Escola de equitação para moças

Anton DiSclafani · Capítulo 11 de 23

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Escola de equitação para moças

Capítulo 11

 

— Boone vem esta noite — sussurrou Sissy . — Você pode m e aj udar?

— É claro.

O risco era m enor agora que a Sra. Holm es estava fora; todo m undo sabia que ela era a responsável pela disciplina. Ela tinha partido no últim o dom ingo, depois do culto, e ficaria fora por seis sem anas. Quando voltasse, seria prim avera, o que parecia im possível: tudo estava m orto agora, exceto pelas sem pre-vivas.

Pela j anela, a noite estava um breu. Tínham os acabado de entrar naquilo que Sissy cham ava de calm aria: o m ês de fevereiro. O sol se punha lá pelas cinco horas; nós agora nos encam inhávam os para o j antar em com pleta escuridão. Sissy dizia que era a parte m ais m onótona do ano, quando nada acontecia. Mas eu gostava daquela tranquilidade.

Eu tinha voltado a m ontar. Precisei recuperar quase quatro quilos antes que a Sra. Holm es m e deixasse subir em um a sela novam ente; eu teria protestado m ais se não estivesse m ontando escondida.

Eu ainda dava aulas às m eninas Holm es, a m eu próprio pedido, pelo m enos por um tem po curto, até elas se j untarem à Sra. Holm es na casa da m ãe dela em Nova Orleans. O Sr. Holm es nos disse para escreverm os para nossas m ães e as incentivarm os a participar dos encontros do Clube de Jardinagem ou da Liga Júnior, onde sua esposa faria apresentações. Nem preciso dizer que todas as m ães eram m em bros do Clube, exceto a m inha. Ela frequentava a Cam ellia Society de Em athla, m as por causa das flores.

Observando o Sr. Holm es, constatei que ele não aparentava estar pior em relação aos seus traj es, dada a ausência da esposa.

O Sr. Holm es aparecia em nossas aulas um a ou duas vezes por sem ana, eu nunca sabia quando ele ia surgir, um espectro em poleirado na lateral do picadeiro. Sem perceber, com ecei a ficar ansiosa pela presença dele.

Perm aneci acordada naquela noite até ouvir as pedras j ogadas por Boone. Ele as lançava de form a suave, m as precisa: pelo som , parecia que Boone atingia exatam ente o m esm o local todas as vezes.

Na terceira pedra, levantei-m e.

— Sissy — sussurrei. Balancei seu om bro fino. — Sissy — repeti e apertei o braço dela.

Minha am iga estava dorm indo j á com as roupas.

Ela abriu os olhos e, quando m e viu, assustou-se.

— Sou eu — coloquei um dedo nos lábios.

Sua respiração noturna, quente e ácida, aum entou. Seria razoável pensar que um a garota tão delicada em um a situação tão delicada teria um sono leve, ou nem chegaria a dorm ir. Ela se levantou e saiu.

Nós nos am am os, ela m e contou quando explicou a gravidade da situação: não podem os ficar m uito tem po sem nos verm os. Sorri — ela deixava até o am or da vida dela à espera. Aquela m enina estava sem pre atrasada.

— Sissy ?

Rapidam ente deslizei para a cam a de Sissy : não havia luar esta noite.

— O que você está fazendo?

A voz de Mary Abbott soou sonolenta. Escutei até m e certificar de que ela tinha voltado a dorm ir. Dentre todas as garotas, ela seria a que contaria. Não por m aldade, m as porque era esquisita, tinha um a concepção estranha de hom ens, rapazes, o sexo oposto, qualquer que fosse o nom e que se quisesse dar a eles.

Eles não representavam um m istério para m im . Adorm eci pensando, m eio sonhando, que eu era Sissy. Até agora, eles só tinham trocado beij os. Mas fariam m ais, não conseguiriam se controlar. É evidente que Boone iria querer, e era com preensível: ele era um rapaz, tinha necessidades, não podia evitar.

Quando acordei, Sissy estava debruçada em cim a de m im , os cabelos m olhados. A chuva batia no telhado. Trocam os de cam a, m as tive dificuldade em voltar a dorm ir, não conseguia deixar de im aginar Sissy e Boone se abraçando.

