Esnobes
Seis
AO ABRIR OS OLHOS, ELA CONCLUIU que aquele era o último dia de sua vida em que acordaria como Edith Lavery. A partir daí, aquela moça ia embora e, seja lá o que houvesse, não voltaria. Edith tentou checar exatamente o que sentia. Como quem escolhe uma coisa e depois fica achando que devia ter escolhido a outra, ela indagou ao fundo de suas entranhas se estaria cometendo um grande erro, pois a partir desse dia não poderia voltar atrás. Mas suas entranhas não queriam ser como a dos animais em Delfos e não responderam. Ela não estava animada nem desanimada, sabia apenas que tinha muito o que fazer. Ouviu uma leve batida na porta e a mãe entrou no quarto com uma xícara de chá.
Não é exagero dizer que Stella Lavery estava tão feliz naquela manhã que parecia prestes a explodir; o coração seria capaz de parar, exausto de bombear o sangue febril da ambição realizada. É mentira que teria entregue a filha de bom grado para um rico herdeiro de marquês, se não tivesse gostado dele. Isso porque, a menos que ele a tivesse atacado a faca, era impossível não gostar dele. Mas não creio que tivesse pensado muito em Charles enquanto Charles; era um rapaz agradável, bem-educado, que não era feio. Era só o que sabia e só o que precisava saber, como se diz. Além do fato de que dali a dois dias a filha ia ser a condessa Broughton.
Stella se irritou um pouco pelo fato do título não ser condessa de Broughton, que era mais romântico. Chegava a estranhar que o primeiro a receber tal honraria não exigisse o “de”. Afinal, os Cholmondeley exigiram, assim como os Balfour. É verdade que havia uma aldeia chamada Cholmondeley e um lugar chamado Balfour na Escócia, mas não havia um lugar chamado Broughton? Não devia haver, em algum canto? Mas, considerando que “não se pode ter tudo”, ela se conformou e passou a corrigir os amigos com prazer. O bendito “de” viria a seu tempo, quando recebessem o título de marquês e marquesa.
– Bom dia, querida. – Ela sussurrou as palavras, esperando transmitir muito carinho. Naquele momento, devia sentir uma certa nostalgia e tristeza por perder o convívio com a filha amada. Mas, apesar de toda a alegria que Edith tinha dado por tantos anos, naquela manhã a sra. Lavery estava feliz como um passarinho. Não só ganhava um filho, como se diz, mas assumia uma nova posição ao sol. Portões enferrujados como os do palácio Ham, trancados após a saída do último rei da dinastia Stuart, estavam se escancarando para ela. Ou era impressão. Stella Lavery não era totalmente boba. Sabia que precisava aproveitar a chance, pois as pessoas que ia encontrar, principalmente lady Uckfield, podiam gostar dela, podiam até ficar amigas dela, o que passaria a ser uma vantagem mais do que (como, no fundo, achava) um peso. Ela também sabia que era melhor ir devagar. Jamais dar a mais leve impressão de ser um animal em busca da presa. Aos poucos, sem alarde, os interesses mútuos poderiam surgir, uma dama podia emprestar livros para a outra, sugerir uma costureira. Para ela, naquela manhã atordoante, as imagens brilhavam mostrando elegantes deleites, ela se via num almoço leve com lady Uckfield, depois as duas corriam para a chapeleira, descalçando as luvas para chamar um táxi...
– Bom-dia, mamãe.
A essa altura, Edith tinha se acostumado com o estado de devaneio em que a mãe parecia sempre pairar. Não tinha ciúme da alegria que aquele casamento trouxe à mãe, mas esperava não contribuir para empurrá-la na corrente rodopiante onde estava, rumo à nobreza.
– Está chovendo?
– Não, o dia está lindo. Não temos pressa, são só oito e meia da manhã. A cabeleireira chega às dez, depois temos duas horas até irmos para a igreja de Saint Margaret. Vou preparar o café da manhã enquanto você toma banho, sugiro que fique de roupão, com calcinha e sutiã, até estar tudo pronto.
