Memória da Água
Capítulo Cinco
Cruzei o portão da casa da Sanja e estacionei o heliciclo perto da cerca. Kira, mãe da minha amiga, estava no canteiro de girassóis, podando as flores. Aos seus pés havia uma cesta grande, na qual jaziam vários girassóis, todos com as sementes bem desenvolvidas. Minja, a irmãzinha de Sanja, estava sentada no chão poeirento, tentando transformar uma pedra achatada em teto de uma construção composta por duas pilhas de madeira. O capuz antimosquito que Minja tinha herdado de Sanja sobrava na cabeça, e a pedra achatada insistia em deslizar, sem se equilibrar na construção.
— Noria! — exclamou Minja, assim que me viu. — Olha! — A pedra foi esquecida em uma das mãos enquanto ela mostrava, com a outra, a construção de madeira. — Um poço.
— Que bonito! — elogiei, embora o monte de pedaços de madeira não se parecesse nem com um poço, nem com qualquer outra coisa.
Kira se voltou para mim. A frente do vestido, todo desbotado e largo em seu corpo magro, estava suja do amarelo das pétalas secas de girassol. O rosto, pálido e exausto, era emoldurado por uma cabeleira negra, que parecia oleosa e suja debaixo do capuz. Mas ela sorria. E sorrindo se parecia muito com Sanja.
— Oi, Noria — disse ela. — Sanja está esperando por você desde cedo.
— Minha mãe preparou alguns bolos de amaranto ontem — falei, enquanto tirava uma embalagem da bolsa. O bolo era pesado. — Ela mandou um pouco. Não precisa ter pressa em devolver o pote.
Percebi um breve momento de tensão no rosto de Kira antes que o sorriso se abrisse novamente.
— Obrigada — respondeu, pegando o presente. — Mande lembranças para a sua mãe. Infelizmente não temos como retribuir. — Kira deixou cair mais uma flor recém-cortada no topo da pilha de girassóis que se acumulava no cesto. O cheiro fresco se espalhava pelo ar.
— Não tem problema.
Kira se aproximou e pegou Minja pela mão, sem olhar para mim, o que me causou certo constrangimento.
— Hora do banho de esponja, Minjuska — falou. — Deixo você brincar com o barco pirata caso se comporte.
Minja choramingou, mas ficou de pé, atirando a pedra na construção. Os blocos de madeira se espalharam pelo chão, levantando poeira. Kira foi para dentro de casa, levando em uma das mãos o pote com o bolo e, na outra, Minja.
— Até mais, Noria.
Acenei para a pequena Minja, mas ela estava mais interessada na promessa de brincar com o navio pirata.
Dei a volta na casa. Pelas telas antimosquito da oficina, dava para ver Sanja sentada num banco, mexendo em alguma coisa na mesa. Bati em uma das vigas de madeira que dava suporte às telas. Ela levantou os olhos e me cumprimentou. Entrei, fechei a porta e tirei o capuz.
A máquina na mesa era a que ela havia encontrado no lixão dos plásticos algumas semanas antes. Reconheci o formato, com os buracos nas duas extremidades da parte da frente, as estranhas combinações de números e um círculo com tampa na parte de cima. Os cabos de força do equipamento estavam ligados ao gerador de energia solar, no canto da mesa.
— Você trouxe? —perguntou ela.
Sanja tinha dado um jeito de prender o cabelo com uma echarpe gasta. Suas bochechas estavam vermelhas. Devia ter acordado cedo, de tanta empolgação, e eu podia apostar que havia trabalhado incansavelmente a manhã inteira. Coloquei a bolsa na mesa e peguei a caixa de madeira, de onde tirei as TDKs.
— Não entendo por que você quer isso.
Sanja desapareceu embaixo da mesa, à procura de alguma coisa. Emergiu um minuto depois, segurando um retângulo preto de plástico. Eu tinha visto aquela peça algumas semanas antes, quando trouxe o cantil para ela arrumar. Sanja pegou uma das minhas TDKs da mesa, e eu percebi de imediato como os dois objetos eram parecidos. A diferença era o tamanho.
— Tentei imaginar a utilidade desse equipamento — explicou ela. — Que servia para escutar alguma coisa, eu já sabia, por causa das caixas de som, que são como as dos message-pods, de tamanho completamente diferente e modelo muito mais antigo, claro, mas o princípio é o mesmo. Aí fiquei tentando entender a função do buraco retangular na parte da frente do aparelho, notei que havia dois pinos dentro, e que um deles girava. — Apontou para as peças retangulares grandes e continuou: — Os retângulos de plásticos estavam jogados ali do lado e, olhando para eles, distraída, me ocorreu que o mecanismo parecia o mesmo, os buracos feitos exatamente para aquele tipo de pino. O formato era perfeito, mas o tamanho não. — E tamborilou os dedos nos retângulos grandes, onde estava escrito “VHS”. — É como se esses aqui fossem feitos para um equipamento parecido, só que maior. Pensei: que maldita falta de sorte! O equipamento certo, as peças certas, mas na escala errada. Então me lembrei da sua coleção de coisas inúteis, e me dei conta que você tinha TDKs!
