Quero fazer mestrado em História!

Bruno Leal Pastor de Carvalho · Capítulo 22 de 37

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Quero fazer mestrado em História!

5. As Bolsas de Mestrado

 

 

É POSSÍVEL FAZER o mestrado com bolsa ou sem bolsa de estudos. Se você trabalha e não pode receber uma bolsa, pois isso é vedado pela lei, não há o que fazer: você só pode fazer o mestrado sem bolsa mesmo. Se você não tem emprego e deseja bolsa de estudos, você deve declarar isso no ato de inscrição. O que vai determinar o recebimento da bolsa é a sua colocação na lista de aprovados e se você atende a critérios específicos previstos em edital. Algumas universidades particulares possuem bolsas próprias, pagas com recursos próprios, mas a maior parte das bolsas, inclusive nas universidades privadas, são fornecidas por agências de fomento do governo brasileiro, que podem ser estaduais (FAPERJ, FAPESP etc.) ou federais (CNPq e CAPES).

No momento em que este texto é escrito existe uma diferença entre

os valores das bolsas. As agências federais pagam uma bolsa de mestrado de R$1.200, enquanto há agências estaduais já pagam, em geral, acima de R$ 2.000. As bolsas federais, como você deve perceber, estão defasadas – sem reajuste desde 2013, houve uma perda de 60% de seu valor de compra. Isso é um grande problema, pois a bolsa é o “salário” do pesquisador ou pesquisadora e exige dedicação exclusiva – salvo exceções de atividades afins prevista em lei. E bolsistas não contam com recolhimento na fonte para o INSS e não têm direitos previstos na CLT como FGTS, décimo-terceiro salário ou férias remuneradas. Quando as bolsas de estudo não acompanham a inflação e outros índices importantes que regulam a economia do país, não oferecem remuneração competitiva para se valorizar a profissão e atrair talentos – e aí, aumentam as chances do aumento de evasão de pesquisadores e pesquisadoras do país em busca de melhores oportunidades.

Não é obrigatório receber bolsa de estudo, mesmo se você tiver sido

aprovado no processo seletivo em primeiro lugar. Se optou pela bolsa, não pode ter vínculo empregatício e nem acumular outras bolsas, como já vimos, salvo pontuais exceções. Bolsistas e não bolsistas precisam entregar relatórios regulares ao seu programa de pós-graduação –mas os bolsistas possuem, em muitos casos, um número maior de relatórios e deveres.

O valor da bolsa é depositado em conta-salário informado pelo

mestrando ou mestranda. Em geral, qualquer banco é aceito. Dependendo da situação política e econômica do nosso país, podem ocorrer atrasos. O número de bolsas para mestrandos e mestrandas é determinado pela nota do programa de pós-graduação na CAPES (quanto maior a nota, maior o número de bolsas) e pela saúde financeira das agências de fomento à pesquisa de cada estado. Na última década, o número de bolsas de mestrado tem caído drasticamente, consequência da crise econômica e também da desvalorização da ciência no Brasil.

Como vimos no capítulo anterior, a área acadêmica como um todo

vem sofrendo um processo de desmonte, com redução expressiva de investimento. A História não é exceção. Embora o número de programas de pós-graduação em História no Brasil tenha se expandido, dados mostram que a oferta de bolsas não cresceu no mesmo ritmo, o que pode desvalorizar a área e colocar em risco a consolidação de muitos programas.

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