Contos para a Infância

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 21 de 88

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Contos para a Infância

A urna das lagrimas

--Ah! acudiu o pae, foste um pouco guloso, mas na tua edade não admira; espero que quando fores maior te has de corrigir.»

--Pois eu cá, disse um terceiro, apanhei o caroço que o meu irmão deitou fóra, quebrei-o, e comi o que estava dentro, que era como uma noz. Vendi o meu pecego, e com o dinheiro hei de comprar coisas quando for á cidade.»

O pae meneou a cabeça:

--Foi uma idéa engenhosa, mas eu preferia menos calculo.

--E tu, Eduardo, provaste o teu pecego?

--Eu, meu pae, respondeu o pequeno, levei-o ao filho do nosso visinho, ao Jorge, que está coitadinho com febre. Elle não o queria, mas deixei-lh'o em cima da cama, e vim-me embora.

--Ora bem, perguntou o pae, qual de vós é que empregou melhor o pecego que eu lhe dei?

E os três pequenos disseram á uma:

--Foi o mano Eduardo.

Este no entanto não dizia palavra, e a mãe abraçou-o com os olhos arrazados de lagrimas.

 

A urna das lagrimas