Comecei a entender aonde ela estava querendo chegar. Sanja alisou o quanto pode uma das fitas de TDK, colou as pontas que estavam soltas e enrolou a fita para dentro do retângulo de plástico até que ficasse bem apertada. Depois, tentou colocar a TDK no buraco frontal da máquina com caixas de som.
— Não cabe — falei, desapontada. Mas quando ela virou a TDK do lado contrário, o retângulo se encaixou perfeitamente.
— Uau! — exclamou ela.
Também senti um sorriso se formando no meu rosto.
Sanja fechou a tampa do buraco frontal e ligou o gerador à luz solar. Uma luz verde pequena, que lembrava a de um vaga-lume, se acendeu no topo do painel da máquina, perto das combinações numéricas.
— Agora a gente só tem que descobrir o que fazer com todos esses botões — disse ela, apertando um deles, o que tinha um quadrado desenhado. A tampa do buraco se abriu. E nada mais aconteceu. Sanja fechou a tampa novamente e tentou um botão que tinha duas flechas desenhadas, apontando para o mesmo lado. A máquina começou a funcionar. Sanja aproximou o rosto do buraco retangular e estreitou os olhos para ver melhor, sempre alerta. — Está girando. Olha!
Dei uma espiada e comprovei que Sanja tinha razão: a máquina estava girando a fita que ficava dentro da TDK de plástico, tão rápido que era difícil dizer em que direção. Pouco depois, ouvimos um primeiro estalo, a máquina diminui o compasso e, em seguida, distinguimos um novo estalo. Os pinos que giravam a fita pararam.
— Quebrou? — perguntei, cautelosamente.
Sanja franziu o cenho.
— Acho que não. Talvez só tenha acabado a fita. — Ela apertou outro botão, que tinha apenas uma flechinha desenhada. A máquina começou a funcionar mais devagar. Aí ouvimos um estalo nas caixas de som. Sanja deu um pulo e olhou para mim.
— Ouça!
As caixas de som soltaram um ruído e um sussurro e depois outro sussurro.
E sussurrou mais um pouco.
O tempo foi passando, e o barulho não nos ajudava a avançar nos segredos de outro tempo e de outro mundo. O sorriso de Sanja começou a desbotar como o sol no final do dia. Até que minha amiga apertou o botão com desenho de um quadrado de novo e a fita parou. Sanja abriu a tampa, tirou a TDK e colocou outra no lugar, depois de ter colado as pontas soltas dessa segunda fita também.
Ainda assim não se ouvia nada nas caixas de som além de um ruído murmurante.
Ela testou as três TDKs várias vezes, avançando e voltando cada uma delas e girando-as de um lado e do outro, mas tudo o que podíamos ouvir eram sons fantasmas perdidos no tempo e no espaço — e aquele quase silêncio era pior do que um silêncio completo. Se as fitas tinham algum dia registrado qualquer coisa inteligível, a terra, o ar, a chuva e o sol tinham desgastado os ecos do passado, transformando-os em ruídos incompreensíveis.
Sanja olhou para a máquina e girou as TDKs nas mãos.
— Eu sei que estou certa. Essas peças cabem perfeitamente na máquina e enviam sons para as caixas. O aparelho e as TDKs devem ter sido usados exatamente desse jeito. Se encontrássemos uma TDK que ainda tivesse algum som...
Os dedos de Sanja tamborilavam na superfície de plástico das TDKs. Dava para ouvir Minja gritando dentro de casa e a voz suave de Kira tentando acalmá-la. Fiquei olhando uma pequena aranha preta girando na teia, pertinho do gerador à luz solar.
— Talvez... talvez existam mais delas em algum lugar do lixão dos plásticos — sugeri. — Ou talvez essas peças nem fossem feitas para durar mesmo. A tecnologia do mundo antigo era tão frágil.
De repente, a expressão de Sanja mudou, e era como se todo o seu rosto tivesse se fechado em concentração. Ela levantou a tampa superior da máquina e passou os dedos na superfície. Então, olhou para a minha caixa de madeira, aberta na mesa. Seus olhos estavam fixos no disco prateado com um furo no meio. O disco parecia ter o tamanho exato da superfície em cima do aparelho. Sanja olhou para mim e vi meus próprios pensamentos refletidos em sua expressão.
— Posso? — perguntou.
Eu assenti.
