Poder e Manipulação

Jacob Petry · Capítulo 17 de 25

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Poder e Manipulação

Capítulo 15 - Dos que alcançam o poder pela sorte ou pela força alheia

LEMBRE-SE: convicções, doutrinas e dogmas sempre são frutos daquilo que carregamos na memória. A memória sempre é fixa, ela responde a padrões. Nela, não há flexibilidade. E sem flexibilidade, não há liberdade. Por isso, alguém que está agarrado a sua memória, que é oprimido pelas suas crenças, nunca estará livre. E sem liberdade não pode haver nem iniciativa, nem liderança e nem poder.

CAPÍTULO 15

DOS QUE ALCANÇAM O PODER PELA SORTE OU PELA FORÇA ALHEIA

DE O PRÍNCIPE

Quando um príncipe conquista o poder apenas por sorte, ele necessitará de pouco esforço para chegar ao topo, porque voará para lá. Uma vez lá, porém, encontrará todo tipo de dificuldades, sem que esteja preparado para enfrentá-las. Esse tipo de coisa acontece sempre que o poder é concedido a alguém por conta do dinheiro, da amizade, da herança, da fama alcançada em outras profissões ou até mesmo pelo favor de algum padrinho influente e poderoso.

Um exemplo que ilustra o que digo aconteceu na Grécia, nas cidades de Iônia e Helesponto, onde o rei Dário transformou inúmeras pessoas comuns em príncipes, da noite para o dia, com o único propósito de manter sua própria glória e segurança.

Outro exemplo pôde ser observado na Roma de meu tempo, quando cidadãos comuns se elevaram rapidamente ao poder corrompendo os soldados à sua volta.

Príncipes desse tipo dependem só da boa sorte e da vontade de quem lhes concedeu o poder, isto é, de dois fatores extremamente volúveis e instáveis. E não sabem ou não conseguem manter, por muito tempo, o poder que lhes foi dado. Não sabem porque, por terem vivido sempre como cidadãos comuns, em circunstâncias simples e normais, é bem provável que não sejam pessoas de elevado engenho e virtude, razão pela qual podem não saber comandar. E não conseguem porque, sem tradição nem poder próprio, não possuem aliados em número suficiente que lhes sejam amigos e fiéis.

2.

Um príncipe que surge de súbito — assim como todas as outras coisas da natureza que

“Quando alguém

evoluem muito depressa — não tem raízes conquista o poder com

nem ramificações e decerto será destruído na forças alheias

primeira tempestade que aparecer.

encontra enormes

A não ser que esses príncipes, como já dificuldades para se

disse, saibam se preparar rapidamente para manter nele.”

conservar no pulso e na garra aquilo que a sorte lhes colocou de graça no colo, e assim firmem seu poder solidamente sobre os alicerces fundados por outros.

Desses dois modos de se fazer um príncipe – pelo valor e pela sorte

—, quero trazer dois exemplos do meu tempo: Francesco Sforza e César Bórgia. Francesco, à custa de trabalho duro somado ao seu imenso valor como pessoa, sendo um cidadão comum, tornou-se duque de Milão. As dificuldades enfrentadas ao longo do caminho de sua ascensão e o imenso esforço organizado que ele desprendeu para vencer os obstáculos ao longo da jornada lhe conferiram a experiência necessária para ocupar o posto e conservá-lo com certa facilidade.

Por outra parte, César Bórgia, apelidado pelo povo de duque Valentino, conquistou o estado com o favor de seu pai, o papa Alexandre VI. Mais tarde, quando não pôde mais contar com essa ajuda, apesar de ter feito tudo o que competia a um homem sábio e valoroso fazer para criar raízes no posto que as armas e a ajuda de outro homem lhe ofereceram, perdeu-o.

É que, como dito acima, quem não constrói os alicerces no início poderá empenhar-se nessa tarefa mais tarde, desde que seja possuidor de grande capacidade; se bem que, com isso, aborrecerá o arquiteto e colocará todo o edifício em perigo.

MAQUIAVEL

Capítulo VI

Dos principados novos que se conquistam

com armas e virtudes de outrem.

ANÁLISE

A maioria das pessoas quer alcançar grandes objetivos, mudar de vida, sair de uma situação de resultados medíocres para uma de sucesso e abundância, mas não quer enfrentar as adversidades. Seu erro maior está em fugir da dor que romper a resistência de abandonar um nível inferior e ir para o superior causa.

