Esnobes

Julian Fellowes · Capítulo 1 de 23

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Primeira parte: Impetuoso-Fiero

PRIMEIRA PARTE

Impetuoso-Fiero

UM

 

NÃO SEI BEM COMO ISABEL EASTON FICOU conhecendo Edith Lavery. Decerto tinham uma amiga em comum, sentaram perto numa reunião ou, simplesmente, iam ao mesmo cabeleireiro. Mas lembro que desde o começo, por algum motivo, Isabel concluiu que Edith valia a pena, tinha aquele toque especial que poderia ser servido em pequenas porções aos vizinhos da casa de campo. Naturalmente, os fatos vieram provar que ela estava certa, embora isso não fosse muito garantido quando a conheci. Edith era, sem dúvida, muito bonita, mas não tanto quanto ficaria depois de, como dizem os costureiros, encontrar seu estilo. Fazia um tipo, era um perfeito exemplo da loura inglesa de grandes olhos e muito educada.

Eu conhecia Isabel Easton desde a infância, que passamos juntos em Hampshire, onde tivemos uma daquelas agradáveis e descompromissadas amizades firmadas totalmente em sua longa duração. Não tínhamos muita afinidade, mas algumas pessoas lembravam de nós em nossos pôneis, aos 9 anos de idade, e sentíamos um certo bem-estar em nossos encontros eventuais. Depois que saí da universidade, fui fazer teatro; Isabel tinha se casado com um corretor da Bolsa e mudado para Sussex; assim, nossos mundos não se cruzavam muito, porém era divertido para ela sair de vez em quando com um ator que aparecia na televisão (embora os amigos dela jamais assistissem aos programas). Quanto a mim, era bom passar um fim de semana com minha velha companheira de brincadeiras.

Eu estava em Sussex na primeira vez em que Edith foi lá e pude comprovar o entusiasmo de Isabel pela nova amiga, o que seu colega menos generoso (eu) questionou depois. Isabel foi bem sincera:

– Ela vai acontecer. Ela tem algo mais.

Isabel gostava de usar frases que pareciam conter uma noção secreta do funcionamento das coisas no mundo. Meia hora após, quando Edith saltou do carro, podia-se dizer que ela era apenas atraente, não tinha nada mais que boa aparência e um charme encantador, lânguido, mas fiquei propenso a concordar com a opinião de nossa anfitriã. Pensando agora, Edith tinha uma boca que dava indícios, uma daquelas que parecem esculpidas, de lábios traçados quase a cinzel, e que costumam ser associadas a divas de cinema dos anos 1940. E havia também a pele. Para os ingleses, a pele é, digamos, o derradeiro recurso, o elogio que só se faz quando não dá para fazer nenhum outro. Comenta-se uma boa pele quando se trata de integrantes de escalões inferiores da família real. Seja como for, Edith Lavery tinha a pele mais linda que eu já havia visto: tons pastéis, perfeitos, sob camadas de cera impecável. Sempre tive um fraco por gente bonita e, pensando agora, acho que virei aliado de Edith naquele primeiro instante em que admirei seu rosto. De todo jeito, Isabel foi uma grande profetisa, pois foi quem levou Edith para Broughton.

A mansão Broughton, o próprio ramo familiar de Broughton, era um veio sinuoso no mármore que unia todas as facetas da vida dos Easton em Sussex. Primeiro, como barões Broughton, depois como condes e, mais tarde, a partir de 1879, como marqueses de Uckfield, os Broughton tiveram uma influência muito maior e mais duradoura nessa área a leste de Sussex do que a maioria dos poderosos dos condados ao redor de Londres. Por pouco mais de um século, seus vizinhos e vassalos eram sobretudo camponeses humildes que sobreviviam do que conseguiam tirar do parado e úmido pântano ao pé das colinas. Mas as estradas, as ferrovias e a invenção do fim de semana fizeram a haute bourgeoisie invadir a região em busca de bem-viver e, como Byron, os Broughton acabaram ficando famosos. Dali a pouco, ser in ou out naquela região dependia de estar ou não na lista de convidados deles. Posso garantir que, pelo menos no começo, a família não se esforçou para virar celebridade porém, como maiores representantes dos anciens riches, foram pressionados a isso numa região ascendente e mutante.

