TED Talks: O Guia Oficial do TED para Falar em Público

Processo de preparação

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RECURSOS VISUAIS

Esses slides estão ferindo a minha vista!

No século XXI, é possível com plem entar a palavra falada com um a gam a im pressionante de tecnologias que, quando bem utilizadas, contribuem bastante para a qualidade de um a palestra. Fotografias, ilustrações, tipografia adequada, gráficos, infográficos, anim ações, vídeos, áudios e sim ulações de dados: todos esses elem entos podem reforçar tanto o nível inform ativo quanto o apelo estético de um a palestra.

No entanto, a prim eira pergunta a se fazer é: há m esm o necessidade de usar algum desses recursos? É notável o fato de que pelo m enos um terço das Conferências TED m ais vistas na internet não conta com um slide sequer.

Com o isso é possível? Com certeza, um a palestra com im agens sem pre será m ais interessante, certo? Na verdade, não é bem assim . Os slides desviam para a tela ao m enos parte da atenção do público, que deveria estar focada no palestrante. Se a grande força de um a apresentação é a relação pessoal entre orador e plateia, os slides podem acabar se m etendo no cam inho.

Com certeza não se trata de um a disputa pela atenção entre a tela e o orador.

Muitas vezes, o que se m ostra na tela ocupa um a categoria m ental diferente do que está sendo dito. Um caso de estética versus análise, por exem plo. Não obstante, se a essência de sua palestra for intensam ente pessoal, ou se você dispõe de outros m eios para avivá-la — com o hum or ou histórias interessantes —, talvez convenha deixar de lado os recursos visuais e se concentrar apenas em falar ao público em tom pessoal.

E, para todos os palestrantes, o princípio a seguir é sem pre válido: m elhor não usar slide algum a usar slides ruins.

Dito isso, adm itim os que bons slides aj udam a m aioria das palestras; em algum as, os recursos visuais fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso.

O TED surgiu com o um ciclo de palestras dedicado unicam ente a tecnologia, entretenim ento e design, e a presença de designers logo gerou a expectativa de que os slides exibidos seriam refinados e im pactantes. Pode-se dizer que essa tradição foi um a das principais razões do êxito das Conferências TED.

Então, quais são os elem entos m ais im portantes dos recursos visuais?

Eles se enquadram em três categorias:

Revelação

Capacidade explanatória

Apelo estético

Exam inem os essas categorias separadam ente.

REVELE!

O m otivo m ais óbvio para o uso de recursos visuais é sim plesm ente m ostrar algo difícil de descrever em palavras. É claro que a apresentação do trabalho da m aioria dos artistas plásticos e fotógrafos depende da exibição de obras. Um explorador que narre um a viagem ou um cientista que relate um a descoberta tam bém podem se valer de recursos visuais.

Edith Widder fez parte da equipe que pela prim eira vez film ou a captura de um a lula-gigante. Toda a sua palestra foi construída em torno desse m om ento de revelação. Quando a criatura incrível surgiu na tela, a plateia quase caiu para trás. Entretanto, o uso de im agens para revelação não precisa ser tão dram ático.

O segredo está em expor o contexto, preparar o público e então... BUM! Deixar o recurso visual fazer sua m ágica. Mostre a im agem em tela cheia, com o m ínim o de enfeites.

EXPLIQUE!

Um a im agem vale m ais do que m il palavras (m as precisam os de palavras para expressar esse conceito). Muitas vezes, as m elhores explicações surgem quando palavras e im agens atuam em conj unto. A m ente é um sistem a integrado.

Grande parte do nosso m undo é im aginada por m eios visuais. Se você quer de fato explicar algo novo, m uitas vezes a m elhor form a — e a m ais sim ples — é m ostrando e falando.

Para que isso dê certo, porém , é necessário um encaixe convincente entre o que se diz e o que se m ostra. Às vezes um orador exibe à plateia um slide de im ensa

com plexidade.

Talvez

inconscientem ente

ele

estej a

tentando

im pressionar o público com a am plitude e os detalhes de seu trabalho. À m edida que o palestrante despej a as palavras, os espectadores exam inam o slide em desespero, tentando com biná-lo com o que ele diz.

