Escola de equitação para moças

Anton DiSclafani · Capítulo 16 de 23

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Escola de equitação para moças

Capítulo 16

 

— Quando vam os para Gainesville? — perguntei a m am ãe, enquanto estávam os desfazendo m inha cam a.

— Não sei. Vam os arrum ar um pouco m ais rápido, hein?

Puxei os lençóis de m am ãe e os j oguei no chão, adicionando-os à pilha dos suj os.

— Tudo bem — eu disse —, m as você acha que irem os logo?

Mam ãe olhou para m im , m as pareceu distraída.

— Talvez Georgie possa vir aqui?

Ela abriu um lençol, o enfiou em baixo do queixo e alisou as rugas com a palm a da m ão. Tudo em um só m ovim ento — ela era tão hábil nessas tarefas que podia dobrar um a blusa com plicada em um segundo, passar um a cam isa de m eu pai em m enos de um m inuto. Não víam os a fam ília de Georgie fazia três sem anas, quase um m ês. Eu entendia que havia um a razão para não nos verm os por tanto tem po; m am ãe tinha esclarecido essa razão para Sam . Mas eu queria ver m eu prim o. Queria m uito vê-lo.

— Por que Idella não está fazendo isso?

Eu tinha certo rancor de ver as m ãos rápidas e hábeis de m inha m ãe, alisando apressadam ente m inha cam a, m inha cam a particular, enfiando nos cantos e tirando fiapos, poeiras invisíveis, ou algo do tipo.

Ela m e ignorou.

— Aí está, m uito bem .

— Papai vai j antar conosco hoj e?

Ela se virou, tirando a atenção das cortinas, as quais estava balançando — partículas de poeira brilhante ficaram suspensas no ar.

— Tam bém não sei.

— Acho que ninguém quer nos ver.

Ela se virou novam ente para as cortinas.

— O que quer dizer?

— Estou m e sentindo sozinha.

Ela se sentou a m eu lado; o hálito cheirava a café e a pasta dental de lavanda que costum ava usar. Olhou em volta do quarto, depois finalm ente falou:

— Essa casa encanta as pessoas. Sem pre achei isso. Ela é tão linda. É tão... adorável. Você nunca m ais vai viver em um lugar assim , Thea. Você devia am ar essa casa.

— Eu am o — disse.

— Um dia você vai conhecer um hom em , apaixonar-se por ele e querer ir para onde ele for — continuou ela, com o se estivesse lendo em voz alta um conto de fadas, com o se m al estivesse m e escutando. — E você terá que construir um novo lar.

— Mam ãe!

Agarrei m eu cabelo. Eu detestava quando ela fazia isso, m udava o que você havia falado que queria. Pensei nas m ãos grossas e fortes de m eu prim o. Aquilo era o que eu queria. Não um m arido. Mas ela prosseguiu, com o se estivesse em transe.

— Você vai encontrar um m arido, Thea.

Mam ãe se levantou, e vi os pés de galinha que em olduravam seus olhos, as linhas de preocupação que enrugavam sua testa. Não falei nada. Não dei qualquer inform ação a ela.

— E você terá que ter cuidado para escolher o hom em certo. Vai parecer divertido, com o um j ogo, m as não é. Não é m esm o.

— Foi assim para você? — perguntei. — Indivertido?

Ela sorriu e balançou a cabeça.

— Indivertido não é um a palavra, Thea. Foi bom para m im : olhe o resultado.

Ela gesticulou m ostrando o quarto em volta e parou em m im , com o se dissesse “Você, você é o que eu tenho”. O que eu suponho que era.

* * *

Mas então a fam ília de Georgie veio, logo na sem ana seguinte. Mam ãe nos deu a notícia no café da m anhã, com o se fosse algo banal. E talvez fosse. O dinheiro que tio George havia pedido em prestado havia resolvido o que quer que precisasse ser resolvido, com o um a m assa, com o o feno que eu enfiava em um a rachadura na parede da cocheira.

Trocam os cum prim entos no portão da frente — eles m e beij aram , soltaram exclam ações.

— Clim a perfeito — anunciou m am ãe.

O clim a estava perfeito, o finzinho de prim avera antes do calor enlouquecedor do verão. Mas m am ãe achava m açante conversar sobre o clim a. Ela estava tentando ser anim ada, eu vi, tentando distrair.

Mantive os olhos longe de Georgie enquanto falava com m eus tios.

