Contos para a Infância
O pinheiro ambicioso
«Ouvi dizer, disse elle, que vossa alteza gosta do meu cavallo; não tenho querido trocal-o a dinheiro, mas dignae-vos permittir-me que vol-o offereça.»
O principe viu immediatamente onde o nosso homem queria chegar, e disse comsigo: «Deixa estar, tratante, que te vou dar a paga que mereces:
Depois dirigindo-se a elle:
«Acceito a tua dadiva, mas não sei como agradecer-t'a condignamente. Oh! espera um pouco: Eis aqui um cesto de batatas mais saborosas do que faisões. Custaram-me trinta geiras de terra. Parece-me que é um bom preço para um cavallo, que eu poderia ter comprado por sessenta libras.»
E entregando-lhe o cesto, mandou-o embora.
O pinheiro ambicioso
Era uma vez um pinheiro, que não estava contente com a sua sorte. «Oh! dizia elle, como são horrorosas estas linhas uniformes de agulhas verdes, que se estendem ao longo dos meus ramos! Sou um pouco mais orgulhoso que os meus visinhos, e sinto que fui feito para andar vestido de outro modo. Ah! se as minhas folhas fossem de oiro!»
O Genio da montanha ouviu-o, e no dia seguinte pela manhã acordou o pinheiro com folhas de oiro. Ficou radiante de alegria, e admirou-se, pavoneou-se todo, olhando com altivez para os outros pinheiros, que, mais sensatos do que elle, não invejavam a sua rapida fortuna. Á noite passou por alli um judeu, arrancou-lhe todas as folhas, metteu-as n'um sacco, e foi-se embora, deixando-o inteiramente nu dos pés á cabeça.