Poder e Manipulação

Jacob Petry · Capítulo 12 de 25

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Poder e Manipulação

Capítulo 10 - Da fidelidade daqueles que nos ajudam a conquistar o poder

CAPÍTULO 10

DA FIDELIDADE DAQUELES QUE NOS AJUDAM A CONQUISTAR

O PODER

DE O PRÍNCIPE

As pessoas trocam de governante pensando sempre em melhorar. E

essa crença leva-as a se erguer contra seu governante atual para substituí-lo. Ao trocar de governante na tentativa de melhorar, muitas vezes, enganam-se e percebem pela experiência própria terem piorado.

Alguns, pelos mais diversos motivos, não gostam do príncipe.

Outros que o ajudam a tomar o poder o fazem por interesses próprios.

Auxiliando-o a chegar ao topo, eles próprios esperam subir pelo menos alguns degraus.

Assim, são seus inimigos todos os que se

julgam ofendidos com o fato de você estar

“Ao assumir o poder, o

ocupando o poder; e também não considere líder terá como

amigos os que ali o colocaram, porque você adversários todos os não poderá satisfazer as expectativas deles de seus inimigos naturais,

acordo com o que eles esperavam. Você não e também os que ali o

poderá ignorá-los ou desprezá-los, por estar colocaram.”

comprometido com eles; e ainda que o faça, deve cuidar para não se tornar por eles odiado.

Por esse motivo, no meu tempo, Luís XII, rei de França, ocupou Milão com rapidez e a perdeu com uma rapidez ainda maior. A população que abrira as portas ao rei, dando-se conta de seu erro, logo revoltou-se contra ele.

2.

Um príncipe sábio, por isso, não pode apenas ocupar-se com o presente. Ele precisa ter a habilidade de prever circunstâncias futuras e, se preciso, preveni-las com máxima perícia, de tal modo que seja fácil corrigi-las. Não deve permitir que os acontecimentos se delineiem por conta própria para depois querer corrigi-los. Quando é assim, muitas vezes, o remédio não chega a tempo, o que torna a doença incurável.

Médicos afirmam sobre a tuberculose que, no início, sua cura é fácil, mas é difícil diagnosticá-la. Em estágio mais avançado, é fácil diagnosticá-la, mas difícil curá-la. Acontece o mesmo em relação ao poder: diagnosticando-se os males com antecedência — o que é concedido apenas aos príncipes sábios —, logo dá-se a cura; mas quando ignorados, eles aumentam a ponto de todos os conhecerem, mas não há mais como remediá-los.

O desejo de conquista é uma característica natural e comum nas pessoas, e aquelas que podem satisfazê-lo serão louvadas sempre e raramente recriminadas. Mas não o podendo, e querendo fazê-lo a qualquer custo, decerto cometerão um erro e deverão ser impedidas.

Tira-se daí uma regra geral que não costuma falhar: quando um é causa do poder de outro, facilmente arruína-se. Por isso, uma vez no poder, o príncipe deve a todos considerar – amigos e inimigos —, mas não pode depender de nenhum deles. Sendo sábio, não deve permitir que nem um nem o outro determine o destino de sua liderança, tarefa que é de responsabilidade unicamente sua.

Por isso, ele precisa sempre ter o controle da situação. Saber que se encontra só no poder e perceber qualquer sinal de infidelidade. Ele deve saber quando pode confiar no tempo para resolver os problemas, como fazem os sábios. Mas também deve saber quando precisa impor-se para, com sua própria virtude e prudência, antecipar-se aos fatos e, assim, transmudar o mal em bem.

MAQUIAVEL

Capítulo I I

Dos principados mistos

ANÁLISE

Há uma conversa boba por aí de que você deve dizer seus planos publicamente para comprometer-se com eles. Pessoas com poder raramente revelam seus verdadeiros planos, interesses e, muito menos, suas estratégias. Elas sabem que isso chamaria a atenção de invejosos e da concorrência e que isso em nada as ajudaria. A estratégia que esses indivíduos usam para conquistar seus territórios é outra: pequenas atitudes, avanços lentos, quase imperceptíveis, que levemente nos chamam a atenção, provocando mais a curiosidade do que qualquer outro sentimento; e quando menos percebemos, eles não só invadiram o território que cobiçavam como já se ocuparam plenamente dele.

Se quiser descobrir os planos de alguém assim, fique alerta para pequenos sinais, movimentos discretos, perguntas fora de contexto, insinuações bem elaboradas, histórias que não se encaixam. Antes de se convencer de que você descobriu a intenção verdadeira dessa pessoa, por mais convincente que as coisas pareçam, investigue, faça muitas perguntas cruzadas, tente trazer outras pessoas para a conversa. Depois, vá atrás delas para checar as informações. Todo esforço vale a pena, pois pode lhe fazer economizar um tremendo tempo, dinheiro e ressentimento no futuro.