Sanja tirou o disco da caixa de madeira e o colocou no topo do aparelho. O objeto parecia feito para esse fim. O pino no meio da superfície circular servia direitinho no buraco no disco. Sanja pressionou levemente o disco e ouvimos um clique. Ela fechou a tampa e apertou o botão onde estava desenhada uma única flechinha. Pela tampa translúcida, vi que o disco estava começando a girar.
Esperamos.
Nenhum som saía das caixas.
Sanja fez uma cara tão desapontada que eu também acabei desanimando. Mas, ainda assim, decidiu mexer em todos os comandos do painel. O primeiro fez a luz estilo vaga-lume apagar e a rotação do disco diminuir, então ela colocou o botão na posição original. O segundo comando não fez nada acontecer. O terceiro, porém, fez com que as caixas de som produzissem um estalo tão alto que nós duas demos um pulo. Ao estalo, seguiu-se um breve silêncio e, finalmente, uma voz masculina, que falou claramente na nossa língua:
“Este é o diário de bordo da expedição Jansson, quarto dia. Trøndelag do Sul, próximo à área previamente conhecida como cidade de Trondheim.”
Enquanto a voz descrevia coisas e as demarcava em dias, meses e ano, Sanja começou a aplaudir e eu caí na risada. A jornada continuava:
“Começamos o dia medindo os níveis de micróbios das Quedas de Dovrefjell. Os resultados ainda não estão completos, mas parece não haver discrepância em relação aos resultados de Jotunheimen. Se esse for realmente o caso, nossas estimativas sobre o nível de recuperação biológica espontânea e sobre o processo de reconstrução que está em andamento na área foram bem mais modestos do que a realidade. Amanhã, vamos colocar bactérias purificantes nas águas e, então, rumaremos para Trøndelag do Norte...”
O dia ardia lá fora num mormaço pesado, e as mutucas escalavam as telas de proteção enquanto ouvíamos a voz do mundo antigo. Por vezes, a voz quase desaparecia, o disco parecia riscado ou emperrado, mas logo o som voltava a ecoar. Sanja não parou a gravação em momento algum, sequer tentou apressar as partes mais chatas. Aquele disco tinha atravessado gerações. E era parte de uma história que havia quase se perdido no lixão dos plásticos. Ficamos em silêncio. Não sei o que Sanja estava pensando, mas eu matutava comigo mesma sobre os anos passados, sobre a água abundante que desgastava as coisas. Refletia a respeito da inexplicável sequência de eventos que tinha trazido aquela voz de uma terra distante, de um mundo perdido, para essa manhã seca, para nossos ouvidos que entendiam as mesmas palavras, mas que, ainda assim, apreendiam pouco do que era dito.
A voz falava sobre exploração das águas, níveis de micróbios, crescimento de bactérias, formas e relevos. Houve uma pequena pausa e, a partir dali, começamos a discernir a separação das seções da gravação. No começo de cada uma a voz anunciava a data: a gravação avançava do dia quatro para o dia cinco e assim por diante. Quando chegou ao nono dia, a voz parou completamente. Esperamos por um tempo, mas de nada adiantou. Os minutos passavam. E nos entreolhamos.
— Que pena que acabou — disse Sanja. — E que pena que não era um assunto mais empolgante.
— Tenho certeza de que minha mãe discordaria de você — falei. — Ela é doida por todo tipo de coisa científica...
As caixas de som produziram um novo ruído. Paramos de falar, atentas. Dessa vez, a voz era feminina:
“Os outros acham que eu não devia fazer isso. Mas eles não precisam ficar sabendo.” A mulher fez uma pausa e limpou a garganta, depois continuou: “Caro ouvinte, se você é militar, pode ter certeza de que fiz tudo que estava ao meu alcance para que esses registros não chegassem às suas mãos. O fato de você estar ouvindo isso é, portanto, uma indicação de que eu falhei miseravelmente.” Houve uma breve pausa. “Mas isso é preocupação para outro momento. Agora, tenho uma história para contar, e você não vai gostar nada dela. Eu sei o que vocês fizeram. Sei o que ainda vão fazer. E se tem uma coisa que eu gostaria de dizer a respeito disso é que o mundo inteiro vai acabar sabendo, porque...”
A fala foi cortada sem mais explicações. O disco continuava a rodar, mas agora a voz do mundo antigo tinha sumido irrevogavelmente. A gravação havia acabado.
Sanja e eu nos entreolhamos.
— O que foi isso? — perguntei.
Ela tentou acelerar e depois voltar a gravação. Chegou a tentar mudar o lado do disco, mas a essa altura estava claro que tínhamos ouvido tudo o que havia para ouvir.
— Em que ano o cara falou que eles estavam, lá no começo da gravação? — perguntei.
Nenhuma de nós duas tinha prestado atenção. Sanja colocou o disco para tocar do começo. Enquanto escutávamos, percebi na expressão da minha amiga que ela havia chegado à mesma conclusão que eu. Sem pensar duas vezes, tínhamos dado por certo que o disco pertencia ao mundo antigo.