Os adultos nos deixaram e então ficam os só nós três, com o norm alm ente acontecia. Passei a m ão no traseiro para ter certeza de que não tinha sangrado além da roupa, um m ovim ento tão praticado que era inconsciente. Eu não estava m enstruada no m om ento, m as m eu ciclo m enstrual não era regular, com o m am ãe dissera, e então podia com eçar a qualquer m om ento, na verdade. Fiquei im aginando se as outras m ães se m antinham tão atualizadas sobre os corpos das filhas.

— Vam os lá para fora — com eçou Sam . — Vou trazer m inha tenda, e Idella em brulha o alm oço para nós e...

Enquanto Sam explicava seu plano, encontrei o olhar de Georgie pela prim eira vez. Ele encontrou o m eu, devo acrescentar. Procurei um vislum bre de algo.

Tive um a sensação quase louca de desej o. Será que eu podia cham ar assim ? Lascívia. Um desej o ardente específico. Eu não sabia com o isso seria.

— Sam — disse Georgie, desviando o olhar —, não. Hoj e não farei nada disso. Vou ficar aqui dentro e fazer m eu dever de casa.

A voz do Georgie estava cruelm ente casual. Por um instante, m e arrependi de tudo; eu queria que Georgie fosse gentil, não queria que Sam se m agoasse, queria que tudo fosse da m aneira com o sem pre fora.

— Por quê? — perguntou m eu irm ão, arrasado.

Ele olhou para m im , depois para Georgie, com o se estivesse tentando j untar as peças. Mas eu não queria ser um a peça do seu quebra-cabeça. De repente, fiquei furiosa com Georgie. Ele não devia instigar Sam . Não devia tentar fazê-lo im aginar coisas.

Nós dois esperam os que Georgie falasse. Eu não queria dizer nada; falar seria escolher um lado, e que lado eu escolheria? Olhei para Sam , seu cabelo castanho-averm elhado recém -cortado pela m am ãe. Depois para Georgie, que fitava Sam calm am ente.

— Por quê? — disse Georgie, im itando Sam . Meu estôm ago se revirou, de verdade, um a sacudida sob m inha pele. — Porque não quero brincar de acam par, não quero brincar de nada, hoj e.

— Georgie! — repreendi, e am bos olharam para m im , m eu irm ão e m eu prim o. Balancei a cabeça. — Bem ... eu vou com você, Sam . — Fiquei de pé.

Sam negou com um gesto de cabeça. Era tarde dem ais.

— Não — disse ele —, eu vou sozinho.

— Thea — cham ou Georgie, depois que Sam entrou, m as eu estava tão zangada que m e sentia enj oada.

— Por que você fez aquilo? — perguntei. — Por quê?

Ele com eçou a responder, m as eu não queria escutar. Deslizei para dentro de casa, silenciosam ente, no caso de os adultos estarem por perto; eu tinha a intenção de seguir Sam , m as ele j á havia desaparecido. Eu podia tê-lo encontrado se quisesse, eu sabia todos os lugares prováveis aonde ele iria. Mas se ele não queria ser encontrado, não havia sentido em procurar.

* * *

Beberiquei o cham panhe de m am ãe enquanto os adultos conversavam . O tio George dissera que eram quatro da tarde, hora de coquetel em algum lugar. A irm ã da tia Carrie estava passando por um período ruim ; a outra irm ã havia reagido à m orte da m ãe m elhor do que qualquer um previra. Não era sem pre um a surpresa, m am ãe perguntava, com o cada pessoa agia depois de perder alguém ?

— Onde estão os rapazes? — perguntou o tio George.

— Lá atrás, acho — respondi, apesar de não saber.

Os dois haviam desaparecido depois da briga da m anhã.

— Caçando — disse papai.

Ele fitava o copo, segurando-o com as duas m ãos, com o se fosse um a criança.

— Mutilando os inocentes e indefesos — disse o tio George, e depois pousou a tam pa do decantador de vidro que ele segurava em cim a da m esa de centro de m ogno, aquela que era particularm ente difícil de m anter sem m anchas.

A superfície da m esa tinha sido polida e lustrada até que se pudesse ver um reflexo em baçado de si m esm o na m adeira averm elhada. Não era isso que papai quisera dizer. Ele quisera dizer que eles estavam caçando anim ais para os terrários de Sam , não caçando anim ais para m atar. Mas eles não estavam fazendo nem um a coisa nem outra.

