Cruzadas
II. As cruzadas como uma confrontação entre o Oriente e o Ocidente
Os contatos com o Oriente favoreceram o nascimento de uma civilização original nos
Estados Cruzados? Algumas influências superficiais foram exercidas sobre os costumes dos
francos: modas ou roupas orientais ou a freqüência a banhos públicos. Mas, sob tais
aparências, apenas ocorria uma adaptação ao meio ou a uma vida urbana mais desenvolvida,
enquanto o modelo geral da vida permanecia profundamente ocidental, como se pode
comprovar claramente pelos sistemas de organização administrativa e jurídica. A mesma
observação serve para as criações artísticas e intelectuais da Síria franca. Deve-se admitir
que muitas vezes foram chamados artistas Sírios ou bizantinos: a igreja da Natividade, em
Belém, foi decorada por artistas enviados por Manuel Comneno; as miniaturas do saltério da
Rainha Melisande (1143-1151) foram inspiradas em modelos bizantinos; artesãos gregos,
árabes e sírios trabalharam na decoração do palácio dos d’Ibelin, hoje demolido, que era
cheio de fontes e estátuas e tinha pavimentos de mármore. Todavia, a maior parte das obras
criadas nesse período por toda a Palestina, quer se trate de edifícios religiosos, como a igreja
do Santo Sepulcro, as catedrais de Tortosa, Djibelete e de Beirute ou a igreja de Nossa
Senhora de Nazaré ou de obras literárias, como La Chanson des Chétifs [A canção dos
prisioneiros] ou as obras históricas de Foucher de Chârtres, Guillaume de Tiro ou Felippo de
Novara, permaneceram fiéis ao estilo ocidental. Os monumentos, na maior parte em estilo
romano, mostravam a influência predominante dos franceses (particularmente os oriundos da
região do Midi, no centro da França) sobre a sociedade e a civilização dos francos nos
Estados da Terra Santa, em seu apogeu do século XII.
II. As cruzadas como uma confrontação entre o Oriente e o Ocidente
1. Bizâncio e as cruzadas – Embora dirigidas principalmente contra o Oriente Próximo
muçulmano, as cruzadas foram em geral contrárias aos interesses do Império bizantino. Desse
modo, é normal que as considerações políticas tenham determinado a atitude dos bizantinos
para com as cruzadas. Para começar, havia uma desconfiança legítima com relação à
passagem de tropas tão numerosas através do Império e às inevitáveis tropelias e conflitos que
seriam provocados; isso foi complicado ainda mais pela presença nesses exércitos, a partir da
metade do século XI, de normandos, inimigos tradicionais de Bizâncio e facilmente
confundidos pelos gregos com os outros “bárbaros” ocidentais. Em outras ocasiões (por
exemplo, em 1147), em vez de participarem da cruzada, os normandos se aproveitaram dela
para atacar o Império no momento em que a maior parte de seu exército estava absorvida na
vigilância da passagem das tropas dos cruzados. Aconteceu até mesmo, mais de uma vez, uma
conjunção deliberada entre os empreendimentos guerreiros dos normandos contra Bizâncio e
as cruzadas: por exemplo, em 1106, Bohémond pregou uma cruzada antibizantina através do
Ocidente; do mesmo modo, após a derrota da Segunda Cruzada, Suger concebeu o projeto de
uma expedição franco-normanda contra Bizâncio, o que ainda foi sugerido durante a cruzada
de Henrique VI.63 Mesmo sem esses casos comprovados, a simples coincidência de ataques
normandos com a passagem das tropas destinadas a uma cruzada já era o suficiente para
justificar amplamente a desconfiança dos bizantinos.
Por outro lado, as medidas tomadas para a simples proteção do Império (supervisão militar da passagem dos exércitos cruzados, aliança de Manuel Comneno com os turcos seljúcidas ou
de Isaac Angelos com Saladino) provocaram acusações de traição. Desde a Primeira Cruzada,
mas principalmente depois que as tropas da retaguarda dos cruzados foram derrotadas em
1101, Aléxis Comneno era referido como “pérfido, perjuro e traidor”. A temática da “perfídia
grega”, amplificada pela propaganda espalhada por seus inimigos normandos, retornou a
partir de então em todos os relatos das cruzadas e forneceu uma explicação fácil para os
fracassos das diversas expedições, provocados pelos pecados dos grandes e dos prelados e
pela vontade divina de castigá-los. Em 1204, idêntica acusação justificou duplamente a
conquista de uma cidade considerada como “traidora” da cruzada e de seus soberanos
bizantinos legítimos, ao mesmo tempo em que, do lado grego, a mesma cruzada tenha sido
condenada definitivamente como apenas o pretexto para “uma expedição de pirataria”,
acusação parcialmente justificada, porque os venezianos, desejosos de vingança, haviam
utilizado a cupidez dos latinos pelas riquezas de Bizâncio. Politicamente, as cruzadas do
século XII não eram mais que uma manifestação da hostilidade dos latinos com relação ao
Império Bizantino, e seus objetivos religiosos eram tão somente uma fachada.
