Contos para a Infância

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 11 de 88

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Contos para a Infância

Alberto

«Tive sim, mamã, tive muita pena.»

«Ora bem, o que é que no teu corpo estava desconsolado e triste? eram os braços?»

«Não, mamã.»

«Eram as orelhas?»

«Oh! não mamã, era cá dentro.»

«Esse lá dentro, Maria, é a tua alma que se alegra ou se entristece, que te reprehende quando fazes o mal, e que está satisfeita quando praticas o bem.

 

Alberto

 

Alberto tinha seis annos. Era filho de um jardineiro. Via seu pae e seus irmãos, que eram activos e laboriosos, plantar arvores e fazer sementeiras, que nasciam, cresciam e davam fructo. Tinha visto um unico feijão produzir cem feijões e muitas vezes mais, e de uma talhada de batata nascerem quarenta batatas magnificas; sabia que a terra pagava com juros exorbitantes o que lhe emprestavam. Um dia achou uma libra no quarto do pae, e foi enterral-a immediatamente no seu jardimzinho. «Ha de nascer uma arvore, dizia elle comsigo, que dará libras como uma cerejeira dá cerejas, e irei entregal-as ao papá, que ficará muito contente.» Todas as manhãs ia ver se a libra tinha nascido, mas não rebentava nada. Entretanto o pae procurava a libra por toda a parte. Por fim perguntou ao Albertinho se a tinha visto.