Eles tiveram sorte em outros setores. Dois casamentos (um, com a filha de um banqueiro, e outro, com a herdeira de uma enorme parte de São Francisco) mantiveram firme a nau da família em meio aos mares turbulentos da depressão agrária e da Grande Guerra. Ao contrário de muitas dinastias, eles conseguiram conservar um pouco, senão todos, os bens em Londres; várias manobras financeiras na década de 1960 fizeram com que aportassem nas praias relativamente seguras da Inglaterra da sra. Thatcher. Assim, quando os socialistas começaram a se reagrupar (felizmente, para a classe alta), eles renasceram como Novo Partido Trabalhista e ficaram bem mais adaptáveis do que seus ambiciosos antepassados políticos. No final das contas, os Broughton eram o protótipo da família inglesa “sobrevivente”. Chegaram à década de 1990 com o prestígio praticamente intacto e, melhor ainda, com as propriedades.

Não que isso fosse problema para os Easton, que não condenavam os privilégios que tinham; pelo contrário, eles os adoravam. O problema era que, apesar de morarem a uns cinco quilômetros da mansão Broughton e apesar de Isabel dizer às amigas nos almoços em Walton Street que era uma sorte a mansão ser “praticamente ao lado”, eles não iam até lá, nem conseguiam encontrar um único Broughton há três anos e meio.

Claro que David Easton não foi o primeiro inglês de classe média alta a descobrir que era mais fácil exibir um hipotético passado aristocrata em Londres do que no campo. O problema era que, após anos almoçando no Brooks’s, indo às corridas de sábado e se divertindo nas noites do Annabel’s, sempre exibindo seus preconceitos contra a sociedade moderna e mutante, ele tinha esquecido completamente que era um produto dela. Parecia não lembrar que o pai tinha sido administrador de uma pequena fábrica de móveis nas Midlands e que seus pais o matricularam em Ardingly com certo sacrifício. Na época em que o conheci, acho que ele se surpreenderia muito se não visse seu nome no guia Debrett da aristocracia. Lembro de uma vez estar lendo um artigo em que Roddy Llewellyn reclamava não ter sido aluno de Eton (como foi seu irmão mais velho), pois era lá que se conseguiam amigos para o resto da vida. Por acaso, David passou pela poltrona onde eu estava e concordou com o artigo:

– Isso mesmo. Sou exatamente da mesma opinião – ele disse.

Olhei para Isabel na sala, mas vi logo que o aceno solidário que deu mostrava que não estava do meu lado, mas do marido.

Quem está de fora de um casamento tem a impressão de que, em muitas uniões, é fundamental apoiar as ilusões do parceiro. David tinha sido protegido pela soma da delicadeza de Isabel com a indiferença de quase todas as anfitriãs londrinas, preocupadas apenas com a capacidade do convidado falar e comer o que fosse servido. Assim, foi ficando muito desagradável para ele estar numa elegante mesinha de jantar e alguém perguntar como foi a viagem de Charles Broughton à Itália, ou comentar como o novo marido de Caroline estava bem e ele ser obrigado a dizer que não os conhecia direito.

– Que estranho – comentaria o interlocutor. – Pensei que vocês fossem vizinhos. – Se David dissesse que não os conhecia bem, seria meio desonesto. Pois simplesmente não os conhecia.

Uma vez, num coquetel em Eaton Square, ele fez um comentário a respeito da família e alguém perguntou:

– Aquele ali não é Charles? Você tem de me apresentar, vamos ver se ele se lembra de onde nos conhecemos.