Estávamos enganadas.
— É do Século do Crepúsculo — falei.
— Não pode ser verdade — argumentou Sanja, sem muita convicção. — É só uma história, como aquelas dos livros ou das séries de suspense que a gente compra no message-pod, um capítulo por vez.
— Se fosse uma história, para que teria toda essa lenga-lenga de ciência no começo e a parte interessante só no final?
Sanja deu de ombros.
— Talvez seja uma história mal escrita. Essas pod-stories não são muito boas. Meu pai tem algumas.
— Não sei... — Comecei a fazer um esforço para lembrar em qual parte do lixão dos plásticos eu tinha encontrado o disco.
Sanja o tirou do aparelho com determinação, colocou-o dentro da caixa de madeira e fechou a tampa.
— Não importa — disse ela. — Nunca vamos saber o que aquela mulher queria dizer. Pelo menos conseguimos fazer o equipamento funcionar.
Mas eu ainda estava pensando nos invernos desconhecidos e nas lendas perdidas, na linguagem familiar e, ao mesmo tempo, nas palavras estranhas que ficaram ecoando em minha mente. Pensei na chuva e no sol que castigavam os lixões de plástico, desgastando aos poucos todas as coisas. E pensei no que tinha resistido a isso tudo.
Sabia que acabaria me lembrando de onde o disco tinha vindo.
— A gente podia procurar mais discos onde achei este aqui — sugeri, empolgada com a ideia. — Para descobrir a história toda. Ainda que seja só uma história, você não gostaria de saber como termina?
— Noria...
— A gente podia sair amanhã, levar um lanche e...
— Noria. — Sanja me interrompeu. — Você pode não ter nada melhor pra fazer do que servir chá e andar pelo lixão dos plásticos. Mas eu tenho.
Em algum lugar da casa, Minja tinha começado a chorar.
De repente, havia um abismo entre nós. A gente se conhecia desde que aprendemos a andar, na praça do vilarejo, segurando as mãos das nossas mães enquanto ensaiávamos os primeiros passos. Se alguém me perguntasse, não hesitaria em dizer que Sanja era a pessoa mais próxima de mim, com exceção dos meus pais. Mas, ainda assim, algumas vezes ela se recolhia e a gente perdia contato. E então, como um reflexo ou um eco, ficava apenas uma sombra da proximidade de um minuto antes. Um buraco para além de qualquer palavra ou toque. Nunca entendi o que acontecia com ela, só sabia que algo não estava bem.
Sanja estava distante de mim agora, distante como as águas secretas, distante como os invernos que nunca vi.
— Tenho que ir — falei.
Enfiei a caixa de madeira na bolsa. O sentimento de que tínhamos encontrado uma passagem secreta para outro tempo e espaço desconhecidos tinha se esvaído. Virado cinzas.
Coloquei o capuz antimosquito e saí pelo calor infernal que fazia lá fora.
Ao voltar para casa, senti que a alça da bolsa machucava meu ombro. Eu estava exausta. O suor escorria pelo pescoço e costas, e o cabelo estava colado à pele por baixo do capuz. As palavras gravadas no disco me incomodavam. Expedição Jansson. Aquilo parecia saído de um dos livros antigos da minha mãe. E aquela mulher — escondida na expedição — que considerava sua história tão importante a ponto de ditar seu segredo e se declarar pronta a destruir a gravação só para impedir que caísse na mão dos militares.
Eu queria saber por que aquilo era tão importante para ela.
De longe, vi alguns helicarros desconhecidos estacionados na frente da nossa casa. Pensei se tratarem de convidados de última hora para o chá e esperava que não fosse o caso. Meu pai detestava receber visitas sem ter reservado tempo de se preparar direito e ficava mal-humorado por dias quando isso acontecia.
Virei o heliciclo em direção ao bosque e tentei enxergar o que acontecia no jardim, por entre as árvores.
Minha respiração virou um nó na garganta e um aperto no peito quando reconheci os uniformes militares. Não eram um ou dois, eram muitos.
Um helicarro conhecido estava estacionado do lado de fora do portão, na garagem de algas. Quando cheguei ao jardim, vi aproximadamente dez soldados carregando um complexo maquinário de lá para cá. Alguns dos instrumentos me faziam pensar em figuras que tinha visto nos livros da minha mãe. Uma cerca improvisada fora erguida em torno da casa de chá e, diante dela, havia um soldado com um sabre no cinto e um olhar vigilante. Meus pais estavam na varanda da casa, e um oficial alto de uniforme, de costas para mim, falava com eles. Quando ouviu meus passos, virou-se, e reconheci o rosto por baixo do capuz.
— Boa tarde, senhorita Kaitio. É um prazer encontrá-la novamente — disse o comandante Taro, aguardando que eu fizesse reverência.