— Opa — m urm urou o tio George, e derram ou um pouco de uísque no tapete.

Mam ãe se m exeu para aj udar, m as ele a afastou com um gesto. Ele foi rápido com o guardanapo, secou o álcool derram ado em vez de esfregar, o que m ancharia as cores.

— O senhor é bom nisso — eu disse.

— Thea — repreendeu papai rispidam ente.

Virei o rosto. Eu não era eu m esm a naquele m om ento, e era difícil ser gentil com o tio George, tão parecido com o filho dele. Não achava que isso era possível, m as, em algum lugar no fundo da m inha cabeça, um a ideia m e assom brava: Georgie iria encontrar Sam , contar-lhe sobre nós, e tudo term inaria.

Tio George riu.

— Tudo bem . Acho que vou m e servir de outro enquanto estou aqui. — Serviu-se em um copo lim po.

Ficam os todos em silêncio por um m om ento. Meu pai fitava sua bebida. Mam ãe observava o tapete; eu sabia que o que ela m ais queria no m undo era poder lim pá-lo apropriadam ente. Eu conhecia bem a ideia de autopreservação, por causa de Sam e seus anim ais. Georgie não contaria, porque contar significaria algo ruim para ele tam bém .

— Thea — disse o tio George, e o copo do m eu pai trem eu quando seu irm ão falou. — Thea, você está ficando incrivelm ente bonita.

— Obrigada.

— Ela parece exatam ente com a m ãe com essa idade. Está a cara dela. Você não concorda?

Meu pai olhou para m im brevem ente e deu de om bros.

— Não, não tenho com o saber. Eu não conhecia Elizabeth nessa idade, está lem brado? Nem você.

— Ela parece — confirm ou m inha m ãe, e tocou a ponta da m inha trança. Eu sabia que ela estava tentando distrair m eu pai, m as não queria que ela m e tocasse. E, além disso, não m e parecia com ela. Nunca seria bonita com o ela. O que não im portava... o que ela tinha conseguido com isso? Um a casa no m eio do nada. — Meu cabelo, principalm ente. Ela tem a testa do Felix.

Papai sorriu, com o se fosse um a piada interna.

— É interessante — continuou ela — olhar para fotografias e ver com o você m uda ano após ano.

— É? — perguntou a tia Carrie. — Eu sem pre pensei que olhar fotografias m inhas fosse um exercício de vaidade. E m onótono, além do m ais.

Olhei para a tia Carrie, chocada. Eu nunca a ouvira falar com m inha m ãe daquela m aneira.

Mam ãe franziu o cenho e olhou para a borda da taça de cham panhe com o se fosse a coisa m ais interessante do m undo. Ela estava quase chorando. A tia Carrie fitava atentam ente a lareira, vazia, lim pa, e os hom ens não faziam nada.

Meu pai rom peu o silêncio.

— Você é bem bonita, Thea — disse ele. — Um a garota bonita e inteligente.

— Tem o m undo inteiro aos pés dela — acrescentou o tio George, a voz dele se elevando novam ente, ansioso para aj udar o irm ão a reduzir a atm osfera pesada que havia se instalado na sala.

— Aposto que você vai ter vinte pretendentes no ano que vem — continuou o tio George. — Trinta.

— Acho que não — disse m eu pai, rindo. — Não em m inha casa.

— Não quero nenhum pretendente — protestei.

— Isso vai m udar — disse a tia Carrie. A voz dela estava estranha. Fiquei pensando o quanto ela tinha bebido.

— Vai sim ! — confirm ou o tio George. — Claro.

Ouvi um a batida distante na porta de tela.

Sam entrou prim eiro. Cam inhou até a m esa de centro e pegou um punhado de biscoitos de queij o, depois sacudiu a ponta da m inha trança, e o alívio que senti — parecia um a nova chance.

— Um de cada vez — disse m am ãe, e Sam balançou a cabeça, concordando, m as continuou se entupindo de biscoitos.

Georgie entrou, encontrou m eu olhar e sorriu, depois se sentou ao lado de Sam — aos seus pés, porque não havia outra cadeira — e continuaram a conversa que haviam com eçado em algum outro lugar, a respeito de um a piscina natural em Gainesville. E então os adultos com eçaram a própria conversa, sobre nada, sobre tudo, e fiquei tão contente por Georgie não ter contado que tive vontade de chorar.