– Não estou com fome.
– Bom, precisa comer alguma coisa. Senão, passa mal.
Edith concordou com a cabeça, levantou-se e bebeu o chá. Era um daqueles momentos em que se tem uma noção exata de cada movimento do corpo, até dos músculos do rosto. As palavras pareciam vir de outro lugar que não a própria cabeça. Ela se sentia drogada, mas de um jeito alegre e alerta. Drogada não, entorpecida, ou até hipnotizada. “Será que estou hipnotizada?” pensou. “Será que fiquei impressionada com todos aqueles valores inquestionáveis que me foram transmitidos desde os 3 anos de idade? Será que assimilei ambições alheias?” Pensou então em Charles, aquele homem ótimo que a amava e do qual ela, na época, gostava muito. Pensou também, claro, em Broughton e em Feltham, a outra propriedade da família em Norfolk; pensou, principalmente, no apartamento onde estava, no emprego na imobiliária em Milner Street, nas oportunidades oferecidas por uma vida e nas oportunidades enjoativas e dispensáveis da outra. Então, ergueu a cabeça e entrou no banheiro, de onde o pai estava saindo com um sorriso solícito para ela.
– Está tudo bem, princesa? – perguntou, e Edith imediatamente teve certeza de que não podia mais chamá-la assim, parecia cafona, mas resolveu deixar. Na mesma hora, resolveu o contrário.
– Tudo ótimo. E você?
– Ótimo.
Kenneth Lavery ia gastar um bocado de dinheiro com o casamento. Mas menos do que poderia ter sido, já que lady Uckfield conseguiu autorização para a festa ser no palácio Saint James. Mesmo assim, ou exatamente por causa disso, os Lavery insistiram em pagar todo o resto. Tinham até dispensado o costume moderno e pouco sofisticado de os pais das damas de honra custearem o vestido delas. Afinal, Edith era a única filha e eles não queriam que ninguém sequer desconfiasse de que a família não tinha recursos. A sra. Lavery, que se sentia uma personagem dos romances de Barbara Cartland, chegou a pensar se não deviam fazer uma espécie de dote para Edith. O sr. Lavery tocou no assunto com lorde Uckfield, mas a ideia não foi adiante, talvez os Uckfield não quisessem se envolver com leis. Lady Uckfield colocou um ponto final no assunto ao dizer que hoje nunca se sabe se essas coisas são para sempre. Edith gostou que os pais garantissem a entrada dela em Broughton de cabeça erguida, embora estivesse consciente dos milhares de fios que a prendiam ao chão como um Gulliver.
Ficou deitada na banheira pensando em qual seria seu papel preferido: presidir ligas de caridade; arrecadar dinheiro para os desditosos; fazer reverência para realezas e conduzi-las a seus camarotes em noites de gala; visitar os doentes na aldeia. Epa. Será que ainda se visitam doentes na aldeia? Percebeu então que, sem querer, vestiu um espartilho. Pensou em lady Uckfield e que haveria de ser uma nora modelo, um dia todos iam bendizer o momento em que Edith entrou na vida deles.
* * *
Cheguei à igreja Saint Margaret mais ou menos às dez e meia e recebi o cravo branco a que tinha direito, do qual naturalmente tirei a avenca que a florista tinha colocado com tanto cuidado. Recebi também a lista de pessoas que ficariam nos bancos da frente. Era, como de se esperar, uma combinação de duquesas e babás, com lugares marcados para os moradores e funcionários de Broughton e, atrás deles, os moradores e funcionários de Feltham. Da família real, teríamos a presença da princesa e todos os Kent, menos o Príncipe de Gales (um pequeno desapontamento para lady Uckfield, uma tragédia para a sra. Lavery), pois ele se encontrava em missão de caridade em algum canto dos Mares do Sul. Também não íamos receber a rainha. Não sei o motivo, já que Sua Majestade e lady Uckfield se davam bem. Eu não tinha de receber nenhum deles à entrada da igreja, claro, essa honra caberia a lorde Peter Broughton, que acenou para mim quando cheguei. Não o via desde o Chez Michou: os padrinhos puderam escolher o voo de volta e, como eu não tinha nenhum compromisso na cidade, continuei na cama enquanto a maioria do grupo ia embora. Enviei um cartão de agradecimento para ele e Henry mas, naturalmente, não comentei nada do que se passou.
