rígido só de estar sentado à frente dela. Ele admitiu que estava desesperado por ela, mas não de uma forma que confessaria a Ellie.

— Vai deixar que eu use meu salário para pagar de volta o carro e as outras coisas que você comprou?

Ele balançou a cabeça negativamente. — Não. Essas são as vantagens de trabalhar para um homem rico. Assistentes pessoais ganham presentes pessoais às vezes.

— Não assim — resmungou ela, parecendo infeliz. — Qual é o salário?

E os benefícios?

Zane citou um salário anual e explicou os benefícios, pelo menos, até onde sabia. Ele tinha um departamento de recursos humanos que lidava com aquele tipo de coisa.

— Ai, meu Deus. É demais.

— Não é muito mais do que paguei ao meu último assistente — insistiu Zane. — E isso foi há alguns anos. — Ele fez uma pausa e acrescentou: —

Eu realmente preciso de você, Ellie. Depois do que aconteceu, duvido que eu consiga confiar em outra pessoa para fazer esse trabalho.

Ele prendeu a respiração ao vê-la franzir a sobrancelha com expressão pensativa. Zane se perguntou o que ela estaria pensando, mas não queria interrompê-la para perguntar.

— Ok, vou aceitar. O que quer que eu faça primeiro, chefe? —

perguntou ela em tom brincalhão.

Zane soltou um longo suspiro de alívio. — Eu quero que você fique bem e feliz — resmungou ele. — Nada de trabalho até se sentir pronta.

Ela assentiu imediatamente. — Estou pronta. — Espertinha — retrucou ele.

— Zane, já estou entediada — disse ela. — Dê-me alguma coisa para fazer. — Vamos até a cidade. Preciso cortar meus cabelos e eu gostaria de dar uma olhada na nova livraria.

Ellie correu a mão pelos próprios cabelos. — Também preciso cortar os meus. Eu mesma ia cortá-los, mas fiquei com medo de estragá-los porque não consigo ver direito na parte de trás.

— Então vamos. — Ele saltou da cadeira e estendeu a mão. Esperando.

Vamos, querida. Pegue a minha mão. Deixe eu ajudar você, caralho.

— Precisamos ir ao mercado. Não consigo cozinhar sem ter ingredientes. Precisamos de mais comida.

Zane não deixou de perceber o medo que surgiu no rosto dela ao falar sobre precisar de suprimentos. Obviamente, ter pouca comida na casa a deixava com medo. — Vamos encher os armários. Prometo.

Ele a levaria para jantar fora naquela noite e depois poderiam fazer outras compras. Zane tinha certeza de que seria seguro ir até a cidade. A imprensa já teria desistido e procurado uma história nova ou ainda estaria acampada do lado de fora do hospital em Denver.

Tate mencionara que cuidaria do problema e Zane não fizera perguntas.

Conhecendo seu irmão mais novo, ele criara uma boa história e conseguira afastar todo mundo de Rocky Springs.

Zane quase gemeu de prazer quando Ellie colocou a mão pequena na dele e deixou-o puxá-la para que ficasse de pé. A forma como ela confiava nele o deixava emocionado, especialmente depois de tudo pelo que passara.

Quando o pênis enrijecido ameaçou abrir o zíper da calça, Zane soube que, se o toque da mão dela o deixara assim, seria uma noite muito longa.