Quero fazer mestrado em História!

Bruno Leal Pastor de Carvalho · Capítulo 27 de 37

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Quero fazer mestrado em História!

2. A Banca de Qualificação

 

PODEMOS DIZER que a banca de qualificação é uma “pré-banca de defesa”. Ela deve acontecer, mais ou menos, na metade do mestrado, geralmente ao fim do primeiro ano, desde que o mestrando ou mestranda, claro, tenha cumprido os créditos mínimos segundo o estatuto do seu programa de pós-graduação. Uma banca em História costuma ter três professores ou professoras no dia da defesa, sendo que dois recebem com antecedência o material que o mestrando ou mestranda produziu até então, o avaliam e vão fazer perguntas e considerações no dia da qualificação. Destes, é comum que um/uma seja da própria instituição da pós e outro/a seja convidado/a de outra instituição. O orientador ou orientadora é o terceiro, mas atua apenas como uma espécie de “mestre ou mestra de cerimônias”, ou seja, ele/ela não é membro avaliador, tendo a banca total autonomia.

Eu costumo dizer aos meus orientandos e orientandas que a

qualificação é o momento mais rico e mais importante de um mestrado, afinal é um momento em que ainda podemos mudar muitas coisas, renovar nosso arsenal metodológico, incluir conceitos, mudar trajetórias, fazer novas perguntas às nossas fontes. Devemos, assim, aproveitar bastante tudo o que os membros da banca têm a dizer: suas sugestões de leitura, de capítulos, de teorias, anotar perguntas, ponderar críticas etc. Eu sempre gosto de gravar as qualificações para que os meus orientandos e orientandas possam rever cada detalhe do que foi falado. Mas é importante, obviamente, contar com a anuência de todos no dia para a gravação.

Não existe uma nota na qualificação: em geral, a pessoa recebe

apenas a avaliação sobre se está apta ou não apta a continuar com este trabalho. Caso o resultado obtido seja “apta”, o trabalho prossegue normalmente até o dia da banca de defesa, quando os dois professores ou professoras da qualificação também estarão presentes, agora ao lado de um novo avaliador ou avaliadora, que não esteve na qualificação. Caso o resultado seja “não apta”, o programa costuma dar mais alguns meses para que o mestrando ou mestranda refaça o material e o reapresente perante a mesma banca – se a aprovação não for obtida novamente nesta segunda oportunidade, ele/ela poderá será desligado/a do mestrado. Mas, como eu sempre digo, é sempre importante consultar as normas do programa.

A dinâmica da banca de qualificação é muito simples: o orientador

ou orientadora abre a sessão, faz os devidos agradecimentos, as apresentações da banca e passa a palavra para o mestrando ou mestranda, que tem então entre 10 e 20 minutos para fazer uma pequena exposição. Nesse momento, acho muito importante a objetividade: não repetir nada que já esteja presente no material que foi entregue e lido pelos avaliadores ou avaliadoras. Este é momento importante parta justificar certas escolhas, explicar mudanças, fazer esclarecimentos e apontar, de antemão, alguns gargalos do trabalho (uma forma bacana de direcionar pedidos de ajuda). Em seguida, os avaliadores ou avaliadoras começam a fazer suas arguições. Em geral, aplicamos uma regra cortês: o avaliador ou avaliadora que está mais longe geograficamente da instituição abre os trabalhos; em seguida, é a vez de quem é da própria instituição ou que está mais próximo dela. Cada intervenção costuma durar entre 20 e 60 minutos. Depois da fala do primeiro avaliador ou depois das duas falas, o mestrando ou mestranda tem entre 15 e 20 minutos para responder dúvidas, defender suas escolhas ou fazer comentários. Quando todo esse processo acaba, o orientador ou orientadora pede ao mestrando ou mestranda e quaisquer outras pessoas presentes que se retirem para que ele/ela se reúna com os avaliadores ou avaliadoras a fim de deliberar sobre o resultado. Quando os membros avaliadores entram em acordo, o mestrando ou mestranda volta à mesa para escutar o veredito. É importante lembrar que esta é uma banca pública, portanto, qualquer pessoa pode assisti-la. Então, fique à vontade se quiser convidar quem desejar!

Antes da pandemia, os programas de pós-graduação faziam

qualificações e defesas apenas em formato presencial. Mas com a pandemia da Covid-19 e a necessidade de isolamento, esses momentos do mestrado passaram a admitir o modo remoto. É uma mudança que parece ter vindo para ficar. Muitos programas, mesmo já tendo retornado às suas atividades presenciais, ainda permitem o modo remoto. A vantagem desta modalidade, ao meu ver, é que pode tornar mais fácil contar com avaliadores e avaliadoras de instituições de outras cidades, estados e até países.

Em alguns casos, bem raros, as dissertações são tão bem avaliadas

que o mestrado acaba sendo transformado em doutorado – a dissertação passa a ser uma tese. Eu conheço dois casos de amigos mestrandos aqui no Brasil que tiveram essa oportunidade.

“Devo preparar uma apresentação de Power Point”? Esta é a

pergunta que todo orientador ou orientadora escuta às vésperas da qualificação. Eu não sou tão fã desse tipo de apresentação, pois acho que dispersa mais a atenção e dá um trabalho desnecessário. Eu sempre acho melhor se concentrar em uma fala ritmada, consistente e objetiva. É claro que há exceções. Se você trabalha com fotografia, cinema ou caricaturas, ou mesmo tabelas e estatísticas, é claro que a apresentação e o uso dos recursos visuais podem vir a calhar.

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