Tudo considerado, a própria noção de cruzada é incompreensível para um bizantino: as
lutas constantes do Império contra os persas ou contra o Islã nunca haviam assumido o caráter
de uma guerra santa. As guerras travadas pelo imperador Heráclio contra os persas nunca
foram “cruzadas”, por mais que o Ocidente as quisesse interpretar desse modo a partir da
Idade Média. 64 No final do século X, na época em que o imperador Nicéforo Focas
empreendia na Síria setentrional expedições de reconquista que seu sucessor João Tzimisces
levou até a Palestina, o patriarca de Constantinopla se recusou a atender ao pedido do
imperador no sentido de honrar com o título de mártir os soldados mortos no combate aos
infiéis. Fiel ao cristianismo primitivo, a Igreja Bizantina era hostil ao emprego de armas pelos
leigos – o Cânone de São Basílio privava da comunhão durante três anos todos aqueles que
tivessem “cometido algum assassinato durante as guerras” – a fortiori [muito especialmente]
quando tivesse sido executado por algum clérigo. Em diversas ocasiões, padres ou monges
ortodoxos foram depostos de seus cargos ou condenados pelo direito canônico por terem
tomado armas contra os turcos. Desse modo, o espetáculo de padres latinos participando
pessoalmente dos combates encheu Anna Comneno de indignação. Mesmo que esse fato, aliás
também reprovado pelos costumes latinos, provavelmente tenha sido mais raro do que ela
parecia crer, demonstra bem a significação do abismo ideológico que separava as
mentalidades Latina e Grega em tal época.
Apesar dessas diferenças, a consciência de uma comunidade de religião permaneceu viva
ao longo de todo o século XII. Dos dois lados, esse argumento foi constantemente invocado
para resolver diferenças ou opor-se a hostilidades; os Franceses, por exemplo, recusaram-se a
atacar Constantinopla em 1147, apesar de terem sido incitados a fazê-lo pelo bispo de
Langres. Durante a tomada de Zara, um partido chefiado por Simon de Montfort e pelo abade
de Vaux de Cernay se recusou a atacar “uma cidade de cristãos” e a seguir também manifestou
oposição à conclusão de um acordo com Aléxis, o Jovem, porque isso “era o mesmo que
marchar contra cristãos, e eles não tinham partido de seus lares para executarem tal coisa”. A
tese oficial da legitimidade da ação contra um país cismático ocupa um lugar secundário até mesmo no relato de Villehardouin e, a julgar pelo testemunho de Robert de Clari, pareceu
muito pouco convincente a muitos dos cruzados. A consciência do cisma, portanto, nunca
chegou a ultrapassar os meios eclesiásticos; os eventos de 1204 provocaram a conjunção de
uma série de fatores políticos e religiosos e foram os que realmente criaram a separação. O
ódio aos latinos, ainda mais forte que o ódio aos turcos, tornou-se o principal elemento da
consciência nacional bizantina, inseparável da ortodoxia.