É como se elas planejassem escalar uma montanha, mas não quisessem lidar com o cansaço e as dificuldades que a subida causa.

Elas planejam subir, mas, ao mesmo tempo, acreditam que existe uma maneira de fazê-lo sem esforço, porque não desejam abrir mão da zona de conforto em que se encontram.

Esse é um conceito muito comum, e também muito ingênuo e inocente, porque permanecer na zona de conforto, ao contrário do que se pensa, não é uma vida boa. Nós, seres humanos, não fomos feitos para a passividade. Nossa natureza é agressiva e vai contra qualquer tipo de estagnação. Nada permanece o mesmo por muito tempo. Ou você está crescendo ou está morrendo.

Vive melhor, então, aquele que não tem pena de si próprio e que não tem medo da dor que o processo de crescimento causa. A vida boa é aquela em que o indivíduo cria um desafio produtivo para si próprio e depois dá o máximo de si para superá-lo. E uma vez que o superou, imediatamente cria outro, ainda maior, e outra vez dá o máximo de si para superá-lo. Essa é a natureza do ser humano. É dessa forma que forjamos o nosso poder.

Aquele que entra nesse processo logo percebe que a dor do crescimento é uma dor boa, gostosa. Ela não só é saudável, mas também desejável. Ela é uma dor que você precisa aceitar e incorporar, porque logo se transforma em prazer, assim como o prazer quase sempre se transforma rapidamente em dor.

Quando alguém que nunca praticou exercícios físicos, por exemplo, resolve começar a praticá-los, o simples ato de pensar no exercício já é dolorido. E muitos não praticam exercícios por causa dessa dor. Eles preferem o prazer de não enfrentrar essa dor, o que acaba criando uma dor muito maior: a dor do sentimento de impotência, de incapacidade, de desgosto e até a dor real de uma saúde deficiente ou de um fracasso irrecuperável.

Desse modo, desenvolva a habilidade de compreender esse processo mentalmente, de entender que a dor leva ao prazer, assim como o prazer

quase sempre leva à dor. Faça essa conexão na sua mente. Quando você se propuser a fazer algo que exige disciplina e sacrifico, deverá ser capaz de dizer a si mesmo: “Vou dominar essa arte, custe o que custar. Irei adquirir esse conhecimento, dominarei essa técnica. E para isso, darei o melhor de mim por semanas, meses e anos se for preciso”.

Se você tiver a capacidade de imaginar o benefício que esse esforço inicial lhe trará, se compreender que esse empenho lhe permitirá fazer no futuro o que você não é capaz de fazer hoje, a dor, que antes o assustava, não parecerá mais tão ruim.

Se você busca o sucesso e o poder que vêm de um desempenho excepcional, precisa ter consciência de que só a dor da ação, a dor da disciplina e a dor do enfrentamento podem fazê-lo crescer. Assim, você deve ter a habilidade de dizer para si mesmo: “Eu farei mais do que o necessário. Não vou procurar saltar degraus e buscar atalhos, porque eu quero aprender, quero crescer e preciso dessa dor e desse sacrifício para tornar meu crescimento possível.”

Você deve, no olho da sua mente, ser capaz de ver, mesmo antes do começo, o resultado final e a satisfação, a alegria que esse resultado lhe trará, em contraste com a frustração, a monotonia que sentirá se não enfrentar a dor. Então, aprenda a incorporar a dor do enfrentamento com o novo e com o desconhecido, e não a fugir dela. Incorporar a dor é aceitá-la, desejá-la, tornar-se parceiro dela. Se não existir resistência entre você e o que você faz, não chegará a lugar algum na vida.

LEMBRE-SE: somos movidos pela necessidade. Quando precisamos descobrir alguma coisa, damos um jeito de encontrar os meios e o descobrimos. Se não há necessidade, entretanto, de realizarmos ou nos preocuparmos com nada, passamos o dia no sofá, vendo televisão, comendo pipoca e bebendo refrigerante. Se não há nenhum tipo de resistência contra a qual lutar, se não há nenhuma pressão, nos tornamos preguiçosos, indolentes e acovardados. Então crie, na sua imaginação, grandes necessidades e dê o máximo de si para satisfazê-las.

Não seja como a maioria das pessoas, que foge dos problemas, dos obstáculos e dos apuros. Faça o contrário: crie obstáculos, objeções e desafios e depois encontre maneiras de superá-los. Com o tempo, isso lhe dará um tremendo preparo e, com ele, virá o poder e a liderança.