Naquela noite carregada, insone, a am eaça não realizada: Mary Abbott não fez m enção ao fato de ter ouvido algo.

* * *

No cam inho para as cocheiras na m anhã seguinte, os pescoços das m eninas Holm es enrolados em xales, Sarabeth falou:

— Papai virá hoj e — disse alegrem ente — para m e ver.

Apertei a m ão de Decca, que eu estava segurando, e ela m e olhou curiosa. Eu m e sentia tonta, por ter dorm ido pouco, e agora feliz. Eu deveria ser m ais cuidadosa. Mas cuidadosa com o quê? Eu não estava apaixonada por ele; m etade do acam pam ento estava, pois ele era o único hom em em quilôm etros, com exceção dos cavalariços, e esses não contavam . Porém , eu gostava que ele falasse com igo com o se eu fosse adulta.

— Nós três — corrigiu rapidam ente Sarabeth, m as Rachel j á tinha ficado ofendida, olhava para a irm ã estreitando os olhos.

Sarabeth podia se dar ao luxo de ser agradável agora, j á tendo revelado a verdadeira intenção do pai. Havia m om entos em que Rachel parecia m alvada, m as, em relação a Sarabeth, eu nunca tinha certeza. Eram crianças, irm ãs que disputavam coisas pequenas. Sam e eu nunca tínham os brigado; m ais um a prova, segundo nossa m ãe, de com o tínham os sorte na vida. Ela tinha brigado com os irm ãos, e papai com o tio George. Mas Sam e eu éram os gêm eos, dois lados da m esm a m oeda.

Eu estava colocando o freio na boca de Luther quando o Sr. Albrecht nos contou que um a árvore tinha caído no nosso picadeiro na noite anterior e se espatifado contra a grade durante a tem pestade. Fiz um a pausa e o freio bateu contra os dentes de Luther, que balançou a cabeça.

— Está tudo bem — o Sr. Albrecht m e tranquilizou, afagando o focinho de Luther. — É um a árvore pequena. A m aior parte do picadeiro ainda está boa para uso.

Sarabeth guiava Luther, Decca guiava Bright, e passaram pela árvore caída.

— Faça festa no pescoço dele — eu disse para Decca, enquanto ela fazia Bright passar ao lado da árvore —, fale com ele.

Subitam ente, Bright puxou a cabeça para cim a, as rédeas estalando.

— Olhe, um pássaro. — Rachel apontou. Notei um leve arranhão verm elho no pulso dela. — Acho que está m achucado.

Eu m e aj oelhei no chão. Um a coruj a, com a cabeça de um form ato estranho, estava aninhada entre os ram os, tão castanha que se m esclava às folhas. Claram ente estava apavorada, e se lim itara a ficar im óvel porque não conseguia voar. Se Sam estivesse aqui, ele teria sabido o que fazer, teria verificado se era possível curar o m achucado na asa da coruj a. Achei que não era.

— O que vam os fazer? — perguntou Rachel, a voz chorosa.

— Deixe-a em paz — eu disse, talvez áspera dem ais.

Eu tinha perdido o bom hum or. O Sr. Holm es viria observar a aula, e agora isso. Se a coruj a tentasse deixar a árvore, os cavalos levariam um susto.

Tom ei um a decisão rápida. Sarabeth j á estava m ontando Luther. Decca j á estava pegando os estribos.

— Meninas — avisei —, não cheguem perto da árvore. A coruj a está m achucada. Ela pode assustar os cavalos. Então, fiquem longe.

Todas concordaram obedientem ente, até Rachel.

Fiquei de pé no centro do picadeiro enquanto as m eninas se aqueciam . Eu observava Sarabeth com o canto do olho, m as m antinha o foco em Decca, que agora estava aprendendo o trote elevado.

Rachel se sentou na cerca, as pernas esbeltas enroscadas nas ripas de m adeira. No início, ela perm anecia sentada ali, quieta com o sem pre, o rosto pálido tranquilo. Seus cabelos caíam em duas tranças, o que a fazia parecer m ais nova. Todas as três m eninas Holm es tinham os cabelos do pai: escuros e brilhantes.

