Poder e Manipulação

Jacob Petry · Capítulo 21 de 25

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Poder e Manipulação

Capítulo 19 - Dos motivos pelos quais os líderes perdem seus postos e como mantê‑los

CAPÍTULO 19

DOS MOTIVOS PELOS QUAIS OS LÍDERES PERDEM SEUS

POSTOS E COMO MANTÊ-LOS

DE O PRÍNCIPE

Opríncipe que observar sabiamente as coisas mencionadas nos capítulos anteriores, mesmo que recém chegado ao poder, aparentará muito mais experiência e se tornará muito mais seguro no seu posto do que se estivesse nele há muito tempo.

É importante ter em mente que um príncipe novo é muito mais vigiado em suas ações do que um veterano. E quando as ações de um novato demonstram virtude, elas atraem e envolvem muito mais do que as de um príncipe tradicional já estabelecido no poder há mais tempo.

Isso ocorre porque as pessoas são muito mais presas e influenciadas pelo presente do que pelo passado. Quando o presente é bom, elas se mostram alegres e satisfeitas, esquecem o que passou e não se ocupam muito do que pode vir a acontecer. É provável que até defendam o príncipe se ele não falhar com suas promessas.

Ao agir assim, ele terá a dupla glória de ter fundado uma liderança nova e de vê-la ornada e fortalecida com novas leis e bons exemplos. O

inverso de um príncipe tradicional que é despojado de seu posto e que terá a dupla vergonha por ter estado em um cargo de autoridade e ter perdido sua liderança pela falta de sabedoria e capacidade.

Se considerarmos aqueles senhores da Itália que perderam seus Estados, como o rei de Nápoles, o duque de Milão e outros, veremos que eles cometeram dois erros: primeiro, erraram em uma coisa muito comum quanto às armas, o que já discutimos anteriormente; depois, se verá que eles erraram ao permitir que se tornassem hostilizados pelo povo ou que não souberam neutralizar os grandes quando o povo os apoiou. Essas são, grosso modo, as principais razões pelas quais os governantes perdem seus postos.

O príncipe que não comete um desses dois erros, tendo um exército para colocar em marcha, dificilmente perdia seu Estado.

Felipe da Macedônia, por exemplo, não possuía territórios muito extensos, ainda mais se comparado à grandeza de Roma e da Grécia que o atacaram. Apesar disso, por ser um bom militar e homem que sabia agradar o povo e ainda manter o apoio dos grandes e poderosos, suportou uma guerra durante muitos anos contra os gregos e romanos.

No final, mesmo perdendo algumas cidades, manteve o reino.

2.

Portanto, príncipes que perdem seus postos depois de muitos anos no poder não podem

“Líderes que perderam

acusar a falta de sorte como motivo dessa seus postos depois de

perda. Eles devem reconhecer que o motivo muitos anos no poder

que os levou ao fracasso foi sua própria não podem acusar a

incompetência.

falta de sorte como

Isso se dá porque, durante os períodos de

motivo dessa perda.”

prosperidade, eles raramente se dão conta de que os ventos poderão mudar (é um defeito comum das pessoas, o de não se preocupar, durante a bonança, com as tempestades). E quando se deparam com os tempos adversos, em vez de enfrentá-los, pensam em fugir, esperando que algum dia, fatigado da insolvência dos vencedores, o povo os chame de volta.

Quando aquele que ocupou o trono falhar,

esse recurso talvez até possa vir a ter algum

“Não é sábio desejar

proveito. Mas não é inteligente deixar de se cair só por acreditar

prevenir e de criar outras estratégias para se que encontrarás

manter no cargo por conta dessa esperança.

alguém que te

Não é sábio desejar cair só porque acredita levante.”

que encontrará alguém que o levantaria. Isso não costuma suceder, mas quando acontece, a

força que o reergueu não está em você, mas naquele que o levantou; e, sendo assim, você não teria segurança alguma, porque o seu meio de defesa não depende de você, é fraco e com ele você não deveria contar.

Somente podem ser considerados bons, certos e duradouros os meios de defesa que dependem exclusivamente de você e do seu valor.

MAQUIAVEL

Capítulo XXIV

Por que os príncipes da Itália perderam seus Estados ANÁLISE

Um dos grandes problemas da maioria é não entender suas limitações.

Em função disso, as pessoas vivem a vida praticamente ao acaso, passando meses, ou até mesmo anos, sem contemplar a sua situação e as possibilidades que têm pela frente. Esses indivíduos se mantêm condicionados ao presente, imaginando que terão saúde, energia e as mesmas relações sociais a vida inteira. Na sua imaginação, o amanhã sempre será melhor do que o hoje.

Tudo o que eles desejam é gratificação imediata em diferentes níveis. O entusiasmo pelos resultados os faz ver apenas as vantagens e os benefícios, a alegria e o orgulho, levando-os a ignorar completamente o esforço, os custos e as dificuldades que enfrentarão no processo de obtenção daquilo que desejam. Essas pessoas se consideram sonhadoras e parecem estar satisfeitas em apenas sonhar, porque isso lhes proporciona uma certa sensação de continuidade, uma certeza, uma impressão perene de esperança inacabável.

Mas elas se esquecem de uma coisa essencial: na vida, tudo é limitado. Nosso tempo, nossa energia, nosso poder, o suporte dos nossos amigos, os recursos que temos à disposição — tudo tem um limite. Ignorar esse detalhe transforma sonhos em fantasias. E gente que fantasia demais permanece pobre na realidade, porque se torna volúvel, sempre envolvida no mundo das possibilidades futuras. Há pouquíssimos indivíduos — e esses são os que estão no topo — que possuem a habilidade de pensar no futuro como um produto das suas ações do presente.

Para alcançar seus sonhos, você tem de tornar seu caminho mais seguro, criar uma visão de túnel e, para isso, deve ter consciência de que há coisas que você nunca terá, habilidades que nunca desenvolverá e desejos que jamais realizará. Apenas quando estiver certo disso você terá a capacidade de se concentrar naquilo que tem agora e usar esse recurso criativamente para aumentar seu poder em torno de seu potencial. Em geral, somos orientados a sonhar primeiro para depois tentar encontrar os meios de realizar esse sonho. Mas se você ponderar sobre sua vida, verá que essa é uma estratégia que raras vezes funciona.