Para evitar isso, lim ite cada slide a um a única ideia central. Alguns palestrantes, sobretudo cientistas, parecem partir do pressuposto operacional inconsciente de que devem m inim izar o núm ero de slides, por isso entopem cada um deles com um a tonelada de dados. Talvez isso valesse no tem po em que os slides eram obj etos físicos exibidos por um proj etor. Entretanto, hoj e dez slides custam o m esm o que um slide. O único lim ite é o tem po de palestra. Por isso, um slide m uito com plexo cuj a explicação poderia levar dois m inutos pode ser substituído por três ou quatro slides m ais sim ples a serem exibidos durante o

m esm o tem po.

Eis o que Tom Rielly, m eu colega no TED, diz sobre a necessidade de controlar a carga cognitiva:

Se alguém fala e exibe slides, form am -se duas correntes cognitivas que fluem em paralelo. O orador precisa m esclá-las. Um a palestra sobre física teórica tem alta carga cognitiva. O m esm o acontece com um slide com posto de dezenas de elem entos. Nessas circunstâncias, o cérebro do ouvinte precisa decidir se vai se concentrar nas palavras do orador, nos slides ou nas duas coisas, e em geral a decisão é involuntária. Por isso, o orador tem de determ inar para onde vai a atenção e evitar que a alta carga cognitiva exigida por um slide se choque com o que ele diz.

Do m esm o m odo, não faz sentido deixar um slide na tela depois que você j á acabou de falar sobre ele. Vej am os o que Tom diz sobre isso: Passe para um slide em branco; assim o público tira férias das im agens e presta m ais atenção em suas palavras. Depois, quando você m ostrar slides outra vez, as pessoas estarão prontas para voltar a trabalhar.

Se seu obj etivo é apresentar um a ideia-chave por slide, faz sentido pensar se é possível fazer algo a m ais para destacar o que você quer m ostrar. Isso é especialm ente verdadeiro em relação a gráficos e quadros. Caso você estej a m ostrando que em fevereiro sem pre chove m ais do que em outubro e exiba um gráfico da precipitação anual, por que não presentear a plateia com fevereiro e outubro em cores diferentes?

E, se depois você vai com parar m arço e novem bro, faça isso num slide separado, com esses m eses diferenciados. Não com prim a tudo num só slide.

David McCandless é m estre em usar slides com eficiência para dar legibilidade a um a m assa de dados. No TEDGlobal de 2010, por exem plo, ele m ostrou dois slides. O prim eiro tinha com o título QUE PAÍS TEM O MAIOR

ORÇAMENTO MILITAR? e m ostrava dez quadrados de tam anhos diferentes, cada um representando um país, em proporção ao tam anho de seu orçam ento.

Os Estados Unidos, claro, tinham de longe o m aior quadrado.

O segundo slide, entretanto, m ostrava quadrados que representavam o orçam ento m ilitar com o porcentagem do PIB. E de repente os Estados Unidos figuravam em oitavo lugar, atrás de países com o Mianm ar, Jordânia, Geórgia e Arábia Saudita. Com apenas dois slides, sua visão de m undo m uda radicalm ente.

Outros oradores ainda parecem acreditar que realçarão a força explanatória de seus slides enchendo-os de palavras, m uitas vezes as m esm as que pretendem dizer. Nada m ais distante da verdade. Aquelas clássicas séries de slides em

PowerPoint, com um título seguido de várias frases longas que resum em os tópicos abordados, são a m aneira m ais segura de desviar a atenção da plateia.

Isso porque ela lê m uito m ais depressa do que o palestrante, e, quando o tópico do slide é explicado, a plateia j á o considera coisa sabida. Quando alguém vem ao TED com séries de slides desse tipo, nós dam os à pessoa um a bebida, nos sentam os com ela diante de um com putador e, educadam ente, lhe pedim os licença para cortar, cortar, cortar. Às vezes, cada tópico se transform a em um slide separado; m uitas frases são reduzidas a um a só; um tópico é substituído por um a im agem ou sim plesm ente elim inado.