Mas a qualidade da conversa dos adultos havia term inado; eles soavam tensos, distraídos. Percebi que, enquanto Georgie fingia ouvir m eu irm ão, a atenção dele estava em outro lugar. Ele observava os adultos, com m uito cuidado. Ele m e pegou encarando-o, e sorriu de um a m aneira que m e arrepiou. Algo na m aneira com o ele havia voltado sua atenção, dos adultos para m im , com o se estivéssem os conectados.

Entendi então que m inha fam ília nunca poderia saber do m eu segredo. O dinheiro, dinheiro colocado onde não deveria estar, quase nos havia arruinado. Entendi que o am or, colocado onde não deveria estar, seria bem pior. Não, eles sim plesm ente não podiam saber. Mas isso não significava que eu iria parar.

* * *

Depois de eu ter ficado deitada por cim a das cobertas por um a hora, todo o restante da casa dorm indo, depois que parei de m e sentir im paciente e entrei em desespero, m inha porta abriu, e Georgie fez um sinal para que eu o seguisse. Ele estava usando suas roupas norm ais, por im prudência; m eu irm ão teria percebido. Felizm ente, as escadas estavam silenciosas. Os restos de um a torta de lim ão haviam sido transportados da sala de j antar para a m esa da cozinha, agora um a confusão grotesca e grudenta.

Ele quase deixou a porta de tela bater, e senti um lam pej o de raiva. Eu a segurei e a fechei com cuidado.

Um a neblina havia caído e tornou o m undo lá fora im penetrável. Eu dim inuí o passo, andei com m ais cautela; Georgie abriu o cam inho à frente, quase desaparecendo no branco.

Nós dois estávam os descalços, e enquanto andávam os em direção à cocheira, sem ver um palm o à frente, tive um pouco de m edo de pisar em algum a coisa pontuda. Mas não era m edo suficiente para voltar e pegar m eus sapatos, ou para ter feito um a pausa quando estávam os saindo da casa e os calçado. Não com m edo suficiente parar fazer Georgie esperar.

Ele entrava e saía da neblina, em lam pej os; eu via um a m ão, um cotovelo, depois m ais nada. Ele era um estranho para m im , era assim que eu podia fazer isso, m e com portar com o um a garota que iria envergonhar sua fam ília tão facilm ente.

Quando alcançam os a cocheira, fui prim eiro até Sasi. Antes que m eu cérebro se alinhasse a m eu coração, pensei que ele não estivesse lá. Mas depois vi que ele estava deitado, dorm indo, as pernas finas e cobertas de nós dobradas cuidadosam ente em baixo dele.

— Thea?

Virei-m e e coloquei o dedo nos lábios, m as Sasi j á tinha se levantado, ilustrando em um segundo com o o corpo de um cavalo tinha habilidades im prováveis, com o suas pernas eram delicadas e inadequadas.

— Por que você fez aquilo? — perguntei.

— Fiz o quê?

— Não se faça de bobo.

Coloquei a m ão espalm ada contra o peito dele, e pude sentir seu coração batendo contra o osso, seu sangue.

— Ah, aquilo. — Ele tocou m eu dedo. Fiquei pensando se ele tam bém podia sentir o próprio coração, por m eio da m inha m ão. — Ele é tão criança, às vezes. — Com ecei a falar e ele tocou m eus lábios, depois colocou o dedo dentro da m inha boca. Tinha sabor de terra, e eu gostei. — Vou ser legal com ele, não se preocupe.

E eu não m e preocupava. Tinha outras coisas para pensar, agora. Sasi inclinou as orelhas na nossa direção, curioso, e então Georgie estava beij ando m eu pescoço, depois lam bendo-o, e houve um ronco nos m eus ouvidos, e ele passeou por m eus seios com as m ãos grossas, e o ronco cessou, se transform ou em um ruído distante. Georgie passou os dedos pelos m eus cabelos, ternam ente, e pensei na m inha m ãe, que era a única pessoa que fazia aquilo.

— Você é sem dúvida... — disse ele, e então parou, e abriu o botão de cim a da m inha cam isola e enfiou a m ão ali — ... m uito bonita.

Ele m e guiou para um a baia, abriu a fechadura e m e em purrou para dentro. Havia um a m anta da m inha casa j á dobrada em cim a do chão de terra batida; um a m anta boa, das pilhas de m am ãe.

Apontei para a m anta.

— Não deixe isso aqui. Mam ãe vai perceber.