David foi obrigado a dizer que não estava se sentindo bem (o que era verdade, em parte), precisava ir para casa e faltar ao jantar ao qual iam. Com o tempo, ele passou a fazer uma cara meio reticente quando os Broughton eram mencionados. Ficava de fora da conversa, assumidamente calado como se ele, David Easton, preferisse não conhecer os Broughton. Como se tivesse tido um contato e concluído que não lhe apeteciam. Era uma grande mentira. A favor de David eu diria que essas ambições sociais frustradas deviam ser tão secretas na cabeça dele como nas nossas. Ou era essa a impressão que eu tinha quando ele, fechando o zíper da jaqueta Barbour, assoviava para chamar os cachorros.

Talvez tenha sido bem conveniente que a sugestão da visita fosse feita por Edith. Sábado, no café da manhã, Isabel nos perguntou se queríamos fazer alguma coisa; Edith então quis saber se havia alguma mansão “imponente” por ali e sugeriu que fôssemos lá. Olhou para mim.

– Acho uma ideia interessante – concordei.

Isabel olhou para David, que estava imerso no Telegraph, sentado na outra ponta da mesa. Eu conhecia e compreendia a situação dos Broughton e Isabel também mas, como éramos ingleses, é evidente que nunca tocamos no assunto. O fato é que encontrei o obtuso herdeiro Charles Broughton algumas vezes em Londres, naquelas noites estranhas que juntavam artistas e gente da sociedade que, como na confluência de dois rios, raramente se misturavam. Eu não comentava essas reuniões com Isabel por medo de passar sal na ferida.

– David – ela chamou.

Ele abaixou o jornal, num gesto largo e despreocupado.

– Vá você, se quiser. Tenho de ir de carro a Lewes. Sutton destruiu mais uma tampa do tanque do cortador de grama. Acho que gosta de mordê-las.

– Posso fazer isso na segunda-feira.

– Não, não. Também preciso comprar alguns cartuchos. Vocês podem ir, sem problema – ele acrescentou.

David deu um olhar contrariado e Isabel fez cara de quem estava sendo obrigada a ir. Na verdade, os dois tinham um acordo tácito de não ir à mansão como “público”. A princípio, David evitou ir para lá porque esperava conhecer logo a família e não queria se arriscar a fazer isso da maneira errada. Depois de meses e anos de frustração, não ir à casa passou a ser uma espécie de princípio para ele, como se não quisesse dar aos Broughton o prazer de vê-lo pagar caro para ir a um lugar onde, por direito, podia entrar de graça. Mas Isabel era, como as mulheres costumam ser, mais prática do que o marido e tinha se acostumado à ideia de que sua situação no “condado” seria adiada por um tempo. No momento, Isabel tinha apenas curiosidade de conhecer o lugar que passou a símbolo da falta de traquejo social deles. Portanto, o marido não precisou insistir muito. Nós três nos apertamos no velho Renault dela e partimos.

Perguntei a Edith se ela conhecia Sussex.

– Não. Uma época, tive um amigo em Chichester.

– A parte elegante da região.

– É? Eu não sabia que os condados tinham partes elegantes. Isso parece mais coisa de americanos. Como as mesas boas e as ruins num restaurante.

– Conhece os Estados Unidos?

– Passei uns meses em Los Angeles depois que terminei o secundário.

– Por quê?

Edith riu.

– Por que não? Por que alguém vai para tudo quanto é canto quando tem 17 anos?

– Não entendo por que alguém vai a Los Angeles. A não ser que seja para virar estrela de cinema.

– Vai ver que eu queria ser estrela de cinema.

Ela sorriu para mim do jeito que passei a identificar como uma expressão habitual de leve tristeza e vi que seus olhos não eram azuis como pensei no começo, mas de um cinza indefinido.

Chegamos a duas monumentais pilastras de pedra encimadas por cabeças de veado de ferro, com galhada e tudo, e seguimos pela larga entrada de cascalho. Isabel parou o carro.

– Que lindo! – exclamou.

