Poder e Manipulação
Capítulo 12 - Dos tipos de liderança e das suas vantagens e desvantagens
Tenha sempre em mente as grandes vantagens que existem em tornar-se indispensável dentro de uma empresa ou corporação. Uma vez que você consiga estabelecer uma relação na qual você se torne
imprescindível aos olhos de seus superiores, mesmo estando num nível inferior, será você quem estará no controle. As rédeas do comando estarão em suas mãos. E, com sutileza e astúcia, você conseguirá do seu superior tudo o que desejar. Na realidade, você se tornará a pessoa poderosa que age na sombra, por trás do líder, aquele que realmente define as regras do jogo. E, neste caso, o poder estará com você, e não com seu superior. Por isso, nunca seja leviano nas suas relações.
Descubra um vácuo, um espaço essencial que esteja vazio e o preencha com sua competência. E, aos poucos, firme sua posição, construa a influência que, com o tempo, o tornará imprescindível. Assegure-se de que você seja indispensável. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, aparecerá alguém melhor do que você, com qualidades superiores às suas e você será rebaixado do seu posto ou, se preciso, dispensado sem qualquer hesitação.
CAPÍTULO 12
DOS TIPOS DE LIDERANÇA E DAS SUAS VANTAGENS E
DESVANTAGENS
DE O PRÍNCIPE
Se considerarmos os desafios com os quais se deve contar para manter um Estado recém-conquistado, causará espanto o fato de, tendo Alexandre Magno, rei da Macedônia, conseguido, em poucos anos, derrotar as tropas de Dário III, tornar-se senhor absoluto da Ásia e morrido logo em seguida à conquista daqueles territórios, o povo da Ásia não ter se revoltado com os sucessores de Alexandre Magno, como seria de se esperar. Os sucessores de Alexandre, contudo, mantiveram-se senhores da Ásia. E, para isso, não encontraram outros desafios senão os que surgiram entre eles mesmos, frutos de sua própria ambição.
Como isso se explica? Responderei
dizendo que existem dois tipos de governo:
“O líder centralizador
ou o de um governante auxiliado por
não tolera nenhuma
assessores que são apenas servos submissos liderança emergente
que agem somente por graça e concessão de que possa parecer
seu senhor; ou através de um governante uma ameaça.”
cercado de líderes que, não por submissão, mas por herança ou por tradição assumem essa posição. No último caso, tais líderes têm liberdade e autonomia para tomar suas próprias decisões. A liberdade e autonomia exercida pelos assessores do príncipe não são fruto do favor dele, mas da tradição, virtude e do poder pessoal próprio de cada um dos assessores.
E eles desempenham responsabilidades e mantêm seus próprios assessores, que os reconhecem como príncipes e dedicam-lhes afeto e admiração verdadeira e natural.
2.
Desses dois modos de governar temos os exemplos do governo turco e do reino da França. O governo turco é exercido por um governante centralizador que, tendo dividido o seu reino em subdivisões, tem assessores submissos, aos quais manipula, mudando-os e deslocando-os como bem entende. O rei da França, ao contrário, é assessorado por um grupo de lideranças menores cujo domínio se prende à tradição e que são reconhecidas e respeitadas em seus postos. Todos os membros do reinado têm poder independente e não pode o rei privá-los desse poder sem correr ele próprio sérios riscos.
Ao analisar esses dois modelos de
governo, alguém poderia presumir que o turco
“Para conquistar o
é o mais seguro. Contudo, uma vez que se cargo ocupado por um
conseguisse derrotá-lo e conquistá-lo, seria líder centralizador é
muito fácil manter-se no poder. A razão da mais conveniente
dificuldade em conquistá-lo está no fato de confiar nas forças
todos os assessores serem submissos ao
próprias do que nas
príncipe e de estarem no cargo por favores desordens internas do
dele. Por terem satisfeitos os seus interesses governo.”
