TED Talks: O Guia Oficial do TED para Falar em Público
15. Preparo mental
Am anda Palm er diz que o único arrependim ento quanto aos preparativos para sua palestra foi ter escolhido um a cam iseta cinza que escureceu debaixo dos braços por causa da transpiração. Mas a plateia achou que aquilo fazia parte de sua postura diante da vida, que privilegia a quebra de regras, e a palestra foi um sucesso ao vivo e on-line.
Resum indo:
1. Faça o que Kelly diz.
2. Escolha com antecedência roupas e acessórios com que se sinta bem .
3. Foque nas ideias, não nas roupas!
No palco
15
PREPARO MENTAL
Como controlar os nervos?
O m edo desencadeia nossas reações ancestrais de luta ou fuga. O corpo se contrai com as descargas quím icas, pronto para atacar ou fugir. Pode-se m edir fisicam ente essa reação pelo aum ento da adrenalina na corrente sanguínea.
A adrenalina é ótim a quando fornece a energia necessária para você sair em disparada pelas savanas africanas em busca de segurança e sem dúvida fornecerá energia e entusiasm o para sua presença de palco. Mas, em excesso, é ruim . Pode fazer a boca ficar seca e provocar um nó na garganta. Sua função é turbinar os m úsculos, m as, se os m úsculos não forem usados, podem se contrair e dar origem ao trem or associado a casos extrem os de tensão nervosa.
Nesses casos, alguns orientadores aconselham o uso de rem édios, em geral betabloqueadores, m as o inconveniente é que eles podem reduzir sua energia. Há várias outras estratégias para fazer a adrenalina trabalhar a seu favor.
Voltem os a Monica Lewinsky. No Capítulo 1, ela relatou a intensidade de seu nervosism o ao realizar a palestra. Se ela conseguiu dom inar os nervos, aposto que você tam bém consegue. Vej a o que ela fez, em suas próprias palavras: Quando a m ente com eça a divagar ou perde o foco, alguns tipos de m editação nos orientam a nos concentrarm os na respiração ou em nosso m antra. Foi o que fiz com a m inha ansiedade. Sem pre que pude, tentei ao m áxim o voltar ao obj etivo da palestra. Um de m eus dois m antras era ISTO
É IMPORTANTE. (Na verdade, rabisquei isso no alto da prim eira página da m inha fala, que levei ao palco.) O outro m antra que funcionou foi EU
CONSIGO FAZER ISTO.
Se você vai ficar de pé num palco e falar a um público, é porque alguém , em algum lugar, achou que você tinha algo relevante para dividir com os outros. Passei um tem po definindo para m im m esm a com o eu esperava que m inha fala aj udasse outras pessoas que estavam sofrendo. Eu m e agarrei à im portância e ao obj etivo da m inha fala com o se ela fosse um a tábua de salvação.
Utilizei ferram entas que funcionaram para m im . Usei tudo a que tinha direito em term os de apoio e para ter as reservas no nível m áxim o no dia da palestra, e assim dar conta dela. Nos últim os dezessete anos, passei um tem pão aprendendo a controlar a ansiedade e os traum as do passado. Na m anhã da apresentação, sem ordem específica, eu m e vali de terapia de biorressonância, exercícios respiratórios, um a terapia cham ada Técnica de Libertação Em ocional (m ais conhecida com o “tapping”; fiz isso nos bastidores, m inutos antes de subir ao palco), cantei, fiz diversos exercícios de aquecim ento com m eu orientador de palestras, cam inhei para fazer a adrenalina correr pelo corpo, m e certifiquei de rir pelo m enos um a vez, fiz exercícios de visualização e, por últim o, assum i pose de poder (por sorte, com a inigualável Am y Cuddy ).
Em m ais de um a ocasião, duvidei da m inha capacidade de concretizar a palestra. Na noite anterior ao ensaio de conteúdo, três sem anas antes da apresentação, eu m e debulhei em lágrim as, exasperada porque o conteúdo não estava tom ando form a. Pensei em desistir depois do ensaio, m as fiquei im pressionada com a recepção positiva. Esperei os “m as” e “poréns”, no entanto eles nunca chegaram .
Ainda insegura, passei m uito tem po pensando nessa reação, m as, com o acabei concluindo, se gente que sabe o que está fazendo no que se refere a Conferências TED acha que m inha fala é convincente, eu posso confiar nela; j á tinha ido longe dem ais para desistir.
Durante o processo, quando m e deparava com dúvidas, procurava m e concentrar na m ensagem que queria passar, e não na m ensageira. Sem pre que m e sentia nervosa ou insegura, eu sim plesm ente tentava ser forte e m e convencer de que só tinha de fazer o m elhor que conseguisse [...] e, se m inha m ensagem chegasse a pelo m enos um a pessoa e eu aj udasse pelo m enos um a pessoa a se sentir m enos solitária em sua experiência de vergonha e hum ilhação on-line, a palestra j á teria valido a pena.
A experiência m udou m inha vida em m uitos aspectos.
Esse é o m ais com pleto conj unto de ferram entas de controle dos nervos que você j á viu. Deve-se tentar todas as técnicas de Monica? Não. Cada pessoa é de um j eito. Mas o fato de ela ter transform ado um m edo paralisante num a presença de palco calm a, segura e interessante serve para convencer qualquer um de que isso é possível.
O que eu recom endo é o seguinte:
Use o medo como motivação. É para isso que ele serve. Assim , fica m ais fácil você se com prom eter de verdade a ensaiar a palestra quantas vezes forem necessárias. Sua segurança vai aum entar, o m edo vai dim inuir, e a palestra será m elhor.
