Contos para a Infância
A urna das lagrimas
--Ah! acudiu o pae, foste um pouco guloso, mas na tua edade não admira; espero que quando fores maior te has de corrigir.»
--Pois eu cá, disse um terceiro, apanhei o caroço que o meu irmão deitou fóra, quebrei-o, e comi o que estava dentro, que era como uma noz. Vendi o meu pecego, e com o dinheiro hei de comprar coisas quando for á cidade.»
O pae meneou a cabeça:
--Foi uma idéa engenhosa, mas eu preferia menos calculo.
--E tu, Eduardo, provaste o teu pecego?
--Eu, meu pae, respondeu o pequeno, levei-o ao filho do nosso visinho, ao Jorge, que está coitadinho com febre. Elle não o queria, mas deixei-lh'o em cima da cama, e vim-me embora.
--Ora bem, perguntou o pae, qual de vós é que empregou melhor o pecego que eu lhe dei?
E os três pequenos disseram á uma:
--Foi o mano Eduardo.
Este no entanto não dizia palavra, e a mãe abraçou-o com os olhos arrazados de lagrimas.
A urna das lagrimas