– Recebi o seu cartão. Não precisava se incomodar.
Os ingleses sempre dizem que não precisava se incomodar mas, entre todos os povos do mundo, eles são os que menos perdoam se alguém não se incomoda. Respondi com um sorriso. Ele fez uma careta e acrescentou:
– Céus, tive uma ressaca! Tive uma reunião de trabalho às onze e acho que não fui muito eficiente.
Não consegui lembrar qual era o trabalho dele. Alguma coisa na área financeira, mas nos últimos tempos notei que o nível intelectual dos que trabalham na cidade subiu na proporção inversa da posição social. Não sei onde iam parar sujeitos como Peter Broughton.
– Você foi muito simpático em preparar toda a despedida de solteiro – elogiei.
Ele concordou com a cabeça, meio estranho.
– Creio que Charles não gostou muito.
Dei de ombros.
– Mas foi uma ideia bem engraçada, não? Henry e eu pegamos fotos e objetos, até emprestamos um vestido de Edith... Ela também achou que seria engraçado, sabe? Teve muito espírito esportivo, até disse para Charles não ser bobo...
E foi saindo, meio sem jeito. Achei que Edith fez bem em não participar daquela besteira. Nem precisei dizer que, se ela tivesse assistido à cena, não estaria tão otimista. Tínhamos certeza de que Charles não contou para ela o motivo para ficar tão ofendido.
– Creio que o ator não entendeu o pedido – eu disse, fazendo o estilo Tommy Wainwright.
Lorde Peter concordou, entusiasmado.
– Exatamente. Acho que o problema foi escolherem a música errada. Além da ideia de Eric do porta-joias. Pouco sutil.
Concordei, sem me surpreender com a cumplicidade de Eric. Era previsível, mas também interessante que o primeiro inimigo de Edith na família Broughton fosse alguém de nível bem inferior ao dela, pois ele deu um salto muito maior com a esposa que arrumou.
– Eu perdoaria e acho que Charles já perdoou.
Na verdade, eu tinha certeza de que ele não tinha perdoado e de que nunca mais tocaria no assunto.
Claro que Edith foi uma noiva linda e a quantidade de rostos conhecidos (da família real e da sociedade) nos bancos reservados para os Broughton na igreja deu um toque sofisticado em tudo, o que adorei. Até o sermão do padre foi muito interessante. O lado da igreja ocupado pelos Lavery ficou um pouco ofuscado, mas Edith conseguiu chamar alguns dos seus novos amigos famosos. Já a mãe, louca para manter as aparências, escreveu para um primo em terceiro grau que tinha se tornado baronete e anexou o convite do casamento. Assim, aquele advogado bem simples, que morava num antigo vicariato perto de Swindon (as modestas finanças da família tinham acabado há duas gerações), sentou-se no banco da frente de um casamento em Londres, a poucos passos de quase metade da família real. A igreja de Saint Margaret mantinha o costume de deixar um banco vazio para o orador na ala direita, o que obrigou o baronete a olhar de lado para trás, mas conseguiu ver. De todo jeito, ele e sua feia esposa ficaram encantados de ir à cerimônia, e como ela entendia melhor dessas coisas, fez cara de quem estava fazendo um favor aos Lavery por comparecer. O que era verdade, claro.
