Contos para a Infância

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 32 de 88

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Contos para a Infância

Os tres véos de Maria

Quando chegou a vez do quarto filho, tiveram de lhe metter nas mãos as flechas e o arco: mas, desde que olhou para o alvo, arrojou as armas longe de si, e desatou a chorar:

--«Oh! meu pae! meu querido pae! exclamou elle, como poderei eu jámais consolar-me de ver o teu corpo crivado de flechas pela mão de teus proprios filhos!»

Os grandes da côrte ouvindo isto proclamaram-n'o rei, como sendo o mais digno.

 

Os tres véos de Maria

 

O primeiro véo de Maria era d'um linho mais alvo do que a neve. Bordára-o com as suas mãos, e ornara-o com uma grinalda de flores de seda tão bem imitadas, que as abelhas, illudidas, vinham pousar-lhe em cima.

Este véo branco só o trouxe uma vez, no dia da sua primeira communhão.

O segundo véo de Maria era de lã negra. Principiou-o no mesmo dia em que sua mãe lhe morrêra, deixando-a sósinha, sem amparo, na casa triste e abandonada. Era bordado de perpetuas roxas, como as dos sepulchros de marmore, e os olhos de Maria tinham-n'o orvalhado com todas as suas lagrimas.

O véo negro só o trouxe uma vez,--no dia em que se tornou esposa de Jesus no convento da Ave-Maria.