Quero fazer mestrado em História!
2. Mestrado X Especialização
HÁ DOIS TIPOS de pós-graduação no Brasil: a pós-graduação stricto sensu e a pós-graduação lato sensu. A pós-graduação latu sensu engloba os Master Business Adminstration (MBAs), que são bastante comuns para profissionais de áreas como Administração, Engenharia e Economia, e as chamadas especializações. Possuem duração mínima de 360 horas e geralmente são cursadas entre 12 e 18 meses. Nesse tipo de pós, há várias disciplinas, um orientador ou orientadora e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Apenas portadores de diploma de curso superior podem se matricular.
A pós-graduação latu sensu confere ao estudante um certificado de
conclusão e não um diploma, pois não se trata de um título. Ela pode ser oferecida por instituições credenciadas e deve atender ao disposto na Resolução CNE/CES nº 1, de 8 de junho de 2007. Este dispositivo, no entanto, deixa claro já em seu primeiro artigo que “os cursos de pós-graduação lato sensu oferecidos por instituições de educação superior devidamente credenciadas independem de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento, e devem atender ao disposto nesta Resolução”.
Os cursos latu sensu são quase sempre pagos e muitos são
oferecidas nas modalidades presencial e online. São comumente encontrados em universidades privadas, embora algumas instituições públicas também as ofereçam, e até mesmo de graça. Um exemplo é a especialização gratuita em Divulgação e Popularização da Ciência, oferecida presencialmente na cidade do Rio de Janeiro através da parceria entre o Museu da Vida da Fiocruz, a Casa da Ciência da UFRJ, a Fundação Cecierj, o Museu de Astronomia e Ciências Afins e o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Dados de 2019 mostram que há cerca de duas mil instituições de
ensino que oferecem cursos de especialização em nível de pós-graduação nas modalidades presencial e EAD, sendo que 91% dessas instituições são privadas. Na internet, existe um site do MEC por meio do qual é possível procurar cursos de especialização, filtrando a pesquisa por instituição, unidade da federação, área, curso, modalidade, município e situação:
https://emec.mec.gov.br/. Durante a escrita deste livro, usei este site para fazer uma busca apenas por especializações em História e encontrei mais de 2.300 resultados. Um deles é a especialização “Estudos sobre a história da África e formação da cultura afro-brasileira e indígena”, oferecida desde 2014 por uma entidade de ensino superior privada, a Faculdade Pio Décimo, localizada em Aracaju, Sergipe. Essa pós-graduação latu sensu possui carga horária de 400 horas, com 18 meses de duração. É oferecida na modalidade presencial, com 35 vagas e tem periodicidade regular. O mais legal deste sistema online do MEC é que nas fichas de cada pós-graduação é possível encontrar e baixar o documento de criação do curso, produzido pela instituição que o oferece.
A expressão latina lato sensu significa “em sentido amplo”. Falamos
em especialização porque o pós-graduando ou pós-graduanda vai estudar uma única área específica de seu campo do conhecimento. Na graduação em História, estuda-se muitas macroáreas: História Medieval, História Antiga, História Contemporânea etc. Na pós-graduação latu sensu nós reduzimos o nosso foco a uma dessas áreas ou a um subcampo da historiografia. É possível, por exemplo, fazer uma especialização em História do Mundo Contemporâneo, ou ainda, uma especialização em História das Religiões. Ainda assim, repare que esta é uma formação de escopo amplo. Quando se fala de Mundo Contemporâneo, estamos falando de temas que vão desde Revolução Francesa até a Globalização.
A pós-graduação stricto sensu, por sua vez, compreende o mestrado
(com duração de 2 anos) e o doutorado (com duração de 4 anos). Stricto sensu é uma expressão latina que significa "em sentido específico". Podemos dizer que no mestrado, o olhar do pesquisador ou da pesquisadora é bem mais microscópico. Ele/ela analisa um/uma personagem, um evento, um conceito, um autor ou autora, um pequeno período. No mestrado, o/a estudante produz uma dissertação, enquanto que no doutorado ele/ela produz uma tese. Os dois produtos são muito parecidos. No doutorado exige-se mais de quem pesquisa: seu trabalho precisa ser maior e mais detalhado, precisa ser bem mais original e ambicioso. Uma dissertação possui, mais ou menos, 200 páginas, enquanto uma tese de doutorado pode chegar a 500 páginas. Tanto quem faz doutorado, como quem faz mestrado deve dar uma contribuição significativa para a historiografia; mas a pressão neste sentido é menor no mestrado, afinal, entende-se que este é o “primeiro grande voo solo” da pessoa no campo da pesquisa acadêmica. Para cursar o mestrado, como vimos, é preciso ter algum diploma de graduação reconhecido pelo MEC e atender às exigências das instituições de ensino em que a pós é oferecida. Não é preciso ter uma pós-graduação latu sensu para fazer um mestrado.
Assim como ocorre com os cursos de especialização, também existe
uma plataforma de referência que reúne todos os cursos de pós-graduação stricto sensu avaliados no Brasil pelo MEC. É a Plataforma Sucupira
(https://sucupira.capes.gov.br/), que é muito conhecida pelos coordenadores de pós-graduação, já que é por meio dela também que são enviadas as produções de seu corpo docente e outras informações, a fim de que o programa seja avaliado pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES). As notas da CAPES variam de 3 a 7, sendo 3 a pior e 7 a melhor. No momento em que escrevo, a Plataforma Sucupira me informa que há 82 programas de pós-graduação em História no Brasil. A maioria desses programas estão em universidades estaduais e federais. É o caso da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), no município de Chapecó, em Santa Catarina, que possui, de acordo com a plataforma Sucupira, um mestrado acadêmico em História funcionando desde agosto 2016. A área de concentração deste mestrado se chama “Fronteiras, Migrações e Sociedades”.
Em dezembro de 2019, o Instituto Semesp, que reúne empresas
mantenedoras do ensino superior privado, divulgou os resultados de uma pesquisa inédita intitulada "Cursos de especialização lato sensu no Brasil". Essa pesquisa revelou que o número de estudantes matriculados/as em cursos de especialização no país é três vezes maior do que os/as estudantes que fazem mestrado ou doutorado. Este número teve uma subida recente: nos quatro anos anteriores à pesquisa, as matrículas na especialização subiram 74%, contra 18% no mestrado e 9% no doutorado. Ainda segundo a pesquisa, considerando-se a população com 24 anos ou mais de idade, estima-se que 5,7 milhões de pessoas tenham concluído um curso de especialização de nível superior, o que corresponde a 4,1% da população desta faixa etária no Brasil. Este número é três vezes menor em comparação aos que concluíram a graduação (19 milhões).
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