Quero fazer mestrado em História!

Bruno Leal Pastor de Carvalho · Capítulo 14 de 37

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Quero fazer mestrado em História!

4. Projeto de Pesquisa

 

 

NA MINHA OPINIÃO, o projeto de pesquisa é a etapa mais importante de um mestrado em História, por um motivo muito simples: o mestrado gira em torno da pesquisa histórica. A pesquisa é a razão de existir do mestrado, mesmo no caso do mestrado profissional, onde há elaboração de outros produtos. A prova escrita e a entrevista demonstram os conhecimentos, a erudição e as competências de comunicação de um candidato ou candidata; o projeto de pesquisa demonstra tudo isso e mais uma coisa muito importante: o faro de pesquisador ou pesquisadora, isto é, a capacidade de recortar bem o tema, de identificar um objeto, de cercá-lo com a historiografia e de fazer as perguntas certas para um determinado fenômeno histórico. Quando o candidato ou candidata ao mestrado apresenta um ótimo projeto, já tem meio caminho andado.

Um projeto de pesquisa é o roteiro da pesquisa que será

desenvolvida. Pode ser interpretado também como um “plano de ação” ou uma “carta de intenções”; é um comprometimento com o programa de mestrado. No projeto, você deve apresentar seu tema, seu objeto de pesquisa e a sua pergunta-problema. Além disso, você deve situar essa proposta de pesquisa dentro de uma historiografia pré-existente, indicando claramente quais as suas fontes, as suas hipóteses centrais e os objetivos de trabalho. E saiba que o projeto não está finalizado no ato do processo de seleção. Se você for aprovado para o mestrado, esse projeto de pesquisa certamente será modificado durante o mestrado em si. Esse processo de reavaliação e reescrita é supernormal. Todo mestrando e mestranda faz ajustes e adaptações no projeto apresentado na seleção. Este, inclusive, é o objetivo de algumas disciplinas do programa de pós-graduação em História.

É possível trocar de tema, fazer outro projeto completamente

diferente? Por exemplo: entrou com um projeto sobre Revolução Constitucionalista de 1932 e três meses depois quis mudar para um projeto sobre a Orquestra Sinfônica de Roma durante o fascismo? Não é recomendável que a pessoa mude completamente de tema e de pesquisa, e nem sempre isso será possível, afinal ela foi aprovada no mestrado com aquela determinada proposta de trabalho. Em alguns casos muito excepcionais, isso pode acontecer, mas é preciso verificar as regras da sua pós e obter a anuência do orientador e da coordenação do programa. Acredito que seja ainda mais difícil de se conseguir esse tipo de exceção em casos em que a pesquisa já está muito avançada no prazo ou quando já se passou pela banca de qualificação.

O projeto de pesquisa deve conter a proposta de uma pesquisa

original e autoral. A depender do programa para qual o candidato vai aplicar, esse material costuma ter entre 10 e 20 páginas e é dividido por itens. O projeto deve seguir as regras da ABNT e as demais especificações do edital de seleção do mestrado. O candidato ou candidata deve ser o único autor do projeto. Algo que eu sempre sugiro aos candidatos e candidatas: contrate uma revisão ortográfica antes da submissão. É importante que o texto siga para a banca sem erros de pontuação, gramática e ortografia.

Para saber quais aspectos serão considerados na avaliação do

projeto, o candidato deve ler com atenção o edital do mestrado para o qual está aplicando. Itens como “adequação da proposta à linha de pesquisa escolhida” e “adequação entre problema de pesquisa e fontes selecionadas” costumam estar em quase todos os editais.

As duas coisas mais importantes que eu considero em um projeto de

mestrado em História são: a questão-problema e as fontes. Uma das maiores heranças do movimento dos Annales é a História-Problema. Isto é, uma história que é feita a partir de perguntas, de indagações sobre o passado, a partir do presente. Segundo os fundadores da famosa “escola” francesa, são as perguntas que contribuem para o avanço da historiografia. Eu concordo muito com isso, e acho que é exatamente isso o que os membros da banca primeiro vão procurar no seu projeto. Portanto, um bom projeto de mestrado em História começa com o estabelecimento de uma boa questão-problema. E quando eu falo em “questão-problema”, estou me referindo a uma pergunta mesmo, uma interrogação que deverá ser respondida ao final do mestrado. Essa pergunta precisa ser clara e objetiva. Às vezes, a pergunta principal pode se desdobrar em mais uma ou duas secundárias.