A imensa mansão Broughton se espalhava à nossa frente. Edith sorriu animada e seguimos no carro. Ela não achou a casa maravilhosa, eu também não, embora fosse uma construção marcante. Sem dúvida, enorme. Constava que tinha sido projetada no século XVIII, por um antepassado de Albert Speer. O bloco principal, um imenso cubo de granito, ligava-se a dois cubos menores por pesadas e grossas colunatas. Pena que um Broughton do século XIX tinha retirado os pilaretes das janelas e substituído por vidro grosso, por isso elas agora se abriam, vazias e escuras, para o jardim. As quatro pontas da casa tinham cúpulas que pareciam torres de vigia num campo de concentração. Elas tanto não completavam a vista como a atrapalhavam.

O carro gemeu e parou, confortável.

– Visitamos primeiro a casa ou o jardim? – quis saber Isabel, como um inspetor militar soviético dos anos 1960 na Otan. Ela não queria perder nada.

Edith deu de ombros e perguntou:

– Tem muito o que ver lá dentro?

– Ah, creio que sim – respondeu Isabel, segura, indo para a porta onde estava escrito Entrada. Ficava no meio da estranha e pesada escada em forma de ferradura que levava ao piano nobile. Isabel foi engolida pelo granito rústico da escada e nós fomos atrás.

Uma das histórias preferidas de Edith depois seria que, na primeira vez em que esteve em Broughton, pagou para entrar e uma corda vermelha não deixou que passasse para a parte privativa da mansão.

“Não que a casa tivesse muita vida privada” ela diria, com seu meio riso engraçado.

Algumas casas são tão impregnadas pela personalidade de quem as construiu, têm uma tal onipresença das pessoas que viveram lá, que o visitante se sente meio ladrão, meio fantasma, espionando segredos ocultos do lugar. Broughton não era dessas casas. Tinha sido projetada até os menores detalhes com uma única intenção: impressionar os estranhos. Com isso, no final do século XX, sua função não tinha mudado muito. A única diferença era que os estranhos agora pagavam ingresso, em vez de dar gorjeta para a governanta.

Mas o esplendor dos aposentos não estava aberto ao visitante moderno e o cômodo frio e abafado onde entramos (depois saberíamos que era o salão de baixo) era tão acolhedor quanto um estádio deserto. As paredes tinham horríveis cadeiras de lacaios encostadas, dando uma ideia das infinitas horas de tédio que foram passadas nelas. No centro da sala de piso de pedra incolor, havia uma mesa escura e comprida. A não ser por quatro quadros sujos mostrando paisagens de Veneza, nada a ver com Canaletto, as paredes eram vazias. Como tudo em Broughton, o corredor era absolutamente imenso, fazendo com que nós três nos sentíssemos personagens de Os pequeninos Borrowers.

– Bom, eles não acreditam em propaganda subliminar – concluiu Edith.

Depois do salão de baixo, tendo em mãos nossos guias de visitantes, subimos a grande escadaria de carvalho que contornava uma enorme e deprimente estátua de bronze de um escravo moribundo. No alto dela, após percorrermos o vasto patamar, entramos no salão de mármore, um espaço enorme, de pé-direito alto, com balaustradas por toda a volta. Se tivéssemos entrado na mansão pela escada em forma de ferradura, essa seria a nossa apresentação à casa ( projetada para ser desinteressante mesmo). De lá passamos ao salão, outro cômodo imenso, com pesados enfeites de mogno dourado e papel de parede estampado de pássaros vermelhos.

– Para mim, isso parece frango tikka masala – informou Edith.

Achei graça. Ela estava com toda a razão. O salão parecia um gigantesco restaurante indiano.

Isabel abriu o guia e começou a ler com voz de professora de geografia:

– O salão conserva seu papel de parede original, que é um dos pontos altos do interior de Broughton. As mesas laterais douradas foram especialmente desenhadas por William Kent, em 1739. Os espelhos dourados, entalhados em madeira, que estão entre as janelas, têm temas marítimos por indicação do terceiro conde à embaixada em Portugal, em 1737. O conde é lembrado nesse aposento, que era o seu preferido, no retrato em tamanho natural pintado por Jarvis, que faz par com o retrato da condessa, feito por Hudson. Os retratos ladeiam a lareira italiana.