Todos os convidados receberam adesivos autorizando a estacionar os carros no pátio de cascalho no fim do Mall, o que facilitou muito chegar à recepção. Eu nunca tinha passado pelas mesas na galeria inferior do palácio onde, na época, se pegava o crachá para Ascot, então fiquei curioso de ver os cômodos de luxo quando entramos numa fila que seguia devagar, sem sermos servidos de bebidas. Subimos a escadaria, passamos por um retrato de Carlos II em tamanho natural, com seu condizente ar dissoluto. Depois, passamos por uma pequena antessala suntuosamente coberta de tapeçarias escuras, onde finalmente recebemos uma taça do inevitável champanhe. Entramos então no primeiro de três enormes cômodos decorados em vermelho, branco e dourado e fomos recebidos pela sra. Lavery, que me conhecia bem, mas foi lady Uckfield quem me cumprimentou pelo nome e ofereceu o rosto para um beijo, o que me surpreendeu.
– Vi você ocupado em achar o lugar de cada convidado na igreja – ela disse, como sempre como quem conta um segredo que só eu entenderia. – Que dia feliz.
– Tivemos muita sorte com o tempo.
– Acho que tivemos muita sorte com tudo.
Com isso, ela me dispensou, mostrando o marido que, evidente, não tinha ideia de quem eu era. Cumprimentou-me e passei à multidão. Era claro que lady Uckfield estava se esforçando por ser simpática comigo, embora eu não entendesse bem por quê. Talvez quisesse garantir como aliado o único amigo de Edith de quem Charles gostava. E anular logo qualquer tentativa de Edith formar uma “corte rival” e assim, fazer com que, se alguém precisasse se adaptar, fosse Edith e não ela. Não ouso dizer que isso era consciente, mas garanto que sim. Garanto também que ela conseguiu e que nós dois fizemos a nossa parte. Lady Uckfield me conquistou com sua capacidade de juntar coqueteria com autocracia e não creio que se preocupasse se eu era muito amigo de Edith.
Mal falei com a noiva na fila de cumprimentos, embora eu não esperasse conversar com ela ali; fui falando e abrindo caminho entre vários grupos que conversavam e davam beijos. David e Isabel estavam lá, claro, mas não foram ao palácio Saint James para perder tempo conversando comigo; por isso, deixei-os e passei para outro aposento enorme, vermelho e dourado, que ficava à direita. Imensos quadros a óleo, retratando principalmente membros da dinastia Stuart, estavam dependurados em correntes nas paredes revestidas de damasco. Fiquei sob um dos retratos, achando que era da atriz Nell Gwyn devido ao olhar semicerrado e ao decote generoso. (Ela podia não pertencer à dinastia, mas certamente tinha conseguido penetrar nela.) Para surpresa minha, a placa no retrato informava que aquela comovente bela era Mary de Modena, esposa do rei James VII da Escócia e II da Inglaterra. Levei um susto ao ouvir a voz de Edith atrás de mim.
– O que está achando de tudo? – perguntou.
– Nada como começar por cima – gracejei.
– Acho bem adequado que meu casamento seja num palácio da realeza, tradicional lugar de casamentos arranjados.
Olhei para o peitão da rainha-consorte.
– Tenho certeza de que este não foi muito difícil de arranjar.
Edith riu. Por um instante, ficamos praticamente a sós, o que bastou para eu me encantar com a beleza dela, que agora chegava aos anos de plenitude. Tinha escolhido um vestido estilo década de 1870, com grandes babados e uma espécie de anquinhas. Era de seda marfim com suaves estampas de flores. Seus fartos cabelos louros estavam cobertos pela renda que devia ser da mãe de alguém e presos por uma linda tiara de menina, uma brilhante teia de diamantes, não aquelas peças pesadas de metal que as viúvas nobres usavam na ópera e ficavam sempre parecidas com personagens dos irmãos Marx. Acho que a tiara fazia parte do tesouro dos Broughton.
– Você vai aparecer lá para nos visitar? – ela perguntou.
– Se me convidarem.
Ficamos nos olhando um instante.
– Vamos passar uma semana em Roma, depois vamos visitar Caroline e Eric em Mallorca.
– Parece um ótimo programa.
