Por que Crianças Matam

Gitta Sereny · Capítulo 11 de 27

Páginas do PDF

Por que Crianças Matam

Mary – Reflexões 3

Mary

 

Reflexões 3

 

M ary falou repetidamente sobre um “pacto” que ela e Norma haviam feito e tentou explicá-lo para mim muitas vezes, mas nunca conseguiu, já que ela mesma aparentemente nunca teve certeza de como e quando ele aconteceu. Contudo, embora o exato momento em que ele ocorrera estivesse sempre mudando, o fato de que o pacto era “um acordo para fazer tudo juntas” permanecia constante.

Esse “pacto” ou “acordo” tinha dois aspectos, que apareciam e reapareciam ao longo de muitas das tentativas de Mary em recordar os acontecimentos que alcançaram seu primeiro ápice trágico com a morte de Martin Brown. O primeiro, como mencionado, era fazer tudo juntas; o

segundo elemento também se manteve constante: nunca houve nenhum “plano” para matar uma criança, somente fantasias cada vez mais terríveis compartilhadas por essas duas meninas.

“Sabe, o que nós fazíamos, mais e mais com o tempo, era desafiar uma à outra”, Mary disse. “Eu era a ‘Senhorita Me Desafie’ e Norma... Bem... Ela me desafiava a fazer as coisas e eu fazia. Aí eu a desafiava a fazer também e claro que ela fazia; ela não seria covarde. Ela dizia: ‘Duvido que você ande nos canos sobre a ponte do Rio Tyne’. E eu andava. E aí ela também

andava, não importava se podíamos cair no Tyne. Fazíamos coisas cada vez mais perigosas e travessas... Ficávamos torcendo para sermos presas e mandadas para longe. Era tudo que eu queria e [tudo] que ela dizia querer também...”

Aquela primeira data, em maio, quando as duas garotas chamaram atenção da polícia depois de empurrar o pequeno John aterro abaixo, já era parte de seu crescente impulso em fazer coisas “más”.

“Íamos entrar na fábrica [Vickers Armstrong] pelo Delaval Arms”, disse

Mary.

O que elas iam fazer lá? Eu perguntei, e ela deu de ombros.

“Não faço a mínima ideia, mas com certeza alguma travessura. Ele estava nos atormentando e não nos deixava em paz, então eu o empurrei e

disse ‘vá embora’, e ele caiu por um tipo de declive onde tinha uma espécie de cabaninha de operários...”

Ele se machucou?

“Não... Ele se levantou e voltou e eu diz... Eu diz... [erros gramaticais ou repetições de palavras são invariavelmente sinais de estresse em Mary] ‘Vai embora’. Ele era pequenininho e robusto... E eu disse ‘Eu vou te empurrar de novo, vou te empurrar lá embaixo’. Ele se sentou, aquele chatinho, aí eu o agarrei pela perna e o joguei com força pela beirada; ele conseguia

praticamente encostar o pé no fundo, sabe. Eu apenas o coloquei lá embaixo. Eu diz ‘agora vai embora e fique longe daqui’. Eu não queria machucá-lo; foi só tipo ‘sai fora, seu mala’.”

O que ela lembrava acerca do incidente do tanquinho de areia? Perguntei. Ela mexeu com aquelas três garotinhas, conforme disseram no julgamento?

“Tinha um monte de nós, crianças, lá”, ela disse. “E Cindy Hepple jogou areia em mim. Mas não coloquei as mãos no pescoço dela, como disseram.