De nada vale repetir na tela, em form a de texto, o que você está dizendo no palco. Se você vai expor um tópico durante alguns m inutos, talvez valha a pena deixar na tela um a palavra ou frase para lem brar o público o que está sendo explicado. Em outros casos, porém , palavras na tela prej udicam a exposição, em vez de m elhorá-la.

Mesm o que sej a sim ples, um slide de texto pode indiretam ente atrapalhar a palestra. Em vez de um slide que diga Um buraco negro é um objeto tão massivo que nem a luz escapa dele, você deveria trocá-lo por um slide com o seguinte título: Até que ponto um buraco negro é negro? Em seguida, dê a inform ação oralm ente, com as palavras do slide original. Assim , o slide desperta a curiosidade e torna suas palavras mais interessantes, e não m enos.

Pensando assim , conclui-se que a ideia é bem sim ples. A finalidade principal dos recursos visuais não deve ser com unicar palavras. A boca do palestrante j á faz isso m uito bem . A finalidade dos recursos visuais é m ostrar aquilo que a boca não m ostra tão bem : fotografias, vídeos, anim ações e dados im portantes.

Usada assim , a tela pode explicar num instante o que, de outra form a, tom aria horas. No TED, nosso usuário de recursos visuais preferido é Hans Rosling. Em 2006, ele m ostrou um a sequência de gráficos anim ados que durou 48 segundos.

Mas nesses 48 segundos ele transform ou o m odelo m ental que tínham os do m undo em desenvolvim ento. E acontece que não tenho com o explicá-los a quem não os viu. Isso exigiria vários parágrafos, e m esm o assim eu não chegaria nem perto do obj etivo. A questão é exatam ente essa. Era necessário vê-los num a tela.

Procure no site do TED “Hans Rosling m ostra as m elhores estatísticas que você j á viu”. (O trecho com eça aos 4:05.)

Nem todo m undo pode ser um Hans Rosling, m as todo m undo pode se perguntar: “Recursos visuais são indispensáveis para explicar o que eu quero dizer? Se forem , qual é a m elhor form a de com biná-los com m inhas palavras de m odo que a interação sej a intensa?”

EMPOLGUE!

Um a contribuição dos recursos visuais que m uitas vezes passa despercebida é a

capacidade de dar a um a palestra um im enso apelo estético.

Espanta-m e que os artistas visuais m uitas vezes reduzam o que querem m ostrar a um a fração m ínim a de seu trabalho. Realm ente, é preciso lim itar os conceitos num a palestra. Mas imagens? Nem tanto. O erro é pensar que você precisa explicar cada im agem . Não precisa. Se você tivesse convidado um público selecionado para ver seu trabalho em um enorm e salão de exposições, m as só tivesse tem po para se concentrar num a única galeria, prim eiro faria as pessoas percorrerem depressa o restante do salão, pelo m enos para que se encantassem e conhecessem m elhor seu trabalho em geral. No caso das im agens, um a visualização de cinco segundos, m esm o sem nenhum a explicação, pode causar im pacto. Se é tão fácil dar essa apresentação à plateia, por que não fazer isso?

Existem diversas form as de estruturar um a palestra de m odo a perm itir m om entos de concessão visual que aum entarão bastante a sensação de prazer da plateia, m esm o quando o assunto não for agradável.

Lucy McRae, designer e TED Fellow, incluiu em sua palestra dezenas de im agens e vídeos sedutores e fantásticos, que geraram sua própria sensação de encantam ento — em bora ela estivesse falando sobre odores corporais.

O estilo gráfico de um a exposição, com a escolha de fontes elegantes, ilustrações e/ou anim ações personalizadas, tam bém pode torná-la irresistível.

Esses são alguns princípios fundam entais. Contudo, no caso de recursos visuais, o diabo se esconde nos detalhes. Para nos dar m ais inform ações, convido novam ente Tom Rielly, que chega a sentir dor física quando vê recursos visuais ruins. Tom , a palavra é sua!

Tom Rielly escreve:

Pois bem ! Com ecem os com as ferram entas que você vai usar.