Com relação às fontes, podemos dizer que elas são os grandes

fiadores do trabalho de pesquisa histórica. De nada adianta ter uma boa pergunta, um bom tema, hipóteses adequadas, cronograma factível e referencial teórico e metodológico pertinentes, se o candidato ou candidata não tem as fontes para realizar a pesquisa. Quando escrever um projeto de pesquisa, o candidato precisa apontar que fontes irá usar informar onde estão localizadas e se elas estão disponíveis. Sem fontes não há pesquisa, simples assim. Como fazer um trabalho de História Demográfica sem registros de nascimento de morte? Como investigar um periódico científico sem ter acesso aos seus números e dossiês? Como examinar as relações diplomáticas entre Brasil e Chile nos anos 1980, se esses dois países mantêm boa parte da documentação diplomática do período ainda sob sigilo? Como propor uma pesquisa sobre a ocupação norte-americana da Alemanha no imediato pós-guerra, se todos os documentos de que preciso estão no National Archives em Washington, Estados Unidos? Como propor a análise da obra de um importante autor alemão, se o candidato não lê alemão e a obra está disponível apenas nessa língua? De que forma analisar um encíclica papal do século XVIII se ela só está disponível em latim e o candidato não sabe ler latim?

Um dos principais problemas que tenho visto, tanto na graduação

quanto na pós-graduação, são projetos de pesquisa que possuem tema bem definido, mas não possuem objeto de pesquisa definido. Um projeto diz que vai “estudar como a imprensa brasileira noticiou o julgamento do criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann”. O que temos aqui é apenas um tema: a cobertura da imprensa brasileira do julgamento de Adolf Eichmann. “Imprensa brasileira” é algo bem pouco preciso. Estamos falando de todos os jornais e revistas de todos os lugares? Não dá pra produzir um trabalho de investigação que dê conta de toda essa pluralidade. É preciso recortar o veículo, escolher uma seção do jornal, delimitar o período e região. A ideia de “cobertura” também não diz muita coisa. O que significa “estudar uma cobertura”? É necessário definir o enfoque.

Para escrever o projeto, é preciso estar muito atento aos modelos de projeto indicados nos editais de seleção do programa de pós-graduação pretendido. O edital de 2022 do PPGHIS/UFRJ, por exemplo, é muito claro no que pede:

“o projeto de pesquisa deverá ser identificado com o nome completo do candidato. O projeto deverá ser digitado em espaço 1,5, letra Times New Roman, corpo 12, em papel formato A4, margens de 2,5cm, com até 10 páginas de texto (afora a bibliografia), incluindo obrigatoriamente um resumo de 1 lauda. O projeto de pesquisa deverá seguir de modo absolutamente estrito as indicações constantes do “Roteiro para Elaboração de Projeto de Pesquisa” (ver Anexo II, parte integrante deste edital). O título do arquivo deve incluir o nome do candidato, da seguinte forma: “NOME_projeto”.

O “Anexo II” do edital estabelece o que deve conter o projeto de

pesquisa: título, resumo, introdução, objetivos, quadro teórico, hipóteses, metodologia e fontes, bibliografia. Esse é o roteiro, a propósito, de quase todos os projetos exigidos em pós-graduações.

Para o título, o mais comum em teses e dissertações é adotar a seguinte lógica: “Título curto, criativo e provocativo: um subtítulo mais careta, mas bem explicativo (entre parênteses, o período estudado)”. Eu acho uma boa fórmula. Depois, quando você for publicar sua dissertação, pode pensar em títulos mais ousados, menos acadêmicos e mais comerciais, mas para intitular o projeto, ou mesmo para a defesa da dissertação, minha sugestão é que um pouquinho de tradição e cautela não faz mal a ninguém. Veja o título dessa dissertação, defendida em 1992 por Pedro Puntoni no Mestrado em História Social da Universidade do Estado de São Paulo (UNESP): “A mísera sorte: a escravidão africana no Brasil holandês e as guerras do tráfico no Atlântico Sul, 1621-1648”. É um exemplo que segue a lógica que eu acabei de mencionar. 