Coloquei as mãos nas orelhas dela ou no cabelo, ou em alguma coisa assim... Nem mesmo me lembro das duas outras de que eles falaram, mas duas garotas grandes vieram – elas tinham mais ou menos 14 anos – e me estrangularam. Alguém colocou as mãos no meu pescoço e eu desmaiei ou me senti como se tivesse desmaiado, e me jogaram em um canteiro de urtigas. Isso aconteceu porque eu tinha batido em Cindy, elas disseram, mas, você sabe, as coisas eram assim, não importava a idade, era assim que nós costumávamos ser. Aquelas garotas mais velhas eram grandalhonas

pelo que eu me lembro... Fiquei tão nervosa e eu só... Fiquei de pé de um salto e as derrubei e bati a cabeça delas no chão. E aí eu sentia que não conseguia parar, [mas] aí vieram outras garotas grandes e me chutaram toda... Me espancaram toda, fiquei com olho roxo e coberta de hematomas, mas isso nunca foi relatado...”

Norma veio lhe ajudar?

“Ela estava ali perto nos fundos [Norma disse ao tribunal que estava brincando “atrás de uma cabana” e as garotas menores confirmaram isso]. Meu pai disse alguma coisa do tipo ‘É sempre a mesma coisa, alguém carrega a arma e dispara a bala, mas você é a bala que sai. Você é a idiota

que sai’. Você vê, é por isso que Norma... É outra coisa que requer certa inteligência, né, ficar nos fundos, sem aparecer... E esse era o jeito dela de lidar com as coisas e quem pode botar a culpa nela? Eu não. Nela, não.”

Em muitas de suas versões para a morte de Martin Brown, Mary declara ter falado com Norma que matara Martin no momento em que foi buscá-la em casa naquela tarde de sábado, onde ela estava vendo sua mãe passar roupa (e Norma confirmou isso no julgamento). E ela cita Norma: “Você não matou, matou? Me mostra”. Mas, quando elas voltaram para St.

Margaret’s Road depois do assassinato, tanto Mary quanto Norma disseram no julgamento que Norma jamais foi com ela “até lá em cima”, no quarto do segundo andar onde John Hall, o eletricista, estava segurando o garotinho nos braços após tentar fazer respiração boca a boca nele.

“Ela deu meia-volta antes de chegarmos lá”, Mary me contou, “e desceu correndo. E depois ela ficou dizendo... Ela ficou dizendo durante semanas... ‘Você não fez isso de verdade. Foi um acidente. Ele sofreu um acidente, está todo mundo dizendo’. E eu tive que dizer para ela que, sim, matei, e

que, apesar de termos concordado em fazer tudo juntas, ela não estava lá, que era uma traidora e não tinha ajudado”.

Todavia, a partir de todos os testemunhos durante o julgamento, ficou claro e confirmado pelas lembranças de Mary, que ambas as garotas estavam extremamente eufóricas pelo que Mary fizera. Pode ser tentador descartar a história de Mary como mentira, uma vez que foram necessários vários meses e quatro diferentes versões daqueles terríveis quinze ou vinte minutos durante os quais ela matou Martin antes de o que ela dizia fazer

sentido. Certamente, eu sabia que as três primeiras versões eram em parte, embora nunca em sua totalidade, formas de escapar de uma realidade insuportável para fantasias mais gentis. Porém, o que era verdade desde o início é que ela nunca declarou sequer uma vez que Norma estivesse presente ou soubesse com antecedência que ela iria realmente matar uma criança.

Por que ela fora à casa de Martin quatro dias depois de ele morrer? Perguntei a ela. Quando lhe fizeram essa pergunta no julgamento, ela disse que Norma e ela estavam se desafiando; que nenhuma delas queria parecer covarde. A resposta que ela me deu, semanas depois de ter começado a

tentar rememorar seu próprio estado de espírito durante aqueles dias, foi mais minuciosa: “Para ver se ele ainda estava vivo”.

Sua incapacidade, ao matar Martin, de entender a permanência da morte permeia todas as suas tentativas de explicar para mim e para si mesma o que ela fez.

“Eu não entendia o conceito de morte como [sendo] algo para sempre... Era irreal, incompreensível. Eu não tinha nada contra Martin ou ele contra mim. Eu não tinha intenção de matá-lo para sempre. Eu pensei que seria

apenas presa... Eu o estrangulei, mas pensei em algo como, sabe, ‘brincar de morto’.”