DICAS SOBRE SOFTWARE

Em 2016, são três as principais ferram entas para apresentações: PowerPoint, Key note (para Mac) e Prezi. O PowerPoint é a m ais com um , em bora eu ache que o Key note é m ais fácil de usar e tem fontes tipográficas e elem entos gráficos m elhores. O Prezi (aplicativo do qual o TED foi um dos prim eiros investidores) conta com um a m odalidade alternativa na qual, em vez de um a sucessão linear de slides, você se m ovim enta num a paisagem bidim ensional, dando m ais ou m enos zoom no que lhe interessa.

Hoj e em dia, a m aior parte dos proj etores e das telas segue as dim ensões de um a tela m oderna de televisão: o padrão 16:9, e não o 4:3 dos televisores antigos.

Entretanto, o software de apresentações abre em 4:3. Se quiser, m ude

im ediatam ente a configuração para 16:9 (a m enos que estej a fazendo a palestra num local onde só haj a proj etores de form ato 4:3).

Não utilize os tem plates-padrão do aplicativo, ou sua apresentação ficará parecida com todas as outras, pois os tem plates acabam sendo lim itadores.

Recom endo que você com ece com um slide totalm ente em branco. Se for exibir m uitas fotografias, use fundo preto — ele desaparecerá, e suas fotos vão se destacar bastante.

De m odo geral, as fotos devem “sangrar”. Não, esse não é um term o de film e de terror, apenas um term o antigo de im pressão que indica que a im agem deve ocupar toda a tela, sem m oldura. É m elhor m ostrar três fotos sangradas em sequência do que três fotos j untas no m esm o slide. Em geral, as fotos ainda são batidas no form ato 4:3, de m odo que, se você quiser m ostrar um a fotografia sem cortá-la em cim a e em baixo, deve colocá-la num slide preto. Isso deixará m argens pretas discretas à esquerda e à direita.

Resolução das fotos: para evitar a desagradável pixelização das im agens quando proj etadas em telas de grandes dim ensões, use fotografias com a m ais alta resolução possível. Não existe resolução alta dem ais, a m enos que ela deixe o program a m ais lento.

FONTES TIPOGRÁFICAS

Em geral, é m elhor usar um a só fonte durante a apresentação. Algum as são m ais adequadas do que outras. Norm alm ente, recom endam os fontes de peso m édio e sem serifa, com o Helvetica ou Arial. Não use fontes finas dem ais, pois não dão boa leitura, sobretudo se o fundo for escuro. Na dúvida, opte sem pre pela sim plicidade.

Tam anho

Um a fonte m inúscula cansa a vista da plateia. De m odo geral, use caracteres com corpo 24 ou m aior. Em pregue no máximo três corpos da fonte escolhida, e para cada tam anho deve haver um a razão clara: o corpo m aior destina-se a títulos; o m édio, às ideias principais; o m enor, às ideias secundárias.

Fundo

Caso decida usar texto sobre um a fotografia, insira-o num a área em que a plateia consiga lê-lo. Se a foto tiver elem entos dem ais e im pedir a inserção direta de texto, acrescente um a barrinha preta na parte inferior e coloque o texto nela.

Cor

Nesse ponto, as palavras fundam entais são simplicidade e contraste. Preto sobre branco, cor escura sobre branco e branco ou am arelo sobre preto ficam bem ,

pois criam ótim o contraste e facilitam a leitura. Use apenas um a cor de fonte na apresentação, a m enos que queira dar ênfase ou causar surpresa. Nunca use fonte clara contra fundo claro ou fonte escura contra fundo escuro — por exem plo, textos em azul-claro sobre am arelo ou textos em verm elho sobre preto não dão boa leitura.

LEGIBILIDADE

Depois de escolher a fonte e as cores, vej a a apresentação no com putador ou —

m uito m elhor — num televisor ou com um proj etor. Afaste-se de dois a quatro m etros. Consegue ler tudo? As fotos parecem nítidas e sem pixelização? Caso contrário, faça os aj ustes necessários.

O QUE NÃO SE DEVE FAZER

Não use bullets para os tópicos. Evite a todo custo.

Não use travessões no início do texto.

Resista ao sublinhado e ao itálico (são difíceis de ler). Prefira o negrito.

Som breados às vezes m elhoram a legibilidade, sobretudo no caso de textos em cim a de fotografias, m as use esse recurso com discrição.