Um erro muito recorrente em títulos de dissertações e teses é o

esquecimento do corte temporal e do corte espacial. O título é aquele menor pedaço de informação de um trabalho monográfico: em poucos caracteres e palavras você deve colocar as informações mais importantes e essenciais do seu trabalho. E se há duas coisas que são fundamentais para o leitor é o corte temporal, isto é, o período que você estuda, e o corte espacial, isto é, o local que você examina. Lembre-se: o título é um metadado do seu trabalho. Quando o leitor for procurar por um tema na internet, ele precisa que os mecanismos de busca o levem até a sua dissertação. E para que isso aconteça, o seu título precisa ter as palavras-chaves corretas. Outra questão: nós, historiadores e historiadoras, gostamos de títulos longos. Você pode usar um título longo, não tem nenhum problema nisso. Mas eu evitaria títulos com mais de três linhas. Gosto de objetividade. Penso que informa melhor.

Na introdução, o autor ou autora deve explicar da forma mais

objetiva e direta possível o que pretende desenvolver naquela pesquisa. A introdução é a grande vitrine do projeto. Quando começamos com uma boa introdução, o avaliador ou avaliadora costuma fazer uma leitura mais generosa de todo o trabalho, mesmo que as outras partes do texto não tenham a mesma qualidade. Fale como se o leitor ou leitora nada soubesse a respeito do tema – e às vezes ele ou ela não sabe mesmo. Essa parte do texto deve ter cerca de três ou quatro páginas. Sugiro que você apresente já no primeiro parágrafo: o tema (por exemplo: o teatro romântico português no século XIX), o recorte do objeto (as peças históricas do dramaturgo português Almeida Garrett na década de 1830) e a questão-problema (qual conceito de história subjaz nas peças históricas de Almeida Garret). Nada de divagações longas no início da introdução. Esses itens devem ser enunciados objetivamente e nesta ordem, em um ou dois parágrafos. Depois de apresentar esses elementos, você poderá voltar a eles e desenvolvê-los com mais calma, na própria introdução.

Um erro que tenho visto com recorrência em introduções de projetos

(e até em provas de mestrado) é o da “essencialização” (ou “totalização”). Isso ocorre quando o autor ou autora escreve orações essencialistas ou totalizantes sobre acontecimentos, personagens, narrativas e fenômenos. Precisamos ter muito conhecimento da literatura especializada e muita segurança para usar esses termos. Vou dar um exemplo: “durante muitos anos a historiografia silenciou sobre o assunto X”. A não ser que você tenha certeza absoluta de que os historiadores e historiadoras, de toda parte do Brasil e do mundo, nunca tenham abordado o assunto X, o mais correto (ou, ao menos, o mais seguro) seria falar em “parte da historiografia” ou “boa parte da historiografia” ao invés de “historiografia”. 

Alguns programas de pós-graduação exigem o item “justificativa”,

enquanto outros, não. Se o programa não exigir este conteúdo como um item separado, eu recomendo que ele seja integrado à Introdução. Há dois tipos de justificativa: a pessoal e a acadêmica. A justificativa pessoal tem a ver com o seu afeto, com os seus sentimentos e com a sua trajetória. Você pode ter escolhido aquele tema e objeto, por exemplo, porque eles têm a ver com a sua ideologia política, com a sua atuação em movimentos sociais ou, ainda, com uma curiosidade acadêmica que surgiu em uma aula da graduação. Já a justificativa acadêmica tem a ver com a historiografia. Em outras palavras, você precisa justificar a relevância acadêmica do seu trabalho, a maneira como ele se conecta com os trabalhos que outros pesquisadores e pesquisadoras já desenvolveram na área.