Aquilo era um jogo? Perguntei.

“Não, não achei que fosse um jogo... Eu apenas pensei: ‘Eu não vou te machucar de verdade...’. Eu falei para ele botar as mãos no meu pescoço e coloquei minhas mãos no dele... Eu devia estar confusa por dentro, mas nunca associei isso com o depois... Acho que para mim era como: ‘Você vai acordar a tempo do chá’.”

Em outra tentativa de falar sobre a morte de Martin, ela se expressou como achava que teria falado consigo mesma, mentalmente, naquela tarde horrível. “Eu devo ter feito, eu devia saber. Eu devo ter [pensado] que ele iria acordar. ‘Está tudo bem, você vai acordar’, sabe? ‘Você vai dormir e você vai acordar, acordar, acordar a tempo para o chá...’” Tudo isso entremeado por violentos soluços.

A primeira invasão à escola foi obviamente um ponto indicativo da perturbação de ambas as garotas. A lembrança que Mary tem dela agora,

contudo, mostra como a ação de escrever foi deliberada e o quanto ela estava ciente do perigo.

“Eu estava escrevendo com a mão direita, porque eles eram capazes de dizer se alguém era canhoto [Mary é canhota]. Eu nunca tinha visto a letra de Norma antes, na verdade. Não tinha visto os trabalhos dela. Ela era dois anos mais velha que eu e estava em outra turma. No bilhete que diz ‘Existem assassinos por aí’, ela colocou ‘assassinato’, e eu diz, ‘não, é ‘assassinatos’ [ou seja, “assassinos”; os termos em inglês para ambas as palavras soam parecidos]. Aí ela acrescentou o ‘s’ e foi então que ela disse: ‘Você devia matar um de seus irmãozinhos’, e eu disse: ‘Não vou, não; por

que você não mata um dos seus? Tem tantos de vocês que ninguém vai nem perceber’.”

As fugas naquelas duas ocasiões em junho indicavam outro estágio do desenvolvimento da relação entre elas e, segundo Mary – e a descrição do local onde elas foram parece provar isso –, pelo menos a primeira dessas duas viagens que Norma e ela fizeram não foi iniciativa de Mary, mas de Norma.

“Eu nunca tinha fugido antes”, Mary disse. “Mas Norma já, e ela disse

que era fácil. Ela disse: ‘Vamos para South Shields. Eu já estive lá antes’, e me contou sobre um homem de lá que gostava dela e nós roubamos dinheiro de casa para o ônibus. Eu estava muito entusiasmada com a ideia de fugir, nós duas estávamos. Norma chegou e, antes de irmos, eu fiz xixi no chão [esse é um dos sintomas clássicos de agressão em crianças] e fiquei rindo e Norma riu também...”

Você limpou o chão? Perguntei.

“Ah, não. Eu deixei tudo lá. Se eu tivesse conseguido soltar meu

intestino, tenho certeza que teria feito isso também.”

Então, ela fez uma digressão para falar sobre sua cama em Whitehouse Road.

“Eu não tinha lençóis nem cobertores, só pedaços e peças de roupa, como um velho casaco que me cobria. Tinha só um colchão com uma parte mais funda no meio onde a urina se juntava; eu sempre acordava muito cedo e minha cama estava sempre molhada. Quando minha mãe estava lá, ela esfregava minha cara naquilo e eu tinha que arrastar o colchão até a

janela e pendurá-lo [no parapeito] para que todo mundo visse, porque ela dizia que eu fazia aquilo só para irritá-la.”

Mary e Norma tomaram o ônibus para South Shields, ela contou, a cerca de uma hora de viagem, e Norma seguiu direto para uma casa que ela obviamente conhecia bem.

