Quero fazer mestrado em História!
7. Como É o Ambiente do Mestrado?
7. COMO É O AMBIENTE DO
MESTRADO?
CADA PROGRAMA de pós-graduação em História possui um “clima” diferente. Isso tem muito a ver com a instituição, a cidade, o quadro docente e o discente, enfim, com uma série de fatores. Alguns programas são mais formais, ao passo que outros são mais informais; uns são jovens, outros são já experimentados; alguns possuem mais recursos financeiros, enquanto outros, nem tanto. O que há de comum, então? Fácil: mestrados costumam ser ambientes estimulantes.
Fazer mestrado é participar de um ambiente intelectualmente
provocador. O mestrando ou mestranda está sempre lendo, conhecendo autores e autoras, amadurecendo ideias e metodologias de pesquisa; viaja para congressos, conhece gente nova e diferente, de diversas idades e atividades profissionais, pessoas que estão no começo e no fim da carreira; participa de grupos de estudo e pesquisa, tem reuniões de orientação e está sempre em alguma biblioteca, arquivo ou museu à procura de algum documento ou informação fundamental para o futuro da sua dissertação. Uma das coisas que eu mais gostava quando era pós-graduando era justamente esse ambiente. Não há nada igual, acredite.
Isso não quer dizer que tudo é “paz e amor” no mestrado. Escrever
uma dissertação é uma baita pressão; mestrandos e mestrandas precisam entregar relatórios, refazer projetos, repensar mil vezes seus objetos de pesquisa e opções teóricas; ser mestrando ou mestranda é viver na expectativa de conseguir uma bolsa, e também a frustração de não a conseguir; é ter que produzir muitos trabalhos de fim de curso e correr para terminar de ler todos os textos da aula do dia seguinte. Ser mestrando ou mestranda é também conviver com desinvestimentos públicos. Ainda assim, apesar se todos esses desafios, fazer o mestrado pode continuar sendo algo incrível.
Quando fazemos mestrado, aprendemos não só dentro de sala de
aula, mas também nas conversas nos corredores, nos encontros casuais. O programa de pós-graduação é um ecossistema completo, que vamos conhecendo aos poucos e cada vez mais, e quanto mais detalhes sabemos sobre ele, melhor podemos vivê-lo. Biblioteca, sala de reunião, sala de estudo, sala de defesa, sala da coordenação: utilize esses espaços, viva eles intensamente; valorize o lugar onde você estuda.
Outra coisa importante: o mestrado não é lugar de certezas
definitivas. Por mais que você esteja estudando e pesquisando determinado objeto, esteja aberto ou aberta ao contraditório, aceite críticas, saiba reconhecer limites e erros. Não se sinta mal por receber observações críticas dos outros ou por ter que pedir ajuda. Reveja seus resultados, releia sua documentação. O melhor do mestrado é estar sempre colocando a sua dissertação em revisão. No seu programa de pós-graduação e na sua sala de aula existe uma inteligência coletiva que pode ajudar bastante o desenvolvimento do seu trabalho. O escritor italiano Umberto Eco (1932-2016) publicou um livro muito instrutivo e espirituoso em 1977, com tradução para o português brasileiro, intitulado “Como se faz uma tese”. Nele, Eco fala sobre a importância da humildade cientifica: “Todos podem ensinar-nos alguma coisa. (...) precisamos ouvir com respeito a todos, sem por isso deixar de exprimir juízos de valor ou saber que aquele autor pensa de modo diferente do nosso e está ideologicamente distante de nós. Até nosso mais feroz adversário pode sugerir-nos ideias. Isso pode depender do tempo, da estação ou da hora” (Eco, 1983, p.112).
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