Não use vários recursos tipográficos na m esm a linha. Fica horrível.

EXPLICAÇÕES E DIAGRAMAS

Para m anter a atenção do público em um a coisa de cada vez, acrescente palavras e im agens a um slide m ediante cliques. Dê à plateia tem po suficiente para absorver cada passo. Não inclua coisas dem ais num slide, ou as pessoas se sentirão perdidas.

CRÉDITOS DAS FOTOGRAFIAS

Para a com unidade científica, é fundam ental creditar cada fotografia dos slides.

No entanto, convém evitar corpos grandes, pois vão desviar a atenção do slide em si. Se todas as im agens forem de um a só fonte, você pode agradecer oralm ente à National Geographic, por exem plo, ou acrescentar um a linha de crédito que diga “Fotos: cortesia da National Geographic”. Com isso não será necessário repetir a linha a cada slide.

Caso tenha de incluir créditos, insira-os sem pre no m esm o lugar, na m esm a

fonte e no m esm o corpo (não m aior do que 10) em cada slide. E, em vez de

“Crédito da foto: Augustín Álvarez, Am es Research Center, Nasa, Mountain View, CA”, reduza para “Augustín Álvarez, Nasa”. Leve em conta que alguns detentores de direitos, com o m useus, talvez se oponham à abreviação de créditos.

Mas vale a pena pedir perm issão para isso. Em geral, eu insiro os créditos vazados em branco e rotacionados em noventa graus, de m odo a aparecerem na vertical, do lado direito do slide. Pergunte aos seus am igos: os créditos desviam a atenção das im agens? Se desviarem , é porque estão com m uito destaque.

FOTOS SUAS E DE SUA EQUIPE

É ótim o ter um a foto sua no am biente de trabalho: no laboratório, na floresta ou no Grande Colisor de Hádrons. Mas resista à tentação de incluir m ais de um a, a m enos que haj a um a razão. Ben Saunders nos falou de suas viagens ao Polo Norte e ao Polo Sul. Na m aioria das fotos, sua im agem é necessária para narrar a história. Havia tam bém toda um a equipe trabalhando incessantem ente para possibilitar as expedições de Ben, porém m ostrar fotos dela teria desviado a atenção do público. Com preendem os que você queira dividir os créditos, m as fotos dos m em bros da equipe, principalm ente em form a de retratos estilo 3x4, são im portantes para você, não para o público. Refreie o im pulso e, se tiver m esm o de m ostrar a equipe, use um a só foto do grupo inteiro. E é m uito m elhor descrever a equipe no contexto da apresentação.

VÍDEOS

Os vídeos podem ser ferram entas sensacionais para dem onstrar seu trabalho e suas ideias. Entretanto, são raras as ocasiões em que você deve m ostrar clipes de m ais de trinta segundos. Num a palestra de dezoito m inutos, m ostre no m áxim o quatro clipes, a m enos que sej a absolutam ente necessário. É m elhor que os vídeos m ostrem seu trabalho e que você tenha direitos sobre eles (em vez de pôr um clipe de Star Wars), que eles expliquem algo inexplicável por m eio de fotografias e que sej am m uito bem produzidos (gravados em alta definição, com boa ilum inação e som de alta qualidade). Um vídeo cuj a produção é deficiente fará a plateia pensar m ais na m á qualidade do que no conteúdo. O ideal é que sej a natural e autêntico, e não produzido pelo departam ento de relações públicas de sua em presa ou com um a trilha sonora bom bástica. Um conselho: quando estiver trabalhando, faça vídeos de tudo, porque você pode resolver usá-los m ais tarde, m esm o que ainda não saiba quando. O TED investe em vídeos e fotografias de alta qualidade, e com o passar do tem po eles vêm se tornando cada vez m ais valiosos.

Você pode incorporar um film e à apresentação, m as, antes de subir ao palco, lem bre-se de se certificar com a equipe de som e vídeo que ele está funcionando.