Na maioria das vezes, os objetivos de um trabalho se dividem em

objetivos gerais e objetivos específicos. Ambos devem ser informados no projeto através de estruturas de tópicos e não em forma de texto corrido. Todos os objetivos precisam ser claros e curtos. O objetivo geral é o seu grande ponto de chegada, uma espécie de quadro geral. Costuma haver apenas um objetivo geral. Veja dois exemplos em um trabalho hipotético: “o objetivo geral deste trabalho é compreender a relação entre o drama histórico de Almeida Garrett e a historiográfica nacionalista portuguesa da segunda metade do século XIX” e “o objetivo geral deste trabalho é empreender um estudo sobre as relações entre teatro e história em Portugal, na segunda metade do século XIX”. Repare que você, no objetivo geral, não deve repetir a questão-problema, mas as duas coisas estão conectadas. Já os objetivos específicos costumam ser menores. Eles devem contribuir para que os seus objetivos gerais sejam alcançados. Eu não colocaria mais do que três objetivos específicos no projeto. Dois exemplos: “determinar qual a relação de Almeida Garrett com os historiadores portugueses de sua época” e “identificar as estratégias narrativas de Almeida Garrett em seus dramas históricos”.

De acordo com José Oswaldo de Sordi (2017, p.97), autor de um

manual de desenvolvimento de projetos de pesquisas, “o objetivo geral e os específicos devem transmitir uma unidade de informação bastante lógica e natural, o que significa sem sobreposições ou desvios; além disso, todos os específicos devem suportar o objetivo geral, ou seja, os objetivos específicos direcionam os trabalhos para o alcance do objetivo geral”.

O quadro teórico costuma dar muita dor de cabeça para os autores e

autoras. Acredito que isso aconteça porque, em geral, temos pouca leitura no campo teórico, especialmente antes de entrar na pós-graduação, quando nosso trabalho ainda está em uma fase muito inicial, de forma que não tivemos ainda tempo para pensar nos conceitos e no aporte teórico mais apropriados com profundidade. Certa vez, durante uma conversa informal, um amigo meu, professor titular em uma grande universidade brasileira e muito reconhecido em sua área de atuação, comentou que achava equivocado que os projetos de pesquisa tivessem o item “quadro teórico” (ou “aporte teórico”), justamente porque é o tipo de coisa que não temos (e, na opinião dele, não precisaríamos ter) no momento da seleção de uma pós-graduação. E mais, para ele, mesmo nos casos em que o quadro teórico é apontado, é quase certo que este quadro não será mantido quando o trabalho, de fato, começar. Concordemos ou não com esse meu amigo, o fato é que muitos programas exigem esse item, então, temos que nos preparar para executá-lo da melhor maneira possível.

Eu sugiro, então, que esta parte do projeto tenha entre duas e três

páginas. Nela, você deve explicar que conceitos e elementos teóricos embasam a sua reflexão. Por exemplo: em um trabalho hipotético sobre o conceito de história na obra do dramaturgo português Almeida Garrett, você poderia utilizar o conceito de “regimes de historicidade”, do francês François Hartog, ou o de “horizonte de expectativas”, do historiador alemão Reinhart Koselleck. Há muitas possibilidades, nenhuma necessariamente é melhor que a outra. Esta é uma decisão pessoal e que você poderá decidir se vai manter ou não depois, com o seu orientador ou orientadora. A ideia do quadro teórico é mostrar que você tem um quadro conceitual inicial e sabe como trabalhar com ele.

Falemos agora sobre as hipóteses. Assim como os objetivos, este

item também deve ser descrito em estruturas de tópicos. O trabalho deve ter duas ou três hipóteses. A hipótese é como uma “conclusão” que você tem a priori. É uma suspeita. Essa suspeita, contudo, não é um mero achismo. Ela parte do seu conhecimento prévio, de sua intuição enquanto pesquisador ou pesquisadora. Você desenvolverá a pesquisa para verificar se serão confirmadas ou não – não tenha medo de errar, ao fim do mestrado, em suas hipóteses, pois isso é parte do processo. Dois exemplos de hipóteses: “Almeida Garrett reproduziu em seus dramas históricos a ideia de uma ‘história mestra da vida’, muito comum na historiografia do século XIX” e “Almeida Garrett desenvolveu sua perspectiva histórica do mundo depois de morar na França e entrar em contato com historiadores franceses”.

