Contos para a Infância

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 35 de 88

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Contos para a Infância

Os cinco sonhos

--Ai! que sitio medonho onde eu estive fechada!

A avó saiu também contentissima por ver outra vez a luz do dia.

O lobo continuava a dormir profundamente, e o caçador metteu-lhe então duas grandes pedras na barriga, coseu tudo, e escondeu-se com a avó e a neta para verem o que se ia passar.

Decorrido um instante o lobo accordou, e como tinha sede, levantou-se para ir beber ao lago. Ao andar ouvia as pedras baterem uma na outra, e não podia comprehender o que aquillo era; com o peso, caiu no lago, e affogou-se.

O caçador tirou-lhe a pelle, comeu os bollos e bebeu o vinho com a velha e a sua neta. A velha sentia-se remoçar, e o chapellinho encarnado prometteu não tornar a passar na floresta, quando sua mãe lh'o prohibisse.

 

Os cinco sonhos

 

Andando um dia Carlos Magno á caça com uma comitiva numerosa, perseguiu um veado, que dava taes saltos, e corria por tal fórma, que, apesar da ligeireza do seu cavallo, o rei perdeu-lhe completamente a pista. Foi só então que viu que estava só, tendo a sua côrte ficado muito para traz; sentindo-se fatigado, entrou ao cair da noite n'uma choupana solitaria no meio da floresta. Em roda da lareira estavam deitados quatro ladrões. Os salteadores levantaram-se logo, como despertados pelo barulho da entrada do viajante; cada um d'elles tinha tido um sonho, que lhe quizeram logo contar.