Mitos e outras narrativas kamayurá

Pedro Agostinho · Capítulo 35 de 51

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Mitos e outras narrativas kamayurá

34 - História da moça que queria namorar

Uma moça, antigo, uma moça estava muito doente, porque ele tem vontade de namorar, também. Ela tem muita vontade, mas ninguém quis, namorar. O rapaz, tem muito, antigo, mas não tem vontade de namorar. Bom.

Dois dias, mulher ficou doente, ela [com] vontade, mas ela [com] vontade mesmo: ficou doente. Bom. Depois os outros, mulheres, homens, foi para a roça. Depois volta. Ainda não sabia, esse pessoal, dela. Outro dia, [o pessoal] foi arrancar mandioca; aí depois um rapaz, [diz] assim que entrou lá na casa dela. Aí, entrou lá, não tem ninguém: só ela ficou. Aí um rapaz entrou lá: “Ih, aqui não tem ninguém… Só ficou doente…”

Aí, foi lá perto dela. Aí ele procurou: “O que é que você tem, hem, moça?” Aí não respondeu. Aí ele foi mais assim perto dela, ele procurava de novo: “O que é que você tem, moça?” “Eu estou doente, estou doente muito.” “Por quê?” “Porque, assim… Estou doente mesmo.” Aí, daqui a pouco, começou a falar, essa moça, ela falou para o rapaz: “Você quer me levar, lá fora, para fazer cocô?”

“Não, eu não leva você não, eu te mato, você!” “Não, você não mata eu não. Você me carrega.” “Sim. Então eu carrego você.” Ele carregou. Levou lá na fora: “Aqui?” “Não, aqui não, mais para lá.” Aí ele levou mais para lá, um pouco. Aí: “Pode fazer.”

Aí ele [ela] começar falar; começou a falar assim: “Eu quero isso.” Aí esse rapaz procurava: “O quê? O que é que você quer?” “Eu quero essa.” Aí o rapaz procurava assim: “O que é que você quer de mim?” “Eu quero essa!” “Ah, essa não, essa aqui, você faz comigo, eu te mato!” “Não, você não mata eu não. Se você ‘trabalhar’ eu, fica bom.” “É mesmo?” “É sim.” “Então vamos ‘trabalhar’”. “Olha lá, hem! Eu te mato… Eu te mato você, hem!” “Não, não mato não. Vai ficar bom” [disse a moça]. Aí homem “trabalhou.” “Trabalhar” nela, aí acabou de “trabalhar”, aí essa moça correu, não ficou mais doente não. Ficou bom. Aí moça correu.