2. O Islã e as cruzadas – Os fatos demonstram que as cruzadas não constituíram em
absoluto uma resposta à “guerra santa” islâmica: no final do século XI, o ideal da jihad tinha
perdido sua força de atração e só era conservado nas fronteiras orientais e na Ásia Menor
pelos turcomanos que, sob a forma de ghaswa (incursões) realizavam pilhagens, ou no Sahara,
pelos Murâbitûn. Por outro lado, o Ocidente latino se achava em uma fase de expansão às
custas dos territórios islamitas, especialmente na Espanha e na Sicília. Em termos de doutrina,
a situação era inversa: a guerra santa católica só podia ser defendida em termos de defesa e
libertação dos cristãos oprimidos ou da Terra Santa, no que se referia às cruzadas, mesmo que
esses motivos servissem para justificar conquistas territoriais; já a jihad, segundo a
interpretação de alguns versículos do Alcorão (por exemplo, 29 da Nona Surata ou 4 e 5 da
Surata 47), cujo peso rapidamente seria transmitido pela tradição a outras passagens menos
belicosas invocadas em seu apoio, é uma guerra ofensiva destinada a submeter os infiéis, pelo
menos até que estes reconheçam a 65 sharia, a lei do Islã. Na prática, a sociedade muçulmana
medieval reconhecia a existência em seu meio de comunidades de não-crentes, especialmente
judeus e cristãos, aos quais concedia a dhimma, hospitalidade e proteção, desde que eles
reconhecessem em troca a autoridade muçulmana estabelecida, pagando um imposto per cápita
denominado djizya que, ao mesmo tempo, os distinguia e determinava sua condição social de
inferioridade. Por seu lado, os diversos Estados cristãos do Oriente ou da Sicília permitiam
que as comunidades muçulmanas conservassem suas instituições administrativas e judiciárias
próprias (cádis e muftis) e mesmo uma liberdade de culto relativa. Desse modo, as condições
correspondentes entre francos e árabes em seus respectivos territórios eram mais semelhantes
do que geralmente se acredita. Os excessos das primeiras cruzadas, durante a tomada de
Maarat-an-Numan ou de Jerusalém – que eram, afinal de contas, uma característica clássica de
todo assalto, quaisquer que fossem os assaltantes – haviam sido sucedidos por uma coabitação
aceitável. O historiador moderno deveria evitar a emissão de julgamentos anacrônicos sobre
eventos antigos dominados por outros tipos de mentalidade.
As cruzadas chegaram a causar uma grande impressão sobre o mundo islamita? Sem
dúvida, os muçulmanos ignoravam seus motivos religiosos – nunca criaram um termo
particular para designar os cruzados, que sempre foram referidos como “francos”, não
importando sua origem. Essas expedições, bastante reduzidas quando finalmente chegavam à
Síria, não pareciam representar uma maior ameaça para os países islâmicos que as sucessivas
ofensivas bizantinas do final do século X. Entretanto, diferentemente destas últimas, as
cruzadas criaram estabelecimentos cristãos duradouros nas margens do Oriente Próximo
muçulmano. Foi unicamente a persistência dessa implantação franca que provocou uma certa
reação muçulmana. Mas é preciso não exagerar sua extensão: os relatos sobre as ofensivas dos cruzados ocupam um lugar restrito nas crônicas árabes, com exceção de algumas crônicas
de autores originários das regiões vizinhas aos Estados francos – por exemplo, os manuscritos
de Ibn-al-Qalanisi e de Ibn-al-Atir. Foi unicamente a opinião pública das regiões ameaçadas
ou lesadas – em primeiro plano a Síria setentrional, que perdeu seus territórios costeiros,
justamente os mais ricos e foi atingida profundamente em suas relações comerciais marítimas
e terrestres com o Egito –, que manifestou uma verdadeira hostilidade com relação aos
cruzados. Ainda que outros países árabes tivessem contribuído com tropas ou dinheiro para a
luta contra os francos, mesmo que a inação dos califas ou dos governantes locais tenha
algumas vezes dado margem a manifestações de fanáticos em Bagdá ou em Damasco, a
unidade islâmica não pode ser comparada em um só momento com a da cristandade ocidental.
A guerra contra os francos foi travada essencialmente pelos primeiros príncipes ayubidas e
mais tarde pelos mamelucos. Seria errôneo acreditar que as cruzadas tivessem provocado
“contracruzadas”. Mesmo que os velhos temas da jihad e a posição de Jerusalém entre os
lugares santos islâmicos tenham provocado uma renovação do interesse bélico-religioso
durante o século XII, a guerra santa islâmica foi mais um meio para reunir a Djazirá com a
Síria, unificar árabes e curdos, aliar a Síria com o Egito e eliminar os grupos xiitas do que o
motivo para uma unificação política e religiosa contra os invasores. Por outro lado, o
estabelecimento de um estado militar no Egito no século XIII pode ser considerado como uma
conseqüência direta das cruzadas; a intolerância desse estado com relação aos dhimmis,
particularmente àqueles não-crentes que se haviam aliado com os francos ou com os mongóis
(os maronitas foram expulsos das cidades costeiras para o interior do Líbano, enquanto os
armênios da Cilícia eram massacrados durante o século XIV), era melhor explicado pelo
temor de ver os mongóis, apoiados pelos francos, destruírem o estado muçulmano mais
florescente dessa época.
