Poder e Manipulação

Jacob Petry · Capítulo 13 de 25

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Poder e Manipulação

Capítulo 11 - Das alianças e apoios – quando aliados são benéficos ou não

Por outro lado, se você deseja conquistar poder, o primeiro passo sempre é ter uma visão clara do que realmente quer conquistar. Em seguida, mapeie o território, divida-o em pequenas áreas que devem ser conquistadas uma a uma. Controle-se. Não tenha pressa. Avance com discrição e sem fazer alarde. Transforme o tempo em seu aliado. Se você se precipitar, os outros notarão sua ambição e, na certa, começarão a sabotá-lo. Mas se agir discretamente, quando eles se derem conta, você já estará muito acima de seu poder de fogo e, em vez de tentar derrubá-lo, lhe devotarão respeito e admiração.

Lembre-se de que somos seres naturalmente impacientes. Temos dificuldade em esperar. Queremos nossos desejos satisfeitos o mais rápido possível. Isso é uma deficiência crônica e muito séria, porque nos torna vulneráveis a nossas emoções. Fazemos escolhas sem pensar e, com isso, limitamos nossas opções, nos metendo, muitas vezes, em encrencas desnecessárias. Um pouco de paciência, por outro lado, nos proporciona enormes vantagens, porque expande imediatamente nossas possibilidades. Ela nos permite analisar todas as opções e buscar oportunidades escondidas. Em vez de saltar de um negócio para o

outro, você economiza seu tempo e sua energia para o momento certo.

Você terá tempo para refletir, para tirar vantagens sobre os erros dos outros e analisar possíveis saídas diante dos obstáculos. Se fizer isso, você encontrará caminhos lucrativos onde outros apenas veem problemas e adversidades.

CAPÍTULO 11

DAS ALIANÇAS E APOIOS — QUANDO ALIADOS SÃO BENÉFICOS

OU NÃO

DE O PRÍNCIPE

Alguns príncipes, para manter o poder sobre

seus domínios, desarmaram seus cidadãos;

“A melhor aliança que

outros, os armaram; alguns estimularam a existe é não ser

divisão de seu domínios; outros, nutriram odiado pelo povo.”

inimizades, incentivando-os a combaterem-se

mutuamente; outros, ainda, buscaram o apoio

daqueles que antes eram seus inimigos; alguns edificaram fortalezas para se proteger; outros, as derrubaram, destruindo-as. E, embora essas ações todas não possam ser julgadas em definitivo a menos que se examinem as particularidades do contexto em que elas aconteceram, falarei aqui, de um modo abrangente, sobre os diferentes tipos de segurança e da ordem das alianças que criam essa segurança.

Para começar, devo dizer que nunca conheci um príncipe novo que tenha desarmado os seus cidadãos. Pelo contrário, sempre que os encontrou desarmados, armou-os. A vantagem em armá-los está no fato de que essas armas tornam-se suas e aqueles que lhe pareciam suspeitos se tornarão fiéis; aqueles que já o eram, conservam-se; e, de meros cidadãos, se transformam em seus seguidores.

E como não se pode armar a sociedade toda, uma vez que você beneficie aqueles a

“Aliados são

quem arma, pode agir de um modo mais

importantíssimos, uma

seguro com os demais. A diferença de

vez que as forças do

tratamento com os primeiros os obriga a líder não dependem

serem gratos a você, e os outros o desculpam, dele.”

julgando que aqueles que estão expostos a perigos maiores e ligados a você, por efeito

dessas obrigações, merecem uma recompensa maior.

Por outro lado, desarmando-os, você já começa por ofen dê-los, mostrando que desconfia deles, seja porque você é covarde, seja porque é falso ou ainda por achá-los irresponsáveis a ponto de não permitir que tenham em mãos algo perigoso. Qualquer uma dessas opiniões criará ódio contra você. E como não pode ficar indefeso, terá que recorrer a forças mercenárias. Mesmo sendo útil, um aliado mercenário não tem poder ou interesse suficiente para defendê-lo dos inimigos poderosos nem tampouco do desejo de vingança daqueles que o querem longe do poder.

Porém, quando se tem conhecimento de forças armadas que estão contra o poder, faz-se necessário desarmar essas forças. Ou, pelo menos, com o tempo, dar-lhes privilégios que as tornem apáticas e amolecidas, para, depois, desarmá-las. Afinal, é muito prudente que todas as armas estejam com suas próprias forças.

Não há dúvida de que os príncipes tornam-se grandes superando dificuldades e as oposições que lhe são feitas. Por isso, quando se faz necessário elevar sua reputação diante de seus aliados ou adversários, é uma atitude inteligente, muitas vezes, criar um inimigo mais frágil e, depois, enfrentá-lo a fim de que se tenha a oportunidade de vencê-lo e assim subir ainda mais, valendo-se daquela escada que o próprio inimigo lhe estende.

