Quero fazer mestrado em História!

Bruno Leal Pastor de Carvalho · Capítulo 28 de 37

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Quero fazer mestrado em História!

3. A Banca de Defesa

 

CHEGOU O GRANDE DIA da defesa do mestrado, o dia em que o mestrando ou mestranda defende sua dissertação perante uma banca. Depois de dois anos ou mais, chegou a vez de apresentar os achados e defender o que foi escrito. 

Os rituais de banca de defesa parecem muito com os da banca de

qualificação: essa banca também é pública (quem quiser, pode comparecer e assisti-la – mas nunca se manifestar), o mestrando ou mestranda tem entre 10 e 20 minutos para falar, cada membro da banca faz sua arguição, e tem a volta para o mestrando ou mestranda, que faz a réplica. Ao fim, todos saem da sala de defesa para que a banca discuta e chegue a uma conclusão. Mas há diferenças cruciais.

A primeira grande diferença é que a banca vai examinar os seus

resultados: diferente da qualificação, quando ainda há muito o que fazer e quando há ainda muito tempo para mudar coisas, na defesa, o mestrando ou mestranda vai ser avaliado/a pelo que entregou. O trabalho vai ser aprovado ou não. Caso não seja, o programa pode oferecer, a depender do seu estatuto, algum tempo extra para que mudanças sejam realizadas a fim de salvar a dissertação. Neste caso, a mesma banca de avaliação reexamina o material e toma mais uma decisão. Se for aprovado, teremos enfim um novo mestre ou uma nova mestra. A dissertação deverá ser entregue no prazo e no formato exigido pelo programa pós-graduação para integrar o acervo da biblioteca da instituição.

É possível fazer mudanças antes do depósito na biblioteca? A

maioria das universidades permite alterações, mas essas alterações são pontuais, nada de muito estrutural. Então, o que você fez está feito.

Outra diferença é que as bancas de defesa costumam ter mais um

avaliador, que não esteve presente na qualificação, totalizando três avaliadores ou avaliadoras, além do orientador ou orientadora, que continua sendo “mestre ou mestra de cerimônias”. A escolha da banca costuma ser uma decisão conjunta entre o orientador ou orientadora e o mestrando ou mestranda. A definição dos nomes deve ser feita com o máximo de antecedência, assim como os convites. Em geral, os programas indicam que a dissertação seja enviada para a banca com pelo menos 30 dias de antecedência, mas eu acredito que o ideal é que sejam pelo menos 45 dias, para que os membros avaliadores possam ler com calma. Algumas pessoas enviam com menos de 30 dias e a banca pode aceitar (ou não), mas impor um prazo apertado para uma banca convidada para fazer a avaliação me parece um tanto descortês, portanto, não recomendo. Em geral, os programas exigem que pelo menos um membro da banca seja externo à instituição. Esse membro pode ser de uma universidade brasileira ou estrangeira.

Em quase todos os programas também não há nota para a

dissertação, havendo apenas “aprovado” e “não aprovado”. Contudo, há dissertações que são aprovadas sem necessidade de alteração, enquanto outras possuem essa ressalva; há dissertações aprovadas com louvor; outras são aprovadas com indicação para publicação.

Depois da aprovação, o mestrando ou mestranda recebe uma ata de

aprovação e aguarda até que o seu diploma fique pronto (isso pode demorar meses!). Em seguida, deve checar quantas cópias deve deixar no programa e na biblioteca central da universidade. No mais, é comemorar esse importante rito de passagem acadêmico. Pode abraçar a banca, tirar fotos, convidar para comemorações, tá tudo liberado – não há nada que impeça essa confraternização, pelo contrário, ela é supernormal no Brasil. Aproveite!

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