Nem as cruzadas, nem o estabelecimento de cruzados no Oriente Próximo, por outro lado,
favoreceram o conhecimento recíproco das duas civilizações. Seus contatos mútuos foram
muito mais fecundos na Espanha, na Sicília e, até certo ponto, em Constantinopla a partir de
1204. Para tomarmos somente um exemplo, a primeira tradução do Alcorão foi feita em
Castela mediante ordem de Pedro, o Venerável (1143), e as obras de Aristóteles chegaram ao
Ocidente principalmente através da Espanha. Não resta dúvida de que, em certas ocasiões, os
francos da Palestina se interessaram pelo mundo árabe, cuja língua haviam aprendido. Renaud
de Sidon encomendou comentários sobre as obras árabes e Guillaume de Tiro pretendia
mesmo escrever uma história dos príncipes do Oriente, mas esse conhecimento foi privilégio
apenas de uns poucos, sem que se expandisse através do Ocidente.
Diretamente, a influência das cruzadas foi muito mais negativa. Como toda propaganda,
aquela feita em favor da cruzadas, particularmente as excitatoria nos documentos oficiais, se
esforçou para desnaturar a imagem dos inimigos. Houve acusações de idolatria, comuns desde
a Primeira Cruzada66, repetidas sob diversas formas até mesmo em Roger Bacon – chegou-se
a afirmar que o objeto de veneração em Meca era um ídolo de Vênus e que uma estátua de
Maomé fora erguida em Jerusalém para ser adorada pelos muçulmanos! A estas foram sendo
reunidas acusações de imoralidade e, paradoxalmente, de que a religião maometana louvava e
justificava a violência.
Na verdade, esta última reprovação partiu principalmente de missionários, como Riccoldo
de Monte Croce (final do século XIII) e de Juan de Segóvia (século XV), persuadidos de que
o Cristianismo era incompatível com a violência e que apenas argumentos racionais
conduziriam à conversão dos muçulmanos. As cruzadas, para falar a verdade, serviram
principalmente para fazer a cristandade ter de enfrentar o problema da existência de uma
massa considerável de descrentes de cuja amplitude não fazia a menor idéia anteriormente.
Pedro, o Venerável já acreditava que os muçulmanos constituíam um terço da humanidade ou
mesmo a metade da população mundial e se dirigiu a eles, com um certo grau de retórica, da
seguinte maneira:
Eu vos ataco, não como o fazem freqüentemente os nossos guerreiros pela força das armas, mas sim pela palavra; não pelo
uso da força, mas pelo da razão; não pelo poder do ódio, mas pelo poder do amor. [...] Eu vos amo e é por amor que vos
escrevo, porque, quando vos escrevo, eu vos convido a aceitardes a salvação.
Mas as “disputas racionais” assim buscadas foram de fato muito raras e, falando
francamente, os missionários franciscanos ou de outras ordens buscavam mais o martírio nos
países muçulmanos do que a conquista da almas. Guillaume de Trípoli alegou ter feito
numerosas conversões na Palestina, mas, segundo tudo leva a entender, as passagens de
cristãos, latinos ou não, para o islamismo foram muito mais numerosas. Contudo, alguns
missionários ao menos transmitiam para o Ocidente uma imagem mais verídica do Islã: o
próprio Riccoldo louva nos muçulmanos a interioridade da prece, a santidade do nome de
Deus, a prática da esmola e da hospitalidade. Um conceito bem distante das imagens
caricaturais do início das cruzadas. Ao contribuírem para alargar o horizonte geográfico e
mental da cristandade do século XII, as próprias cruzadas estavam elaborando uma das causas
de seu declínio.
42. Veja uma bibliografia sumária no final deste volume. (N.A.)
43. Isso subentendia a crença de que Jerusalém, antigamente bizantina, tomada pelos persas e depois reconquistada pelo imperador Heráclio, em 630, mais adiante transformada em um “protetorado” pelo imperador franco Carlos Magno, pertencesse por direito aos cristãos. (N.A.)
44. Segundo o menestrel-cavaleiro Walther von der Vogelweide, o próprio imperador é apenas o “primeiro vassalo” de Deus, que é o suserano supremo. (N.A.)
45. O “Deus dos Exércitos” ou o “Senhor dos Exércitos”, citado em Êxodo, reis, Crônicas, Salmos, Isaías etc. (N.T.)
46. O “Israel de Deus” ou o “Novo Israel” que substituía os judeus por terem rejeitado Jesus, o Messias cristão, com base nas Epístolas de São Paulo. (N.T.)