– Não é? Eles acham que não sei do itinerário. Gosto de Roma. Não conheço Mallorca; Caroline aluga uma villa lá todos os anos, então eles certamente gostam.
Ela riu de novo, meio triste.
Não havia mais nada a dizer e eu não quis comentar aquela tristeza súbita. Não acredito em confissão no leito de morte. No caso, ela havia feito o leito e já estava deitada nele, só faltava fechar os olhos. De todo jeito, não me preocupei. Imagino que muitas noivas (e noivos também) passem por um instante na festa de casamento em que se perguntam “o que eu fiz?”
Dei um beijo no rosto dela.
– Boa sorte. Ligue para mim quando voltar – recomendei.
– Eu ainda não estou indo.
– Eu sei, mas é a última chance para dizer isso.
Assim foi. Charles veio buscá-la para apresentar a mais parentes desconhecidos e fiquei sozinho de novo. Entrei na sala do trono, que ficava no final do primeiro cômodo onde tínhamos entrado. Mais vermelho, mais dourado (agora como fundo para um trono bordado, com um lindo dossel), mais quadros pendurados em correntes. Dessa vez, retratos de membros da dinastia Hanover. Fiquei admirando a cornija da lareira quando um homem gordo, de rosto vermelho, de seus 60 anos, me cumprimentou. Conversamos um pouco a respeito do retrato na sala, de George IV, pintado por Lawrence, querendo saber se era o original ou uma cópia e tal. De repente, ele se inclinou para mim, meio conspirador:
– Escute, você é amigo da moça ou é um dos nossos? – cochichou, com voz rouca.
Confesso que emudeci por um instante.
– Espero que ambos – respondeu lady Uckfield, passando rápido por nós.
Fiz um sinal de agradecimento por me salvar da situação e ela me apresentou ao homem, que era Sir William Fartley, e quase ri alto. Ele foi saindo enquanto lady Uckfield segurava no meu braço e me levava para perto das janelas.
– Espero que você venha logo nos ver outra vez. Tenho certeza de que Charles vai gostar – ela disse.
Isso foi para mostrar que Charles queria ser meu amigo e que a família não via problemas na minha amizade com Edith. Agradeci e disse que iria visitá-los com muito prazer.
– Será que você gosta de caçadas?
– Por acaso, sim.
Ela ficou muito surpresa.
– É mesmo? Pensei que os artistas não caçassem, fossem todos totalmente contra esse esporte.
Dei de ombros.
– Acho que é melhor morrer de tiro na asa do que num abatedouro de animais.
– Ainda bem! Pensei que teríamos de nos virar do avesso para encontrar escritores e pessoas que fossem do seu agrado. Edith acha você muito inteligente.
– Que bom.
– Mas, se você caça, gosta de gente normal.
– Como Sir William Fartley. Estou ansioso.
Ela riu, depois fez uma careta.
– Ele é um bobo, mas mora a seis quilômetros de nós, então não posso fazer nada. – Comentei comigo mesmo que ele morava mais longe que os Easton e que deveria haver umas duzentas pessoas que moravam à mesma distância de Broughton, queriam muito ser convidadas e jamais seriam. Mas claro que não falei nada.
Lady Uckfield deu um tapinha na minha mão.
– Falando sério, você precisa nos visitar. Vou cuidar disso.
– Só vou se você não convidar nenhum escritor ou intelectual. Não quero perder meu prestígio com Edith.
Ela deu aquele sorriso conspirador e foi cumprir suas obrigações.
A festa acabou pouco depois. O lindo casal trocou de roupa e nós saímos do palácio para ver o elegante landau puxado por dois cavalos levá-los embora. Esse insípido detalhe tinha sido especialmente providenciado pelo pai de Edith, sob a ideia equivocada de que daria sofisticação ao evento. Seja como for, quando voltamos ao palácio, os portões estavam trancados. As autoridades locais decidiram que o evento tinha terminado e só nos restava ir para casa.