Contos para a Infância
A egreja do rei
O primeiro que tomou a palavra exprimiu-se d'esta maneira:
--No meu sonho, tirava eu o capacete d'ouro á pessoa que acaba de entrar aqui, e punha-o na minha cabeça.»
--Eu, disse o outro, sonhei que vestia a sua couraça.»
--E eu que estava pondo o seu manto.»
--E eu, disse o quarto ladrão, para lhe fazer favor, passava em roda do meu pescoço aquella pesada cadeia d'ouro, da qual está pendurada a sua trompa de caça.»
--Vejo bem, disse o imperador, que teem tenção de me roubar tudo, e mesmo a vida. Reconheço que estou em poder de vocês, e que toda e qualquer resistencia seria inutil. Não lhes peço senão uma cousa, é que me deixem tocar pela ultima vez na minha trompa de caça.»
Os salteadores responderam que consentiam, visto que o ultimo pedido d'um moribundo deve ser respeitado.
Carlos Magno levou á boca a sua magnifica trompa de marfim, e tirou d'ella sons tão fortes e sonoros, que em menos d'alguns minutos todos os seus companheiros de caça e a sua comitiva estavam ao pé d'elle.
--Agora, disse o imperador, dirigindo-se aos salteadores, agora tambem eu devo contar o sonho que tive. Sonhei que vocês todos iam ser enforcados diante d'este casebre.»
E o sonho realisou-se immediatamente.
A egreja do rei