próprios, fica mais difícil corrompê-los. E
mesmo quando se corrompem, pouca
vantagem se obtém deles, visto que não possuem poder pessoal e tampouco contam com o apoio do povo. Conclui-se disso que quem se pusesse em marcha contra a Turquia deveria preocupar-se com o fato de encontrá-la unida; ser-lhe-ia, então, mais conveniente confiar nas forças próprias do que nas desordens internas do governo ou mesmo na fragilidade do príncipe. Mas, assim que vencida e desbaratada a luta, de maneira a não ser-lhe possível refazer os exércitos, não seria preciso ter grandes preocupações, senão com a deposição do príncipe. Uma vez deposto, não haveria mais a quem temer, pois os demais assessores não têm o respeito, a estima ou o domínio sobre o povo para se recompor.
E, do mesmo modo que, antes da vitória, não podia se esperar nada deles em busca da conquista do Estado, depois da conquista, nada se tem a temer.
O oposto acontece nos reinos que a França governa. Neles, é possível entrar com facilidade pela aliança com algum barão do reino, pois existem sempre descontentes ou gente ambiciosa por tomar o lugar
de quem está no comando. Esses barões facilmente podem ser convencidos a ajudar a abrir o caminho e facilitar a vitória sobre o governante que está no posto. O difícil, contudo, estará em se conservar nele. E não apenas os que você oprimiu criarão dificuldades nesse sentido, mas também aqueles que de início o auxiliaram. Não basta, nesse caso, extinguir o príncipe, uma vez que restarão os barões que logo se tornarão as cabeças de novas rebeliões. E não sendo possível contentá-los, lhe tomarão o Estado assim que tiverem uma chance.
3.
Com isso fica clara a resposta para a pergunta feita no início do capítulo. Considerando-se a natureza da liderança de Dário III, podemos perceber que ela é semelhante à do governante da Turquia. Se Alexandre precisou de muito esforço para desbaratar os exércitos de Dário III, após derrotá-lo não teve dificuldades em manter o Estado, conforme o que disse acima.
Mesmo após a morte de Alexandre, tivessem os sucessores se mantido unidos, poderiam ter desfrutado, ociosos, daquele reino por muitos anos. Afinal, não houve aí outras disputas senão aquelas que eles mesmos provocaram entre si.
Consideradas, portanto, essas coisas todas, não há mistério na facilidade com que Alexandre consolidou sua vitória na Ásia. Tampouco é difícil compreender as dificuldades que outros tiveram em conservar os reinos conquistados, como sucedeu a Pirro, que conquistou com muito esforço a Sicília, apenas para perdê-la pouco tempo depois.
Essas conquistas e suas consequências são contingências originadas, como vimos, não do mérito do vencedor, mas nas diferenças dos povos conquistados.
MAQUIAVEL
Capítulo IV
Por que razão o reino de Dário, ocupado por Alexandre, não se rebelou contra seus sucessores
ANÁLISE
Na sociedade altamente competitiva e em constante mudança em que vivemos, há duas características essenciais que devem estar presentes nas qualidades daqueles que buscam o poder e a liderança: velocidade e capacidade de adaptação. Sobre elas, muito se comenta, mas ambas são cada vez mais raras. A razão disso é um tanto complexa, mas perfeitamente compreensível: por um lado, existe um excesso de informação à nossa disposição, o que impede o desenvolvimento de interpretações rápidas e decisões acertadas. Por outro, as equipes profissionais estão cada vez maiores e, com tanta informação disponível, as pessoas, cada vez mais, têm a ilusão de que são independentes, donas de conhecimento e também de si, o que dificulta seu gerenciamento e atrapalha sua capacidade de adaptação.
Por isso, a maioria das empresas e corporações está contaminada com gente despreparada, emocionalmente fraca, que não possui a habilidade de procurar opções diante dos obstáculos, que não sabe persistir inteligentemente pelo tempo necessário, que desiste diante das adversidades apenas dizendo que “não dá”. Caro leitor: se ainda puder, se você tiver a chance, liberte-se desse tipo de profissional. Eles são um atraso na vida de qualquer empresa ou corporação.