TRANSIÇÕES

Para m uitos palestrantes, as transições entre slides constituem um a tem ida areia m ovediça. A regra prática é a seguinte: evite quase todas. Shimmer, sparkle, confetti, twirl, clothesline, swirl, cube, scale, swap, swoosh, fire explosions e dropping and bouncing são transições do Key note. Eu só as uso para criar hum or e ironia. São artifícios cham ativos e desviam a atenção, que sai das ideias e cai na m ecânica do software. Há duas transições de que eu gosto: cut (um corte instantâneo, com o na edição de um film e) e dissolve. Não usar nenhum a (ou usar cut) é excelente quando você quer um a resposta instantânea ao clique; e dissolve parece natural, se configurada para um intervalo de, no m áxim o, m eio segundo.

Cortar ( cut) e dissolver ( dissolve) têm dois significados subconscientes: com cortar, você está passando para um a ideia nova, e ao dissolver os dois slides têm algum a relação. Essa regra não é rígida, m as vale. Você pode usar as duas form as de transição na m esm a apresentação. Se não houver m otivo para transição, não use. Em resum o: a transição nunca deve cham ar a atenção.

TRANSPORTE DE ARQUIVOS

Envie os arquivos para os organizadores do evento e leve consigo um pen drive com a apresentação com pleta e seu vídeo em separado. Copie tam bém as fontes usadas nos slides. Sem pre que vou falar, levo com igo um a cópia da apresentação, m esm o que a tenha enviado antecipadam ente aos organizadores.

Im portante: antes de gravar ou copiar esses arquivos no pen drive, j unte-os num a pasta e com pacte-os num arquivo .zip. Isso garante que aplicativos com o o Key note ou o PowerPoint reúnam todas as partes da apresentação num só local.

Nom eie cada vídeo com clareza, indicando tam bém a localização. Exem plo: SIOBHAN STEPHENS SLIDE 12. VÍDEO. MARIPOSA EMERGE DO

CASULO.

DIREITOS

Certifique-se de ter as licenças exigidas para o uso de fotografias, vídeos, m úsicas e qualquer fonte, ou de que esses elem entos estej am incluídos nas licenças Creative Com m ons ou sej am de utilização gratuita. É sem pre m ais fácil e m elhor utilizar seus próprios trabalhos. Caso queira incluir um a m úsica da

Whitney Houston, por exem plo, pode ter de pagar um a nota pelo uso na palestra ao vivo e principalm ente na internet.

TESTE

Existem dois tipos de teste: o hum ano e o técnico. Para o hum ano, recom endo que você teste a apresentação — sobretudo os slides — com parentes e am igos que não trabalhem na sua área. Depois, pergunte o que entenderam , o que não entenderam e se têm algum a pergunta a fazer. Os testes são fundam entais, sobretudo no caso de assuntos m uito técnicos ou com plexos.

O teste técnico tam bém é fundam ental. Eu tenho um controle rem oto Kensington que pode ser plugado na entrada USB do m eu com putador, de m odo que posso clicar durante a palestra, tal com o faria no palco. Os slides são nítidos e claros? As transições estão rápidas o bastante? As fontes estão corretas? Os vídeos estão sendo bem reproduzidos? Há problem as técnicos de qualquer natureza?

Repassar sua palestra várias vezes aj udará a saber se ela está ok.

Sem pre pergunte que tipo de com putador será usado para m ostrar a apresentação e se ela poderá ser exibida no m esm o program a e com as m esm as fontes que você usou para criá-la. Se for o m esm o software, pergunte a versão.

Certifique-se de usar a versão m ais recente do software, porque em geral é a que os organizadores desses eventos utilizam e porque converter às pressas um arquivo de um a versão para outra do m esm o software causa tensão e exige m uito cuidado. Certa vez, criei um a apresentação no Key note, num Mac, e ela foi im portada para o PowerPoint. Durante o ensaio, o desastre parecia im inente.

Convenci os organizadores a arranj arem um Mac e o Key note, e deu tudo certo.

Nunca faça um a apresentação se ainda não testou os slides, e principalm ente os vídeos, no equipam ento a ser usado durante a palestra. É fundam ental pedir ao técnico de som que verifique os níveis sonoros de qualquer áudio, sobretudo se você pretende falar enquanto ele toca. Um som inaudível ou um a barulheira repentina podem derrubar um palestrante.

