Contos para a Infância
O ouro
--N'isto que eu vejo, disse a mãe afflictissima, não distingo qual era a sorte que Deus destinava ao meu filho.»
--Não posso dizer-t'o, respondeu a Morte. Mas repito-te, em tudo isto que te appareceu viste o que no mundo havia de succeder ao teu filho.»
A mãe desvairada, lançou-se de joelhos exclamando: Supplico-te, dize-me: era a sorte infeliz a que lhe estava reservada? Não é verdade! Falla! Não me respondes? Oh! na duvida, leva-o, leva-o, não vá elle soffrer desgraças tão horriveis. O meu querido filho! Quero-lho mais que á minha vida. As angustias que sejam para mim. Leva-o para o reino dos ceos. Esquece as minhas lagrimas, as minhas supplicas, esquece tudo o que fiz e tudo o que disse.»
--Não te comprehendo, respondeu a Morte: Queres que te entregue o teu filho ou que o leve para a região desconhecida de que não posso fallar-te!» Então a mãe allucinada, convulsa, torcendo os braços, deitou-se de joelhos e dirigindo-se a Deus exclamou: «Não me ouças, Senhor, se reclamo no fundo do meu coração contra a tua vontade que é sempre justa! Não me attendas meu Deus!»
E deixou cair a cabeça sobre o peito, mergulhada na sua agonia dilacerante.
E a Morte arrancou o pequenino açafroeiro, e foi transplantal-o no jardim do paraiso.
O ouro