Contos para a Infância
A canção da cerejeira
«Vi papá; achei-a e fui semeal-a.»
«Como, semeal-a? doido! julgas talvez que vae nascer como uma couve?»
«Mas, papá, ouvi dizer que o oiro se encontrava na terra.»
«É verdade, mas não nasce como uma semente; o oiro não tem vida.»
Desenterrou-se a libra, e Alberto foi castigado por dispor do que lhe não pertencia.
Ha comtudo, meus filhos, uma maneira de semear o oiro, fazendo-lhe produzir os mais bellos fructos que existem no mundo. Quereis saber como é? é dando-o aos pobres. Faz-se no Paraizo a colheita d'essa sementeira.
A canção da cerejeira
Disse Deus na primavera: «Ponham a mesa ás lagartas!» E a cereijeira cobriu-se immediatamente de folhas, milhões de folhas, fresquinhas e verdejantes.
A lagarta, que estava dormindo dentro de casa, acordou, espreguiçou-se, abriu a bocca, esfregou os olhos e poz-se a comer tranquillamente as folhinhas tenras, dizendo: «Não se póde a gente despegar d'ellas. Quem é que me arranjou este banquete?»
Então Deus disse de novo: «Ponham a mesa ás abelhas!» E a cereijeira cobriu-se immediatamente de flores, milhões de flores delicadas e brancas.