Poder e Manipulação

Jacob Petry · Capítulo 15 de 25

Páginas do PDF

Poder e Manipulação

Capítulo 13 - Dos que alcançam o poder pela popularidade

Aprenda, portanto, a dominar suas emoções. Nunca permita que elas dominem você. Ódio, raiva, inveja e medo nunca são bons conselheiros. Por isso, se possível, faça com que seus adversários e concorrentes ajam enceguecidos por essas emoções, enquanto você apenas vigia seus passos, conduzindo-os pelo caminho que você desejar.

CAPÍTULO 13

DOS QUE ALCANÇAM O PODER PELA POPULARIDADE

DE O PRÍNCIPE

Considerando, porém, os meios que já vimos, existe ainda outra maneira de conquistar um Estado e chegar ao poder: pelo favor dos concidadãos. Para conquistar o Estado por esse meio não se faz necessário grande mérito ou sorte, mas uma venturosa astúcia.

São dois os caminhos pelos quais se conquista um Estado ou se chega ao poder por esse meio: pelo desejo próprio do povo ou pela graça dos poderosos. Em todas as cidades podem-se encontrar exemplos dessas duas tendências. A razão disso é que o povo não deseja ser governado e, tampouco, oprimido pelos poderosos e estes, por sua vez, querem governar e oprimir o povo.

Tal poder é concedido ao príncipe pelo povo ou pelos grandes, conforme a intenção de cada um. Quando os poderosos percebem que não podem resistir ao povo, passam a criar e elevar a reputação de um de seus escolhidos e o elevam ao poder, para à sua sombra poder satisfazer suas ambições.

O povo, do mesmo modo, ao perceber que não consegue resistir à força dos grandes, passa a criar e a elevar a reputação de um concidadão e o eleva ao poder para defender-se sob sua autoridade.

Entre essas duas tendências, aquele que alcança o poder auxiliado pelos grandes mantém-se com maior dificuldade do que aquele que é eleito por vontade popular. A razão disso é que aquele auxiliado pelos poderosos estará cercado de muita gente que lhe parece igual e à qual deve favores e, por isso, não pode comandá-la nem agir como quiser.

Contudo, aquele que alcança o poder pela vontade do povo, acha-se só, e ao seu redor não tem ninguém ou só alguns poucos que não estejam dispostos a obedecê-lo. Além do mais, não se consegue

honestamente contentar os grandes sem ofender os pequenos, porém o povo pode ser

“Não se consegue

satisfeito sem que se ofendam os poderosos.

agradar os grandes

Porque o desejo do povo é mais honesto do sem ofender os

que o dos grandes. Estes desejam oprimir, e o pequenos.”

povo, por sua vez, apenas não quer ser oprimido.

O príncipe não pode se sentir seguro diante da hostilidade popular.

Pois o povo é composto de muitos e não há como controlá-los.

Contudo, com relação aos poderosos, pode, porque estes sempre são poucos.

A pior coisa que um príncipe pode esperar

do povo hostil é que ele o abandone. Por

“O povo não deseja

outro lado, da inimizade dos poderosos, não ser oprimido pelos

só deve temer que o abandonem como

poderosos, e estes,

também que o ataquem, pois estes possuem por sua vez, querem

uma visão mais abrangente da situação, maior oprimir o povo.”

astúcia e sempre têm tempo de se salvar, procurando aliar-se aos prováveis vitoriosos.

O príncipe necessita também estar e viver sempre com o povo, podendo perfeitamente prescindir dos poderosos, porque está em suas mãos poder aumentar ou reduzir sua inteligência e prestígio.

2.

E, para elucidar esta parte, irei classificar os poderosos em dois grupos principais: aqueles que agem de modo independente e não se opõem ao seu estilo de liderança e aqueles que, ao contrário, se opõem a tudo que você faz. Os que agem de forma independente e não se mostram parasitas nem predadores você deve respeitar e honrar. Os outros, aqueles que não simpatizam com você, precisam ser observados sob dois aspectos: se procedem assim por covardia ou por algum defeito natural de caráter; neste caso, você deverá tirar proveito deles, sobretudo se possuem capacidade de dar-lhe bons conselhos, porque, em tempos de prosperidade, eles o honrarão, e nos adversos, não haverá razão para temê-los.

Quando, porém, não simpatizam com você e o contrariam de modo deliberado e por ambição, tome cuidado, pois essa é uma prova de que pensam mais em si mesmos do que em você. Esse tipo de indivíduos deve ser observado e tido como inimigo declarado, porque, infalivelmente, na adversidade, farão qualquer coisa para ver sua ruína.

Quem chega ao poder pelo favor popular precisa manter-se amigo do povo. E isso, na certa, não será difícil, pois, como já disse, tudo que o povo deseja é não ser oprimido. Aquele, porém, que chega ao poder contra a opinião popular, pelo auxílio e favor dos poderosos, deve, antes de qualquer coisa, procurar conquistar a simpatia do povo. O que também será uma missão fácil; basta mostrar que sua liderança está comprometida com o bem-estar e a proteção dele.