“Sei que os pais de Norma pensaram, mais tarde, que tinha sido eu que a tinha levado para o mau caminho”, Mary disse quando eu coloquei a questão, “mas foi ela quem me levou para South Shields. Ela tinha fugido para lá antes e acabou na casa de um homem que abusava sexualmente dela”.

Norma disse isso?

“Sim. Ela me contou que a casa tinha um monte de quartos e uma bela cozinha e nós podíamos cozinhar se quiséssemos... O homem nos deixava fazer qualquer coisa que quiséssemos. Ela me disse que ele tinha feito coisas com ela e que ela tinha gostado.”

Perguntei qual era a idade desse homem.

“Ah, não sei”, ela disse. “Para alguém de 11 anos, qualquer um é velho. Eu disse que só queria fazer bolos de caramelo, e ele disse que tudo bem,

mas tínhamos que tomar banho antes. Então entramos na banheira e, quando eu saí, ele tentou passar manteiga em mim, sabe, lá embaixo. Eu disse que não queria e o empurrei para cima de Norma, e ele fez aquilo com ela...”

Ele fez o quê?

“Ele a penetrou.”

Como ela sabia que o homem estava fazendo isso?

“Eu vi, e depois Norma disse de novo que gostava.”

O homem vivia sozinho na casa?

“Não vimos mais ninguém. Por volta de 5 horas da manhã, ele nos acordou e nos levou de carro para algumas ruas menos movimentadas e nos deixou lá. Foi lá que a polícia nos apanhou.”

Vocês haviam contado à polícia sobre o homem?

“Meu Deus, não, já tínhamos problemas o bastante sem contar.”

Foi depois dessa fuga que elas confirmaram seu “pacto”, Mary disse. “Fomos levadas de volta para Newcastle num carro da polícia. E a polícia

chamou o pai de Norma e minha mãe para nos buscar na delegacia. Minha mãe me bateu e tenho certeza de que Norma estava encrencada também, mas, de uma maneira estranha, estávamos orgulhosas de nós mesmas. Você sabe, meu pai estava sempre envolvido com a polícia e, agora, eu também tinha sido levada para a delegacia. Depois disso, dizíamos que éramos criminosas e prometemos, uma para a outra, que tudo que fizéssemos dali em diante faríamos juntas...”

Mas de fato falaram que matariam alguém juntas?

Ela olhou para mim impotente.

“Como alguém pode explicar isso agora? Não, acho que não, não desse

jeito, mas, sim, provavelmente dissemos palavras assim... Você sabe como as pessoas – não apenas crianças, adultos também – dizem ‘eu te mato’ ou ‘eu poderia matá-los’. Mas quando você me pergunta, assim, não sei o que dizer. Acho agora que estávamos fantasiando de modo terrível, grotesco. Lembro-me de ter perguntado ao meu pai qual era a pior coisa que alguém podia fazer, e ele respondeu: ‘Matar um policial’. E depois disso, sim, eu e Norma ficamos falando sobre matar... Alguém...”

Uma criança?

“Não, não era... Não, não, não era... Era apenas... Fazer a pior coisa que podia ser feita.”

E, obviamente, elas não podiam matar um policial. Mas por que queriam fazer a pior coisa que poderia ser feita?

“Não sei. Falávamos o tempo todo sobre fugir, escapar para algum lugar silvestre da Escócia, viver com os cavalos. Era... Era...” Ela estava gaguejando. “Você não entende...?” Sua voz estava começando a soar tensa. “Eram fantasias. Mas acho que não sabíamos que eram fantasias e não

parávamos de fantasiar até que – é o que parece da perspectiva de hoje – nunca falávamos de outra coisa que não fosse fazer coisas terríveis e sermos levadas embora. Mas concordávamos que jamais faríamos... Não com nossos irmãos e irmãs ou com nossos primos...”

Então, de fato, àquela altura “matar” e “crianças” já passavam pela cabeça de vocês?