2.

Muitos príncipes, sobretudo aqueles que recém conquistaram esse título, encontram mais lealdade e apoio naqueles que no início do seu governo lhes eram suspeitos do que naqueles que, nessa época, lhes haviam demonstrado absoluta confiança e jurado apoio integral.

Um exemplo era Pandolfo Petrucci, senhor de Siena. Petrucci dirigia o Estado mais com o auxílio daqueles que um dia infundiram-lhe suspeita do que com os outros em quem tivera confiança. Mas sobre isso não é possível estabelecer regras gerais, pois essas alianças e esse tipo de apoio variam muito de acordo com as circunstâncias de cada caso. Contudo, sobre esse tema, posso afirmar o seguinte: será sempre facílimo para um príncipe aliciar aquelas pessoas que lhe eram hostis na origem de seu governo se elas precisarem de apoio para manter-se. Pois

elas farão um esforço enorme para provar sua lealdade e anular, pelas ações, aquela péssima opinião que imaginam que o príncipe tenha a seu respeito. Assim, ele poderá obter mais benefícios de seus antigos adversários do que daqueles que, por ter demasia segurança ou mesmo por ambição, negligenciam os interesses do príncipe.

Por exigência do próprio tema, considero, ainda, importante lembrar a um príncipe que tenha subido ao poder pelo apoio popular a conveniência de refletir sobre que motivos moveram aqueles que o auxiliaram a agir em seu favor. Em geral esses motivos são dois: a afeição natural pelo príncipe ou o descontentamento com o governo anterior. Se o príncipe foi levado ao posto pelo descontentamento ao governante anterior, será muito difícil conservar o apoio do povo, pois será quase impossível que possa de fato vir a contentá-los.

Examinando com atenção a causa disso, e considerando os exemplos das coisas antigas e modernas, percebe-se que é muito mais fácil conquistar a simpatia daqueles que estavam contentes com o governo anterior — e que, por isso, o príncipe, num dado momento, teve inimigos — do que daqueles que, com ele descontentes, se fizeram aliados do príncipe atual auxiliando-o na ocupação do posto.

MAQUIAVEL

Capítulo XX

Se as fortalezas e muitas outras coisas que a cada dia são feitas pelo príncipe são úteis ou não

ANÁLISE

A necessidade move o mundo. Se você não tem nada que o faça ser extremamente necessário para o outro, ele o deixará de lado no primeiro obstáculo que se impuser entre vocês dois. Mas se você se tornar indispensável para o outro, se preencher as lacunas de suas deficiências e de suas fraquezas, desenvolverá enorme poder sobre ele e, na certa, poderá obter tudo o que quiser dessa pessoa. E quando aquilo que o outro tem a lhe oferecer em troca de seu trabalho não for mais o

suficiente, sempre haverá alguém disposto a pagar mais por sua competência.

Portanto, encontre uma maneira de fazer dependentes de você aqueles que o mantêm onde você está. Entenda: na verdade, ninguém é indispensável, mas você precisa fazer com que aqueles que dependem de você acreditem que você é. Torne seu produto tão necessário na vida deles que, se você cogitar sair delas, eles não terão ninguém à altura para substituí-lo. Sirva-os de tal modo que, caso você ameace renunciar ao seu posto, tudo o que eles vejam diante de sua renúncia seja problemas, dificuldades e prejuízos. Sua desistência, ou mesmo dispensa, deve representar um desastre ou até mesmo o fim de jogo para eles. Quanto maior a dependência deles, maior será a sua liberdade.

Uma pergunta fundamental que você deve se fazer é: o que verdadeiramente me separa da maioria? Para obter poder, você precisa ter algo, alguma habilidade ou qualidade, que o separe da massa comum.

Algo em que você seja tão incrível que, uma vez dispensado por um líder, sempre encontrará uma fila de outros líderes a sua espera.

PENSE NISSO: escolha uma atividade e se especialize nela. Torne-se o único capaz de fazer aquilo que você faz, de fornecer aquilo que você fornece e de dar aquilo que você dá, da forma como faz. Seja singular.

Desenvolva em si mesmo um talento ou nível de criatividade difícil de substituir.

Não espere que aqueles que dependem de você gostem ou o admirem ou, até mesmo, lhe devam gratidão. Seja frio no seu trabalho.

Lembre-se, como vimos antes, que, nesse tipo de relação, sentimentos de afeto e amizade não são muito importantes, porque eles facilmente serão abandonados por interesses mais palpáveis. É muito mais relevante fazer com que as pessoas tenham respeito por você e não queiram nem mesmo cogitar perdê-lo por causa dos riscos que isso representaria para elas. Compreenda: em termos profissionais, é melhor que os outros dependam de você pela sua capacidade e pelo medo das consequências que perdê-lo representaria do que por amizade, simpatia, gratidão ou generosidade.