E como as pessoas simpatizam e apegam-se mais quando recebem benefícios de quem esperavam apenas o mal, o povo torna-se mais amigo desse príncipe e fiel a ele do que daquele que foi elevado ao poder pelo seu favor. E isso pode ser obtido de muitos modos, dos quais não se pode deduzir uma regra exata, porque variam de acordo com as ocasiões.

Nábis, príncipe de Esparta, enfrentou as tropas de toda a Grécia e ainda do exército romano, contra os quais lutou arduamente em defesa de seu poder e de seu Estado. E quando o perigo o ameaçava, não havia ninguém dentro de Esparta que se opusesse a ele ou a quem ele tivesse que temer. O que seria impossível se Nábis não tivesse o povo como seu amigo.

O príncipe não deve permitir que alguém o convença do contrário recitando aquele provérbio que diz que aquele que se apoia no povo tem alicerces de barro. Isso talvez seja verdadeiro quando um cidadão comum acredita que o povo o libertará quando estiver em apuros com seus inimigos ou com a justiça. Tratando-se, no entanto, de um líder que saiba comandar e com coragem suficiente para resistir às adversidades, que se atente às precauções básicas e que tenha como conduta transmitir confiança ao povo, dificilmente será enganado por ele e quando tiver sua simpatia, notará que seus alicerces se fortaleceram.

Um príncipe prudente deve, portanto, tornar-se sempre necessário aos seus súditos e fazer com que eles tenham necessidade do Estado.

Quando conseguir isso, o povo continuará lhe sendo fiel.

MAQUIAVEL

Capítulo IX

Do principado civil

ANÁLISE

Quando você acredita em si, quando está convencido de que pode fazer coisas que criarão um impacto positivo na sociedade ou mesmo na sua vida pessoal, essa convicção, de certa maneira, se manifestará claramente em suas palavras, ações e atitudes e irão contagiar todos a sua volta, porque eles pensarão que você tem razões para acreditar em si.

Ao ver que os outros acreditam em você, sua autoconfiança cresce ainda mais e se solidifica. A partir desse momento, cada vez mais, você desenvolve esse reforço interior de que não há limites para aquilo que você pode conseguir. Esse sentimento irradia poder e autoridade. As portas começam a se abrir. Limites e barreiras desaparecem e o caminho para suas conquistas surge a sua frente.

Grandes líderes e empreendedores, ao longo da história, passaram por esse processo. Eles se convenceram de seu poder e autoridade, que, aos poucos, tornaram-se reais em suas vidas. Se você busca aumentar seu poder e prestígio, se pretende se tornar um líder influente, mesmo que ainda não possua grande poder, passe a agir como se o tivesse. Logo você será tratado como se já possuísse tremendo poder.

Compreenda: uma pessoa não pode ser tratada como um grande se agir como alguém comum. Então, comece por separar sua imagem da imagem de uma pessoa comum. Faça isso agindo de forma diferente, demonstrando a distância que existe entre um e outro. Lógico: mostrar essa distância não significa agir com arrogância, mas com segurança, decisão e dignidade.

Use as quatro estratégias a seguir para impor uma imagem de poder e autoridade:

SEJA DIGNO. Dignidade é uma atitude da qual você nunca deve abrir mão, sobretudo nos momentos de maior adversidade. Para manter sua dignidade, comporte-se sempre como se nada pudesse afetá-lo e como

se sempre tivesse à mão todas as ferramentas e todo o tempo do mundo para reagir ao problema.

SEJA OUSADO. Sempre aja com ousadia. Coloque seu valor nas nuvens e jamais estremeça diante de nenhuma insegurança. O mundo é dos atrevidos e ousados. Fique atento, porém, com os invejosos. Quando se posicionar com ousadia diante da vida, surgirão todos os tipos de sentimentos a sua volta, principalmente inveja, ciúme e ressentimento.

Ignore-os. Você não pode viver o tempo todo se preocupando com as emoções alheias. Defina seu caminho e siga em frente.

NÃO NEGOCIE COM MENSAGEIROS. Procure sempre o líder maior. Nunca aceite negociar com seus assistentes ou mensageiros. Se aceitar dialogar com o mensageiro, estará se colocando no nível dele e não do líder maior. Mas ao aceitar dialogar apenas com quem está no topo, você imediatamente se coloca no mesmo nível dele. Ao negociar apenas com o líder, você assume o poder de um líder.

SEJA GENEROSO COM UM LÍDER MAIS PODEROSO QUE VOCÊ. Lembre-se sempre dos três reis magos que até hoje são lembrados por terem presenteado o menino Jesus recém-nascido. Quando for se reunir com o líder, use a generosidade como arma. Tire proveito da regra da reciprocidade. Presenteie-o. De preferência, dê-lhe algo discreto, mas valioso. Ao presentear o líder, você se coloca acima dele e o força a ser cortês e generoso com você. E isso é meio caminho em qualquer negociação.