Ela balançou a cabeça negativamente. “Não era assim. Não era... Real... Assim.”

Algo de que ela se lembra vividamente (e, dada a falta de comunicação entre as diferentes autoridades de Newcastle, o Sr. Lyons certamente não sabia disso) é o outro evento na vida dela, próximo ao final de junho ou começo de julho, que ela associa com os episódios de fuga. Embora não consiga se lembrar de datas e confunda a ocasião de suas experiências mais significativas, Mary acha que foi logo após sua segunda fuga, em 14 de junho, quando ela e Norma estiveram durante dois dias a caminho da Escócia antes de serem apanhadas que ela foi mandada novamente para um lar de recuperação de crianças enuréticas (com problemas de retenção de urina), em Rothbury, cerca de oitenta quilômetros ao norte de Newcastle.

Ela acredita que molhava a cama desde que tinha 4 anos, e esteve lá diversas vezes.

“Eu adorava”, ela me contou. “Um jovem casal dirigia o lar e eles eram realmente muito legais. Não consigo lembrar o nome deles. Fazíamos exercícios físicos o dia todo, todos os tipos de esporte, e o lugar era muito limpo e lindo. Era um contraste, tão arrumado e simpático, enquanto nossa casa em Whitehouse Road estava sempre suja, tensa e barulhenta quando minha mãe estava lá. Então, quando me disseram uma noite que eu tinha

que ir para casa no dia seguinte, eu disse que não queria voltar para a minha casa e pedi a eles para me deixarem ficar lá. Eu não poderia simplesmente viver com eles? E eles... Eles me fizeram perguntas que eu não sabia responder. Mas depois eles me denunciaram. E quando me levaram de volta a Newcastle, deixaram-me em um escritório, o escritório de algum juiz ou de algum tipo de serviço de atendimento infantil ou sei lá o que, e a mulher lá... Ela perguntou se eu não queria mesmo ir para casa, e eu não respondi porque minha mãe estava em pé, atrás de mim, e a mulher disse: ‘O que é?

Você quer ser mandada para longe?’. E eu conseguia ouvir minha mãe respirando atrás de mim, então peguei o jarro de água que ficava na mesa, tomei um gole e joguei a água na cara da mulher. Minha mãe deu um tapa na minha cara e fomos embora para casa.”

“Foi tão idiota”, Mary me disse. “Você sabe, me perguntar na frente da minha mãe se seu queria mesmo sair de casa.” No momento em que elas chegaram em casa, Mary se recorda: “minha mãe me agarrou pelo cabelo e me deu um safanão. Sua barriga estava aparecendo e ela vestia uma saia

xadrez e tinha aquele cheiro feminino, cheiro típico de menstruação, nojento, e eu estava chorando. E me soltei e gritei: ‘Não quero ficar aqui!’. Corri para fora e pulei para lá e para cá na cerca entre a minha casa e a casa de Norma, me exibindo, acho, cantando ‘Puppet on a String’, que estava em primeiro lugar nas paradas na época. A mãe de Norma saiu e cantou junto conosco, e então pediu que eu cantasse ‘Congratulations’, aquela de Cliff Richard, e depois disse que eu cantava bem e que talvez eu seria cantora um dia. Aquilo me fez sentir muito melhor”.

Você se perguntou alguma vez por que Norma dizia que odiava a própria casa e que queria ficar longe dos pais, se a mãe dela era tão legal?

“Não, eu era muito pequena para pensar sobre isso”, ela disse. “Eu pensava em mim.”

Quando Mary foi à casa de Brian Howe, em 27 de julho ou próximo a essa data, e contou para Pat, de 14 anos, a mentira de que Norma tinha matado Martin Brown, era, pode-se dizer, seu último grito por ajuda. É grotescamente trágico que tal grito tivesse que ser para a irmã do garotinho que estava para morrer quatro dias depois.