Poder e Manipulação

Jacob Petry · Capítulo 2 de 25

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Poder e Manipulação

Carta de Maquiavel

Nova York, inverno de 2016

CARTA DE MAQUIAVEL

Ao Magnífico Lourenço de Médicis

É costume daqueles que desejam para si a simpatia de um príncipe presenteá-lo com os pertences que lhe são mais caros ou com aqueles com que ele mais se encanta. Desse modo, lhe são presenteados cavalos, armas, tecidos bordados a ouro, pedras preciosas e demais ornamentos dignos de sua grandeza.

Querendo eu também ofertar-lhe uma prova de minha admiração, não encontrei, entre as minhas posses, nada que estime mais do que meu conhecimento sobre as ações dos grandes homens, adquirido por uma longa experiência das coisas atuais e uma continuada observação e análise das antigas; as quais tendo eu, com muito afinco, detidamente estudado e examinado, remeto agora à Vossa Magnificência, condensadas num pequeno volume.

Embora saiba que esta obra é indigna de sua consideração, espero, mesmo assim, que aceite meu presente; uma vez que não poderia oferecer-lhe nada maior do que lhe propiciar um meio de adquirir em tempo muito curto o aprendizado de tudo quanto, em muitos anos e à custa de tantos atropelos e perigos, tenho aprendido.

Não enfeitei esta obra com frases elaboradas e pomposas, tampouco a enchi de floreios ou lisonjas, nem mesmo a decorei com ornamentos externos, com os quais muitos ilustram suas próprias obras; pois não desejei que nenhum outro fosse seu ornato e nada a tornasse agradável, a não ser a variedade da matéria e a importância de seu conteúdo.

Espero que não considereis presunçoso um homem de baixa condição social escrever a respeito das atitudes dos príncipes. Quando pintores querem retratar a paisagem, eles se postam na planície para captar as montanhas; e sobem nos picos para apreender a vista das planícies. Da mesma forma, para melhor captar a natureza do povo é preciso ser príncipe; e para melhor compreender a do príncipe, é preciso ser povo.