Mitos e outras narrativas kamayurá

Pedro Agostinho · Capítulo 39 de 51

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Mitos e outras narrativas kamayurá

38 - Os Trumaí aprendem Yawari com Ayanama

“Está bem, vamos primeiro assar.” Deram muitos tracajás. Primeiro os Kamayurá comeram, depois, depois os Trumaí. Aí os Kamayurá mataram todos.

Depois, os Trumaí foram lutar com os Kamayurá, sem flecha. Quando chegaram, na aldeia dos Kamayurá, levavam só varas para

brigar137. Os Kamayurá ganharam, mataram todos. Pegaram um [prisioneiro]. Ensinaram-no a fazer flecha, arco, borduna, tudo. Aí os Kamayurá disseram ao chefe dos Trumaí: “Agora vocês sabem fazer arco, não podem mais brigar com Kamayurá.” Os Trumaí fizeram muitas flechas, arcos. Os Trumaí, aí, aprenderam a fazer roça de

mandioca138.

 

38 - Os Trumaí aprendem Yawari com Ayanama

Ayanama brigava com Trumaí, mas queria casar com Trumaí. Ele era Trumaí. Aí Ayanama foi embora, porque os Trumaí não gostavam dele. Depois os Trumaí brigaram. Ayanama foi para a aldeia dele. Os Trumaí ficaram tristes, tinham apanhado. Fugiram para o mato, com medo de ir para a aldeia.

Um Trumaí saiu, ficou no mato sem comer, bem magro. Todos os dias, dormia no mato, e procurava Ayanama. Um dia achou mato queimado, lá dentro do mato, achou roça. Era de Ayanama, estava

seca, por causa dos porcos do mato139. Tinha mandioca, cana, cará… O Trumaí pegou cana e chupou; pegou batata, cará, e comeu; dormiu no meio da roça.

Uma mulher da família de Ayanama veio buscar lenha, viu rasto, procurou até achar o Trumaí sentado. A língua de Ayanama era Trumaí. Conversou com ele, ele contou por que tinha fugido para a aldeia de Ayanama. Aí foram para a casa de Ayanama; chegaram lá, o pessoal de Ayanama jogava muito yawari.