Edith e eu olhamos os retratos. O de lady Broughton tinha um toque divertido por colocar a corpulenta jovem no meio de um canteiro de flores, com um chapéu de sol na mãozorra.

– Na minha academia de ginástica tem uma mulher igualzinha a essa – disse Edith. – Está sempre querendo me vender rifas dos Conservadores.

Isabel prosseguiu no cantochão:

– O armário ao centro da parede sul foi feito por Boulle e dado de presente de casamento por Marie-Josèphe de Saxe, Delfina da França, à noiva do quinto conde. Entre as compridas janelas...

Fui até as tais compridas janelas e olhei o jardim. Era um desses dias quentes e tediosos de final de agosto, quando as árvores parecem sobrecarregadas de folhas e o verde sobre verde do campo fica abafado e sufocante. Quando olhei, apareceu um homem na esquina da casa. Apesar do calor, ele usava paletó de tweed, calça cotelê e um daqueles eternos chapéus-coco de feltro marrom que os ingleses do campo acham o máximo. Ele olhou para cima e vi que era Charles Broughton. Ele me viu e desviou o olhar, depois parou e olhou de novo. Achei que tinha me reconhecido e acenei, ele respondeu com um pequeno gesto e foi em frente.

– Quem era? – perguntou Edith, atrás de mim. Também tinha largado Isabel com seus cantochões.

– Charles Broughton.

– Um herdeiro da casa?

– Acho que o único herdeiro da casa.

– Será que vai nos convidar para um chá?

– Acho que não. Eu o encontrei exatamente duas vezes.

Charles não nos convidou para um chá e tenho certeza de que nunca mais pensaria em mim se não tivéssemos dado de cara quando voltávamos para o carro. Ele estava falando com um dos muitos jardineiros por ali e terminou exatamente quando nós ficamos na frente da mansão.

– Olá – cumprimentou, bem amistoso. – O que está fazendo aqui? – Era evidente que ele tinha esquecido o meu nome e de onde nos conhecíamos, mas foi simpático e ficou esperando ser apresentados às duas.

Isabel, surpresa com aquele súbito e inesperado empurrão para a Terra dos Sonhos, procurou dizer algo que penetrasse na cabeça de Charles como um som encantador e resultasse numa grande amizade que fosse no mínimo instantânea. Mas não conseguiu achar nada.

– Ele está hospedado na nossa casa, a uns cinco quilômetros – explicou Isabel, desajeitada.

– Ah, sim? Vêm muito aqui?

– Estamos sempre aqui.

– Ah – fez Charles. Virou-se para Edith e perguntou:

– Você também é daqui?

Ela sorriu. – Não se preocupe, vivo bem. Moro em Londres.

Ele achou graça e seu corpo forte pareceu, por um instante, muito atraente. Tirou o chapéu e mostrou aquela linda cabeleira à Rupert Brooke, com cachos enroscados na nuca, tão característicos dos aristocratas ingleses.

– Espero que tenham gostado da casa.

Edith sorriu e ficou calada, deixando Isabel desenrolar seus bobos saberes fornecidos pelo guia.

Interrompi com uma desculpa:

– Temos de ir, senão David vai achar que aconteceu alguma coisa conosco.

Sorrimos, nos despedimos, cumprimentamos e poucos minutos após estávamos de novo na estrada.

– Você jamais disse que conhecia Charles Broughton – reclamou Isabel, num tom desapontado.

– Não conheço.

– Bom, você nunca disse que sabia quem era ele.

– Nunca?

Claro, eu sabia que nunca tinha dito. Isabel passou o resto do tempo dirigindo em silêncio. Edith virou-se para o banco de trás e fez uma careta. Era evidente que eu tinha cometido um erro e Isabel ficou o resto do fim de semana sem disfarçar a frieza comigo.