Ele balançou a cabeça e trancou novam ente a fechadura da baia, o som fam iliar de m etal contra m etal. Virou-se para m im , sua ereção em purrando as calças, com o um tum or, um a protuberância. Ele m e encostou em um canto e pressionou a virilha contra m im . As calças dele eram grossas, de lã — calças de inverno. Minha cam isola era de algodão fino. Eu sentia tudo, as sensações dele estavam em botadas. Fechei os olhos e desabotoei as calças de Georgie na segunda tentativa, coloquei a m ão dentro e fiquei surpresa novam ente com o seu pênis era m acio e tenro.

Houve pequenos lam pej os de onde m eu cérebro deve ter estado, com o se ele tivesse retrocedido para isso. Estávam os em cim a da m anta, Georgie em cim a de m im , m inha cam isola levantada até a cintura, e o pênis de Georgie estava m e tocando, escorregadio, porque eu estava m olhada e ele havia aberto m inhas pernas e colocado o pênis em m inha pele m olhada. Então o pênis pareceu m uito grande entre m inhas pernas, quase doloroso, e eu não queria que isso acontecesse, não ainda, não dessa m aneira, então eu o virei com um m ovim ento suave, e ele ficou surpreso. Tam bém fiquei surpresa, m as envolvi a coxa dele com as pernas e fiquei m e m exendo enquanto tam bém m exia a m ão rápido no seu pênis. Tentei im prim ir o m esm o ritm o nas pernas e nas m ãos, e eu não conseguia acertar direito o ritm o, eu estava fazendo duas coisas de um a vez e nenhum a estava certa. Então m e m exi m ais rápido, e a dor intensa entre m inhas pernas cessou brevem ente antes de explodir, e então eu parei de tocar Georgie com pletam ente por um segundo. Eu podia ver m ais claram ente agora, podia ver que Georgie estava m e observando, as m ãos dobradas em baixo da cabeça, com o se ele estivesse olhando o céu em um dia claro. Sorri para ele. Com ecei novam ente de onde tinha parado.

Eu m e lem bro de m e sentir m uito adulta, pela prim eira vez na vida.

* * *

Cheguei de um j ogo de golfe com Georgie e Sam por volta da hora do alm oço e encontrei m am ãe, que estivera no andar de cim a a m anhã toda. O tio George tinha saído com o papai, m as a tia Carrie estava afastada nessa visita.

Mam ãe sorriu para m im e voltou ao j ornal, os óculos que usava quando lia letras pequenas deslizando pelo nariz. Peguei três sanduíches do prato que Idella deixara na m esa.

— Você não vai m ontar hoj e?

— Estam os j ogando golfe — disse, e m am ãe concordou lentam ente. Eu não queria contar a ela que m inha m enstruação havia descido essa m anhã. Era um assunto particular. — Não som os m uito bons — acrescentei.

Ela esticou o braço para baixo da m esa; eu não sabia o que ela estava fazendo até que notei que seu braço agora tinha um a m anta pendurada.

— Isso estava lá fora — disse ela e em purrou os óculos para cim a.

Ela detestava usá-los, m as papai disse que ela estragaria os olhos se não o fizesse.

— É?

— Na cocheira. Talvez Sam e Georgie estivessem usando, para a caçada. Não foi você, foi? Sam devia saber que não é para usar m antas boas. Esta é um a antiga m anta de carruagem , é m ais velha do que vocês, você e Sam j untos.

Concordei com um gesto da cabeça, e depois que dei os sanduíches a Sam e Georgie, fui para a frente de casa, m urm urei algo sobre a correspondência e m e sentei nos degraus. Olhei para a estrada que só era usada duas vezes por dia: quando m eu pai saía e quando ele voltava. Eu tinha sido estúpida. Garota idiota, idiota. Fiquei desesperada. É assim a sensação de desespero, sussurrei para m im m esm a. Pare.

Se Sam suspeitasse, se ele não m ais pudesse m anter o segredo e confidenciasse à m am ãe, se, deixando Sam fora disso, m am ãe tivesse visto algo por contra própria, observando através de um a das centenas, m ilhares de j anelas que essa casa ostentava — nós não econom izam os quando se trata de vidro, papai dissera, a sua m ãe adora luz —, se ela tivesse avistado m eu m undo com Georgie, e se naquele m om ento naquele m undo ele tivesse tocado m eu rosto, m e beij ado, m ordido m eu polegar... se, se, se.