Contos para a Infância

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 12 de 88

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Contos para a Infância

A canção da cerejeira

«Vi papá; achei-a e fui semeal-a.»

«Como, semeal-a? doido! julgas talvez que vae nascer como uma couve?»

«Mas, papá, ouvi dizer que o oiro se encontrava na terra.»

«É verdade, mas não nasce como uma semente; o oiro não tem vida.»

Desenterrou-se a libra, e Alberto foi castigado por dispor do que lhe não pertencia.

Ha comtudo, meus filhos, uma maneira de semear o oiro, fazendo-lhe produzir os mais bellos fructos que existem no mundo. Quereis saber como é? é dando-o aos pobres. Faz-se no Paraizo a colheita d'essa sementeira.

 

A canção da cerejeira

 

Disse Deus na primavera: «Ponham a mesa ás lagartas!» E a cereijeira cobriu-se immediatamente de folhas, milhões de folhas, fresquinhas e verdejantes.

A lagarta, que estava dormindo dentro de casa, acordou, espreguiçou-se, abriu a bocca, esfregou os olhos e poz-se a comer tranquillamente as folhinhas tenras, dizendo: «Não se póde a gente despegar d'ellas. Quem é que me arranjou este banquete?»

Então Deus disse de novo: «Ponham a mesa ás abelhas!» E a cereijeira cobriu-se immediatamente de flores, milhões de flores delicadas e brancas.