Então, de novo com o canto do olho, percebi que Rachel desceu da cerca e cam inhou ao redor do picadeiro, tim idam ente, com o era o estilo dela, m as tam bém com velocidade.

— Rachel?

— Vou dar um a olhada na árvore.

A voz dela era lam uriosa novam ente.

— Você não se lem bra do que eu disse? Vai assustar os cavalos. — Balancei a cabeça, sem acreditar.

— Só quero dar um a espiada.

Fiz um sinal para que Decca reduzisse a velocidade de Bright.

— Rachel! — cham ei, tentando pôr um tom de aviso na voz.

Ela agiu com o se não tivesse ouvido, a silhueta esbelta inclinada para a frente. Sarabeth tinha feito Luther parar e ficou sentada ereta na sela, observando a irm ã.

— Só estou olhando — disse Rachel. — Estou m uito entediada.

— Em breve será sua vez.

Rachel continuou a cam inhar.

— Rachel! — Minha voz estava alta. Ela m e fitou, a cabeça erguida, e vi que estava m e desafiando. Minha visão estava borrada por causa do frio. — Rachel, sente-se. Agora.

Ela sorriu, e por um m om ento fiquei aliviada — ela iria fingir que estava brincando —, m as então deu m ais um passo.

— Papai está chegando — m urm urou Sarabeth, e Rachel saltou para a cerca, reassum indo sua posição de espera.

O Sr. Holm es sorriu; ele estava pensando em algum a outra coisa, estendendo a m ão com o se estivesse espantando as palavras.

Voltei-m e para Decca, m eu hum or arruinado. Eu queria que o Sr. Holm es ficasse contente.

— Faça-o trotar — ordenei.

Decca bateu as pernas.

— Suavem ente — lem brei-lhe. — Delicadam ente. O que você pede a ele deve ser um segredo. Ninguém m ais pode saber.

— Estou entediada — m urm urou Rachel, m as baixinho, para que o pai não a ouvisse.

Decca com pletou todos os exercícios, e voltei m inha atenção para Sarabeth. Quase m e esqueci de que Rachel estava lá.

— Aperte os j oelhos com m ais força! — gritei. — Relaxe os om bros.

— Decca só fica sentada lá em cim a! — gritou Rachel tam bém .

— Rachel — disse o Sr. Holm es —, agora chega.

Ela parecia que ia chorar. Fiquei contente com o tom dele. Rachel m erecia.

— Venha, Decca.

Guiei Bright para a lateral do picadeiro, perto do Sr. Holm es, de form a que Sarabeth pudesse praticar na diagonal.

— Rachel — eu disse, quando passam os por ela —, só m ais um instante. E você vai ganhar dez m inutos a m ais. Quero que seu pai vej a isso.

Ela m e ignorou. Eu sentia um prazer m aldoso em fazê-la esperar.

— Ela está aprendendo a trocar de m ão. Está vendo com o m exe com as pernas? A direita para trás, a esquerda para a frente? — Trocar de m ão era um a técnica avançada, e Sarabeth não estava realm ente preparada para realizá-la, m as Luther era um cavalo tão bem treinado, um verdadeiro instrutor, que até um m acaco teria conseguido que ele fizesse.

— E ele troca.

— Isso — concordei.

— Com o se estivesse saltando.

O Sr. Holm es tam borilava na cerca acom panhando o ritm o do m eio galope de Luther. Trocar de m ão era algo que m esm o um a pessoa com poucos conhecim entos em cavalos poderia apreciar: de fato, era quase com o saltar. Ele roía as unhas, reparei. Os hom ens não usavam aliança na época, assim não havia nada que eu pudesse falar das m ãos dele, exceto que a pele não era áspera por causa da equitação, de outro esporte ou do trabalho árduo.

— Ela é boa — com entei.

O Sr. Holm es concordou com um gesto de cabeça. Eu queria que ele se sentisse contente com as técnicas da filha, com as coisas que ela j á conseguia levar Luther a realizar, m as ele parecia distraído.

Soltei as rédeas longas do freio de Bright.

