Engenho de cana-de-açúcar na Paraíba
Usina e Fogo Morto: açúcar refinado e decadência de uma tradição
Gilberto Freyre e José Lins do Rego são meninos de engenho. Cada qual ao seu modo disseca em textos a dinâmica social própria daquele cotidiano que demarcou o início do processo de formação da sociedade brasileira. Ninguém melhor do que os dois para explicar o espaço que foi o centro econômico e social por séculos no Brasil, o engenho. E, em se tratando de uma pesquisa sobre cachaça de engenho na Paraíba, a menção a José Lins do Rego é algo obrigatório.
Das obras relativas ao mundo do engenho, duas foram selecionadas para seu entendimento: Fogo Morto e Usina. Ambas concentram esforços à análise do apogeu e decadência do engenho, assim como o subsequente poderio das usinas.
Usina 26 27e Fogo Morto: açúcar refinado e
decadência de uma tradição
Vida de engenho é aquela morosidade. Açúcar bruto, escuro, de preço baixo aliado a muitos afazeres, ainda mais com as usinas sempre maiores e dominadoras de espaços, sempre famintas por terra. Tudo induz os engenhos banguês ao fracasso, ao fogo morto, a se tornarem meros fornecedores de cana para as moendas e turbinas incansáveis que despejam açúcar branco como pó aos montes todos os dias.
Com as usinas, o senhor de engenho perdeu o prestígio de outrora. Aquele passado de glória, de mando, quando da Casa-Grande se postava soberano, havia mudado de endereço. Em tempos de usina, era só plantador de cana, vassalo do novo império que transforma como nunca, em bagaço fino e rios de caldo, os partidos de cana que chegam sem parar, dia e noite no período da colheita.
Frente à nova ordem industrial, só havia duas alternativas: uma, de se tornar agregado, fornecedor de cana; e outra, associar-se ou gerir a construção de uma nova usina, fazer frente, concorrência, encarar, enfim, o mercado de açúcar com as mesmas armas, coisa mais difícil.