A tendência natural da maior parte dos líderes ou gerentes é tentar controlar a equipe, liderar e coordenar cada ação. Livre-se dessa tendência, porque ela tornará o processo lento demais. Lembre-se: a essência do poder é manter-se no controle, ditar as regras, ter a liberdade da iniciativa e fazer com que os demais respondam a suas decisões mantendo-os sempre na defensiva. Mas um líder, por mais inteligente e poderoso que seja, é um ser humano como qualquer outro, portanto não possui o dom da onipresença. Desse modo, como nosso tempo, energia e recursos são limitados, você deve encontrar maneiras de aplicá-los efetivamente. Cansaço, ansiedade e frustração podem roubar sua paciência e conduzi-lo a tomar decisões impulsivas e prejudiciais.
Mesmo assim, muitos têm o ímpeto de fazer tudo sozinhos. É mais fácil e mais simples: “Farei do meu jeito e, assim, sei que ficará a contento”. É importante, porém, saber que não existe essa coisa de criar poder ou liderança sozinho. Poder e liderança são frutos de relacionamentos. Você até pode ter ideias brilhantes e estratégias
milagrosas, mas se não tiver bons relacionamentos, se não souber delegar e se não souber trabalhar com os outros, encontrará sérios problemas.
As pessoas têm seus próprios interesses. Se você for muito controlador e autoritário, elas irão se rebelar e sabotá-lo em silêncio. Se você for muito liberal, elas irão defender seus próprios interesses e você perderá o controle. Por isso, encontre um meio-termo: tente agir de forma que elas não se sintam controladas por você, mas influenciadas.
Então, se você quer ser um grande empreendedor, um profissional brilhante ou um líder que cative as pessoas, treine-se para expressar sua liderança de forma inspiradora, colocando o foco da sua atenção no time, não apenas no gerente que comanda o time. Minha sugestão é que você crie times menores. Eles são mais rápidos, mais criativos e se adaptam com maior facilidade, além de serem mais fáceis de monitorar e motivar.
Divida sua equipe em times menores e independentes que possam tomar suas próprias decisões. Ninguém é feliz sendo dominado. Assim, faça-os se sentirem com autonomia. Dê-lhes uma missão para cumprir e deixe-os agir por conta própria, enquanto você acompanha e monitora os resultados. Se fizer isso, se souber delegar e monitorar com tranquilidade, sem tensão, terá muito mais controle do que o líder que seguir um estilo centralizador. E tenha em mente que ter poder nada mais é do que estar no controle.
Liderar equipes é uma arte refinada. Existem aqueles que, não importa o que você fizer, não se renderão ao seu estilo. Surgirão divergentes e dissidentes que deverão ser isolados. Você precisa separá-los do rebanho e lidar com eles individualmente.
Nesse processo, é necessário que você tome algumas precauções:
Se, em algum momento, você tiver que se encontrar com um de seus dissidentes, nunca vá até ele. Pelo contrário, faça-o ir até você. Todos temos reservas limitadas de tempo e de energia; não desperdice o seu indo ao encontro de seus adversários. Quando você o força a agir, quando o obrigar a ir ao seu encontro, além de se manter no controle, mostrando seu poder e sua autoridade, você economiza tempo, energia e diminui as reservas de energia e o tempo dele. Além disso, estará em seu campo de batalha durante o enfrentamento. O líder que faz com que o outro venha até ele mostra que tem mais poder e respeito.
É importante que você cuide para não confundir ações agressivas com ações eficazes. Na maioria das vezes a ação eficaz não é a agressiva, mas a passiva! Aprenda a esperar, manter-se calmo e aguardar que seus adversários mordam a isca que você preparou. Desenvolva paciência. Pessoas agressivas logo perdem o controle. A pressa costuma impedi-las de ver as consequências de suas atitudes e as induz a cair nas armadilhas de alguém mais esperto, estratégico e calmo que elas.