Deixe seu corpo ajudar! Antes de subir ao palco, há um a série de coisas im portantes a fazer que aj udam a contornar a descarga de adrenalina. A m ais im portante é respirar. Respirar fundo, com o na m editação. O oxigênio
acalm a. Você pode fazer isso até na plateia, enquanto aguarda sua cham ada.
Inspire fundo, pelo diafragm a, e deixe o ar sair devagar. Repita três vezes.
Se estiver fora da vista do público e sentir a tensão tom ar conta do corpo, convém experim entar exercícios físicos m ais vigorosos.
No TED2014, eu estava superestressado com a perspectiva de entrevistar Richard Ledgett, da Agência Nacional de Segurança, sobre a polêm ica envolvendo Edward Snowden. Dez m inutos antes da sessão, fugi para um corredor nos fundos do palco e com ecei a fazer flexões. Não conseguia parar. Acabei fazendo 30% m ais do que achava ser capaz. Era adrenalina pura, e, ao queim á-la daquela form a, senti a calm a e a segurança voltarem .
Beba água. A pior parte do nervosism o é quando a adrenalina suga toda a água da sua boca e você com eça a sentir dificuldade para falar. Com o eu j á disse, controlar a adrenalina é o m elhor antídoto, m as se hidratar tam bém é.
Cinco m inutos antes de com eçar, tente beber um terço de um a garrafa de água. Isso aj uda a evitar a boca seca. (Mas não beba com m uita antecedência. Salm an Khan bebeu e teve de correr para o banheiro bem na hora da apresentação. Voltou no últim o instante.)
Evite o estômago vazio. Quando a pessoa está nervosa, com er pode ser a últim a coisa que ela quer fazer, m as o estôm ago vazio pode aum entar a ansiedade. Com a algo leve m ais ou m enos um a hora antes de subir ao palco e/ou tenha à m ão um a barrinha de proteína.
Lembre-se do poder da vulnerabilidade. O público recebe bem oradores nervosos, sobretudo quem reconhece a situação. Se você disser algo errado ou gaguej ar de leve nas prim eiras palavras, diga algo legal com o: “Epa, desculpem . Estou um pouquinho nervoso.” Ou: “Com o podem ver, não costum o dar palestras. Mas esta era im portante dem ais para recusar.” O
público vai com eçar a torcer por você ainda m ais. Num a Sy dney Opera House lotada, a cantora e com positora Megan Washington confessou aos espectadores do TEDx que tinha lutado a vida inteira contra a gagueira que eles estavam ouvindo. Sua franqueza e seu desconforto inicial tornaram ainda m ais sensacional a m úsica que ela cantou com perfeição.
Procure “amigos” na plateia. No com eço da palestra, procure rostos que lhe pareçam sim páticos. Se encontrar três ou quatro em pontos diferentes da plateia, dirij a a eles sua palestra, olhando de um para outro. Todos perceberão a sintonia, e o incentivo que você vai descobrir nesses rostos lhe dará calm a e segurança. Talvez você consiga levar alguns de seus am igos de
verdade ao auditório. Fale para eles. (Além do m ais, falar aos am igos tam bém aj uda a encontrar o tom de voz adequado.)
Tenha um plano B. Se estiver achando que as coisas podem dar errado, planej e algum as j ogadas alternativas. Tem m edo de esquecer o que vai dizer? Mantenha anotações, ou o roteiro, ao alcance da m ão. (Roz Savage levou o dela dentro da blusa. Ninguém se im portou quando ela perdeu o fio da m eada algum as vezes e recorreu a ele.) Tem e que o equipam ento falhe e você precise im provisar? Bem , em prim eiro lugar, o problem a é do organizador, e não seu, m as não há nada de m au em ter um a historinha para contar se precisar encher linguiça, m elhor ainda se for pessoal: “Enquanto eles dão um j eito nisso, vou lhes contar a conversa que tive há pouco com um taxista...”, ou “Ah, que bom ! Agora tenho a oportunidade de contar algo que precisei cortar por questão de tem po...”, ou “Ótim o! Tem os alguns m inutos extras. Então eu vou fazer a vocês um a pergunta. Alguém aqui, algum a vez...”.
Concentre-se no que está dizendo. A sugestão de Monica — escrever ISTO
É IMPORTANTE nas anotações — é excelente. É o m elhor conselho que posso dar. Não se trata de você, m as da ideia pela qual você tem paixão. Sua tarefa é estar ali a serviço da ideia, dá-la de presente. Se m antiver isso em m ente quando subir ao palco, vai se sentir livre.
O cantor Joe Kowan ficava paralisado pelo nervosism o a ponto de não conseguir fazer o que m ais am ava: cantar para as pessoas. Assum iu isso, passo a passo, e se obrigou a participar de pequenos eventos, m esm o ouvindo o trem or na voz. Acabou escrevendo um a m úsica sobre o m edo do palco, a qual cantava nos shows quando precisava. O público adorava, e ele passou a ver o nervosism o com o um am igo. Ofereceu um a m aravilhosa palestra (e um a m úsica) para explicar com o conseguiu isso.
Num ciclo de palestras em Toronto, há m ais de quinze anos, eu vi a rom ancista Barbara Gowdy congelar no palco. Ela sim plesm ente ficou ali, trem endo. Não conseguia falar. Barbara achava que seria entrevistada, m as no últim o m inuto lhe disseram que precisaria falar. O m edo lhe saía por todos os poros. Mas aí aconteceu a coisa m ais inesperada. A plateia com eçou a aplaudir e dar vivas. Ela com eçou hesitante, parou. Mais aplausos. E aí com eçou a falar dos insights m ais eloquentes, m ais íntim os de seu pensam ento e seu processo criativo. Foi a palestra m ais m em orável daquele ciclo. Se ela tivesse chegado cheia de confiança e com eçasse a falar, não teríam os ouvido com tanta atenção nem dado tanta im portância ao que disse.