COLABORAÇÃO DE DESIGNERS

Em geral, as pessoas sabem produzir bons slides, m as, se os riscos forem altos e o orçam ento perm itir, não deixe de contratar os serviços de um artista gráfico que trabalhe com apresentações. Observe que eu não disse qualquer designer.

Um profissional habituado a trabalhar com sites ou m ateriais im pressos pode não ter o m esm o desem baraço com a arte e a gram ática da transm issão de ideias por m eio de slides. Peça para ver trabalhos anteriores. É possível encontrá-los em sites especializados, com o o Behance.

Outros quatro pontos im portantes:

1. Mesm o que você disponha de um departam ento de artes gráficas profissional para realizar o trabalho, participe do processo desde o com eço. Antecipe-se. Não se lim ite a revisar o vídeo term inado, estej a sem pre presente e ativo. Em geral, os designers são ótim os no que fazem , m as estão aj udando você a se expressar, então sua participação faz todo sentido.

2. Caso não se sinta à vontade com as recom endações de outra pessoa a respeito dos slides, confie em seus instintos. Afinal, quem subirá ao palco é você.

3. Trabalham os com vários designers a distância, usando Sky pe, e-m ail e Dropbox. Funciona bem . Não há m otivo algum para que o designer estej a bem a seu lado.

4. A colaboração profissional não precisa ser dispendiosa. Para elem entos gráficos de apresentação, gosto de trabalhar com pequenos estúdios que em pregam de um a quinze funcionários, porque acabo trabalhando m ais com os responsáveis por esses estúdios. Há tam bém no m ercado um grande núm ero de recém -

form ados em escolas de arte e design.

CONTROLE DAS VERSÕES

Controle as versões religiosam ente, usando um a ferram enta com o o Dropbox para arm azenar todos os rascunhos, assim com o as fontes, as fotos, os vídeos e os áudios. É sem pre conveniente nom ear os arquivos conform e o núm ero da versão, seu nom e, o local de apresentação e, m ais tarde, a sessão do TED, caso saiba. O resultado será algo com o v4trj wTom Rielly ApresTED2016Sessão11. As iniciais (“trj w”) indicam quem trabalhou na versão pela últim a vez. Dica: ponha o núm ero da versão e as iniciais do responsável por ela no com eço do nom e, para distinguir claram ente um a versão de outra. Toda vez que passar esse arquivo, salve um a nova versão com um novo núm ero e novas iniciais, e, antes de passar o link do Dropbox à equipe de produção de um evento, faça um a pasta dentro do próprio Dropbox para as versões antigas e guarde a versão m ais recente em separado. Marque a versão final com “FINAL” no com eço ou no fim do nom e.

Seu designer vai adorar se você ou alguém de sua equipe j untar o m áxim o de recursos possíveis (fotos, vídeos, áudios) num a pasta antes que ele com ece a trabalhar. Além disso, para aj udar o designer, às vezes eu crio um arquivo no Key note e preparo slides falsos com instruções, m ais ou m enos assim : “Este slide

m ostrará um a das espécies que estam os tentando proteger”, “este slide m ostrará o leito seco do lago” etc.

Faça isso para o m aior núm ero de slides possível, ordene tudo e m ande o arquivo para o designer. Esses slides equivalem aos post-its de um cineasta colados nas paredes. Eles aj udam a organizar suas ideias.

Por fim , com o tudo na área gráfica, m enos é m ais.

E de volta ao Chris:

Um a salva de palm as para Tom , por favor!

E, finalm ente, se você quer ver em que nível se encontram as artes gráficas, há três outros palestrantes cuj os recursos visuais são nada m enos que fantásticos.

As im agens de tirar o fôlego apresentadas pelo fotógrafo Mac Stone no TEDxUC j ustificam plenam ente o título de sua palestra: “Photos that m ake y ou want to save the Everglades” (“Fotografias que vão fazer você querer salvar as Everglades”).

No TEDxVancouver, Jer Thorp discorreu sobre o im pacto dos infográficos claros e provou suas ideias com inúm eros exem plos.

E, no TEDxSy dney, o anim ador e biom édico Drew Barry utilizou anim ações assom brosas em 3-D para m ostrar processos ocultos em nossas células.