O item “metodologias e fontes” é outro que costuma dar dor de

cabeça a quem escreve projeto de pesquisa. Ele tende a ocupar duas ou três páginas, como o anterior. A parte das fontes é tranquila: você deve verificar quais fontes você precisará para investigar sua hipótese, onde elas estão armazenadas e se estão acessíveis. Essa é uma apuração que você pode fazer assim que você começar a delinear o seu projeto, entrando em contato com arquivos e outros detentores de acervos. A internet facilitou imensamente esse trabalho. Na escrita, você simplesmente precisa indicar quais documentos serão examinados por você no mestrado, apontando a localização, o volume, a língua em que se encontram (e que você precisa dominar), a sua materialidade (são impressas ou digitalizadas) e estado de conservação.

A metodologia é a forma como você vai desenvolver o trabalho e o

exame das fontes. Na escrita dessa parte do projeto, você deve esclarecer: (1) como vou investigar minha hipótese de pesquisa e (2) com quais ferramentas vou fazer isso. Neste sentido, você deve informar como planeja estruturar a dissertação e como usará essas fontes. Trata-se, portanto, de um apontamento de caminhos no tratamento da informação. Pode fazer referência, também, a modelos metodológicos que existem para além do nosso trabalho, e que podemos pegar para nós, ainda que fazendo as adequações necessárias. Essas metodologias podem fazer parte do campo da História ou não, e estão quase sempre muito conectadas com o nosso quadro teórico. Alguns exemplos de metodologia, neste sentido: materialismo histórico, análise de discurso, análise de recepção, história conceitual, macro-história, história oral, análise fílmica, análise de redes, contextualismo (Escola de Cambridge) etc.

Finalmente, chegamos à parte final do projeto. Além do

cronograma, onde é preciso indicar, realisticamente, por meio de tabela e agenda, o momento de cada uma das etapas, há que se indicar as referências bibliográficas. Há dois erros muito comuns em projetos de mestrado em História. O primeiro é um erro de excesso: colocar dezenas de títulos, dentre artigos e livros, mas a maioria sequer foi utilizada no decorrer do projeto. Em geral se faz isso ou para demonstrar erudição, ou porque se entendeu, equivocadamente, que “referências bibliográficas” é o espaço para se colocar todas as referências que o candidato ou candidata conhece sobre o tema, e não somente as que ele utilizou no projeto. Neste item, devemos colocar somente as referências que utilizamos no trabalho, aquelas que, efetivamente, nos ampararam na escrita do texto. O segundo erro é a escassez. Já cansada ou mesmo distraída, a pessoa cita um autor ou trabalho no corpo do texto, mas esquece de incluí-lo nas referências bibliográficas. Esse é fácil de se corrigir se esta checagem específica for incluída numa revisão cuidadosa depois que o projeto estiver pronto e ante de entregar para banca – então, anota aí um lembrete.

Muito ainda poderia ser dito quanto à elaboração dos projetos de

pesquisa. Aqui você encontrou os itens que eu considero essenciais. Se você quiser ouvir outras vozes ou outras dicas, eu recomendo a leitura dos trabalhos a seguir. Eles vão ajudar você a produzir um projeto de pesquisa ainda mais sofisticado. São as obras que eu geralmente recomendo aos meus orientandos e orientandas, da graduação até o doutorado. Repare que nesta lista há trabalhos mais técnicos, que mostram o passo a passo da construção de um projeto de pesquisa formal, como o de Tania Regina de Lucca, mas há também livros que ensinam como escrever bem, como os de Howard Becker e William Zinsser, e que ajudam a usar corretamente as vírgulas, como o de Maria Tereza de Queiroz Piacentini. Na minha opinião, um bom projeto de pesquisa não é aquele que está somente bem estruturado, mas aquele que consegue também produzir uma comunicação sem ambiguidade, sem erros gramaticais, de pontuação e ortografia, e, principalmente, aquele cuja redação é prazerosa e envolvente para o leitor.

BARROS, José d'Assunção. O projeto de pesquisa em História. Da escolha do tema ao quadro teórico. Petrópolis: Vozes, 2014.

BECKER, Howard S. Truques da escrita. Para começar a terminar teses, livros e artigos São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

LUCCA, Tania Regina de. Práticas de pesquisa em história. São Paulo: Contexto, 2020.

PIACENTINI, Maria Tereza de Queiroz. Só vírgula. Método fácil em vinte lições. EdUFSCar, 2021.

ZINSSER, William. Como escrever bem: O clássico manual americano de escrita jornalística e de não ficção. São Paulo: Fósforo, 2021.

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