47. O interesse manifestado por esses acontecimentos provavelmente explica, pelo menos em parte, o súbito interesse manifestado pelo Antigo Testamento em todas as classes sociais, cujas traduções em línguas européias se multiplicaram, com ou sem a aprovação da Igreja: a multidão dos analfabetos escutava a leitura dos poucos eruditos. (N.A.)
48. História anônima da Primeira Cruzada, edição Bréhier, p. 155. (N.A.)
49. La doit-on faire chevalerie / Où on conquiert Paradis et honor / Et pris et los et l’amour de sa mie. (N.T.)
50. Esse ideal encontra sua expressão mais perfeita no ciclo de poemas sobre A busca do Santo Graal. (N.A.)
51. Os punhos das espadas tinham o formato de cruzes e seu choque violento contra uma parte do corpo provocava o surgimento de um hematoma cruciforme. Os cavaleiros também beijavam essas empunhaduras em compromisso de um juramento, como se beijassem a própria cruz. (N.T.)
52. Ecos dessas lendas são o sebastianismo português e nordestino. El-rei Dom Sebastião morreu em combate contra os mouros no norte da África, já no final do século XVI (1577 ou 1578), e seu corpo nunca foi encontrado. Descendente de godos, esse “rei Louro” deveria ressuscitar e conduzir Portugal à vitória. A crença permaneceu viva no nordeste brasileiro pelo menos até o tempo da Revolta de Canudos, comandada por Antônio Conselheiro, cuja pregação religiosa era monarquista e sebastianista. (N.T.)
53. Revoltas periódicas de camponeses (apelidados de jacques), que geralmente ocorriam em períodos de escassez. (N.T.)
54. Ao escutar a pregação de uma cruzada contra Manfred, as multidões inglesas, segundo escreveu Mathieu Paris, “ficavam espantadíssimas ao verem que lhes prometiam as mesmas coisas para derramar o sangue de cristãos que lhes haviam sido prometidas anteriormente para derramar o dos infiéis. As sutilezas dos pregadores para justificar esses novos alvos só conseguiam provocar zombarias e riso.” (Cronica Maiora [Crônicas dos antepassados], edição Luard, v. V, p. 521). (N.A.)
55. Os gibelinos constituíam um partido político basicamente aristocrático na Itália medieval, que apoiava a autoridade dos imperadores do Sacro Império Romano-Germânico, em oposição aos guelfos, partidários das pretensões materiais e políticas (seculares) do papado. (N.T.)
56. Naturalmente, a dinastia capetiana francesa, de acordo com Pierre Dubois; ver supra, na p. 80. (N.A.)
57. Clercs et prélats doivent venger / La honte Dieu puis qu’ils ont sa rente / Ils ont à boire et à manger / Si ne leur chaut qu’il plent ou vente. (N.A.)
58. Prova disso, por exemplo, é a Collectio de Scandalis Ecclesiae [Coletânea dos escândalos eclesiásticos], uma memória compilada pelo franciscano Gilbert de Tournai e dirigida ao papa Gregório X antes do concílio de Lyon. (N.A.)
59. Roger Bacon, Opus Majus [Obras principais]. (N.A.)
60. Potros. Este termo acabou por designar não somente os filhos nascidos de casamentos mistos com sírias, muito mais raramente entre sírios e filhas de latinos, mas também todos os cristãos nascidos na Terra Santa. (N.A.)
61. Quando São Bernardo pensa na comutação de pena oferecida aos pecadores que se unirem às cruzadas, não lhe escapa a utilidade prática desta medida, conforme escreveu: “Que prazer para nós nos livrarmos destes malfeitores cruéis e que alegria para Jerusalém receber em troca ferozes defensores!” (De laude novae militiae [Sobre os louvores da nova milícia]), v. 10.) (N.A.)
62. Após os massacres realizados nos dez primeiros anos, os cruzados passaram a tolerar os muçulmanos e judeus, cuja posição social passou a ser a mesma dos cristãos não-francos. Diferentemente do que acontecia tantas vezes no Ocidente, em particular nessa época de fervor religioso, os judeus nunca sofreram pogroms no reino de Jerusalém ou nas senhorias, nem tampouco foram obrigados a usar marcas de infâmia, como a estrela de seis pontas. (N.A.)
63. Veja nas p. 58-59. (N.A.)
64. É pela descrição destes conflitos que se inicia o Relato, de Guillaume de Tiro, cuja tradução francesa medieval trazia o título de Estoire de Eracles Empereurs [História do imperador Heráclio]. (N.A.)
65. “Submissão”, em árabe. (N.T.)
66. Veja na p. 18. (N.A.).