— Para baixo? — perguntei a Decca.

Então, tudo aconteceu de um a vez só. Para baixo?, perguntei, m as era m ais um a ordem do que um a sugestão. Eu havia ensinado Decca a deslizar os dois pés para fora dos estribos antes de j ogar um a perna sobre a sela; foi a sorte.

— Rachel! — disse o Sr. Holm es, quase berrando, a voz profunda parecendo rachar o ar frio. — Já chega com isso! Basta!

Agora eu tinha certeza que o Sr. Holm es estava se referindo a algum erro passado com etido por Rachel. Ela tinha estado difícil hoj e e por vários dias.

Quando olhei para eles, vi que Rachel não estava m ais na cerca, e o Sr. Holm es andava a passos largos na direção dela. Meu im pulso foi rir: nunca vira o Sr. Holm es zangado, e aquilo m e assustou. Rachel parou nos galhos da árvore, observando o pai, e com eçou a falar.

— Não! — disse ela, a princípio em tom baixo, e depois m ais alto e m ais alto até sua voz ficar bem aguda. — Não, não, não, não, não, não!

Parecia possessa. Ela estava velha dem ais para ter um ataque de birra.

— A coruj a! — gritou Decca quando a ave voou para cim a, deixando a árvore, e depois vacilou, m ergulhando desequilibradam ente na direção de Luther, que deu um passo para trás, rapidam ente, o pescoço arqueado, as orelhas apontadas para a frente.

— Thea — gritou Sarabeth, a voz trem endo. Eu m al podia ouvi-la, com o barulho que Rachel fazia. — O que eu faço?

Larguei as rédeas de Bright e corri na direção de Luther, falando de form a baixa e calm a. Com o canto do olho, vi que o Sr. Holm es se aj oelhou na frente de Rachel, as m ãos nos om bros dela.

— Está tudo bem — m urm urei —, tudo bem .

Porém , quando m e aproxim ei, a coruj a voou, passando tão perto de m im que quase a toquei. Sua asa estava envergada.

— Thea.

Eu m e virei, e Sarabeth estava apontando para a direção oposta, para o portão que eu havia deixado aberto. Bright tinha retrocedido e saído, e eu podia ver o verm elho líquido de suas narinas alargadas, o branco de seus olhos. Suas orelhas estavam baixas contra a cabeça. Ele em pinou rapidam ente, e Decca caiu contra seu pescoço.

— Escorregue para sair! — gritei. — Escorregue e saia!

Rachel ainda estava berrando, e tive que gritar o m ais alto que consegui para ser ouvida, e ainda assim não foi alto o suficiente.

Bright disparou então, com o eu sabia que ele faria, e correu para as cocheiras. Era o pior tipo de erro, o erro de um novato, deixar o portão com o trinco aberto. E eu m e lem brava, com toda a clareza, de não tê-lo fechado: um m inuto de descuido, na m esm a categoria de deixar um a cilha frouxa dem ais.

— Thea — disse o Sr. Holm es, e ele soava quase calm o. — Faça o cavalo parar.

Saí correndo à m edida que Bright desaparecia. Quando virei a esquina, eu o vi correndo a toda velocidade agora, m uito rápido, com o os cavalos fazem quando estão apavorados. Decca grudou na sela. Ela não tom baria agora a não ser que provocasse a queda. Mas estava paralisada.

Os grupos de m ontaria tinham todos parado em suas pistas, um a dúzia de cavalos im óveis, as orelhas em pinadas, esperando para reconhecer a causa do alarm e. Alice Hunt observava a m im , não a Bright, seu rosto, um a m áscara de horror. O fato de que eu provoquei um a reação até m esm o em Alice Hunt, que nunca parecia reagir a nada, m e apavorou. Leona m e encarava fixam ente, o rosto largo im passível: ela balançou a cabeça um a vez, com o se soubesse que as aulas que eu dava para as m eninas iriam acabar em um a catástrofe.

O Sr. Albrecht subiu na cerca, gritando:

— Vire agora, vire agora, agora, agora.

As palavras dele ganharam um ritm o particular, até que pareceu que o Sr. Albrecht estava dizendo: “Ora, ora, ora”, as vogais eram entoadas em pânico.

— Faça o cavalo parar — ouvi atrás de m im —, faça o cavalo parar agora!

A instrução era inútil. Decca gritava, um som horrível, com o se fosse um gem ido, e tapei os ouvidos com as m ãos. Foi então que Bright deu um a guinada para a esquerda na cabeceira da pista: Decca caiu para o outro lado, para a direita. A cabeça dela não bateu: foi um golpe de sorte. Poderia facilm ente ter batido. Ela fez um a queda lim pa, escorregou da sela de m aneira quase graciosa.

O Sr. Holm es tocou m eu om bro quando passou por m im correndo, e caí no chão.

— Cham e o m édico — gritou o Sr. Holm es. — Im ediatam ente.

Os olhos de Decca estavam fechados, com o se ela estivesse dorm indo.

Eu m e levantei e com ecei a correr, em um m ovim ento único. Olhei para trás, um a vez, e as m eninas continuavam em suas m ontarias, im óveis com o estátuas. Sarabeth havia desm ontado, estava chorando silenciosam ente perto de Luther, não virou a cabeça quando o Sr. Albrecht correu na frente dela perseguindo Bright, que poderia se perder nas m ontanhas para sem pre se não fosse rapidam ente alcançado.

Saí da cobertura da m ata até a Praça e gritei:

— Henny ! — berrei repetidas vezes até que ela aparecesse, com ar zangado, do aloj am ento das m onitoras.

— Decca se m achucou — consegui dizer, e Henny gritou m andando Docey, que a havia acom panhado, cham ar o m édico im ediatam ente.

Correm os de volta à m ata, Henny tão distante de m im , na frente, que perdi de vista sua saia m arrom . A velocidade dela m e surpreendeu. Meu peito parecia estar fervendo, eu era capaz de sentir o barulho de água borbulhando quando inalava. Dim inuí a velocidade até cam inhar novam ente, tentei m e acalm ar. Eu queria que chovesse, ou nevasse, ou ventasse. Algo que fizesse com que eu não m e sentisse tão sozinha. Abracei a m im m esm a.

Ninguém reparou em m im quando m e m aterializei saindo da m ata. As garotas e seus cavalos haviam desaparecido. O Sr. Holm es estava aj oelhado perto de Decca, abaixando-se para ficar na altura da filha; o Sr. Albrecht m antinha a m ão na testa de Decca. O estoj o de prim eiros socorros estava aberto próxim o a ele, com o iodo entornado e escorrendo aos borbotões. Sarabeth estava agachada ali perto, balançando para a frente e para trás sobre os calcanhares.

Concentrei no padrão desenhado pelo iodo na areia bege-escura. Um padrão intricado, im provável e aleatório. Mas eu não vira qualquer vestígio de sangue.

Fui até onde estava Sarabeth e alisei seus cabelos escuros, retirando um a folha que havia ficado presa em sua trança. Alguém tinha levado Luther de volta para as cocheiras. Sarabeth tinha os lábios cobertos com m uco, e chorava em silêncio. Eu nunca havia consolado ninguém a não ser Sam . E isso era natural para m im ; ou costum ava ser, quando éram os novos e quase parte um do outro. Aproxim ei-m e de Sarabeth com a presença de Sam m arcada em m inha m ente e a abracei, e fiquei surpresa com com o ela estava ansiosa por ser consolada: ela apoiou o rosto em m eu om bro e apertou m inha cintura.

— Vai ficar tudo bem — sussurrei.

Não acho que Sarabeth tenha m e ouvido, m as talvez no futuro a lem brança das palavras fossem repercutir. Ela iria acreditar em m im . Era um a criança. Meu pai m e dizia que tudo iria ficar bem , e eu acreditava nele.

Rachel não estava à vista. Eu tam bém teria m e escondido. Ela tinha ferido a irm ã caçula. Rachel era a irm ã que precisava que lhe dissessem que tudo acabaria bem , que seu m undo e sua fam ília não haviam desm oronado. No entanto, qualquer um que lhe dissesse isso estaria m entindo. E eu não seria essa pessoa — m eu coração não aguentaria isso.